Notas iniciais
Espero que gostem, é a primeira original e também a primeira one que escrevo... Por favor, deixem sua opinião

A noite era fria e nebulosa, e mais uma vez os moradores da cidade se reuniam no bar perto da praça para comentar os acontecimentos da madrugada. Mais um ataque, outro corpo encontrado com as mesmas características dos anteriores. Só que desta vez, o corpo não havia sido encontrado na floresta, como das últimas vezes, mas sim no cemitério das máquinas que ficava próximo a ferrovia da cidade.

Todos estavam preocupados, e não era para menos, pois de uma hora para outra começaram a sumir moças de família, para serem encontradas logo depois, mortas da pior maneira possível. As garotas mortas, tinham várias características em comum, tal como a forma que foram mortas, e isto só podia significar uma coisa, o autor dos assassinatos era o mesmo em todos os casos.

O bar esta noite estava faturando sem parar, pois a cada instante aparecia mais um curioso para comentar a morte desta semana. Desta vez, foi a filha do prefeito que foi morta, e sem sombra de dúvidas a mais bela moça que a cidade já podia ter visto, “uma grande perda” era a frase mais ouvida dentro dos limites daquele bar com paredes de madeira. Postaram-se então a divagar sobre os motivos que levavam as moças a saírem de casa tão tarde, e literalmente irem se encontrar com o assassino, então de certa forma ele só poderia ser um sedutor para conseguir com que moças de famílias tão conservadoras saíssem praticamente de madrugada sem que os pais soubessem, e isto que os deixavam cada vez mais alarmados. Quem seria tão cruel e sangue frio a ponto de fazer uma coisa dessas com jovens tão ingênuas.

O assassinato a sangue frio assustava os moradores da cidade, pois todos os corpos, sem exceção, haviam sido brutalmente cortados e violados, e isto era algo terrível de se imaginar ou até mesmo ver, no caso de quem havia encontrado os corpos. Os cadáveres, tão jovens e pálidos, de olhos fechados como se estivessem em um sono profundo, quase sem sangue nenhum dentro das veias... Era realmente algo de se causar arrepios em qualquer um, e as famílias desoladas clamando por justiça, mas, quem seria louco suficiente para ir atrás de um assassino deste?

Por mais que toda a cidade pedisse por justiça, ainda assim não teriam por onde começar. O serial killer poderia ser qualquer um, e estar ali, naquele exato momento fingindo-se de inocente e tentando ajudar os moradores a perceberem quem seria o tal “monstro” que fazia aquilo com as jovens indefesas da pequena cidade. E era exatamente este pensamento que fazia com que todos ficassem desconfiados e atentos a todo e qualquer movimento suspeito.

O que mais surpreendia, eram os cortes nos corpos, que a primeira vista eram invisíveis, mas depois de examinar com certa pericia, podia-se ver que haviam cortes pequenos, porém profundos feitos em pontos estratégicos exatamente onde havia maior fluxo de sangue no corpo. Eram estes os pulsos, pescoço e ombros. Os cortes eram feitos com tamanha precisão, que até mesmo profissionais desta área se surpreendiam.

Do lado de fora do bar, um senhor de meia idade descia as ruas de pedra com uma tocha na mão com o objetivo de acender os lampiões e iluminar a cidade. Mais ao longe, um vulto caminhava calmamente em direção a praça, seus passos eram lentos e firmes, parecia que se sentia a vontade com a escuridão que o cercava. O senhor que acendia as luzes, vendo aquele vulto, ficou temeroso, pois mesmo estando próximo a claridade, as curvas do ser que vinha em sua direção eram indistintas, fazendo-o recuar alguns passos. Pois mesmo que os assassinatos estivessem acontecendo apenas com jovens moças, não se podia vacilar com um serial killer a solta na pequena cidade.

Mas então o vulto aproximou-se mais, e então o senhor que segurava a tocha pode ver que era o jovem médico que morava no centro da cidade, e como sempre estava muitíssimo elegante. Ele tinha a pele alva e cabelos negros perfeitamente alinhados em baixo de um chapéu. Suas roupas eram totalmente negras, composta por uma calça social, uma camisa branca, sapatos lustrados e um sobretudo que cobria-lhe até os joelhos protegendo-o do frio. Ao chegar perto do responsável por dar luz as ruas, cumprimentou-o com um leve aceno de cabeça, e sentiu que convinha comentar a beleza da noite.

“Sim, a noite está bonita. Pena que não se consiga ver as estrelas devido a neblina”. O jovem apenas lhe sorriu e concordou com a cabeça. Continuou admirando o céu, até que seus pensamentos foram cortados com uma pergunta que o homem que estava próximo de si lhe dirigiu. “Ficou sabendo dos assassinatos, jovem Klaus?” e mais uma vez apenas acenou positivamente com a cabeça, mas desta vez seriamente, sem sorriso nenhum no rosto, e esta expressão o deixava sombrio e mais misterioso do que já costumava ser aos olhos dos moradores daquele lugar. “Ouvi boatos. É realmente uma lástima. Eram garotas tão bonitas, e jovens, tinham tanto o que viver ainda”. Mais uma vez, voltou seu olhar para o céu, como se estivesse à procura de algo que não estava lá. Seu olhar era tão penetrante, que fez com que o senhor que estava ali olhasse na mesma direção que ele.

Os murmúrios de gente conversando aumentaram. As pessoas começavam a sair do bar e irem à suas casas, pois a noite já estava ficando alta, e muitos ainda iriam trabalhar no dia seguinte. Conforme iam passando pelos homens ali parados admirando o céu encoberto por nuvens, cumprimentavam-nos e as vezes faziam algum comentário sobre as tristes perdas, e recebendo muitas vezes condolências do jovem médico que demonstrava muito pesar.

Depois que as ruas se esvaziaram mais uma vez, o jovem voltou a olhar para o céu, sorrindo mais uma vez de um jeito misterioso e calmo, algo que pendia entre a sanidade e a loucura. Seus olhos esta noite estavam mais negros do que nunca, e se destacavam na pele clara de seu rosto, que começava a ficar pouco mais corado devido ao vento que lhe atingia. Após um longo tempo, virou-se para o homem que estava ao seu lado, ainda mantendo um sorriso que chegava quase a parecer gentil, e perguntou-lhe se sabia as horas.

“São quinze para as dez”. O rapaz desviou os olhos como se lembrasse de alguma coisa, então sorriu novamente “Sinto, mas tenho que ir agora, tenho um compromisso daqui a dez minutos, pois se não fosse isto, ficaria aqui conversando com o senhor.” O senhor sorriu para o jovem e apenas confirmou com a cabeça logo dizendo-lhe que não era necessário se prender ali por causa dele, e que também tinha um compromisso inadiável perto da floresta. O médico sorriu-lhe mais uma vez, e se despediu com um breve aceno de cabeça, descendo com seus passos lentos e firmes em direção ao cemitério de máquinas da cidade, enquanto o responsável pelos lampiões descia uma rua oposta a caminho da floresta, tal qual com seus compromissos em mente.

A noite chegou ao fim, e com ela veio à alvorada. E mais uma vez, como a semana toda havia acontecido, os moradores da pequena cidade estavam reunidos no bar discutindo os acontecimentos da madrugada. Outro cadáver encontrado, mais uma moça indefesa morta, mais uma família desolada, e nenhum suspeito. Todos ali podiam ser o tal assassino, mas até descobrirem quem era, esta era a rotina daquela pequena cidadezinha do interior. Acordar todas as manhãs, e descobrir que haviam encontrado mais uma moça morta nos limites da cidade.

Notas finais
Bem... Deixem reviews sim?
Vllw >.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!