Assassin's Creed: Elementary

10 Questões de Prioridade


-Não estou acreditando que você o procurou, Jacob. Depois de tudo que aconteceu...

O Assassino deu de ombros ao comentário da irmã. Sentado completamente desleixado sobre o sofá do trem, Jacob parecia relaxado, mas em sua mente inquieta algo o perturbava. Passara aquela manhã ouvindo reclamações dos Rooks a respeito da escassez de recursos. As munições estavam escassas, as armas não eram trocadas há muito tempo e faltava até mesmo uniformes novos. Para completar, a folha de pagamento da semana estava contadíssima. Ele duvidava muito que os Rooks teriam recursos na próxima semana. Nunca antes o Frye sentia-se tão pressionado, nem mesmo nos primórdios da gangue, quando precisavam enfrentar os numerosos Blighters em tamanha desvantagem. Havia marcado uma reunião naquela noite com Harry para decidirem o futuro da gangue. Pensou em chamar sua irmã, mas um conflito entre ela e seu amigo era a última coisa que os Rooks precisavam naquele momento. Poderiam se virar sem ela, pensou.

-Ele até me deu um cartão, Evie. Vou deixar na sua mesa, caso queira procura-lo.

-Dispenso, querido irmão. Eu não tenho nada a tratar com aquele homem. – respondeu Evie, enquanto tentava consertar sua manopla. Bufou, impaciente.

-Eu não seria tão convicta assim, Evie. Não quando ele detém algo contra CAM que está além do nosso alcance...

-O quê?! – exclamou Evie, deixando suas ferramentas sobre a mesa.

-Foi o que ele disse. E eu acreditaria se fosse você. Aquele sujeito pode ser insuportável, mas é muito astuto.

-Parece que ele ganhou um fã...

-Nem um pouco. Quase o soquei, mas depois até tomamos uma cerveja.

-Reafirmo o que disse. – zombou a gêmea, surpreendendo-se com a chegada irrompida de Henry Green, seu noivo. Ele parecia esbaforido, com seus olhos negros arregalados e roupa abarrotada.

-O que houve, Greenie? Parece que viu um fantasma...

-É Duleep Singh, Jacob. Ele recebeu um ultimato. Três dias para entregar a CAM as jóias, do contrário... Temo pelo pior.

Os gêmeos suspiraram, cansados.

-Evie, você pode cuidar disso? Sabe, os Rooks precisam de mim...

-Some daqui, Jacob. – pediu a Assassina, em um tom de ameaça. Obviamente, o Marajá estava longe das prioridades de seu irmão, e sabendo do apreço de Henry pelo Marajá, não restava a Evie senão ter que se dedicar mais a isso. Uma promessa era sempre uma promessa.

Seguindo o pedido de sua irmã, Jacob saltou do trem em movimento, ejetando seu gancho e se pendurando por um dos prédios da estação. Sabe-se lá os negócios dele, pensou Evie, mas não deveria se preocupar com isso. Ao menos, não até as ações irresponsáveis dele provocarem mais problemas em Londres. Esperava que o Assassino ao menos tivesse aprendido alguma lição e agisse com mais cuidado.

-Estou preocupado com o Marajá, Evie. Se esse CAM cumprir com suas ameaças...

-Isso não vai acontecer, Henry. Eu vou investigar a casa dele e roubar essas cartas. E se possível, colocar um fim às patifarias de CAM. Londres respirará melhor depois da morte dele. Agora, há um pormenor que preciso resolver antes...

-Que pormenor, Evie? – estranhou Henry.

-Não se preocupe, Henry. É só um detalhe. – disse Evie, discretamente pegando o cartão deixado em sua mesa por Jacob. Guardando-o, ela percebeu Nigel se aproximar. Mestre em se enfiar em problemas, o rapazote logo se aproximou de Evie, o que fez a Assassina imaginar que em breve estaria diante de mais um problema. Tudo que ela menos precisava no momento, com tantos em sua cabeça.

-Senhorita... – começou o rapaz, tirando sua boina educadamente da cabeça e mostrando seus cabelos desgrenhados a cair sobre a testa. – Tenho uma boa notícia!

-Você, portador de boas notícias desde quando? – retrucou Evie, com certo humor.

-Dessa vez até mesmo eu estou surpreso com o que descobri, senhorita, e sem provocar nenhuma confusão. Segui à risca todas as suas instruções e consegui voltar para cá sem ser detectado. E o que é melhor: eu acho que encontrei os templários franceses que vocês estavam procurando.

-Mas que grata surpresa, Nigel! – felicitou Evie, realmente maravilhada com as ações do rapaz. Ele era um dos poucos Rooks que sabiam quanto aos Assassinos e Templários. Além dele, apenas a senhoria Agnes e Clara O’Dea – que não era necessariamente da gangue, mas sabia de absolutamente tudo que se passava por Londres, inclusive dos templários. Quanto a Nigel, Evie enxergava nele potencial para ser um Assassino e adentrar à Irmandade, ainda que fosse lá um rapaz atrapalhado.

-Como conseguiu rastreá-los? – perguntou Henry, curioso.

-Não vão acreditar na coincidência, mas eu os localizei naquele galpão que Harry indicou para os Rooks. A senhorita Frye pediu que eu fosse lá, sabe, para saber como era, quem o ocupava...

-Oh... É mesmo? – perguntou Henry, mais para Evie do que para Nigel. Tudo que a Assassina fez em sua reação quanto ao seu noivo foi franzir o cenho. Não era necessárias maiores explicações. Com toda a certeza a Frye estava vasculhando tudo que remetesse a Harry, inclusive essa estranha empreitada que o malandro ofereceu a seu irmão Jacob.

-Sim, e eu os encontrei lá. Percebi pelo emblema que eles carregavam. Mas uma coisa estranha que percebi foi que eles estavam mantendo um homem em cativeiro. Eu o vi trancado em uma sala, acorrentado a uma cadeira. Usava um chapéu redondo sobre a cabeça, sabe... Os que aqueles homens barbudos e engraçados usam...

Evie aturdiu-se. Logo recordou-se das palavras de Sherlock Holmes a respeito do arqueólogo

-Esse “chapéu redondo” se chama quipá, e esses homens “barbudos e engraçados” são na verdade judeus. Aliás, não se refira mais a eles deste jeito. É preconceituoso.

-Desculpe, senhorita. Não quis ofender.

-Desculpas aceitas, Nigel. Contanto que não se repita. Preciso que me conte tudo que viu, Nigel. Absolutamente tudo. Quantos homens haviam por lá, o quão bem armados estavam e se havia formas de infiltração nesse prédio. – pediu Evie. Ouviu atentamente o relato de Nigel, detalhe por detalhe, anotando-os mentalmente.

Enquanto Nigel despedia-se dos Assassinos, contente por sua descoberta e por poder ajudar seus benfeitores, Evie imediatamente voltou-se para Henry, claramente irritada.

-Eu sabia! Sabia que esse Harry estava nos enfiando em problemas!

-E se for apenas uma coincidência, Evie?

-Coincidência uma ova, Henry! Aquele desgraçado não reapareceu de repente em nossas vidas por acaso. Aposto que está mancomunado com esses malditos templários!

-Não faz sentido, Evie. Por que ele indicaria um galpão para comprarmos que está sendo ocupado por templários? – questionava Henry. Encurralada, a Assassina suspirou.

-Parece não fazer o menor sentido porque não detemos todas as informações, Henry. Mas isso acaba hoje. Iremos até esse galpão e colocaremos um fim nas atividades desses templários, e também descobriremos o quão envolvido está Harry Carter.

-Tudo bem. E quanto a esse judeu que está sendo mantido refém com eles? Não sei porquê, mas tive a sensação de que você sabia de quem se tratava...

-Sherlock Holmes me alertou que o arqueólogo Matteo Salvatti, um arqueólogo especialista no Império Romano, foi sequestrado por templários.

—Ah, Sherlock Holmes... Ele de novo... – comentou Henry, em um tom um tanto azedo para os ouvidos de Evie, que continuou sem fazer qualquer comentário a respeito.

—E esse Salvatti é judeu, Henry. Um judeu sequestrado por templários... Duvido muito que seja apenas coincidência. Mas nós o resgataremos. Precisamos dele vivo até para entender o que os templários tanto querem com ele.

-E quando invadiremos esse galpão?

Evie sorriu diante da perspectiva de ir à campo juntamente com Henry Green. Aliás, diferente das outras vezes, ela sentiu que ele estava animado. Desde o combate com Crawford Starrick na cripta secreta, ele havia se mostrado mais disposto ao lado prático da vida de um Assassino. Seu desempenho na luta, ainda que não tenha sido dos melhores –e nem havia como ser, se tratando de um homem de posse de um Artefato do Éden tão poderoso como aquele manto – o deixou mais confiante quanto às suas próprias habilidades, e Evie gostava de se sentir responsável por fazê-lo se sentir não mais um fracassado.

-Hoje à noite. Me encontre por lá às 19 horas em ponto. Invadiremos esse galpão juntos e então teremos respostas

-Pensei que seria agora...

-Não, é melhor termos as sombras da noite como nossa aliada. Se Nigel estiver certo, serão muitos, e ainda temos um refém em poder deles. Quanto mais furtivos agirmos, melhor. Mas antes, preciso resolver um último pormenor...

—Ah, aquele pormenor que você mencionou agora há pouco...

—Sim, ele mesmo. Mas nada que vá ocupar muito o meu tempo. Nos encontramos lá. – disse, despedindo-se do indiano com um beijo.

-Tudo bem. Como você preferir, Evie. Até mais tarde. – disse, enquanto observava a Assassina aproveitar a parada do trem em uma estação ferroviária para saltar. Como um fantasma, a Assassina desapareceu entre a multidão de passageiros.

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-Mas por que eles se recusaram a pagar?

Flexter suspirou profundamente diante de seu chefe, Jacob Frye. Aquele tipo de reação que o Assassino sabia bem interpretar. Quando alguém estava diante de uma notícia difícil, na verdade péssima. E não tinha coragem de contar. Ou mesmo de admitir.

-Houve um assalto à joalheria. Os bandidos estavam bem armados e... Bem, não tínhamos munição o suficiente para contê-los. Quem conseguiu derrota-los foi a Scotland Yard, e por causa disso os comerciantes da Brompton Street não querem mais pagar por nossa proteção. Disseram que... Que os Rooks não prestam pra nada, senhor.

Massageando as têmporas, Jacob Frye inalou profundamente.

-Quantas balas estamos distribuindo diariamente?

-Cinco balas por pessoa, senhor. Do contrário, alguns ficariam sem munição. Antigamente, costumava ser de quinze a vinte balas.

Antigamente, pensou Jacob. Antigamente. Faz tanto tempo assim que os Rooks passaram pelo tempo das vacas gordas? Parecia, nas palavras daquele membro, uma eternidade de tão distante, mas foi algo recente, de meses atrás. Era necessário fazer alguma coisa.

— Depois me reúno com os comerciantes da Brompton Street para conversar com eles. Darei minha palavra de que melhoraremos a segurança daquela rua e colocarei os me. Está dispensado, Flexter.

Ao sair, o capanga quase que esbarrou em Harry Carter, que adentrada à sala de Jacob naquele prédio em Devil’s Acre às pressas. Era o único naquele ambiente com o semblante contente e Jacob não conseguia compreender o porquê.

Até um saco cheio de dinheiro ser colocado sobre a mesa.

-Puta merda, o que é isso?

-Dinheiro, meu caro Frye. Ou por acaso se esqueceu de como ele é?

-Óbvio que não, só estou querendo saber onde você conseguiu tanta grana assim. Nenhum dos negócios dos Rooks anda tão lucrativo assim...

-Foi o bordel, Jacob. Esse é o rendimento da primeira semana.

Os olhos castanhos do Assassino arregalaram-se.

-Não é possível... Prostituição dá tanto dinheiro assim?

-Na época do pagamento, sim. Eu já ouvi de alguns homens que você precisa comprar armamento para os Rooks. Já pode encomendar.

Levantando-se euforicamente da cadeira, Jacob deu fortes tapas no ombro de Harry, em agradecimento. Sorriu e despejou o dinheiro sobre a mesa, já fazendo planos.

-Esse é só o primeiro bordel, Jacob. Há muitos outros pela cidade, dando sopa. Não explorar os bordéis foi uma baita oportunidade que os Rooks deixaram passar. Mas agora, eu estou aqui para te ajudar, e é o que faremos.

Jacob observava Harry empilhando o dinheiro. Imaginava quanto dinheiro estava por Londres, voando e escapando de suas mãos, tudo por causa da moralidade de Evie e dos Assassinos. Os Rooks precisavam de recursos, e ele faria tudo que fosse possível para obtê-los. Absolutamente tudo.

-Qual será o próximo? – perguntou, voltando-se a Harry, que a julgar pelo seu sorriso, sabia bem qual seria o próximo alvo dos Rooks.