Assassin's Creed High School

30 Capítulo 30- Górki- parte 1


Notas iniciais
Eu sei, demorei pra caramba né? Admito, tô super desanimada com a fic. Só tô escrevendo pra acabar logo. Mas postei. Aproveitem.

Saímos da sede dos Assassinos rapidamente. O modo como o motorista do táxi dirige me deixa apreensiva. O que não faz o menor sentido. Já lutei contra caras do dobro do meu tamanho, dirigi um carro que não era meu com uma mulher grávida em trabalho de parto dentro e já treinei com pessoas bem mais experientes do que eu e sobrevivi. Mas um táxi está me dando nos nervos. Isso não tem lógica.

–Tudo bem, Livy?

–Sim, estou bem. –sorrio para Becca. –Onde estão os outros? Altaïr, Ezio, Shaun?

–Foram na frente. Não conseguimos vagas para todos no mesmo avião. Mas vamos chegar com pouca diferença de tempo.

–Ok, vamos todos juntos?

–Alguns de nós vão ficar. Não muitos, entretanto. Somente o suficiente para manter o Hotel dos Assassinos em segurança.

–É mais seguro.

–Não se preocupe, Lib. –ela sorri.

–Lib?

–É. Lib. Tem um som legal. –ela segura minha mão. –Sabe, eu sempre quis ver a sede da Rússia. Eu estou super animada com isso.

–Não quero acabar com sua animação, Becca, mas eu vou ter que ficar no suporte ou vou lutar?

–Isso é com os meninos e o vovô Achilles. Você teria que falar com eles. Mas é melhor que você decida por si mesma antes de qualquer coisa. Se você quiser lutar na frente de batalha, faça sua cabeça, porque Connor vai tentar te fazer mudar de ideia.

–É, eu imaginei isso. –recostei-me no banco do táxi. –Eu quero lutar. Quero trabalhar como trabalhava lá em Atlantic City. Foi para isso que eu treinei e é isso que vou fazer.

–Ok, sua escolha. Bem, eu sou mais útil na frente de um computador. Ainda bem que ser Assassino não quer dizer apenas lutar e fazer parkour por aí.

–Se trata de tantas coisa, não é?

–Com certeza. Por isso eu amo meu trabalho.

–É um ótimo trabalho.

–Ah, chegamos! –Becca fica agitada. –Vamos ter que ser rápidas! O voo sai em uma hora.

–Ok!

Pego nossas malas e corro para a fila de despache enquanto Becca faz nosso check in. Logo estamos no salão de embarque.

–Ai, ai, isso vai ser cansativo. –Becca se espreguiça.

–Horas e horas em um avião? Com certeza vai. –digo levemente emburrada.

–É, vai sim. Mas pense no tanto de ação que vamos ter quando chegarmos a Górki!

–É... mas antes vamos ter que pegar um ônibus e um táxi. E eu ainda vou ter que falar com Connor para convence-lo de que eu posso trabalhar na linha de frente.

–Relaxe, ele vai aceitar.

–E eu espero que a gente não demore nessa missão. Temos que fazer muita coisa antes da formatura!

–Minha mãe me pergunta todo dia sobre o que eu vou vestir. É realmente uma chateação quando vem esse assunto na minha casa.

–Eu queria que minha mãe pudesse me ajudar com isso.

–Ah... Lib... –Becca se senta ao meu lado e olha para mim com cara de dó.

–Não faça assim. –digo. –Não importa mais. Eu estou bem. Tenho você e Lucy para me ajudarem com essas besteiras. Eu não preciso de uma mãe. Não se eu tiver vocês comigo.

–Então prometo ficar sempre aqui. Do teu lado. –ela me abraça. –Vamos te deixar linda para a formatura.

Rio um pouco.

–Obrigada, Becca. Significa muito. De verdade.

–Voo 1327 para Moscou, embarque imediato. Portão 7.

–Vamos, é o nosso voo. –digo me separando dela

Xxx

Ao chegarmos a um vilarejo próximo de Górki, chamado Izumrud, um jovem nos recebe de braços abertos e uma lareira quentinha.

Seu nome é Nikolai. Ele rege o Credo em boa parte da Federação Russa. Ele arrumou uma casa para nosso grupo ficar e também casacos para nos mantermos aquecidos.

Aqui está tão frio que nem sinto meu corpo, por isso recebi com muita alegria o cobertor de pele que Nikolai me ofereceu.

–É... Incomum encontrar mulheres como você por aqui. –o russo diz com um sorriso travesso nos lábios.

–Nem comece, Nik. Essa é a garota do Connor. –Ezio diz.

–Ah, mesmo? Bem, então tudo bem. –Nikolai se afasta. –Ei! Kenway!

Connor se vira para nós.

–Sortudo!

–Sim, eu sou! E pare de babar em cima dela! –ele diz emburrado.

Eu rio baixinho e vou até Shaun para ajuda-lo a tirar nosso equipamento de dentro das caixas.

–Vou atrás de mais aquecedores. Se não tomarem cuidado, toda essa parafernalha vai congelar nesse frio. Allochka, Dorofei, venham comigo. Gennadiya e Melor ficam aqui e ajudem nossos visitantes. Kazimir, você comanda a equipe de Assalto, certo?

–Sim, senhor. –Um homem alto de olhos castanhos e cabelo loiro diz.

–Diga para se reunirem. Quero todos na casa de Faddei em trinta minutos.

–Sim, senhor! –Kazimir sai da casa rapidamente.

Enquanto a equipe russa se organiza, nós colocamos tudo em seu devido lugar e depois lutamos para nos manter aquecidos nesse frio desgraçado.

–Agora entendo porque Napoleão e Hitler falharam quando tentaram invadir esse lugar. –Shaun diz.

–É frio pra caralho. –assinto tremendo.

Connor vem e se senta ao meu lado, me abraçando logo depois. Encosto a cabeça em seu peito e aproveito o calor que seu corpo oferece.

–Posso me juntar a vocês? –Ezio faz biquinho.

–Sai, Auditore. –Connor empurra o italiano.

–Ah, Connor, pobrezinho. Deixe ele. Todo mundo está morrendo de frio. –falo.

–É, Connor, pobrezinho! –Ezio abre bem os olhos, como um filhote de cachorro.

–Ele pode ficar no meu colo. –sorrio. –Nós podemos fingir que ele não existe. Podemos fingir que somos só nós dois. –delineio seus lábios com os meus. –Ele pode ser nosso cãozinho. Isso seria legal, não é?

–Bem, olhando por esse ângulo. –ele sorri para mim.

–Ok, ok, vou ficar ali com a Aveline. –Ezio se afasta, indo até a Assassina, que quase salta ao ver o Italiano atrás de si.

–Esse Auditore não tem jeito mesmo. –Desmond diz. –Deus, eu odeio esse frio.

–Somos dois. –Lucy diz com os dentes batendo. –Becca, como vai com as instalações.

–Tudo bem. Vai estar pronto em dez minutos no máximo.

–Fale com Edward e Achilles assim que conseguir. Temos que manter os dois informados de tudo.

–Então já pode falar uma coisa: os Assassinos deles vão morrer congelados nessa merda de vilarejo. –Altaïr resmunga.

–Pare de ser um bebezão. –Malik bate na cabeça do namorado. Altaïr finge um choro infantil.

–E nós vamos salvar o mundo... –Lucy murmura para si mesma.

–Sim, nós vamos. –Becca ri e abraça a loira.

Salvar o mundo. Ok, talvez não seja pra tanto, mas sei que estamos fazendo algo importante e não quero ficar nessa casa. Quero ir lá fora e ficar com os outros. Becca, Shaun, Lucy e Malik são muito importantes aqui dentro, fazendo o que fazem, mas não quero ser importante desse jeito. Minha mãe sempre dizia que eu tinha alma de guerreira. Tanto eu quanto Charlie. Que seríamos essenciais. Que nós devíamos proteger quem não pode fazer isso por si só. E eu sempre obedeci minha mãe

–Ei, Connor. –falo baixinho.

–O que foi?

–Eu quero lutar com você.

–Eu sei. –seu rosto fica duro.

–Sem “mas”?

–Claro que eu tenho um “mas”. Eu tenho uma dúzia de “mas”. Eu não quero você se arriscando por aí. E você nem tem experiência em missões como essa. Não quero que você se machuque. Lá é muito perigoso. É perigoso para mim que já sou Mestre Assassino e é por isso que te quero bem longe de Górki.

–Connor, eu...

–Espere, eu ainda não acabei. –ele olha para a fogueira a nossa frente. –Mas... eu recebi ordens. Vovô disse que é para você ir. Ele já foi meu Mentor e, mesmo que não seja mais, eu o respeito muito, por isso vou obedecer suas ordens. –ele me aperta entre seus braços.

–Vamos ficar bem, Connor. Todos nós vamos ficar bem.

–Eu queria poder acreditar nisso.

Me encolho em seu abraço e fico nessa posição alguns minutos até ouvir uma voz cantando bem alto e agudo do lado de fora da casa.

–L'amour est un oiseau rebelle
Que nul ne peut apprivoiser,
Et c'est bien en vain qu'on l'appelle,
S'il lui convient de refuser.

–Isso é...? –Shaun ergue a cabeça.

–Quem raios está cantando ópera no meio da rua? –Malik franze o cenho.

–Rien n'y fait, menace ou prière,
L'un parle bien, l'autre se tait;
Et c'est l'autre que je préfère
Il n'a rien dit; mais il me plaît.

Habanera. Eu gosto muito dessa música. Sempre quis ser capaz de canta-la, mas é muito aguda para mim. E não tenho fôlego. Admirava quando minha mãe a cantava para mim. Essa música me trás boas memórias.

–L'amour! L'amour! L'amour! L'amour!

Levanto-me ao perceber que a voz se aproxima. Vou até a janela e tento ver o lado de fora. Infelizmente o vidro está coberto pela neve que cai.

–L'amour est enfant de Bohême,
Il n'a jamais, jamais connu de loi,
Si tu ne m'aime pas, je t'aime,
Si je t'aime, prend garde à toi!
Si tu ne m'aime pas,
Si tu ne m'aime pas, je t'aime!
Mais, si je t'aime,
Si je t'aime, prend garde à toi!

–Que música é essa? –Lucy quer saber.

–É Habanera. É uma ópera muito conhecida. –respondo. –Minha mãe costumava cantar para mim. Não sei porque alguém estaria cantando agora mas...

–Ei, essa voz é a voz da Luna! –Desmond corre para fora da casa. Lucy o segue.

–L'oiseau que tu croyais surprendre
Battit de l'aile et s'envola;
L'amour est loin, tu peux l'attendre;
Tu ne l'attend plus, il est là!
Tout autour de toi vite, vite,
Il vient, s'en va, puis il revient!
Tu crois le tenir, il t'évite;
Tu crois l'éviter, il te tient!
–L'amour, l'amour, l'amour, l'amour... –canto baixinho.
–Luna simplesmente está vindo aqui?

–Eu não duvido. –Altaïr diz. –É assim que a cabeça da Luna funciona. Se alguém vem atrás dela, ela se mostra. Como que pra dizer que não está se escondendo. Ela é doida. Mas pelo menos nos poupa o trabalho.

–L'amour est enfant de Bohême,
Il n'a jamais, jamais connu de loi,
Si tu ne m'aime pas, je t'aime

–Hum, ela está com mais alguém. –Malik diz.

–Sim. Espero que seja Eva. Addah está louca de preocupação. –Aveline diz. –Elas ficaram bem próximas.

–Eva, hum... ela é bem bonitinha.

–Ezio! –Aveline está corada.

–O que foi? Disse que ela é bonitinha, ela não faz meu estilo.

–Ei, isso não importa agora.

–Ah! Desmond! Lucy! –é a voz de Eva. Acho. –Luna disse que era bom virmos ver vocês. Acho que ela estava certa.

Após alguns segundos a porta é aberta e Eva, Lucy, Desmond e Luna entram na casa. Os quatro cobertos de neve.

Por algum motivo Eva e Luna estão vestidas como homens. Luna usando uma casaca azul e peruca curta preta, escondendo os cabelos coloridos. Eva usa um uniforme militar Russo e um cachecol preto que cobre metade de seu rosto. ela também usa peruca preta.

–Ah, não pensei fossem vir atrás de nós. –Eva diz tirando o cachecol de cima do rosto, revelando um sorriso. –Luna disse que seria melhor se fôssemos só nós duas. Mais discreto. Mas acho que podemos usar a ajuda de vocês.

–Eu discordo. –Luna fala.

–Claro que você discorda. –Desmond a pega pelo braço. –O que raios você estava tentando fazer?! Se matar?!

–Eu estava tentando impedir vocês de virem aqui! Assim eu morreria sozinha e ninguém mais se machucaria!

–Claro que nós nos machucaríamos, sua idiota! –o lugar onde Desmond segura Luna está ficando vermelho. –Mas que merda, Luna! Você foi a nossa babá, droga. Você me ensinou a usar uma Hidden Blade sem me cortar, você carregava Kadar nos seus ombros, você penteava o cabelo de Lucy para irmos à escola, você limpava as roupas de Connor quando ele caia e se machucava, assim os pais dele não reclamariam tanto, você cortava o cabelo de Altaïr, você ensinou Becca a usar um computador, ensinou história a Shaun, você... –o Assassino está quase chorando. –Você é uma idiota se achava mesmo que não viríamos atrás de você.

–Des...

–Deixe eles ajudarem a gente, Luna. –Eva diz com a voz macia.

–Tá. –a voz de Luna está tremendo. –Mas se um de vocês morrer, eu juro por Deus que persigo seu traseiro no inferno. Você inclusive, Olivia.

Ergo a cabeça, assustada ao ouvir meu nome.

–Não fique tão surpresa. –ela revira os olhos para mim. –Você é minha irmã agora.

–Bem, se vocês vão me ajudar, então vamos logo. Eu tinha um plano já formado, mas ele não vai durar se ficarmos enrolando aqui nessa cabana.

–Ok, vamos, peguem suas coisas. –Altaïr diz.

–Ei, ei! Quem vai exatamente? –Shaun pergunta.

–Pensei que fosse óbvio. –novamente Luna revira os olhos. –Todo mundo. Malik, Altaïr, Ezio, Aveline, Connor, Olivia, Lucy, Desmond, Becca, Shaun. Esqueci alguém?

Ninguém responde.

–Então vamos!

*

–Isso parece ser um péssima ideia. –Malik sussurra ao meu lado.

Estamos deitados atrás de um tronco de árvore caído. Estamos tremendo de frio e temos nossa visibilidade diminuída por causa da nevasca. Luna acredita que podemos usar a neve ao nosso favor. Eu duvido que alguém vá conseguir se mover depois de tanto tempo deitado nesse gelo. Eu até estou duvidando que minha hidden blade vá funcionar.

Meu Deus! E se ela tiver congelado?

Testo o mecanismo e, com mais do que alívio, vejo que ainda funciona com perfeição.

–Connor, Altaïr e Shaun, vocês três primeiro. –Luna sussurra quando um grupo de guardas vira a esquina a nossa frente. –Subam no telhado e fiquem lá.

Eles assentem e se levantam. Connor é o primeiro a escalar a cerca de arame, ajudando Shaun logo depois. Observo tudo atentamente. Não quero perder nenhum detalhe do local.

Eles começam a escalar o prédio segundos antes dos guardas voltarem na sua ronda.

–Olivia, Desmond e Malik, vão.

Salto sobre os pés e começo a escalar a cerca. Fico no topo para ajudar Malik a subir. Desmond o ajuda por baixo.

–Vamos, corram, corram. –Malik diz quando consegue chegar ao topo da cerca.

Corremos, atravessando o campo de neve. Seguro a mão de Malik. Por nada vou soltá-lo. Eu juro.

Ao chegarmos no edifício, Altaïr e Connor nos ajudam a levar Malik para cima do telhado.

–Vai, sobe. –Des diz quando Malik já está na segurança do telhado.

–Ok. –começo a escalada. –Deus... minhas mãos vão cair.

–As minhas também. –ele diz logo abaixo de mim.

–Derzhite yego!

–Porra, eles viram a gente. Vai livy, vai!–ele se solta, caindo no chão e indo na direção dos soldados.

–Espere! –minha voz é um choro na neve.

Os soldados atiram.

–Desmond!

Notas finais
Gostaram? Comentem então galera! Obrigada! That's All Folks!