Assassins

13 Nanda Parbat || 2011


Notas iniciais
Olá, pessoas!! Mais um capítulo, minha gente!! Gostaria de agradecer aos reviews que todos tenham deixado e à Dulce, que favoritou a história. Vocês são demais, o capítulo é de vocês!! Até as notas finais!! Boa leitura!! Bjs*

Nanda Parbat

Agosto de 2011

― Pronta? ― Estalei o pescoço e terminei de alongar meus braços, acenando afirmativamente para Curtis. ― Vai!

Comecei a ditar a ele uma sequência de números e letras, que poderia parecer estranha para qualquer um, mas eu sabia bem o que falava. Eu estava hackeando.

Isso até seria fácil, se eu não visse a mão fechada em punho vindo na direção do meu rosto. Continuei à ditar Curtis a sequência invadiria o sistema em questão, distribuindo golpes em todos os meus oponentes, e já tinha derrubado todos, até encarar o olhar divertido da minha última desafiante.

Sara havia se tornado uma exímia lutadora, quase ninguém ganhava dela e daquele bastão. E pro meu orgulho, eu entrava nesse quase.

O último ano tem sido intenso, minha rotina matadora. Acordo às cinco da manhã, para minhas atividades de corrida. A manhã é dedicada aos treinos de vigilância, armas e idiomas, a tarde toda treino lutas e a noite uso para trabalhar nos meus computadores, às vezes pegando aulas de etiqueta, postura e dança com Talia. Minha alimentação é de atleta, durmo apenas o estritamente necessário, não tiro folgas ou faço pausas.

Sara diz que virei uma louca obcecada, que nessa minha rotina falta pelo menos um pouco de diversão, mas não me importo. Eu me divirto pensando em como eliminarei do mundo cada porco imundo como Frank Bertinelli. Não que tenha aceitado a coisa de matar, mas descobri existem mais de um meio de acabar com pessoas.

E também, depois daquele primeiro dia, Oliver nunca mais me deixou sair em missões. E só descobri que ele estava sendo o culpado de me limitarem quando Sara me disse que havia ouvido isso em uma conversa durante uma de suas atividades fora.

Por falar nele, minha relação com meu treinador está cada vez mais estranha. Quando comecei minhas corridas matinais, descobri que ele também as fazia, então agora corremos lado a lado, sem dizer uma palavra. Ele ainda não me dá folgas nos treinos, me ensinou a usar o arco e flecha e sobre vários tipos de armas de fogo, mesmo que eu prefira lidar com as facas, e vez ou outra sou presenteada com seu discreto e quase imperceptível sorriso orgulhoso quando faço muito bem algo que ele ensinou.

― Vamos, Smoak! ― Sara me chamou, fazendo o gesto com ambas as mãos. ― Não está prestando atenção?

Continuei a falar a Curtis a sequência para invadir um intrincado sistema governamental, enquanto atacava Sara com socos e chutes, que eram prontamente esquivados.

― Tente acompanhar, Fel ― ela ainda me provocava só porque sabia que eu não poderia responder.

Aproveitei de sua distração para as brincadeiras para pegar seu antebraço e usar seu peso para a jogar por cima do meu ombro e segurar seu braço nas costas, lhe imobilizando. No mesmo momento, Curtis ergueu o braço e gritou que havíamos conseguido invadir o sistema.

Aqueles que eu havia derrubado antes dela, agora assistiam a luta, mas maior surpresa não houve do que quando palmas ecoaram na sala enorme. Sorri para Oliver, que estava encostado na porta, observando ninguém sabia a quanto tempo.

― Você é uma maníaca! ― Sara reclamou movimentando os membros superiores quando a ajudei a levantar. ― E foi trapaça!

― Não seja um bebê, Sara ― retruquei. ― É só um treino.

― Tava se exibindo pro Al Sah-Him! ― acusou em tom divertido.

― Eu nem sabia que ele estava na sala ― retruquei. ― Mas é bom que ele veja e me deixe sair daqui. Se eu passar mais uma semana confinada nessa ilha, vou surtar.

― Não surte, você tem uma missão. ― Corei ao perceber que ele já tinha se aproximado e havia ouvido minha reclamação. ― Vocês duas tem.

Fora as salas de treino, eu e Sara nunca havíamos trabalhado juntas, então a notícia me deixou animada, até pensar melhor sobre o que seria a missão. Por mais que eu quisesse sair, as lembranças da última vez ainda eram fortes em minha mente.

― Do que se trata? ― Sara questionou. ― Porque você sabe que a Fel é fofa demais para lidar com balas em cabeças de pessoas.

― Relaxem, é uma missão de vigilância. Precisamos das câmeras irrastreáveis de Felicity, por isso ela vai. ― Não escondi meu desgosto. Pelo jeito, ele ainda não confiava em mim para as missões e ainda me achava uma garotinha. ― Nós três partiremos em uma hora, estejam prontas.

― Espera, nós três? ― O interrompi quando saía da sala.

― Sim, eu vou liderar ― falou como se fosse óbvio. ― Tente ser boazinha e conseguirá sair mais vezes. ― E saiu.

― Ele pensa que é seu pai ― Sara chegou ao meu lado tirando as faixas que envolviam-lhe as mãos. ― Ou seu dono.

― Calada, Sara!

~

Meu coração batia acelerado ao ver as luzes da "Cidade do Pecado" bem abaixo de nós. Las Vegas era tão linda à noite.

Oliver e Sara estavam distraídos conversando sobre o plano, ela ao lado dele na frente do pequeno avião que o próprio pilotava, e não perceberam que eu viajava nas lembranças.

Lembranças de um tempo bom, onde eram apenas eu e minha mãe vivendo uma vida difícil, mas feliz. Lágrimas molharam meus olhos, e engoli seco.

― Tem certeza que consegue fazer isso? ― a voz de Oliver interrompeu meus pensamentos, e até pensei que ele falava com Sara, então vi seu olhar fixo em mim.

Meu querido, olhe pra frente, você é o piloto!

― Sim, só precisava de um momento. ― Passei os dedos embaixo dos olhos. ― Estou bem.

― Recapitulando... ― ele começou. ― Entraremos no local, instalaremos suas câmeras. O prédio tem três andares, no térreo fica o bar e os bastidores e camarins do palco. Os dois andares superiores ficam os quartos. ― Quartos? Pra que quartos em cima de um bar?

― É um prostíbulo, então? ― Ah, sim. Faz sentido.

― Fiquem sempre juntas ― orientou, não respondendo à pergunta de Sara. ― Vocês colocarão as câmeras nos bastidores, e eu vou pro bar. Depois subimos os três para os quartos. Vamos nos misturar precisamos fazer o trabalho sem eles sequer notarem que estivemos lá, ok?

― Pode deixar, chefe.

~

― É aqui que nos separamos ― Oliver falou logo que parou o carro alugado perto da entrada lateral que eu e Sara usaríamos. ― Usem o comunicador apenas de for estritamente necessário, eles podem ser rastreados. Boa sorte. ― Assentimos e saímos do carro.

― Ele é sempre assim nas missões, meticuloso e preocupado? ― perguntei começando o trabalho de instalação.

― Mais ou menos. Hoje ele está mais, deve ser porque sua estrelinha está em campo ― brincou, colocando uma câmera em um dos espelhos.

― HA HA. Mas ele não é de todo mal, depois que você se acostuma com a cara fechada e o incurável mal humor ― comentei.

― Fofos ― minha amiga comentou com uma piscadela.

― É sério, Sara. Oliver tem me ajudado bastante.

― Por que você se refere a ele como Oliver, e não Al Sah-Him, como todo mundo na Liga?

― Sei lá, acho que Oliver o torna mais humano. Foi por Oliver que eu chamei quando Frank... ― me interrompi. ― Você sabe. Ele nunca me pediu pra parar, então continuei chamando. ― Dei de ombros.

― Fofos mesmo!

― O homem é mais de dez anos mais velho que eu, criatura! Pare de fantasiar.

― Sabe o que não quero fantasiar? O fato de estarmos em Vegas, sua cidade, uma semana depois do seu aniversário de dezoito anos! Temos que tornar uma comemoração real.

― Nosso chefe nunca permitiria.

― Isso vemos depois, agora vamos terminar logo.

Demos sorte que os bastidores estavam quase vazios a essa hora, ao contrário do bar, de onde ouvíamos a música alta e risadas.

Já estávamos no penúltimo camarim quando um homem gigante entrou. Ele nos olhou com estranheza e eu fitei Sara em busca de uma resposta. Nós duas poderíamos derrubá-lo fácil, mas nao queríamos chamar a atenção.

― Quem são vocês?

― Trabalhamos aqui. ― Sara, a cara de pau respondeu.

― Não conheço vocês.

― É que começamos hoje.

― Ah, sei quem são. As gêmeas gostosas da América! ― Oi?

― Isso! Estamos conhecendo o lugar.

― Espero que já tenham terminado, vocês entram em dez minutos. Os figurinos estão no camarim 3.

― Mas nossa apresentação não seria hoje ― tentei argumentar.

― Queridinha, tem quarenta homens gritando por uma dança sensual lá fora. Vocês não vão me fazer ir lá e dançar pra eles, vão?

― Mas...

― A gente está indo se trocar. ― Sara começou a me puxar para o tal camarim, que, por coincidência, era o último que faltava ser grampeado.

― Sara, eu não vou... Esses homens não querem só uma dança, eles querem...

― Olha, Fel, eu sei como isso é complicado pra você, mas teremos que fazer. Estou aqui, Al Sah-Him também, e você é mais fodona do que acha.

― Ok, mas nada de danças no colo!

Colocamos as câmeras e trocamos de roupa. Se bem que chamar aquilo de roupa era quase uma ofensa às roupas de verdade. O tal figurino consistia em meias arrastão escuras, botas pretas e nada além de um sutiã e um mini short cobertos de paetês nas cores da bandeira americana.

― Parecemos duas prostitutas ― reclamei ajustando o sutiã.

― Duas prostitutas gostosas pra caralho! ― Sara estava mais animada do que achei que alguém deveria ficar nessa situação, e acabou me fazendo rir da coisa toda.

― Oliver? ― o chamei no ponto eletrônico. ― Terminamos aqui.

Copiado, nos encontramos na escada para os quartos.

― Na verdade, precisamos de um favorzinho seu ― Sara falou entre risadas.

― Estamos subindo no palco, nos tire de lá antes que outra pessoa faça isso.

Quê? Vocês não deveriam subir, esse não era o plano.

― Estamos improvisando.

Uma música sensual começou a tocar mais alto, e quando vi, já estávamos em cima. Tentei visualizar Oliver, mas os holofotes quase nos cegavam e só podíamos ouvir gritos masculinos.

― E agora? ― cochichei para minha colega.

― Dance comigo, Felzinha.

Sara me puxou pela cintura e me colou nela, passando as mãos por todo meu corpo e rebolando com o quadril junto ao meu. Talia nos fazia ter aulas de dança, que eu achei realmente que nunca precisaria, até hoje. Então hora de fazer limonada com esses limões que a vida me deu. Virei de costas para Sara e descemos juntas até o chão, as mãos passeando no corpo uma da outra, os homens já chegando perto do palco e nos jogando alguns dólares.

― Se eu deixar a Liga, já sei onde trabalhar.

Sara estava se divertindo com a coisa toda, e eu não poderia negar que estava tão ruim. Seria como dançar com uma amiga numa festa para provocar os garotos, coisa que nunca fiz na minha adolescência.

― Temos que achar Oliver, não conseguiremos sair daqui sem ele.

― Não dá pra ver nada com essa luz. ― Também apertei meus olhos para a plateia. ― Vamos ter que descer, Fel. Se prepara para umas mãos bobas.

― Droga! ― resmunguei, mas a acompanhei para baixo.

De fato, mesmo me esquivando, ainda senti dois ou três apertos na minha bunda, até ver meu salvador. Ele estava sentado de modo despojado em sua cadeira, uma bebida em suas mãos, um sorriso safado enquanto nos encarava. Alguém aqui também estava atuando, já que eu nunca o havia visto sorrir. A camisa apertada de mangas curtas tinha três botões abertos e mostrava muito do seu peitoral definido.

― Achei ele ― comuniquei.

― Vamos lá.

Sara não fez cerimônia quando sentou no colo dele e tive que fazer o mesmo, mesmo morrendo de vergonha. Murmúrios de insatisfação ecoaram dos outros homens quando perceberam nosso "escolhido".

― Sem danças no colo, hein, Felicity?! ― Sara riu da minha cara, mas eu só conseguia pensar na mão grande e quente que agora segurava minha cintura.

― O que fazer agora?

― Vou tirar vocês daqui. ― Ele fez sinal para um homem, o mesmo que nos abordou lá atrás, e ele se aproximou. ― Vou querer essas duas. Dinheiro não é problema. ― Sorriu.

― Não é assim que as coisas funcionam aqui, companheiro. Elas foram as primeiras a se apresentar hoje, você quer, outros aqui também.

― Quebra meu galho aí, amigão ― argumentou. ― Já ‘tô duro só de pensar em foder com as duas a noite toda. ― Não posso negar que a linguagem dele me incomodou um pouco, mas também surpreendeu.

― Sinto muito.

― Mas a gente quer! ― Sara insistiu, dando pulinhos no colo dele e começando a beijar o pescoço de Oliver.

O olhar dos dois homens caiu em mim, que estava calada até o momento. Faça alguma coisa, qualquer coisa, Felicity!

― É, a gente só quer se for ele.

Num impulso, apenas tomei o rosto dele entre as mãos e o beijei.

Pensei que ele fosse me afastar, ou encerrar o momento rápido, foi quando senti sua língua acariciar meu lábio inferior, sua mão apertando minha cintura e me trazendo mais para si.

Nenhum dos dois caras que eu havia beijado na vida me preparou para o beijo de Oliver. Era exigente e desesperado, mas eu conseguia ver claramente notas de carinho, ternura até.

Um pigarro foi ouvido e eu soube que era de Sara quando a risada discreta se seguiu. Oliver finalizou o beijo, mas se afastou apenas alguns centímetros, me olhando fundo nos olhos por longos segundos.

― É, acho que vou levá-las lá pra cima. ― Piscou para o homem, ficando em pé. ― Nos acertamos quando eu sair, amigão. Vamos, garotas? ― As mãos dele desceram até nossas bundas, nos guiando para uma entrada lateral.

Quando já estávamos longe o bastante para sermos vistos, ele nos soltou e seguiu à frente, em silêncio, até entrar em um dos quartos.

― Vocês fazem esse andar, eu pego o de cima. Nos encontramos aqui mesmo em vinte minutos. Sem mais surpresas.

― Pode deixar, chefe. ― Sara fez uma continência desnecessária, e quando ele saiu, explodiu em gargalhadas. ― CA — RA — LHO! ― exclamou aos gritos, meu rosto ficando muito vermelho. ― Eu queria ter filmado, Curtis vai me matar por não ter registrado o beijo do século! Felzinha, querida... Meus parabéns!

― Apenas pare, Sara. Foi necessário.

― Com certeza! Deve ser necessário para todo mundo beijar alguém desse jeito pelo menos uma vez na vida. A praga da Talia foi forte mesmo, hein?

― Faça o seu trabalho e me deixa em paz!

― Sabe uma ideia? Você e Al Sah-Him deveriam aproveitar essa viagem pra acabar com toda a tensão sexual com uma noite inteira repleta de uma transa quente e gostosa. Você não é mais virgem e ele parece ser experiente o suficiente para acabar com seu medo de foder.

― Não diga loucuras, Sara, você sabe como eu me sinto sobre esse assunto ― ralhei com ela. ― Vou para os outros quartos, você grampeia o corredor.

― Tá bom, mas ainda vamos comemorar o seu aniversário.

O trabalho foi concluído, e no tempo programado, já estávamos os três num beco lateral, eu sem ter coragem nenhuma de olhar na cara de Oliver.

― Por favor, chefe ― Sara insistia pelo que parecia será milésima vez. ― Só se faz dezoito anos uma vez, temos que comemorar!

― Só se faz qualquer idade uma vez, Sara ― observei.

― Você não está ajudando! ― rosnou para mim e se virou para Oliver. ― Você vai estar de olho em nós todo o tempo, só vamos dançar e beber um pouco. Não fizemos tudo direitinho na missão de hoje?

― Ainda não.

O olhar dele estava fixo em um ponto atrás de Sara, de onde saíam quase uma dezena de brutamontes.

― Onde você vai levar nossas garotas, cara? ― O grandalhão de mais cedo o questionou e Oliver se colocou à nossa frente.

― Houve algum engano, elas não trabalham aqui.

― Como assim, claro que trabalham. E se você já se satisfez, está na hora de passá-las para outros. ― Oliver apertou os punhos do lado do corpo e, mesmo só tendo a visão de suas costas, ouvi um riso seco escapar.

― É o seguinte ― começou. ― Eu poderia te quebrar em dois, mas não vou fazer isso. Então vou te dar uma oportunidade de abaixar a arma, recolher seus cachorrinhos com os rabinhos entre as pernas e vazar daqui! Jeito fácil ou jeito difícil?

― Você é um arrogante filho da puta! ― o homem gritou. ― Vai fugir?

― Ok, jeito difícil. ― Balançou a cabeça em concordância. ― Garotas? Acabem com eles em cinco minutos e vamos para a festa que Sara pediu.

― Sério? ― Sara perguntou animada.

― Só vão logo, a cara dele 'tá me irritando.

Oliver deu um passo para trás e ficou atrás de nós. Estalamos o pescoço e os dedos das mãos, rindo uma pra outra.

― Vai se esconder atrás de duas versões da Sininho?

― Pronta, Sara? ― perguntei.

― Prontíssima. Parece que vamos mesmo comemorar seu aniversário!

Notas finais
Menina, que beijaço!! Será que vai parar por aí? Afinal, o que acontece em Vegas... Não deixem de deixar as opiniões de vocês sobre a história. Fico ansiosa em saber e feliz ao lê-las!! Favoritem, recomendem também, faz meu dia melhor!! Até os reviews!! Bjs*