Era a primeira vez que faria algo tão... inumano. Olhou para ela, fraca, desesparada, nua, amarrada, amordaçada. Não muito tempo atrás, ela fora estuprada, as lembranças daquele momento — prazeroso, ótimo, o desespero no rosto dela davam à ele um prazer que nunca imaginara ter — ainda estavam no seu corpo, os fluídos do prazer escorriam em seu ventre.

Analisou a faca que estava até agora amolando, um objeto tão pequeno, simples, mas de grande participação no que ele faria agora. Delicadamente, ele a acariciou, e com ternura, a olhou nos olhos... tão doce, tão meiga, ela chorava, triste, desesperada

- Por que está fazendo isso comigo? — Foi o que ela com esforço disse, suas últimas palavras, a mordaça não a deixava falar claramente.

- Eu te amo, querida.

Com delicadeza, ele passou a faca em seu peito, os movimentos leves, era como se o objeto de aço dançasse sobre a carne, era lindo. O sangue escorrendo, ele precisava, tinha que sentir o sabor, a textura, aqueles minutos pareciam eternos, para ambos.

De repente, um barulho na porta, a velha cabana de um cômodo acabara de ser invadida por um homem, armado, com lágrimas nos olhos, lágrimas de ódio.

Ele sabia que aqueles eram seus últimos momentos, olhou pra ela, sorriu, beijou sua testa, foi arrastado para um canto da sala e levou um tiro na cabeça.

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