Notas iniciais
Olá!!! Sentiram falta da fanfic? Espero que sim!!! Este cap é dedicado a todos que estão acompanhando e que favoritaram a fanfic. Boa leitura!

Ainda não havia amanhecido quando Haytham foi arrastado por Minowhaa e mais alguns guerreiros nada amigáveis. Ao menos, ele pôde evitar os olhares curiosos e exaltados dos membros da tribo de Ziio, ele se aliviou. Entretanto, mesmo tendo acabado de dormir, Haytham sentia-se cansado. Sua camisa, ainda que desabotoada, estava encharcada de sangue. O sangramento poderia ter diminuído, mas ainda permanecia. Os guerreiros não deixavam seus passos perderem o ritmo, pois quando desacelerava, Haytham recebia um bom chute, que quase lhe fazia tropeçar e cair. A colina a qual estava subindo, íngreme, tornava sua caminhada ainda pior. Mais à frente, ele avistou o alto da colina, onde havia uma espécie de pedra, em uma altura o suficiente para ver a paisagem ao redor, principalmente a Aldeia. Ao chegar na pedra, Haytham notou marcas de sangue, bem como alguns crânios. Certamente, este era o local reservado para as execuções.

Com as mãos amarradas nas costas, Haytham foi posto curvado sobre a rocha, com o rosto encostado em uma velha marca de sangue. Com o canto do olho, Haytham notou Minowhaa fazendo leves acrobacias com seu Tomahawk, claramente satisfeito de que seria seu executor. A satisfação no semblante daquele homem fez Haytham estar ainda mais certo de que Minowhaa nutria algum tipo de sentimento por Ziio. Pelo seu ódio, era algo não-correspondido.

Haytham ouviu uma espécie de pronunciamento da Mãe do Clã, dito em Mohawk, impedindo-o de entender. Como quase tudo que esse povo fala, pensou ele. Depois, a anciã fez uma prece, a julgar pelas maneiras solenes dos demais presentes. No meio da prece, ele virou seus olhos para observar a paisagem, e acabou avistando alguém se aproximar.

Ziio.

–Kaniehtí:io?! O que faz aqui?

Ziio se aproximou, com o semblante cansada, como de alguém que tinha feito uma longa caminhada, e ao mesmo tempo arrependida. Mas de quê?

–Eu pensei melhor. – ela disse, em Inglês. – Esse homem merece morrer.

Haytham ficou descrente com suas palavras. O que será que aquele velho tinha dito a ela?

–Ziio...

Entretanto, ele se interrompeu, ao perceber que, por baixo das longas vestes de pele de Ziio, ela estava usando suas Hidden Blades. Haytham entendeu o que ela estava prestes a fazer, e o perigo que envolvia isto. Afinal, havia ali não menos que cinco guerreiros, e ele não estava se sentindo forte o bastante para detê-los. E se realmente os atacasse, Ziio poderia ser morta.

O que ela pensa que está fazendo?

–Por favor, Ziio. Vá embora. – disse Haytham, trocando um rápido olhar com ela, deixando claro que sabia o que ela estava prestes a fazer. Entretanto, ela estava irredutível.

–Não. Eu não vou porque...

Entretanto, Ziio foi interrompida por um dos guerreiros.

–Mas aquele não é Ratonhnhaké:ton? – perguntou um dos guerreiros, apontando para a colina que dava acesso ao penhasco. Instantaneamente, todos se viraram.

–Mas o que ele está fazendo aqui? – perguntou a Mãe do Clã, claramente frustrada por ver o menino ali, em uma hora indevida. – Kaniehtí:io, o que você fez?

Ziio estava prestes a responder que não fazia a menor idéia do que estava acontecendo, mas Ratonhnhaké:ton chegou rapidamente, correndo e sem fôlego, acompanhado de um homem.

–Ratonhnhaké:ton, meu menino, o que faz aqui? Este não é local para crianças. Vá embora. – disse a Mãe do Clã, com paciência. Esbaforido, o menino esperou tomar fôlego, até responder.

–Vocês... Não podem... Matar este homem...

Todos os presentes ficaram desnorteados. Menos Haytham, que não entendia absolutamente nada daquela conversa.

O homem ao lado de Ratonhnhaké:ton finalmente se apresentou. Aproximou-se de Haytham, e depois de olhá-lo bem, soltou um sorriso.

–Sim, é ele mesmo.

–E-E-Ele quem?! Espere, mas o que está havendo aqui? – perguntou Minowhaa.

O nativo, completamente desconhecido de todos, se apresentou.

–Meu nome é Hiawatha e eu pertenço à uma extinta tribo dos Kahnawake. Há cerca de seis anos atrás, eu fui aprisionado por um homem mau chamado Silas. Meu cativo durou cerca de um ano, até eu ser libertado por um grupo de homens disfarçados de soldados, que se infiltraram no acampamento de Silas. Este homem... – apontou Hiawatha para Haytham, ainda deitado à pedra e de mãos amarradas. – Este foi o homem que pessoalmente me libertou dos grilhões e me devolveu a Liberdade. Ainda pude vê-lo, com meus próprios olhos, matando aquele mercador de escravos. E eu não fui o único a ser libertado naquele dia. Dezenas de homens nativos, como eu, de vários povos, foram libertados. Muitos tiveram uma sorte diferente da minha e puderam voltar para seus lares. Por isso, eu tenho uma dívida de gratidão com este homem, e creio que todos nós possuímos.

Repentinamente, a Mãe do Clã disse algumas palavras em seu idioma nativo, e um dos guerreiros aproximou-se de Haytham e cortou suas amarras.

–Obrigado. – agradeceu Haytham ao nativo, que sorriu e fez uma reverência. Ziio, ao lado de Ratonhnhaké:ton, traduziu seu agradecimento e o repetiu para Haytham.

–Niá:wen. – agradeceu Haytham em Mohawk, e o nativo sorriu com seu gesto.

–Parece, homem branco, que não há mais motivos para executá-lo.

Minowhaa estava claramente irritado, e imediatamente pôs-se embora, sem olhar para trás, seguindo os demais guerreiros e deixando Haytham, Ziio e Ratonhnhaké:ton sozinhos.

Ziio sentiu um arrepio, ao perceber que Haytham estava próximo demais de Ratonhnhaké:ton. Perigosamente próximo. A Mãe do Clã também parecia não gostar daquela interação.

–Eu sei que você não deve entender uma palavra do que estou dizendo, menino... Mas obrigado. – disse Haytham, se agachando para mexer carinhosamente em seu cabelo. Haytham estava prestes a dizer mais alguma coisa, mas acabou sucumbindo à dor e desmaiando, sendo imediatamente acudido por Ziio e Ratonhnhaké:ton.

–Ratonhnhaké:ton, vá buscar ajuda! – ordenou a Mãe do Clã, desejando que o menino estivesse longe dali para maior privacidade com Ziio. Parecendo preocupado, o menino prontamente obedeceu.

Não tardou muito para que Minowhaa aparecesse, para irritação de Ziio.

–Você é a última pessoa que eu desejaria que o ajudasse!

–Você não está em condições de escolher, Kaniehtí:io, — disse Minowhaa, sarcasticamente. – E vejo que não tenho muito com que me preocupar. Parece que o cara pálida não irá precisar de muito para partir.

E de fato, o semblante desmaiado e pálido de Haytham dava a entender isto.

–Precisamos fazer alguma coisa! O fato de ele ser um estranho não o impede de ser tratado por nós! Não podemos simplesmente deixa-lo a própria sorte! – gritou Ziio para a Mãe do Clã.

A Mãe do Clã parecia avaliar a situação.

–Você sabe muito bem o que fazer. – ela disse, causando uma animosidade em Ziio. – Entretanto, ele ficará aos seus cuidados. Ele salvou alguns de nosso povo, mas ainda assim não irei correr o risco de afrontar nossos deuses pedindo intervenção a um homem que sequer conheço, muito menos confio. Você confia plenamente neste homem?

Ziio assentiu. – Sim, eu confio.

–Kaniehtí:io, não faça isso... – clamava Minowhaa.

–Ela já tomou sua decisão, Minowhaa. Agora, ajude-a a leva-lo de volta a Aldeia. Sem hesitações, Minowhaa, isto é uma ordem. – disse firmemente a Mãe do Clã.

Enquanto Ziio ajudava Minowhaa a carregar Haytham para fora da oca, a Mãe do Clã ainda acrescentou.

–E mais uma coisa. Eu não quero Ratonhnhaké:ton perto deste homem.

Ziio assentiu, sem dizer nenhuma palavra, levando Haytham embora.


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–Então, ela irá tratar dele? Corajosa, não?

Fazia noite alta, e naquele momento eu tinha acabado de jantar. Quando voltei para casa, depois de ficar a manhã toda desaparecido, recebi uma severa reclamação, seguida de um pedido de desculpas, e não muito mais que isto. Agora, estava brincando com varetas com Kanen'tó:kon, e embora a brincadeira estivesse divertida, eu conseguia escutar alguns poucos sussurros de Mahkah com Minowhaa. Os dois eram irmãos.

Ele bufou, em raiva.

–Sabe que os deuses se desagradam com quem partilham de nosso conhecimento com homens brancos...

Maus, Minowhaa. Homens brancos maus.

–Percebeu a quantidade de armas que aquele homem trazia? Nem mesmo eu carrego tantas. Fora aquele estranho objeto que sai fogo...

Mahkah ficou subitamente assustada.

–Você viu?

–Sim, ele tem duas, inclusive. Para você ver que aquele homem branco não está de brincadeiras. E ele tem facas que saem do punho, minha irmã, do punho! – ressaltou o guerreiro, impressionando sua irmã. – Precisava ter visto toda a bruxaria que ele carrega consigo. Muito me admira que não consiga curar a si mesmo.

–Os homens brancos são poderosos, mas não são imortais.

–Sim. E este é um fato que me consola. Saber que ele não é um deus e que eu posso tirar a vida dele.

A frase causou-me arrepios. Jamais esperei escutar tanto ódio assim de Minowhaa. Não do homem que me ensinou a caçar e a lutar com uma Tomahawk, a ter um coração bom e ajudar as pessoas. Eu sabia que o meu pai suscitava ódio nas pessoas – inclusive em mim mesmo – mas não em tais proporções em Minowhaa.

–Vamos parar de falar sobre isso. Ratonhnhaké:ton pode nos ouvir.

–Tem razão.

Quando percebi que a conversa estava encerrada, voltei a dar maior atenção ás varetas, muito embora meu pensamento ainda se direcionasse à meu lar, onde eu sabia que minha mãe estava contrariando a nossa cultura tentando salvar um homem. Um homem que eu matei uma vez, e talvez um dos maiores arrependimentos da minha vida.

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–Beba.

Mal Haytham abriu os olhos e foi recebido com a palavra ríspida de Ziio e um líquido entrando desavisado invadindo agressivamente a sua boca. Um líquido amargo, beirando ao indigerível. Antes que ele deixasse escapar algumas gotas, Ziio forçou-lhe mais a entrada.

–Beba tudo. Tive trabalho de fazer esta bebida e não quero uma gota desperdiçada, está me ouvindo?

Quando Ziio ordenava alguma coisa, Haytham sentia-se praticamente obrigado a obedecer. Nem em seus treinamentos na juventude com Reginald Birch ou mesmo com seu pai ele sentia-se tão intimidado. À contragosto, ele permitiu que a bebida insuportável passasse por sua garganta, lutando contra uma vontade de vomitá-la. Um alívio veio quando ele percebeu que, finalmente, ele tinha bebido tudo.

–O que eu bebi?

–Não vai querer saber. – foi o que respondeu Ziio, deixando o tom claro o bastante de que mais perguntas não eram necessárias. Haytham assentiu, tentando se mover e sentindo dor imediatamente.

–Não se mexa. Terei de arrancar e depois refazer seus pontos. Tome, segure isto.

Ziio colocou na palma da mão de Haytham o que parecia ser uma pedra preciosa, mas Haytham notou que ela tinha uma áurea muito parecida com a do colar que ele pensara abrir um portal.

–Aqueles... Que... Vieram... Antes...

Ziio bufou.

–Sinceramente, Haytham, eu acredito que não é o momento certo para isto. Feche seus olhos e segure esta pedra. Faça isto... Antes que eu me arrependa. – ela completou.

Haytham assentiu, obedecendo Ziio. Ao segurar a pedra e envolve-la em suas mãos, Haytham sentiu uma curiosa energia invadir lentamente seu corpo, fazendo-o se sentir melhor, como se não tivesse nenhum ferimento. Seus olhos permaneceram fechados o tempo inteiro, mas ele sentia que uma espécie de ritual estava acontecendo. Havia o som de um chocalho e uma prece dita em Mohawk, a medida que seus pontos eram arrancados. A dor deveria ter sido grande, mas Haytham sentiu apenas pontadas, como beliscões. Certamente o chá era alguma droga que lhe deixara dopado o bastante para não sofrer em demasia, e aquela pedra tinha algum efeito também. Depois, ele se sentiu sendo praticamente costurado. Quando isso aconteceu, o efeito do chá estava começando a passar, e ele percebeu, agora acordado, que aquela pedra tinha algum efeito também, impedindo-o de sentir dor. Ele não sabia dizer por quanto tempo o ritual aconteceu.

Ele sentiu, enfim, que tudo estava terminado quando sentiu, mesmo com os olhos fechados, os lábios de Ziio gentilmente encostarem em sua testa. Ela tirou a pedra de sua mãe.

–Acorde.

Haytham obedeceu, soltando a pedra, e imediatamente uma dor profunda começou a invadí-lo.

–Isso irá passar. – disse Ziio, ao notar seus lábios tremendo em dor. – Você não deveria ter vindo aqui, Haytham. Suas feridas já estavam começando a infeccionar.

–Obrigado. Por cuidar de mim, mais uma vez.

Ziio deixou escapar um sorriso para Haytham, mas imediatamente virou-se de costas. – Limpar uma ferida de seu rosto de uma briga de bar não é nada perto do que acabou de passar. De qualquer modo, terá de ficar em repouso, por pelo menos uns vinte dias...

–Vinte dias?!

Ziio colocou suas mãos na cintura, de maneira ameaçadora e semblante nada satisfeito.

–Acaso pensa que não vi a extensão do seu ferimento? Realmente, eu espero que não desperdice meu sacrifício em prol de sua maldita Ordem...

Haytham mudou de assunto.

–Por que você disse “sacrifício” afinal? Eu estou sem entender...

Ziio pareceu incomodada. Haytham, entretanto, continuou.

–Você tinha dito que eu seria cuidado pela curandeira...

–Mãe do Clã. – corrigiu Ziio. – E se você chama-la desta forma mais uma vez, eu vou desfazer todos os pontos que fiz e deixar suas entranhas abertas.

–Tudo bem, Mãe do Clã. Desculpe, não foi de propósito. – disse Haytham. – De todo modo, o que houve?

Ziio cruzou os braços, abnegada.

–Ela se recusou a te curar. Disse que não confiava plenamente em você.

O olhar de Haytham se iluminou, repentinamente.

–Mas você confia.

Ziio estava prestes a dizer “só estou te curando porque você é o pai de meu filho”, mas se deteve a tempo. Lembrou-se da ignorância de Haytham a respeito da existência de Ratonhnhaké:ton, e por final, não estava disposta a revela-lo. A Mãe do Clã tinha sido bem clara: Haytham não deveria se aproximar do menino. E ao menos neste ponto ela procurava não afrontar ainda mais a Mãe do Clã.

–Alguém tinha de fazê-lo. – ela disfarçou. – Afinal, você está aqui por minha causa. Ou seja, sua estadia aqui é de minha responsabilidade.

–Eu jamais desejei ser um estorvo a você. Nem arranjar tanta confusão.

Minha mãe deu de ombros, ignorando seu raro pedido de desculpas.

–Não vamos lamentar a atual situação. O que está feito, está feito. Agora, é encarar os fatos. Portanto, vamos deixar algumas coisas bem claras aqui: em primeiro lugar, você está proibido de sair sem minha permissão. Em segundo lugar, você irá permanecer em repouso até o tempo que eu julgar necessário, e em terceiro lugar, você irá obedecer as minhas ordens. Entendido?

Haytham ainda estava pasmo com sua posição. Era praticamente um priosneiro da mulher que amava, e surpreendenemnte sua situação estava longe de ser agradável.

–Entendido. Er... Ziio?

De costas a Haytham, e aparentemente entretida com algumas facas, Ziio assentiu, permitindo Haytham continuar.

–Onde estão as minhas roupas?

–Eu vou lavá-las ainda hoje. Estavam em um estado deplorável.

–E... O que eu vou usar, até que elas estejam secas?

Embora a pergunta fosse tola a alguém que estava aprisionado, Haytham sentia-se incomodado por não estar vestindo nada, tendo apenas seu corpo coberto pela pele de um animal que ele suspeitava ser um puma.

Ziio ergueu apenas uma sobrancelha, como se não acreditasse no que tinha escutado.

–Por que a preocupação? Você ficará confinado aqui. Ninguém irá te ver além de mim. E, além disso... Não há nada por baixo desta pele que eu já não tenha visto.

Foi o bastante para ruborizar Haytham e impedi-lo de prosseguir com o assunto. Satisfeita com o efeito que conseguira, Ziio sentiu que era hora de ir caçar a aprontar o almoço.

–Farei uma caça. Em breve estarei voltando. E tente não arranjar mais problemas.

Mulheres, resmungou Haytham, para si mesmo.

Notas finais
Uma confissão: gente, eu adoro a Ziio! Queria muito que ela também tivesse aparecido em Rogue, ajudando os Assassinos, ou mesmo que ela fosse filha ou sobrinha daquele nativo, mas... Enfim, eu acho que ela daria uma boa Assassina. Um grande bj a todos e deixem reviews!!! A opinião de vocês é muito importante!