Assexual
1 único
Hoje eu a vi saindo do banheiro com os cabelos molhados e se sentando no sofá, ela me perguntou:
— Dinheiro ou sexo? Qual move o mundo?
No momento eu pensei que ela fez tal pergunta para ter a comprovação de como é diferente e sozinha nesse mundo — e eu estava certo. Assim como Virginia Woolf, ela não gostava de sexo. Assim como Macabéa, ela era virgem.
Também não tinha dinheiro, mas o que mais a incomodava no momento era sua ingenuidade. Seus olhos tinham um brilho incomum e não se orgulhava dele, tal brilho sumiria se ela rompesse o hímen — creio que é assim que ela pensa.
Achava que tinha síndrome do Peter Pan por ver tudo ao redor com muita fé como se fosse uma criança iludida. Acreditava fácil nas pessoas, até porque ela tinha o costume de lê-las.
Como uma vidente lendo a palma da mão, ela destrinchava cada ser humano nesse mundo.
Uma vez me disse num sorriso depois de eu reclamar de alguém “pense que ele é tipo aquele personagem que atrasa o protagonista, mas que é uma boa pessoa mesmo assim”, olhava tudo como se fosse uma história.
Ela era realmente diferente, mas ela tinha que viver. Era essencial para o mundo, porque sem pessoas como ela não haveria mais gentileza.
— Você sabe que essa pergunta é bem boba, né? — Respondi e tentei lembrá-la que o mundo que ela destrinchara tanto não merecia tal pergunta quando era tão complexo. No final, ela só estava sendo radical para cair de vez no abismo dos incompreendidos e esquecidos.
Eu queria entender por que ela se sente tão sozinha... eu daria de tudo pra ser como ela, ter o brilho nos olhos.
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