Notas iniciais
"Nos tulharam a vida e a liberdade. E agora estamos reclamando-as de volta... E com uma porção de felicidade."

Fazia uma semana que Malika estava vivendo com Desmond.

Mesmo estando à flor da pele de ansiedade, Desmond se controlava o máximo que podia. Ele sofria torturas diárias – ela andava apenas de calcinha e camiseta à noite ou saía do banheiro somente com uma toalha de banho, dormia no sofá com a cabeça no colo dele ou apenas comer algo doce com maneirismos que ele considerava provocantes-, e tentava aplacar sua vontade de todas as formas que um homem seria capaz de conhecer pra se acalmar.

Malika era a tentação em pessoa, e havia algo de sonso no jeito de ser daquela garota que tirava Desmond do sério. Não se sabia ao certo se ela era perdida e desavisada daquela forma ou se estava realmente seduzindo-o; um enigma que estava pra ser desvendado. E isso estava deixando o jovem rapaz confuso e deveras pensativo...

-... Desmond, oie; acorda!

- Heim?

- Cara, você tá bem? – Dave aparentava aborrecimento misturado com preocupação. – Você passou do ponto em três batidas e fez dois martinis errados, cara!

- Caraca, sério!? Mals aí, to com a cabeça meio cheia... – Desmond esfregou a nuca.

- Não faço idéia do que esteja te tirando do foco, mas não continue a dar mancadas! Nosso emprego pode ir pras cucuias!

- Ok, ok...! – Desmond demonstrava impaciência.

E não era pra menos. Malika estava lhe tirando dos eixos, e o sacrifício estava passando dos seus próprios limites. Ele não sabia até quando aguentaria tanta provocação, tanta beleza e sensualidade que não podia ser alcançada, tocada, devassada, possuída. Seus limites estavam sendo testados, e obviamente, Desmond estava covardemente perdendo.

Uma chuva inesperada e tempestuosa caiu subitamente em Nova York, refrescando um pouco o calor insustentável daquela madrugada, mas causando um verdadeiro aguaceiro que dificultou o trânsito já escasso naquela hora. Desmond acabou encharcado pela chuva, e sabia que teria de enfrentar o senhor Fickleberry e suas reclamações infundadas. Seus passos, mesmo que na ponta dos pés, estavam barulhentos devido ao encharque dos sapatos. Estava nojento...

Assim que chegou ao apartamento, Desmond foi surpreendido por uma cena nunca antes vista: seu apartamento estava impecável, limpo e perfumado. A cozinha parecia novinha em folha; tudo lavado e organizado, o quarto estava perfeito; mais parecia um quarto de hotel de cinco estrelas! O banheiro estava brilhante e vistoso, dava para usar os azulejos como espelho de tão brilhante que estavam. Desmond não escondeu o assombro, e viu Malika terminando de limpar um vaso toda sorridente, e assim que ela o notou, seu sorriso se abriu ainda mais:

- Oi, Desmond! Espero que não se incomode, mas eu tinha que me ocupar de alguma forma!

- Não, de boa...! – Desmond estava estupefato. – O apê parece que saiu duma reforma milionária!

- Obrigada pelo elogio! – Malika corou. – Fiquei apreensiva de só ficar na sua casa sem fazer algo, então me atrevi a fazer uma faxina... Oh, vou te trazer uma toalha! Você está ensopado!

Malika saiu correndo, e voltou trazendo duas toalhas enormes, e cedeu uma delas para Desmond. O que ele não esperava era que ela começou a ajuda-lo a se secar, secando seu tronco e seu rosto. Eles estavam a poucos centímetros um do outro, um calor começou a ebulir, e um clima mais romântico começou a florescer...

Assim que olhou para a bancada, seus olhos expressaram fascínio e gratidão: uma refeição completa estava posta à sua espera, ainda escapando vapor de uma comida feita na hora. Fazia tempo que ele não era bem tratado daquela forma... Talvez nem se lembrasse mais como era. Emocionado e deixando escapar o sorriso de alegria no rosto, Desmond largou a mochila no sofá, ficou descalço e logo sentou-se para comer com todo gosto e ferocidade que sua fome e satisfação podiam mostrar. Ele parecia uma criança faminta, que sentia extrema falta de uma comida caseira, daquele cuidado de mãe e mulher. Malika sentou-se ao lado dele lentamente, Como se não quisesse perder nenhum segundo daquele momento, daquela imagem tão inocente aos seus olhos. E em meio às garfadas furiosas de comida, Desmond agradeceu:

- Valeu pelo rango...! Tá uma delícia!

- Oh, de nada! Fiz pensando em você...

De repente, um silêncio acusatório se instaurou. Malika olhava para Desmond como se estivesse hipnotizada, tomada por uma prisão cujo olhar oliva dele era capaz de criar. O mesmo acontecia a Desmond, que parecia perdido, afogado e acorrentado ao olhar vivo e brilhante da jovem. Ao se dar conta da hipnose, Malika tentou disfarçar:

- Seu rosto está meio... Sujo... – ela pegou um guardanapo quase sem ver, limpando gentilmente os lábios de Desmond.

- Tá de boa, não precisa... – Desmond segurou o pulso de Malika, afastando lentamente sua mão de seu rosto.

Já não havia mais o que fazer.

Eles se aproximavam; se exploravam com o olhar semicerrado, sentiam as faíscas de uma iminente paixão estalar ao menor resvalo de seus lábios. Era como se quisessem se entregar, mas o medo de estarem cometendo uma besteira estivesse gritando loucamente em suas mentes, como se a atração inevitável soasse errada demais. Mas Desmond não conseguiu se segurar: ele agarrou a nuca de Malika, e num único puxão, deu-lhe um beijo poderoso e urgente. Mesmo assustada, Malika correspondeu, apressada e com toda voracidade que seu coração permitia deixar explodir. Suas mãos se agarraram à blusa dele, como se não quisesse ser solta muito menos queria que ele escapasse. Era algo único, uma força nova entre duas almas fugitivas e perdidas.

Seus sentimentos antes confusos, agora pareciam tão certos, sem culpas ou justificativas. Desmond arrancou a blusa e a camiseta de uma só vez; sua pressa só o deixava mais atrapalhado. Uma vez livre daquela roupa toda, Desmond era perfeito: músculos torneados, brilhando pela água da chuva gotejada em seu torso moreno de ombros largos. Malika também arrancou sua regata, deixando seu sutiã roxo e rosa rendado à mostra. Seus seios eram perfeitos, mais ainda com o sutiã valorizando-os. O jovem dos olhos oliva não escondeu o tesão incontido em querer explorá-los e os vislumbrou com toda paixão, agarrando-os gentilmente. Malika deixou-se ser tocada, leves gemidos baixos escapavam de seus lábios trêmulos. Desmond beijava cada canto de seu corpo esguio e curvilíneo, como se saboreasse sem a menor pressa, com todo direito que lhe cabia pela espera daquele momento. Estava tudo permitido, nada iria pará-los.

E a chuva caía, incessante, refrescando a cidade, mas orquestrando uma linda noite de amor entre Desmond e Malika.

Notas finais
Perdão da demora, caros leitores!
Falta de tempo geral (sim, trabalhei no carnaval, huehuehuehue), mas nunca que deixarei vocês na mão. :)
Mesmo que meio cedo (terceiro capítulo, affe), finalmente Desmond e Malika assumiram seus desejos! Não sou fã de lenga lenga (vide o meu fic sobre DmC), acho que isso tira a diversão, mas também não pode ser um negócio vazio, que bastou um olhar no outro e "plim": amor puro e eterno sem algo real. :P
Espero que gostem! Até o próximo capítulo! ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.