Assassinando um anjo
11 Capítulo 11
Notas iniciais
POV Isabel
Minhas pernas ardem com o esforço de continuar correndo, dentro do meu peito meu coração pulsa descompassadamente e a única coisa que me faz prosseguir é a sensação da mão de Alice pressionada contra a minha. Olho de relance pro seu lado e então tenho a terrível visão de sangue empapando toda sua roupa.
– Isa...
Ela não consegue terminar a frase porque desfalece em meus braços. Olho ao redor e consigo ouvir passos vindos do caminho que deixamos para trás. Reunindo o pouco de forças que ainda me restam eu a ergo e jogo-a por cima do meu ombro direito. Por mais que vários anos tenham se passado desde que estive aqui ainda me lembro dos esconderijos que eu usava para fugir do meu destino cruel por alguns instantes.
Entrando por uma brecha que existe entre uma estátua e o canto do corredor eu coloco o corpo de Alice no pequeno espaço. Meu coração está quase saindo pela boca, mas me esforço para manter-me calma nessa situação. Vejo que seu braço direito foi atingido por um tiro, rapidamente faço um torniquete com o meu cinto e volto para o corredor. Recarrego minha pistola e mantenho-me em posição de ataque esperando os meus caçadores. Inspiro e expiro tentando tranquilizar-me e não pensar que Alice pode morrer.
Alguns instantes mais tarde três homens encapuzados viram o corredor e dão de frente comigo, antes que eles possam pensar eu disparo e os acerto em cheio. Repito o processo de recarregar e aguardar. Dois minutos contados mais tarde mais três homens aparecem, acerto dois que caem mortos. O terceiro homem é Lucas, não consigo atirar nele. E o mesmo vale pra ele.
– Eu te dou cobertura, tire a menina daqui, mas se for pega deixe claro que eu nada tive com isso me entendeu Isabel?
Não consigo expressar em palavras o tamanho de minha gratidão, então limito-me a assentir com a cabeça. Rapidamente me volto para o lugar onde deixei Alice, coloco-a em cima do ombro esquerdo e com a mão direita empunho minha pistola. Tento andar o mais rápido o possível.
Viro a direita e finalmente consigo encontrar a porta pela qual entrei, o homem que tive que matar continua estirado no chão, pego a chaves que ele tem penduradas no cinto. Olho pro seu rosto e vejo que é Feliphe, sei qual é seu carro. Correndo o quanto posso procuro pelo carro até que o encontro. Lucas está fazendo um bom trabalho já que ninguém veio atrás de mim ainda. O mais cuidadosamente coloco Alice no banco de trás do carro. Corro até a parte traseira do carro e arranco a placa com ajuda de uma pedra que encontro, faço o mesmo com a placa dianteira. Correndo entro no carro e dou partida. Então eu o avisto, o Sr. Mendes, e ao seu lado direito seu não tão fiel escudeiro, Lucas que dispara em minha direção. Cantando pneu dou a ré e consigo finalmente sair daquele lugar nojento e que me transformou no monstro que sou.
POV ALICE
Abro os olhos lentamente e não consigo distinguir o lugar em que estou. Cada parte do meu corpo dói e eu não consigo conectar os acontecimentos.
– Alice... fique acordada, por favor.
A voz de Isabel preenche meu peito, fazendo-me querer permanecer acordada apesar de toda a dor que sinto. Tento ao máximo manter meus olhos abertos só que a escuridão mais uma vez toma conta de mim. E então não vejo mais nada.
POV Isabel
Alice continua desacordada e isso me deixa mais nervosa do que enfrentar mil homens armados. Olho para o banco traseiro do carro e vejo seu rosto sereno, e seus cabelos de anjo ensopados de sangue. Meu coração dói ao ver essa cena, não consigo parar de me sentir culpada ao saber que eu a trouxe para isso, que eu piorei sua situação. Se essa garota morrer não vejo futuro para mim.
Acelero o carro ao máximo em busca de um hospital e dentro de meia hora finalmente conseguimos chegar em Goiânia. O trânsito está um caos, existe engarrafamento por todos os lados, tudo está parado. Em um ato desesperado paro o carro, pego Alice em meu colo e começo a correr por entre os carros. O peso de Alice não é o suficiente para me fazer parar ou diminuir os passos, eu prometi a mim mesma que salvaria essa garota e isso que irei fazer.
Após alguns minutos correndo, uma ambulância surge dispersando um pouco do trânsito e então percebo que alguém teve uma ideia melhor que a minha e ligou para a emergência.
Entro na ambulância com Alice, enquanto os paramédicos começam com os procedimentos. Eles me fazem algumas perguntas, mas eu sinceramente não consigo ouvir, a única coisa que tenho consciência é o som dos aparelhos que suponho que sirvam para salvar minha garota. Minha doce menina, minha tábua de salvação de mim mesma.
A adrenalina começa a sair do meu corpo e então começo a sentir as dores, tanto físicas quanto psicológicas do dia de hoje. O cansaço paira sobre mim e eu tomo consciência que posso perder Alice. Eu entrei nesse perigo todo para não matá-la e agora ela estava a um fio de morrer.
A ambulância chega ao hospital e os médicos logo começam o atendimento, eles a levam para longe de mim. Tento entrar junto com ela, mas eles me barram dizendo que eu preciso esperar do lado de fora. Ergo uma arma pro enfermeiro.
– Eu vou entrar com ela. – Grito exasperada.
Seus olhos se arregalam e eu percebo que me descontrolei como nunca havia feito antes. Abaixo a arma e pronuncio um pedido de desculpas inteligível, deixo-me cair no chão chorando, soluçando pela primeira vez em anos. Olho ao redor e todos estão afastados de mim obviamente assustados demais para oferecerem qualquer ajuda.
De repente o telefone da recepção toca me fazendo voltar à realidade. A recepcionista atende e começa uma conversa fervorosa com alguém até que virando-se pra mim ela diz:
– Isabel? – Assinto com a cabeça – É pra você.
– Isabel, eu vou achar você e terminar o que comecei com sua namoradinha, escreve o que estou te dizendo. Você é uma mulher morta.
A voz do Sr. Mendes soa do outro lado da linha.
– Eu morri no instante que te conheci e isso já faz anos.
Apontando uma arma pra recepcionista eu digo:
– Eu preciso entrar lá ou quem vai precisar de uma cirurgia é você.
Decido que não sairei do lado de Alice nem por um segundo sequer, ela é minha prioridade e eu morreria antes de deixar qualquer coisa acontecer a ela.
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