Assassinato no Museu em Shrewsbury
3 Ouvem-se os Depoimentos
Notas iniciais
CAPÍTULO II
Ouvem-se os Depoimentos
Mais uma vez voltaram para a sala, ao vê-los chegar todos pararam de conversar. Piotr pediu ao Sr. Fritz um lugar mais reservado para início das entrevistas. O primeiro foi o próprio diretor, Klaus Fritz. Entrou e sentou-se lentamente, era um senhor de origem alemã, magro e calvo, restavam-lhe apenas poucos fios de cabelos, brancos, penteados para o lado. Usava um grande óculos de lentes amareladas. Um homem aparentemente de boa índole e sempre gentil com as pessoas. Estava agora balançando um dos pés ligeiramente, demonstrando nervosismo. Olhou para os três e esperou que fizessem alguma pergunta.
— Só iremos fazer algumas perguntas – disse Jeremy – você tem o direito de não respondê-las.
Ele concordou.
- O que você estava fazendo exatamente entre uma e três horas da tarde?
Thomas ao lado sem perder tempo pegou seu caderno de anotações.
— Bom, eu quase nunca saio da minha sala, só quando há algum problema, e hoje não houve nenhum há esta hora... não, quero dizer antes do homem morrer...
Thomas o interrompeu levantando o lápis.
— Como você sabe que era um homem? Apenas nós e o Dr. Bryan entramos na sala.
O diretor ficou mais nervoso e gaguejou.
— Jus..ta..ta..mente o Dr. Bryan nos contou.
Thomas concertou-se novamente em seu lugar.
— Você tem certeza? – continuou Jeremy. – nem ao menos foi ao banheiro?
— Ah! Agora que disse, lembrei que fui ao banheiro somente uma vez – ele parou por um momento antes de falar e depois perguntou:
— Quem foi que morreu?
Jeremy já esperava por essa pergunta e a respondeu cautelosamente prestando atenção em seus movimentos.
— Sinto dizer que foi um dos funcionários que trabalham aqui.
Houve uma ligeira exclamação.
— Eu realmente não esperava. Quem deles morreu?
— Jerry Ryder.
Ele assustou-se.
— Ele... ele era uma boa pessoa e até agora tinha se mostrado um ótimo funcionário. Quem poderia ter o matado?
— É isto que queremos saber – disse Jeremy conciso.
Piotr os interrompeu fazendo outra indagação:
— Sr. Klaus, pelo que disse este Jerry Ryder não trabalhava aqui há muito tempo, não é?
Ele desviou o olhar para Piotr e então respondeu:
— Sim, sim eu o contratei há poucos dias, ainda irá fazer um mês na próxima semana. E isso me deixa mais intrigado, qual seria o motivo? E porque aqui no meu museu? Não compreendo!
— As respostas para estas perguntas, deixe conosco – atalhou Jeremy.
— Certamente – disse Klaus e depois acrescentou tristemente. – Espero que descubram quem o matou.
— Vamos descobrir.
Logo depois Jeremy o agradeceu. O diretor levantou-se da cadeira e quando estava saindo foi interrompido por outra pergunta.
— O senhor está sempre aqui?
Ele virou-se e respondeu.
— Sim, sempre que precisarem me encontrarão aqui.
— Certo então é só.
— Não – alertou Piotr. – a lista!
— Sim é verdade! Sr. Fritz nós precisamos de uma lista com todas as pessoas que entraram neste museu entre 1 e 3 horas. Será que poderia nos conseguir?
— É claro – ele sorriu. – facilmente conseguirei, e poderei trazê-la daqui há pouco.
— Muito obrigado, um de nossos oficiais irá acompanhar você – agradeceu Jeremy mais uma vez e depois chamou um agente para ir junto com Klaus.
Klaus num rápido movimento retirou-se da sala em busca de sua tarefa.
Logo depois entrou George Foster, este também trabalha no museu. Estava lacônico, muito provavelmente por contada de toda esta situação. Disse que ficou andando pelo museu, olhando alguns visitantes, arrumando alguns objetos, mas a maior parte de seu tempo esteve em uma sala junto com dois arqueólogos, pode verificar esta informação pelo assunto de suas conversações. Após dizer seu endereço retirou-se da sala e cedeu o lugar para Armand Farr um renomado arqueólogo. Caminhou até uma das cadeiras e sentou-se, estava sério e sentia-se desconfortável.
— Prazer em conhecê-lo Sr. Farr já li alguns de seus livros sobre arqueologia e gostei muito – disse Piotr para tentar deixa-lo mais à-vontade.
— Obrigado. Fico feliz em saber que algumas pessoas gostam de meus livros.
Piotr continuou:
— Achei interessante seu estudo detalhado sobre algumas cerâmicas.
Armand sorriu.
— Estou exatamente aqui por causa de algumas peças que se encontram neste museu especialmente na sala em que me encontrava, pois comecei a escrever outro livro.
O arqueólogo já se encontrava bem mais à-vontade. Então Jeremy aproveitando a deixa entrou no assunto.
— Sr. Farr você ficou apenas naquela sala sozinho?
Armand colocou uma das mãos no braço da cadeira e respondeu:
— Não, meu filho estava me acompanhando nas pesquisas. Estou muito orgulhoso por ele ter seguido esta carreira...
Após alguns elogios sobre o filho Jeremy o interrompeu e perguntou:
— Não saíram em nenhum momento?
Armand Farr franziu o cenho e logo lembrou-se.
— Ah claro! Meu filho saiu para ir ao banheiro e só lembrei porque ele voltou com maneiras estranhas.
— Maneiras estranhas? Que maneiras?
Ele não parecia mais confortável e enrijeceu-se na cadeira.
— Realmente não sei. Ele apenas me contou que demorou um pouco, pois havia encontrado um amigo no caminho, foi só.
— Que amigo era esse?
— Ele comentou que era apenas um conhecido que não via há algum tempo.
— Esse amigo tem nome? – instigou o inspetor.
— Jonh Preston – respondeu ele desviando o olhar rapidamente antes de falar
— A que horas ele saiu para ir ao banheiro? – prosseguiu.
Mais uma vez Armand esforçou-se para lembrar e estremeceu.
— Olhei o relógio um pouco antes marcava 14 h: 46 min.
— E quanto tempo o senhor acredita que ele passou por lá até chegar novamente à sala?
— Não posso afirmar com certeza, mas por volta de 8 minutos – acrescentou. – O banheiro fica um pouco distante de nossa sala. – Disse com temor e logo prossegui com protestos. – Vocês estão suspeitando dele por conta disso? Posso garantir que ele não matou ninguém! Meu filho nunca teria coragem de fazer algo semelhante. Qual seria o motivo dele para cometer este crime? E como se chamava o morto?
— Jerry Ryder – disse Piotr interrompendo Jeremy e incentivando o arqueólogo a continuar.
— Não conheço nenhum Jerry Ryder nem o meu filho e pelo que sei todo crime possui um motivo – ele estava irritando-se, não admitia que acusassem seu filho. – E não há motivos, não há. – Parou de falar ofegante, suas narinas estavam abertas e puxava o ar com velocidade.
— Por favor, tenha mais calma, em nenhum momento acusamos seu filho, só estamos fazendo algumas perguntas de rotina para esclarecer os fatos sem acusar ninguém.
Armand abaixou as pálpebras que demoraram a se levantar, estava calmo novamente. Logo depois disse:
— É só?
— Não, apenas mais uma pergunta. Alguém mais estava com vocês?
— Ninguém estava lá, só eu e meu filho.
— Nem um funcionário?
— Sim agora que citou vi uma pessoa rapidamente parada na porta e logo voltei as minhas pesquisas.
— Ok, obrigado pelos esclarecimentos. Agora poderia chamar seu filho?
— Chamarei – levantou-se. — Tenha uma boa tarde senhores – disse ele saindo da sala.
Ficaram alguns minutos em silêncio depois Jeremy falou:
— Sujeito estranho não? Quando falei sobre seu filho ele rompeu num acesso de cólera. E você Thomas o que achou?
— Ahn? Estava lendo algumas anotações minhas.
Nesse momento entrava na sala Felipe Farr semelhante ao pai inclusive na maneira de andar, porém encontrava-se mais calmo.
— Sente-se – começou Jeremy. – obrigado por vir. Farei apenas algumas perguntas.
Felipe consentiu e sentou na mesma cadeira que o pai.
Jeremy tendo em mente todos os fatos anteriores sem preâmbulos foi ao assunto.
— Seu pai nos disse que não saíram da sala, apenas você uma única vez foi ao banheiro.
— É verdade.
— Ele também nos disse que quando voltou você estava diferente e com maneiras estranhas.
Ele não mudou sua expressão e a voz também continuou a mesma.
— O que? Diferente como? Meu pai deve estar maluco, eu voltei da mesma maneira e disse que encontrei um amigo – após alguns segundos ele prosseguiu. – Ah! Na verdade deve ter sido isso. Não voltei da mesma maneira que antes, estava mais feliz, por ter encontrado um amigo que não via há algum tempo.
Piotr que só o analisava falou:
— Para mim, seu pai não parecia possuir problemas mentais.
— Não, ele realmente não possui – ele olhou para Piotr com os olhos semicerrados e raivosos – foi só uma maneira de falar, não acho que meu pai seja louco.
Jeremy tornou a falar.
— Certo. Foi só este momento que você saiu da sala?
— Só.
— Você mora junto com seu pai?
— Sim. Por quê?
— Pois se precisarmos mais de alguma informação saberemos onde encontrá-lo, e já pegamos o endereço com seu pai. Mais uma coisa, você não poderá sair da cidade sem permissão da polícia, até as coisas se esclarecerem – Jeremy o advertiu.
— É eu já sabia disso – disse ele impaciente.
— Foi só um lembrete. Mais uma vez obrigado. Agora você poderia chamar... quem chamo agora? – perguntou para os dois ao lado.
— A professora – falou Thomas.
Piotr assentiu e então Felipe Farr se retirou.
— Achei que há algo estranho nos depoimentos deles, mas não sei exatamente o que seja.
— Realmente também pude notar. – frisou Piotr.
— E aquela história do amigo – disse Thomas. – Não acredito.
— Eu também não – Jeremy concordou.
— Por isso disse que notei.
Thomas não o compreendia.
— No que você está pensando Piotr – disse.
— Lembra-se quando ele falou o nome do amigo?
— Sim.
Piotr levantou-se e caminhou em direção a um monte de revistas que estava sobre uma mesa.
— Uma reação muito comum de nosso pequeno cérebro – disse ele segurando uma das revistas na mão. – Pergunta-se um nome, por exemplo, em que não se sabe a resposta, imediatamente procuramos algo ao nosso redor e associamos. Aqui está. Nessa revista de advocacia. – Leu. – Preston, Jonh & Preston advogados associados.
— Oh é verdade Piotr eu percebi quando ele olhou para os lados – disse o inspetor.
— Exatamente!
— Mas se ele realmente existir? – contestou Thomas.
Todos se calaram, então a porta se abriu e por ela passou uma velha professora arrumando os cabelos desgrenhados num coque. Vestia-se num conjunto rosa claro e levava uma pequena bolsa. Seus olhos estavam assustados, mas parecia bem mais calma que antes.
— Olá senhora – falou Thomas sorrindo.
Ela o olhou e lembrou-se que era o mesmo homem que havia a ajudado.
— Oi – ela falou surpresa. – Você é um agente da Scotland Yard?
— Sim, foi uma coincidência eu estar aqui hoje, para sua sorte.
— Ah é verdade, nem tive tempo de lhe agradecer, estava tão nervosa!
— Não se preocupe com isso.
— E aquele menino meu Deus! Ele tem algum problema, sempre achei que tivesse. Lá no orfanato que também dou aula, éramos proibidos de levar bichinhos para as crianças porque ele matava, ele já matou vários cachorros, gatos e passarinhos também – ela estremeceu. — As crianças se sentem sozinhas e então levamos estes bichinhos, mas o menino mata todos. – mais uma vez ela se remexeu na poltrona e tornou a falar. – Teve um dia...
Sarah era uma velha tagarela e que gostava de conversar com os outros, horas e horas. Jeremy conhecia bem o tipo especialmente o de Sarah. Era melhor deixá-la falar, e se a interrompessem não falaria mais nada, ele alertou os dois amigos sobre isso e finalmente ela parou de falar. Todos estavam assustados com aquela criança muito pequena e já fazendo coisas tão terríveis.
— Esse menino precisa de cuidados especiais – disse Jeremy.
— Já levamos para vários médicos, mas não tem jeito, provavelmente ele ficará naquele orfanato. Quem adotará uma coisa daquela? Ele matará os pais com certeza – ela estremeceu mais uma vez.
— Um pouco dramática ela, não – sussurrou Thomas a Piotr.
— Um pouco? – Piotr sorriu e em seguida Thomas também.
Jeremy pediu auxílio olhando para Piotr que assumiu a conversa.
— Você gosta muito do seu trabalho não é?
— Ah sem dúvida! – disse ela contente. – Ser professora é um sonho desde pequena. Minha mãe foi professora também, mas logo teve de procurar outro emprego porque não era suficiente para sustentar a casa, além de muito desgastante. E sem a ajuda de meu pai – ele morreu na guerra – tudo ficava mais complicado – ela parou de fazer recordações. – Onde é que eu estava? Ah! Você me perguntou sobre o que eu fazia trabalhando aqui no museu. – Sem nenhuma pausa ela continuou. — Na verdade eu queria dar uma aula diferente, gosto de fazer coisas diferentes, então trouxe as crianças para o museu, mas elas dão tanto trabalho, porém já me acostumei.
— Não foi exatamente isso que perguntei – Piotr sorriu. – Mas tudo bem.
— Oh me desculpe! Sou tão distraída! É um mau de família. Minha avó também era assim esquecia as coisas facilmente...
Finalmente Piotr conseguiu chegar onde queria. Ele tentou formular uma pergunta de maneira que ela não pudesse divagar em outros assuntos.
— Creio que você e as crianças não saíram daquela sala.
Ela apenas concordou com a cabeça.
— Não espere... duas crianças saíram da sala para ir ao banheiro, mas elas não devem ter matado ninguém. Só Fred poderia ter feito isso – acrescentou ela.
Jeremy tentou esconder o riso. Ela realmente tinha medo daquele garoto, mas a única forma dele conseguir fazer tal façanha era subindo num banco. Pouco provável.
— Contudo estava sempre de olho nele – continuou Sarah.
Não tiraremos mais nada dela, pelo menos não agora – pensou Piotr. – Deixarei as ideias serem formuladas e então voltarei em sua casa.
— Precisamos de seu endereço Sra. Sarah já que poderá surgir algo novo.
— Sim, Claro. Copthorne Rd, 141, mas quando forem lá me liguem antes para preparar um chá com bolinhos. Todos elogiam meus bolinhos, acredito que também vão gostar é uma receita caseira.
— Oh sim avisaremos – disse Jeremy quase empurrando a senhora para fora.
Após a saída dela os três respiraram aliviados.
— Finalmente ela se foi – disse Thomas e em seguida falou com ar mais grave. – Ela teria força necessária para desferir o golpe? Acho que não foi ela.
— Não se engane – alertou Piotr. – Se a arma estiver afiada, entrará com muita facilidade.
— Quem chamamos agora? – falou Jeremy voltando para seu lugar.
— Pode ser o Médico? – disse um deles.
— É, chame-o.
Entrou na sala sorridente, como de costume, o jovem doutor Bryan, baixo, de cabelos loiros e olhos azuis. Antes de sentar-se acenou para Thomas que o correspondeu com um breve movimento. Sem rodeios Jeremy entrou no assunto.
— Estive todo o tempo na sala acompanhado por uma bela moça.
— E mais ninguém?
— Na verdade havia um funcionário do museu que nos vigiava. Lembrei-me dele, pois fui acender um cigarro e ele me proibiu... Ah logo depois também entrou outra pessoa.
Thomas adiantou-se.
— Charles, se não me engano era esse seu nome, foi aquele que fugiu. É um bom suspeito e estava muito nervoso.
— O que ele fez exatamente ao entrar na sala? – perguntou Jeremy.
— Não recordo bem – ele franziu o cenho. – Mas lembro que estava com as mãos tremulas e após entrar parou em frente a uma peça do museu. Foi então que Mirelle aproximou-se dele para falar do gosto em comum por joias, mas ele não disse nada, só mexia a cabeça.
As perguntas finalizaram-se e Jeremy pediu seu endereço que foi entregue num pequeno cartão de visitas, o agradeceu e esperou a entrada de outra pessoa.
— As coisas estão se tornando um pouco mais complicada – falou Thomas. – Perceberam que todos possuem álibis? Na verdade, com exceção do diretor Klaus, que permaneceu sentado em sua sala com apenas uma saída ao banheiro... E aí está outro ponto em comum, quase todos, em algum momento, saíram de suas salas, mas foram saídas rápidas e em minha opinião não houve tempo suficiente para cometer este crime. Então podemos presumir algo: alguém está mentindo e não se encontrava no lugar onde alegou estar...
Jeremy o interrompeu.
— Você pode ter razão, mas ainda faltam alguns suspeitos. Só será possível analisar o caso em uma perspectiva maior quando soubermos quantas pessoas estavam no museu entre 1 e 3 da tarde. Não concorda comigo Piotr?
-É claro, é claro – disse Piotr automaticamente sem ter ouvido toda a conversa.
Mais um funcionário do museu entrou na sala. Chamava-se Richard Follman e estava no museu já há algum tempo. Vestia-se num uniforme azulado e encontrava-se calmo pelo que Jeremy avaliou. Antes de sentar-se cumprimentou os três agentes.
— Faremos algumas perguntas de rotina e queremos que o senhor responda com a maior exatidão possível tudo bem? Mas primeiro descreva seus movimentos entre 1 e 3 da tarde de hoje – disse Jeremy inquiridor, pois ao analisá-lo esta era a melhor maneira de obter alguma resposta.
Richard piscou antes de começar a falar.
— Trabalho como vigia aqui e também exerço outras funções quando necessário, assumi meu posto a 1:00 da tarde e desde então permaneci observando os visitantes para que não mexam nos objetos.
Ele descruzou as pernas e esperou que fizessem outras perguntas.
— O Sr. consegue lembrar em quais das salas esteve?
Sem hesitar ele respondeu:
— A maior parte do tempo permaneci em uma sala onde havia duas pessoas, uma delas era um doutor, pelo que vim a descobrir depois e a outra uma moça. Um pouco mais tarde outro rapaz que não o conheço também entrou.
— Poderia nós dizer se este rapaz que entrou estava de alguma forma nervoso ou agindo com maneiras estranhas?
Ele pensou por algum tempo e rapidamente respondeu:
— Realmente percebi que aquele rapaz estava um pouco nervoso, mas após ele entrar na sala ouvimos um grito então corremos para ver o que estava acontecendo.
— Por enquanto estou satisfeito. Mais alguma pergunta Piotr? Thomas? Não? Então Sr. Follman poderia nos dar seu endereço?
— Moro num prédio aqui próximo ao museu, é na 33 Wyle Cop.
Faltava apenas uma pessoa a ser entrevistada para que enfim começassem as investigações mais profundas e ela acabava de passar pela soleira da porta; a jovem Mirelle com sua elegância estranha e intimidadora, o andar ondulante, seguro, o cabelo negro e os grandes olhos castanhos. Uma linda e perturbadora criatura.
— Boa tarde senhores – disse ela tirando suas luvas e dirigindo-se para um assento.
— Boa tarde – respondeu Poirot galanteador.
Ela sentou-se e olhou para Jeremy que começava a falar.
— Como a senhorita já deve saber um dos funcionários deste museu foi morto e vocês como estavam presentes são os principais suspeitos. Por isso queremos um breve relato de seus movimentos após entrar no museu – Jeremy a observou enquanto ela respondia.
— Depois que entrei no museu caminhei por algumas salas olhando alguns objetos, todas as salas que fui estavam vazias, então cheguei numa sala onde havia um jovem doutor – com um leve movimento ela retirou uns fios de cabelo que caíram tampando-lhe a visão. – Permaneci lá conversando até o momento de toda confusão.
Ela parou e olhou para Thomas que fazia algumas anotações, depois para Piotr e tornou seu olhar a Jeremy que prossegui com suas perguntas.
— Enquanto você estava na sala com o doutor não entrou nenhuma outra pessoa?
Mirelle comprimiu os lábios e meneou a cabeça.
— Não foi o que disse o doutor Brian. Ele nos contou que entrou um senhor de modos peculiares e você foi conversa com ele sobre uma joia exposta nesta sala.
— Ah é verdade! Que esquecimento este meu!
— Normal, por isso estamos aqui para te lembrar – Jeremy também sorriu.
Thomas havia parado de escrever e agora olhava para a moça que respondeu:
— Realmente conversei com ele sobre a referida joia, mas foi rapidamente porque logo ouvimos um grito e corremos para ver o que estava acontecendo.
Depois de mais algumas formalidades ela se retirou e Jeremy respirou profundamente dizendo:
— Agora é que tudo começa pra valer, vamos colocar nossas mentes em ação; a meu ver este é um caso bastante peculiar e um tanto complicado.
Os dois detetives concordaram.
— E ainda não temos nada para esclarecer o verdadeiro motivo que levou o criminoso a cometer este delito.
— Mais tarde poderemos averiguar sobre a vida de Jerry Ryder, por que agora é melhor nos concentrarmos nestes depoimentos que acabamos de ouvir.
Piotr, que permanecia calado, acrescentou, enquanto com uma das mãos limpava seu pince-nez com um lenço que retirara do bolso.
— Precisamos achar o primeiro ponto do círculo para então segui-lo. Jeremy, pela sua análise dos suspeitos, o que achou?
— Hum... todos possuem seu jeito característico. Se o assassino estiver entre eles, conseguiu disfarçar perfeitamente sem chamar atenção. Todos eles poderiam matar, mas impulsionados por razões diferentes. A meu ver esses são os motivos que levariam cada um deles cometer um crime.
Jeremy respirou mais uma vez e prosseguiu listando os suspeitos pela mesma ordem em que foram entrevistados.
— O diretor: cometeria um crime por razões financeiras; George e Armand Farr: para proteger alguém; A professora Sarah: medo; O doutro Bryan: paixões; Richard: inveja e por fim Mirelle: para esconder algo, provavelmente algum de seus segredos.
— Excelente! – disse Piotr que admirava a capacidade de seu amigo em analisar as pessoas apenas conversando com elas e observando suas expressões. – Pude captar algumas dessas razões, mas você foi bem mais preciso.
— Poderemos partir daí é um bom começo, não acha? – disse ele.
Algumas batidas na porta foram ouvidas e Jeremy levantou-se para abri-la. O senhor Klaus que o olhou por cima dos óculos, sorriu e lhe entregou uma folha de papel onde continha a lista de visitantes pedida uma hora atrás.
— Demorei um pouco – disse – mas consegui os nomes de todos que estiveram presentes aqui esta tarde, inclusive os funcionários.
— Fico muito grato senhor Klaus esta lista nos ajudará muito. Porém preciso lhe informar que o museu terá que se manter fechado até que seja realizada uma perícia e então poderemos liberá-lo novamente. Acredito que 4 dias serão suficientes para fazermos tudo que precisamos.
Klaus Fritz aceitou as ordens meio a contragosto, mas não poderia fazer nada quanto a isso inclusive já havia imaginado esta hipótese. Sem demonstrar muito sua opinião ele retirou-se da sala.
O museu encontrava-se agora vazio. Apenas os detetives estavam em uma sala e alguns policiais vigiavam a entrada. Jeremy releu a lista e passou a Piotr. Nela constavam os seguintes nomes:
VisitantesHorário de Chegada
Frankie Mason 14:00
Thomas Raymond 14:05
Piotr Gawroński 14:15
Armand Farr 14:18
Felipe Farr 14:18
Charles Kent F. 14:30
Brian Ffrench 14:25
Mirelle F. Sullivan 14:18
Sarah Fleiter (responsável pelas crianças abaixo) 14:20
Fred Miler
Paulo Bolt
Yasmin Dawes
Thommy Gale
Jessica Reilly
Bob Jones
Kate Lee Pi
Funcionários
Klaus Fritz 12:57
George Foster 13:08
Richard Follman 13:15
Jerry Ryder 14:00
Thomas foi o último a pegar a folha, observou-a com grande atenção, fez algumas anotações e só depois percebeu uma estranha coincidência tendo um ligeiro sobressalto.
— Quase todos os nomes apresentam a letra F!
Jeremy tomou o papel de sua mão e tornou a ler. Com os olhos fixos na lista e um pouco assustado disse:
— Veja, nem todos, exceto as crianças e o morto. Não – ele corrigiu. – Aquele menino... Fred começa com F também.
Piotr estava estático em sua cadeira olhava para ambos quando num rápido movimento retirou de seu bolso um envelope e dentro dele estava o misterioso broche partido.
— Então este enigma volta a nos assombrar. — disse ele gravemente. – O broche seria do assassino ou de outra pessoa? Foi colocado intencionalmente ou não? – Ele guardou o objeto. – Não adianta ficarmos apenas fazendo perguntas, precisamos agir meus amigos, precisamos agir! – Levantou-se da cadeira e caminhou de um lado para outro dentro da pequena sala. – Como vocês disseram quase todos que se encontravam aqui apresentam a letra F em seu nome ou sobrenome... bem que tal começarmos por aí? Analisaremos profundamente todas estas pessoas. Estão de acordo?
Permaneceram um pouco mais na sala fazendo breves conjecturas e formulando hipóteses e métodos para prosseguir com o caso.Falta ainda investigar dois suspeitos, Charles Kent e Frankie Mason, pois não se encontravam no museu. Combinaram que isso seria feito amanhã mesmo, logo após conseguirem seus endereços com os agentes da Scotland Yard. Havia outros pontos obscuros para serem analisados como, por exemplo, o desaparecimento da arma do crime; iriam hoje ainda fazer uma busca pelo museu. Outro enigma era o horário do crime, fato decisivo para ajudar a elucidar este crime.
Enfim se retiraram da sala e começaram a examinar as salas dos museus. A primeira escolhida foi onde encontraram o corpo que já tinha sido retirado. Recolheram algumas amostras para ser levadas ao laboratório, porém nada de novo fora encontrado. Se espalharam por outras salas que foram investigadas, mas sem nenhum sucesso, faltava agora apenas os banheiros.
Thomas entrou no toalete e olhando para uma janelinha percebeu que já estava escurecendo. Começou as buscas pelo chão, olhou também as pias, depois de certo tempo observou as lixeiras e foi numa delas que encontrou algo importante, uma jaqueta suja de sangue. Colocando as luvas abriu um envelope plástico e a pôs dentro com cuidado. Saiu do banheiro e foi esperar os amigos na entrada do museu. Minutos depois eles chegaram.
— Eu não encontrei nada. E vocês tiveram mais sorte? – perguntou Jeremy que observou Thomas segurando algo nas mãos.
Ele ergueu o envelope mostrando para os dois como se fosse um prêmio.
— Estava no banheiro, mais precisamente dentro de uma lixeira. Alguém por algum motivo tentou esconde-la apressadamente.
— De quem seria este sangue? – tornou a indagar Jeremy.
— Também gostaria de saber. Mandaremos junto com os outros objetos para as análises.
Findada as investigações o museu foi fechado e todos foram embora. Os detetives entram em um carro e foram para o escritório da polícia acompanhados por Jeremy.
***
Era manhã na Inglaterra, Piotr já estava saindo do hotel onde estava hospedado, desceu as escadas e passou pela portaria.
— Bom dia Senhor! – disse um dos funcionários.
— Bom dia! – cumprimentou ele erguendo seu chapéu.
Há dois dias Piotr estava aproveitando sua folga e escolheu para descansar uma pequena província de Shrewsbury, porém o trabalho insiste em persegui-lo mesmo em suas férias.
Ele atravessou a porta e repentinamente resolveu ir caminhando até o escritório de Jeremy. Achou que poderia ser uma maneira de conhecer melhor a cidade e desta forma também pensaria um pouco no caso já que ontem ao chegar em seu quarto o sono pegou-lhe de surpresa. Ao chegar foi recebido por uma senhora que não se encontrava no dia anterior, muito provavelmente seria uma secretária, que o levou a um recinto onde Jeremy falava em um telefone.
— Olá Piotr – disse ele abaixando o fone. – Estou falando com o pessoal da Yard, eles já receberam nossas amostras e estão analisando, em breve teremos o resultado.
Piotr balançou a cabeça e caminhou até um dos sofás, no seu lado estava a lista de pessoas presentes no museu ele a pegou.
— Você já pediu os endereços de Charles Kent e Frankie Mason? – disse ele colocando a lista de volta no lugar.
— Um momento – respondeu Jeremy para a outra pessoa na linha. – É exatamente isto que estou esperando agora. Ontem mesmo, depois que vocês saíram, enviei estes nomes e hoje retornei para saber se conseguiram alguma informação.
— Ótimo! Assim podemos agir o quanto antes, esperaremos só até Thomas chegar.
— Bom dia!
Era Thomas que entrava na sala.
— Ahh! resolveu acordar cedo hoje? – disse Piotr sorrindo.
Jeremy acenou e tornou a falar ao telefone.
— O que vamos fazer agora? – perguntou Thomas sem se importar em responder a pergunta irônica de Piotr.
Piotr sorriu novamente e prosseguiu:
— Jeremy está conseguindo os endereços dos suspeitos que faltaram, assim que pegá-los poderemos fazer uma visita a eles.
Neste momento o inspetor havia feito algumas anotações e desligava o telefone.
— Consegui! – disse ele – E também Piotr, tomei a liberdade e mandei fazer um levantamento de todos os objetos do museu. Ontem à noite, não consegui dormir pensando sobre o caso, e me veio à mente que o assassino roubou algum objeto e o funcionário acabou vendo-o e infelizmente, sendo morto.– terminou ele entregando os endereços para Piotr.
— Muito bom meu amigo, sabia escolha. Agora – ele levantou – podemos nos dividir e tomar o depoimento desses dois suspeitos.
O inspetor partiu sozinho atrás do senhor chamado Charles Kent. Piotr, juntamente com Thomas, foram de carro até a casa de Frankie Mason a qual não ficava muito distante dali. Chegando lá bateram na porta e foram recebidos pela mãe dela. Uma velha com uma expressão carrancuda olhava para os dois estranhamente.
— Minha filha não conhece vocês — disse ela após os detetives se apresentarem.
Thomas fez um breve relato dos acontecimentos e após muita dificuldade a senhora permitiu a entrada dos dois. A filha logo apareceu na sala. Ela entrou devagar e olhava para os detetives assustada. Vestia-se numa roupa simples e azul. Os cabelos soltos caiam sobre os ombros. Ela chegou perto de sua mãe que logo retirou-se da sala olhando para a filha de maneira reprovadora, pois os policiais pediram para conversar em particular.
Logo que a mãe de Frankie saiu ela sentou-se numa das cadeiras colocou as duas mãos no rosto começando a chorar.
— Por que vocês tinham que vir aqui, eu sabia que não era para ter ido naquele museu. Porque isso foi acontecer comigo, logo no momento que estava lá!.
Piotr a entregou um lenço e imediatamente perguntou qual era o motivo de tanto choro.
— Minha família – disse ainda soluçando. – É muito conservadora e eu sou a única filha mulher. Fui criada de forma rígida e nunca me meti em confusões. E agora estou sendo suspeita de um crime. O que minha família irá pensar de mim! – ela tornou a chorar. – Minha mãe nunca mais vai querer olhar para mim.
Piotr tentou acalmá-la e começou a falar de maneira tranquila.
— Nós apenas queremos fazer algumas perguntas. Depois conversaremos com sua mãe e explicaremos melhor o motivo de nossa visita. Não precisa ficar assim, como você poderia adivinhar que isto ia acontecer no museu onde você estava não é verdade?
Ela consentiu com a cabeça e ficou ligeiramente mais calma. Thomas ao lado de Piotr parecia estar comovido com a história da garota. Havia a conhecido no museu e gostara muito de sua companhia.
Piotr fez algumas perguntas de costume agora que ela já não estava chorando mais.
— Lembro que cheguei – respondeu Frankie. – Com um grupo de pessoas e logo depois conheci seu amigo – ela olhou para Thomas que sorriu e confirmou a Piotr. – Então ficamos conversando, lembro também que só levantei duas vezes para ir ao banheiro.
Thomas confirmou mais uma vez e depois foi feita outra pergunta.
— Sabe o horário em que foi ao banheiro?
Ela balançou a cabeça negativamente.
— E você não notou nada que lhe parecesse estranho no museu ou no comportamento dos visitantes?
Ela hesitou ao responder.
— Sim? – incentivou Piotr.
— Nada – disse ela por fim.
Mais algumas perguntas foram feitas com respostas não muito satisfatórias. Eles a agradeceram pelo depoimento e tiveram uma breve conversa com a mãe da moça que continuava com modos rudes e olhava sempre de esguelha para a filha.
— Será que vai ficar tudo bem com ela e sua família? – disse Thomas já de volta ao carro com Piotr.
— Isso eu não sei te dizer.
— Infelizmente ainda existem famílias assim – e acrescentou. – Estou com pena daquela garota, ela não deve nem poder sair de casa e quando sai acontece isso.
— É... – disse Piotr pensativo.
Voltaram para ao escritório algum tempo depois e encontraram o inspetor presente.
— Como foi? – perguntou Thomas ao vê-lo.
O inspetor balançou a cabeça vagarosamente e disse:
— Ele não estava lá. Perguntei até a alguns vizinhos e poucos o conhecem, disseram que Charles está ali há pouco tempo e um deles o tinha visto sair com uma mala.
— Será que ele viajou?
— Não posso te dizer, mas será mais difícil do que imaginávamos encontrar este homem.
Então ele perguntou.
— E vocês como foram?
— Sem muitos avanços – falou Piotr e contou também sobre a vida exclusa da pobre garota.
Eles ficaram conversando sobre o caso por um breve momento antes de finalmente decidirem esperar o resultado de alguma das análises, já que não havia nada mais a se fazer.
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