Notas iniciais
Olá! Quase uma semana depois, trago mais um cap. Obs.: fiz algumas alterações nos primeiros caps. Confesso que essa história foi postada com muita ânsia e que algumas coisas saíram um tanto ruins. Para atender aos leitores mais atentos, prometo ser mais cautelosa. Por isso, os ajustes. Mas não se preocupem, nenhum fato da fanfic foi alterado. As alterações se limitaram a erros de digitação, concordância, etc. Enfim, este é um longo trabalho que terei pela frente, e espero que vocês perdoem os erros dela. Estou ocupada com esta fanfic, e também com uma de Sherlock Holmes que começarei a postar no mês que vem, e dar atenção às duas é algo que vejo cada vez mais como algo complicado. Estou quase arrependida de ter lançado essa fanfic. Só não estou totalmente porque fico feliz com os retornos que recebi. E só não a excluo por causa de vocês, caros leitores. Enfim, chega de chorumelas, e vamos ao cap.

Alguns dias depois...

–Céus...

Foi tudo que Haytham pôde observar, ao finalmente receber suas roupas das mãos de Ziio. Ele sabia que elas já estavam secas há muito tempo, mas Ziio simplesmente preferiu mantê-lo sem elas, temendo que ele a desobedecesse e saísse da casa sem sua autorização. Ela sabia que Haytham jamais se apresentaria em público usando apenas uma pele de puma, por isso tomou essa estranha decisão.

–Não houve muito que fazer com esta camisa. O sangue estava muito seco. – ela disse, enquanto Haytham fitava o pano, praticamente marrom na altura do estômago.

–Ao menos é melhor do que nada. E ainda tenho o meu colete, dá para disfarçar. De todo modo, eu preciso de mais roupas...

Ela deu um sorriso bem tímido – algo típico de si – e tirou de um canto o que parecia ser um casaco de pele.

–Tome. Está começando a fazer frio e acredito que isso pode substituir a sua capa.

Haytham pegou o casaco. Percebeu que era de um material muito parecido com os utilizados pela tribo de Ziio. Provavelmente pele de cervo, com grandes chances de ter pertencido ao cervo que ela trouxe há dois dias. Mesmo não estando acostumado aquele tipo de roupa, Haytham percebeu que ela parecia confortável e bem costurada.

–Hum... – disse Haytham, enquanto experimentava a roupa. – Serviu. Muito obrigado.

–Agradeça-me ajudando a caçar. – ordenou Ziio, devolvendo-lhe a Hidden Blade. – Foi tudo o que pude conseguir. Mãe do Clã ainda está relutante em devolver todas as suas armas.

–Tudo bem. – disse Haytham, com naturalidade. – Creio que não precisarei de todas elas. Estas servem. – disse ele, enquanto amarrava suas Hidden Blades de volta ao pulso, testando rapidamente as lâminas, fazendo-as serem rapidamente ejetadas.

–Er... – disse Haytham, antes de saírem. – Eu... Eu nem lhe agradeci por sua tentativa de me salvar... A ponto de usar minhas Hidden Blades para...

Ziio pôs um dedo ligeiramente nos lábios de Haytham, silenciando-o.

–Não toque mais neste assunto. Ninguém deve saber disso.

–Tudo bem. – ele assentiu. – Pois então, vamos à caça?

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Ao sair da oca, Haytham percebeu porque Ziio lhe presenteara com aquele casaco. Realmente, o clima estava esfriando. Seria a chegada do inverno? Ele não sabia, mas tudo indicava que sim. Enquanto caminhava com Ziio até a saída da Aldeia, Haytham notou que ainda era uma espécie de “atração de circo”, atraindo olhares de praticamente todos.

Principalmente das mulheres.

Havia duas cochichando sobre algo que, infelizmente, ele não pôde entender. Ainda assim, sua curiosidade acabou direcionando seus olhos rapidamente para elas. Mesmo breve, foi o bastante para Ziio dar-lhe uma cotovelada, em alerta.

–Desculpe. – ele disse, tentando disfarçar a sensação agradável de despertar ciúmes nela. Mas Ziio sempre achava justificativa para tudo.

–As duas são irmãs de dois guerreiros. Acaso quer arranjar problemas de novo?

–Er, não. – ele disse, desconfiado de sua explicação. – Mas do que elas estavam falando?

Ziio pareceu abnegada em dizer, mas acabou cedendo.

–Que há um céu dentro do seu olho.

Haytham soltou uma sonora gargalhada. Óbvio que a cor de seus olhos iria causar estranheza ao povo de Ziio, mas ele realmente não esperava ouvir essa. Céu, dentro do olho? Era realmente engraçado de se pensar. Ziio acabou cedendo um sorriso.

–Muitos do meu povo não estão acostumados com sua aparência. Procure relevar.

–Tudo bem, mas admita que é um tanto curioso a conclusão que alguns de seu povo chegam a respeito de nossas diferenças físicas. Já ouvi muitas comparações a respeito da cor de meus olhos, mas isto... – disse, soltando mais algumas risadas.

Os dois seguiram o resto do caminho até o Vale em silêncio. Finalmente, Ziio parou em determinado ponto.

–Chegamos. A partir deste trecho, será possível caçarmos. O que deseja comer, coelho ou cervo?

Haytham virou seus olhos brevemente, observando ao redor.

–Cervo, se possível. Tenho condições? – disse, acionando as lâminas.

Ziio cruzou os braços, aparentemente surpresa com sua auto-confiança.

–Veremos. Para caçar um cervo desta forma, você precisa ser furtivo.

–Hum... – analisava Haytham, com diversão. – Fácil.

–Acredite, matar um cervo furtivamente não é como matar uma pessoa. Ele tem um instinto muito mais apurado. Venha, vou te mostrar o porquê.

As aulas de Ziio duraram horas e horas. Haytham tinha um claro talento para ações furtivas, como resultado de seus anos dedicados à Ordem dos Templários e o treinamento de Assassino que recebera ainda na infância. Entretanto, ele sempre fracassava porque não conhecia a Natureza tão bem a ponto de reconhecer seus sinais de desconfiança. A ainda certa distância do animal, e mesmo escondido entre o mato mais alto, o animal lhe detectava, pondo-se em velocidade para longe.

–Eu te disse que seria difícil. – disse Ziio, após o quarto cervo fugir. Haytham suspirou, já impaciente e irritado.

–Vamos aos coelhos, então. – ele disse, ouvindo uma risada de Ziio em troca.

–Se deseja tanto comer carne de cervo, eu ainda posso caçar para você...

–Deixa pra lá. – ele disse. – Outro dia, talvez. Espera, o que foi isso?

Era claramente um som de disparo de arma de fogo, que fez os pássaros do Vale se dispersarem. Até mesmo Ziio reconheceu o som.

–Não foi tão longe daqui... – ele observou, preocupado.

–Será que há algum Casaca-Vermelha aqui perto?

–Pode ser. Eu vou averiguar. – disse Haytham. Imediatamente, Ziio pegou em seu braço.

–Cuidado.

–Não se preocupe. Eu serei furtivo. Os cervos podem me detectar, mas pessoas... Não tem esse costume. – ele disse, dando um sorriso confiante.

–Quer que eu vá com você?

–Não será necessário. Em breve estarei de volta. – ele disse, caminhando.

Enquanto subia a colina, Haytham notou alguns animais escapando desesperados. Havia inclusive um cervo, correndo em disparada para longe do som do disparo. Agora você está assustado de verdade, pensou Haytham, sentindo-se momentaneamente frustrado por sequer ter conseguido caçar sua refeição. Seguindo a direção de onde provinham os animais assustados, Haytham sentia-se cada vez mais próximo. Passou, então, a andar furtivamente, quando ouviu som de risadas. Recostado a uma pedra, ele pôde notar três homens.

Para sua surpresa, esses três homens não eram soldados britânicos, mas nativos da aldeia de Ziio. Seu desafeto, Minowhaa, estava entre eles. Um dos nativos trazia uma pistola na mão, explicação para o recente som de disparo escutado na floresta. Mas como eles conseguiram aquela pistola?

A passos discretos, Haytham se aproximou, até alcançar uma distância em que pôde perceber que aquela era a sua própria pistola. Ou melhor, a pistola que pertenceu ao seu pai, Edward Kenway, que mais tarde Haytham soube ter sido um presente dos Assassinos após cumprir uma série de contratos navais para a Ordem. Era estranho que um Templário tivesse apego a tal arma, mas Haytham pouco se importava. Amava tudo relacionado ao seu pai. Ver Minowhaa enchendo exageradamente o cano da arma com pólvora fez Haytham se enfurecer. Aquilo poderia estragar a pistola. E não uma pistola qualquer, mas uma herança de seu pai. Ver sua pistola tão estimada, sendo pessimamente manejada nas mãos de estranhos – especialmente de Minowhaa – trazia desgosto a si. Ele já tinha perdido a espada de seu pai em seu combate contra Miko. Não iria perder a pistola também porque alguns nativos queriam se divertir às custas de suas armas retidas pela Mãe do Clã.

Percebendo que nenhum deles sabia recarrega-la corretamente, Haytham sentiu que aquele era o momento certo de se aproximar.

–Se divertindo, eu presumo?

Os nativos rapidamente se viraram, pegos de surpresa com sua presença. Como nenhum deles sabia falar Inglês, Minowhaa falou pelo grupo.

–Estando ou não, isso não é algo que acredite ser de sua conta.

–Devolva minhas pistolas, antes que machuquem alguém atirando a esmo desse jeito. Está bem claro para mim que vocês não sabem como usá-las corretamente. – disse Haytham, ao perceber que um dos nativos estava assoprando no cano da arma, sujando tolamente seu próprio rosto com pólvora. Isso lhe fez rolar os olhos.

–Você as perdeu no momento em que foi aprisionado. Deveria estar satisfeito por perder suas armas, e não a própria vida.

Haytham e Minowhaa estavam dispostos cara a cara. Ambos tinham estatura semelhante, de modo que os olhos azuis de Haytham atingiam a mesma altura que os negros de Minowhaa. Aquela era uma tensão que precisava apenas de uma faísca para explodir.

Antes que a discussão evoluísse para algo sério, um grunhido de dor foi ouvido.

–Ouviram o que eu ouvi? – perguntou um dos guerreiros, confuso. De repente, mais um grunhido, desesperado.

–Será que acertamos alguém, Minowhaa? – perguntou um deles, temeroso.

–Estão vendo? Não se deve atirar a esmo! – reclamou Haytham, recebendo um repentino empurrão de Minowhaa.

–Cale-se, branquelo. Vamos averiguar o que está havendo. – disse Minowhaa, dirigindo-se aos demais guerreiros e excluindo Haytham da conversa. Aproveitando-se de que os nativos caminhavam adiante, Haytham tomou de volta a pistola. Notou que, ao contrário do que pensara, ela estava carregada – e um dos guerreiros chegou a levar o cano próximo ao rosto não fazia muito tempo! Era mesmo um milagre que nenhum acidente grave tivesse acontecido...

Haytham acompanhou os três guerreiros, mesmo sem ser convidado. Logo encontrou a fonte dos grunhidos.

Era um homem branco, que Haytham imediatamente reconheceu pelas vestimentas como sendo um mercenário. A bala estava alojada em seu estômago, e a julgar pelo sangue que escorria de seus lábios, ele tivera uma grave hemorragia. Em casos assim a morte era praticamente certa.

–Ele não é um soldado. – percebeu Minowhaa.

–Mas tem uma dessas coisas que soltam fogo. – disse o outro guerreiro.

Haytham se aproximou do sujeito, e percebeu que ele estava agonizando.

–O que faz aqui? – perguntou Haytham.

–Eu... Eu estou à procura de... Haytham Kenway...

Haytham arregalou seus olhos. Ele não conhecia aquele sujeito. Certamente estava a mando de alguém.

–Por que está procurando-o? E quem contratou seus serviços?

O homem agonizante se limitou a sorrir, e depois respondeu.

–Há homens em Boston à procura dele, é só isso que posso dizer. Sem nomes, com bom pagamento. Só me deram uma descrição... Branco, cabelo negro, usando capa azul-marinho, chapéu tricórnio azul marinho, aparência elegante. Acaso viu alguém assim?

–Não. – disse Haytham, aliviado por perceber que estava usando o casaco de pele dado por Ziio, o que o tornava praticamente incógnito.

–Eu perdi a minha vez, mas... Caso veja alguém assim, há uma boa recompensa. Basta procurar um sujeito chamado Hickey na Taverna Green Dragon, em Boston.

–Seguirei seu palpite. – disse Haythan, finalmente fechando os olhos do sujeito, já morto. Após dar um suspiro, Haytham percebeu que não havia ninguém ao seu lado. Nem Minowhaa, nem os demais guerreiros. Olhou para trás, e os viu correndo, já distantes.

–Mas o que...?

Um rugido interrompeu sua pergunta. Sem fazer movimentos bruscos, Haytham notou um imenso urso, de pelagem negra, muito próximo de si, e aparentando estar faminto. Certamente, o cheiro de sangue do mercenário tinha atraído o imenso e feroz animal, que ameaçadoramente abriu sua boca salivante, emitindo mais um rugido assustador.

Haytham sabia que correr daquela fera, a uma distância já tão curta, era quase impossível. Ele jamais matou um urso, e não tinha confiança de que suas Hidden Blades seriam o bastante para lidar com um animal daquele porte. Antes que pensasse em outra saída, o animal partiu em disparada em sua direção, acelerando e diminuindo rapidamente sua distância enquanto soltava mais um rugido feroz.



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Finalmente a Aldeia apareceu no horizonte. Minowhaa e os outros guerreiros estavam exaustos, de tanto correr, e ver a Aldeia já próxima era quase um alívio, ou até mesmo um Paraíso na Terra, perto do perigo que acabaram de escapar. Embora fossem guerreiros, eles eram racionais o bastante em escapar de um urso feroz quando estavam sem as armas necessárias para mata-lo.

–Será que fizemos bem em deixar o homem branco sozinho com aquele urso?

–Ele certamente não saberá o que fazer. – concordou o outro guerreiro, deixando Minowhaa irritado.

–E o que deveríamos fazer, então? Matar o urso com nossas próprias mãos? Estávamos despreparados, sem nossas armas! – retrucou Minowhaa, irritado em perceber que seus amigos estavam com alguma pena de Haytham.

–Deveríamos tê-lo alertado da presença do animal! Ele poderia ter corrido, assim como nós o fizemos! – reclamou o outro. – Eu não sei me comunicar com ele, mas tu, Minowhaa, sabe! Por que não lhe contou que havia um urso por perto?

Minowhaa deu de ombros. – Ele estava claramente entretido com o homem branco que se feriu. Não queria atrapalhar a conversa.

–De todo modo, eu acho que é melhor pegarmos algumas armas e irmos até lá.

–Concordo. – disse o outro guerreiro. – Podemos até pedir ajuda, convocar outros guerreiros para nos ajudarmos a matar a fera.

–Não. – retrucou Minowhaa. – Se aquele urso realmente matou o homem branco, será perigoso demais se aproximar. A Aldeia não pode correr o risco de perder bons guerreiros por causa daquele sujeito, que sequer é do nosso povo.

Os guerreiros pareciam relutantes, mas por fim, acataram o pedido de Minowhaa. Cada um seguiu para o seu lado, não mais falando sobre o branco. A morte dele será um problema para o dia seguinte. Ou, quem sabe, a morte dele não seja a solução de um problema, pensou um deles. Apesar das ordens da Mãe do Clã, todos ainda eram relutantes em abrigar o branco ali. Quem sabe a aparição daquele urso não tenha sido uma providência da Deusa para retirar aquela ameaça dali?

Notas finais
Uma observação: vocês devem ter percebido que a fanfic está intercalando primeira pessoa e terceira pessoa. Pois bem, isso realmente acontece, porque embora confesse que a narração do Connor é algo que sempre achei interessante, sinto que há/haverá certos fatos que o Connor não conseguirá presenciar, mas que são importantes para o desenvolvimento da própria fanfic. Por isso, a terceira pessoa. Esse recurso de intercalação é utilizado em histórias de romance policial, principalmente, e eu não acho justo abrir mão dos fatos narrados em terceira pessoa. O que farei para impedir confusões será evitar que essa intercalação aconteça em um mesmo cap. Ou seja, se o cap começar a ser narrado pelo Connor, terminará narrado pelo Connor. O mesmo será se for em terceira pessoa. Quanto à essa história de avisar se é "Connor POV"... Bom, não vou avisar. Vamos dizer que esse será um exercício. Obrigada pela leitura! E se quiser, deixe um review, MP, whatever.