Assassins

2 Nanda Parbat || 2010


Notas iniciais
Uau! É isso mesmo produção? O Nyah ainda tem gente doida o suficiente para acompanhar minhas histórias? Fico muito feliz pela aceitação e queria agradecer à favoritação da Olicity e Delena e da Danubiazul. Com minha péssima memória, esqueci de dizer que seriam postagens semanais, vamos fixar no domingo, ok? Ok. Agora teremos o primeiro capítulo de passado. Como disse antes, fiquem atentos aos locais e datas, eles são importantes. Boa leitura!!

Nanda Parbat

Junho de 2010

Eu não conseguia parar de chorar, enquanto abraçava meus joelhos. Minha cabeça doía, e eu provavelmente já estava desidratada, mas mesmo assim não conseguia. Minha vida era a mais trágica sucessão de coisas ruins da história.

Começou seis meses atrás com a morte da minha mãe, a última pessoa quem eu poderia chamar de família. Então tiveram os dois péssimos lares adotivos, as trocas de colégio, a ameaça da prisão quando fui pega hackeando alguns sistemas do governo em busca do meu pai desaparecido desde que eu tinha oito anos. Agora estava aqui, nessa sala mal iluminada por velas, nesse lugar que eu não fazia ideia onde ficava, com essas pessoas estranhas usando capas e capuz.

Inferno? Talvez.

Eu não sabia como tinha vindo parar aqui. Em um segundo eu estava num reformatório, e no seguinte tinha acordado em um quarto que parecia ter parado no século XIX. Aliás, até onde eu vi, tudo aqui parecia ter congelado no passado.

O gigante templo esculpido numa rocha, nessa ilha escondida e levemente inóspita, que além de grandes salas de treinamento, contava com dezenas de quartos. Eu já havia aceitado a ideia de sacrifício humano, uma seita que sacrificava virgens e essas coisas. Não era como se minha vida ainda tivesse algo além para ser vivida, então eu soube da pior notícia de todas, o que me fazia chorar agora em um canto em uma das salas de treino.

Segundo minha colega de quarto, Sara Lance, não estávamos sendo guardadas para nenhum tipo de sacrifício. Éramos recrutas que seriam treinadas para se tornarem assassinas. Adolescentes sem vínculo ou futuro, escolhidas por possuírem habilidades e potencial para fazerem parte da Liga dos Assassinos, um grupo de pessoas regidas pelo nada constitucional governo de um líder supremo, Ra’s Al Ghul.

Agora eu era uma órfã de dezesseis anos, com duas escolhas à sua frente: aceitar as instruções e treinamentos e me tornar uma assassina cruel e fria, ou escolher uma morte fria e sofrida. Ninguém saía da Liga, não vivo, pelo menos.

― Você aí atrás, de pé! ― a voz estrondou. A acústica daqui era de dar medo.

Levantei o olhar para ver que todos da minha turma me encaravam. Na frente, um homem loiro de seus vinte e tantos anos tinha o olhar gélido diretamente sobre mim, provavelmente ele havia dado a ordem. Enquanto todos nós usávamos roupas iguais, camiseta preta e calça de treino, os trajes dele eram diferentes. O que parecia mais ser quimono de tecido negro cheios de tachas metálicas que cobria seus braços e peito, uma espada pendia em sua cintura e uma aljava de flechas em suas costas. O capuz estava caído em suas costas, e seus olhos ainda me cobravam obediência à ordem.

― Fel... ― Sara pediu.

― Levanta, garota! ― Um garoto negro, cabelo afro também me incentivou, e acabei atendendo ao pedido/ordem. Não queria arrumar confusão para meus colegas, eles pareciam tão na merda quanto eu.

― Formem duas filas, uma de frente para a outra. ― Quando obedecemos, ele passou andar no meio, as mãos presas uma na outra e em suas costas. ― Meu nome é Al Sah-Him, e eu sou o treinador de vocês. Em minhas aulas, aprenderão defesa pessoal e uso de armas. Eu sou responsável por vocês. O que fizerem de errado, cairá sobre mim...

― Até aí tudo bem ― Sara cochichou ao meu lado.

― ...e se algo cair sobre mim, cairá dez vezes pior sobre vocês!

― Ou não tão bem assim. ― A loira admitiu fechando o sorriso. Ela era mais ou menos da minha idade, pequena, tinha grandes e expressivos olhos azuis, as sardas em suas bochechas e nariz davam a ela um aspecto juvenil.

― Não testem minha paciência, não me provoquem ou me questionem. Suas vidas aqui podem ser fáceis ou nem tanto, a escolha é totalmente de vocês. Obedeçam sempre às regras, são apenas duas. Sem relacionamentos amorosos, entre membros ou não membros da Liga, e por último, nunca contestem seu superior. Eu sou seu superior.

― Metido ― Sara resmungou.

― Gostoso pra caralho! ― O moreno exclamou. ― Prazer, Curtis ― o moreno de antes se apresentou para nós duas.

― Vocês não terão vida fácil, mas os benefícios da Liga são enormes. ― O tal do Al alguma coisa continuou. ― Dinheiro, poder, acesso à conhecimento que poucos tem. Aproveitem a oportunidade, cada um de vocês tem habilidades que os fizeram merecer estar aqui. Minha função é potencializar esses talentos e desenvolver outros. Agora... ― Ele tirou o cinto que continha as armas e a aljava, e colocou tudo no chão. ― Nossa primeira aula vai começar, defesa pessoal. Preciso de um voluntário. ― Encolhi os ombros e abaixei a cabeça, tentando parecer invisível. Se ele me escolhesse, eu estaria bem fodida. ― A morena baixinha, penúltima da fila esquerda.

Maldita sorte!

― Alguém aqui chamou a atenção do chefinho ― Curtis comentou, tocando meu ombro com o dele. ― Vai logo, mulher!

Meus passos eram lentos, por mais que eu gritasse internamente para caminhar mais rápido. Senti que já estava esgotando a paciência do homem, quando cheguei ao seu lado. Ele era intimidante, mais alto e forte do que parecia à distância. E o olhar, o pior de tudo era o olhar! Frio como gelo, como se ele nem tivesse uma alma.

― Essa garota é a menor daqui, e logo vocês presumem que seja a mais indefesa. Eu venho para provar que tamanho realmente não é documento e como usá-lo a seu favor. Vou te atacar, tente desviar de mim ― falou a última frase para mim.

Tive a nítida impressão de ouvir uma risadinha lá nos fundos da sala, que apenas ignorei, fechando as mãos em punho e indo na direção dele. Era meu segundo dia aqui, minha primeira aula. Ele pegaria leve, certo?

Errado!

Nos minutos seguintes foram uma sucessão de quedas, mata leões, chaves de braço, pontapés, chutes, socos. Aquele cara era um maníaco, e mesmo que no final já conseguisse desviar de um ou dois golpes, eu nunca estive tão machucada, cada pequena célula do meu corpo doía. A turma toda assistia chocada a surra, para logo em seguida serem nocauteados um por um. Se aquele era apenas o início do treinamento, eu vi que não haviam mais duas opções. A morte era o caminho para quem ficava ou saía da Liga dos Assassinos.

~

― Pode entrar, querida ― a voz feminina convidou de dentro da sala. ― Felicity Smoak, certo? Prazer, sou Talia Al Ghul. ― A morena de leve ascendência oriental foi me receber na porta, me estendendo a mão, enquanto eu estava atônita apenas em ouvir seu sobrenome. ― Sim, Ra’s é meu pai. Não, não sou como ele, ou pelo menos tento não ser. Fique à vontade.

A sala parecia ter sido tirada de outro local e inserida cirurgicamente naquele castelo das sombras. Era tudo tão clean, branco, desde os sofás enormes e caros, toda a mobília, até as paredes e teto. Era quase como estar numa loja normal de confecções, devido à arara de roupas e o pequeno palco circular no centro de tudo.

― Sente-se, vamos conversar. ― Me encolhi em um canto do estofado, fitando minhas mãos. ― Eles te assustaram bastante lá fora, não é mesmo? Pobre bonequinha. ― Recuei alguns centímetros quando sua mão tocou meu rosto. ― É o seguinte, Felicity. Sei que você já sabe sobre o que essa Liga se trata e deve achar tudo horrível. Mas nem tudo é o que parece, você pode ser muito feliz aqui. Eu vou te ensinar tanta coisa, você vai se tornar uma mulher forte, dona de si e muito poderosa. Aquele seu passado de dor e sofrimento pode ser deixado para trás, se quiser. E nós vamos te ajudar, aqui somos uma família, lutamos e protegemos um ao outro.

― Você vai me deixar bonita e me ensinar bons modos? ― formulei a frase depois de algum tempo.

― Eu vou te ensinar sobre autoconfiança. A usar seu corpo como sua principal arma, fazer homens caírem a seus pés, mulheres que tem tudo quererem ser como você. Seu potencial é enorme, senão não estaria aqui.

― Eu preferia não ter esse potencial que todos falam ― comentei sincera.

― Eu sei que não. Mas quando a vida te dá limões... ― Deixou a frase suspensa no ar. ― Olha, me veja como sua amiga. Vou te ajudar, e se precisar de qualquer coisa, pode vir aqui, ok? Essas portas não têm tranca, fique à vontade. ― Foram as primeiras palavras gentis que ouvi desde que acordei nesse inferno.

― Obrigada.

― É o meu trabalho. ― Sorriu e apertou de leve minha mão. ― Agora me conta, como veio parar em Nanda Parbat?

Senti que podia confiar na mulher, então contei tudo sobre minha vida. Contei sobre o pai que abandonou a família, a morte da minha mãe, os problemas nos lares adotivos, nas escolas e com a polícia. Era bom finalmente falar com alguém, eu sempre gostei muito de falar, uma tagarela, como mamãe dizia.

― Você é sem dúvida uma jovem muito forte, Felicity. E você vai ver que todos aqui também são. O mais frio e cruel assassino tem uma história por trás, algo que o trouxe aqui e o fez ser como é. ― No mesmo momento lembrei do meu carrasco, o treinador que nada fez além de me machucar e me humilhar na frente de duas dúzias de pessoas. ― Todos são humanos, no fim das contas ― concluiu. ― Agora que já conversamos bastante, hora da prática. Suba no palco e tire a roupa.

― Quê? ― Arregalei os olhos e senti meu estômago afundar. ― Eu não...

― Você sim, querida. Não leve isso para o lado errado, ninguém aqui que abusar de você, ou coisa assim. Mas como disse, seu corpo é sua arma, precisamos ver o que temos para trabalhar.

― Mas eu...

― Suba no palco e tire a roupa ― ordenou, mesmo que ainda mantivesse a voz mansa. Chega com o negócio da amizade, Talia era só mais uma que estava ali para ferrar com nossa vida. Meus olhos encheram-se de lágrimas. ― Toda ela ― completou quando mantive a lingerie surrada. Obedeci. ― Hm... ― murmurou dando a volta e me observando, todo meu sangue concentrado no meu rosto. ― Vocês órfãs não entendem bem o conceito de depilação, não é? ― Uma risada e mais uma volta. ― Dá licença, bonequinha. ― Ela tirou a mão que cobria meus seios, foi quando passei a odiar o apelido. ― É, dá pra trabalhar. Judy, querida, venha aqui um segundo ― falou a última frase mais alto. ― Leve a pequena Felicity para tirar todos esses pelos nojentos, lhe dê um longo banho, pode caprichar na esponja, e depois a traga aqui.

Se eu achava que a aula de defesa pessoal havia sido uma tortura, eu não sabia o que estava por vir. A tal da Judy era uma monstra no quesito delicadeza e cuidado, cada tira de cera parecia levar minha pele junto, fora a total exposição e humilhação nas malditas sessões de depilação e banho, que me fizeram tremer de vergonha e chorar mais, minha pele muito vermelha e ardida.

Enquanto minha sobrancelha era feita e alguns pelos do meu rosto tirados com uma linha deve ter sido inventada por Satanás, as únicas peças de roupas que me foram dadas para vestir foram um conjunto rosa pink rendado de calcinha e sutiã que pareciam bem caros e deixavam bem pouco à imaginação. Era assim que eu teria que me vestir dali em diante? Eu só tinha dezesseis anos!

― Você está pronta para voltar para a chefa. ― Graças aos céus, a sala branca ficava a apenas uma porta de distância. ― Sua boneca, Talia.

― Obrigada, Judy. Felicity, querida, pode voltar ao palco, falo com você em um minuto. ― Não pude obedecer ao comando pois estava paralisada na porta, meu olhar fixo no homem que conversava com Talia. Meu treinador. ― Bonequinha, não fique aí parada, vá para o palco. Estou terminando aqui com Oliver, já cuido de você. ― Caminhei até o local indicado, ficando ainda mais constrangida do que achei que poderia.

Oliver? Quem diabos era Oliver? Não foi esse nome que ele usou para se apresentar, tenho certeza. O olhar dele não demorou mais do que dois segundos em mim, então voltou a atenção para a mulher.

― De jeito nenhum, o garoto não está pronto para sair, Talia. É minha última palavra ― a voz dele ressoava como trovões. ― Boa sorte em ir contra ela.

― Você é teimoso como o inferno! Meu pai tem de ter uma paciência de santo para lidar. ― Opa, mamãe e papai brigando? ― Enfim, deixa que me resolvo com ele.

― Boa sorte com isso também. ― Ele se levantou do sofá e quase soltei um suspiro aliviada.

― Espera um segundo, preciso de um conselho seu. ― Ele ergueu uma sobrancelha inquisitiva, ao passo que Talia chegava perto de mim. ― Essa é uma de suas novas recrutas, não é?

― Creio que sim ― respondeu casualmente.

― Você realmente mandou ver nela ontem, não foi? ― A insinuação não foi nada velada, e eu apenas baixei a cabeça com vergonha. ― No treino, eu quero dizer. A garota mais parece um dálmata, com todas essas manchas roxas! ― Como apenas ela riu, resolveu ir direto ao assunto. ― Da próxima vez, pegue mais leve nas suas aulas e não marque minhas bonecas.

― Você brinca com suas bonecas, eu as ensino a sobreviver. Se era só isso...

― Algum conselho em como melhorar essa aqui?

Pela primeira vez, fui pega por seu olhar atento. Na sala de treinos, eu era apenas mais uma, e mesmo aqui, seminua, não havia ganhado nada além do rápido olhar inicial.

Até agora.

Eu já havia dado um ou dois beijos na boca, mas nada além disso, meu hobbie era estudar, e, claro, hackear sistemas impenetráveis. A coisa é que que nunca tive o olhar dos garotos sobre mim, e devo assumir que o visual nerd gótica não contribuía com isso. Agora tinha esse homem, analisando com minúcia cada pequeno pedaço de pele exposta. Ele chegou até a dar uma volta, se demorando um pouco mais atrás de mim, onde eu não poderia ver suas reações.

Talia tinha um sorriso brincando nos lábios, enquanto observava a cena toda, então ela estreitou os olhos para ele, franziu o cenho como se analisasse algo, então soltou uma gargalhada. Alta e escandalosa.

― Por Deus, Oliver, ela tem dezesseis anos!

― Quer um conselho sobre ela? ― Oliver cortou o assunto e caminhou até a porta, voltando a sua pose impassível. ― Nada de maquiagem muito pesada, como você disse, ela é uma adolescente, faça-a parecer assim. Os cabelos ficariam melhores loiros e ela precisa de óculos ou lentes, tem espremido os olhos para nos ver melhor desde que entrou na sala. E mais importante, lhe dê comida, consigo contar as costelas daqui. Está fraca, por isso apanhou tanto ontem. Mais alguma dúvida? ― Eu tinha o queixo completamente caído. Enquanto eu achava que ele nem sabia quem eu era, a criatura estava mais atento do que parecia.

― Não, obrigada, Al Sah-Him. ― Sim, era esse o nome estranho! Al Sah-Him!

― Ah, só mais uma coisa. ― Ele chegou perto o suficiente para que apenas Talia o escutasse. Ela assentiu e sorriu em resposta.

― Eu sei, pode deixar que vou cuidar disso. ― A última frase teve o poder de acender uma raiva instantânea nele.

― Não, só... Não cuide de nada! Até mais. ― Logo que ele fechou a porta atrás de si, ela já deixou escapar o comentário.

― É, bonequinha, parece que você chamou a atenção dele. Vamos escolher umas roupas pra você.

Uma coisa era esse tipo de comentário vir como uma brincadeira da mente maliciosa de um colega recruta. Outra bem diferente era ouvir isso de Talia Al Ghul, que parecia ser uma das donas da porra toda por aqui. E saber disso, teve o efeito de me deixar com ainda mais medo.

Notas finais
Ui, ui, e esse primeiro encontro? Oliver, delicado como coice de mula, deixando tudo que é recruta roxo de pancada, até nossa doce e inocente Felicity. Vimos também quem serão os parceiros da nossa heroína nessa jornada na Liga. Sara e Curtis, baby! Sobre Talia, vocês já têm opinião? Boazinha ou a pior de todas? Querem um spoilerzão? Próximo capítulo vamos para a Rússia, seis anos à frente desse. Espero que continuem acompanhando. Até os reviews... Bjs* p.s.: Se chegarmos a 15 reviews antes de domingo, teremos postagem antecipada, então divulguem para os amigos que curtem Arrow!!