Notas iniciais
Então, aproveitando o momento que criei uma nova conta e estou fazendo histórias que jamais imaginei escrever.
Espero que gostem dela o tanto que estou gostando de escrever.

Uma lança vem em minha direção tão veloz que quase não tenho tempo de desviar dela, me apoio sobre um de meus joelhos poucos segundos antes de escutar o zunido que passa à centímetros do topo da minha cabeça, me ergo lançando um olhar ameaçador ao meu oponente que de olhos arregalados e desarmado suplica:

- Não... Por favor... Eu posso pagar pela minha vida.

Dois tiros certeiros são suficiente para calá-lo.

- Meu chefe pode pagar muito mais. – Sussurro já para o cadáver.

Viro-me de costas guardando meu revólver de volta no coldre. Suspiro entediada, cada vez mais tem sido difícil encontrar alvos que me dão dificuldade, meu chefe ficará feliz ao descobrir que menos um nome consta na sua lista de inimigos.

Meu celular toca e atendo.

- E então Izabel, foi feito? – Ouço Lucas, o capanga mais confiável de meu chefe, me perguntar do outro lado da linha.

- E eu já deixei de fazer algo alguma vez? – Rebato a pergunta de maneira mecânica.

- Ótimo. Venha para cá, temos um novo “probleminha” pra nossa melhor assassina de aluguel resolver.

- Estou a caminho.

Minha vida se resume a esperar os telefonemas de Lucas para que ele me diga aonde e qual horário que devo estar para cumprir meu dever. Tenho levado essa vida a muitos anos para conseguir sentir remorso ou culpa pelo que faço. É uma questão de profissionalismo, eu faço o que tenho que fazer para garantir o meu sustento e minha própria vida.

Cada vez mais tenho ficado menos ligada aos meus sentimentos e tenho tido uma visão mais pragmática das situações. Eu simplesmente extermino as pragas da sociedade, altos mafiosos que fazem crianças entrarem no mundo das drogas, claro que minhas intenções não são nobres afinal eu faço o serviço pra um desses mafiosos, mas a diferença dele é que ele me paga.

Subo na minha moto e me dirijo até o escritório central onde sempre recebo as novas informações sobre a futura vítima. Dentro de quinze minutos estou diante do restaurante chinês que serve como disfarce para a base de crimes do Sr. Mendes, maior traficante de drogas da região, mais conhecido como meu chefe.

Entro sem precisar me identificar, pois todos os funcionários do local já me conhecem. Nos fundos desço as escadas que me levam ao escritório. De longe avisto Lucas na porta como um verdadeiro cão fiel ao dono, seus músculos estão a mostra devido a regata branca que ele usa e sua pele dourada é quase um convite para mim, mas eu não me deixo levar pelos meus pensamentos, afinal eu tenho uma namorada, Elisa.

- Olá policial. – Eu o provoco mordendo meu lábio inferior.

- Entre logo Isabel. – Ele permanece olhando para frente como se eu não estivesse ali.

Eu adentro o local que já me é conhecido e quase acolhedor. O Sr. Mendes está fumando um charuto e seu bigode grosso parece se movimentar sozinho. Seus pés estão sobe a mesa e ele parece vagar em outras épocas, lembrando-se de sabe se lá o que.

- Boa noite Sr. Mendes. – Eu digo séria trazendo-o de volta à realidade.

- Minha menina, você voltou! – Ele diz carinhosamente – E como sempre trouxe sangue em suas mãos.

Se eu não o conhecesse até diria que ele tem carinho por mim, mas eu tenho plena consciência de que eu só valho enquanto eu fizer tudo como ele manda.

- Estou aqui para isso. – Digo o mais seca que consigo.

Eu o observo enquanto ele se ajeita em sua cadeira e pega alguns papeis em uma gaveta, ele parece desinteressado com toda aquela burocracia, e eu particularmente me sinto da mesma maneira, afinal era só me dar um nome e no dia seguinte esse nome não existiria mais.

- Então como você sabe eu tenho um acordo com o chefe do quartel de drogas, James o nome dele, ele fica com uma parte do nosso bairro e eu com outra, muito simples. Mas o desgraçado violou o acordo três vezes, e agora com uma droga nova ele está levando todos os meus clientes.

- Então o que tenho que fazer é matá-lo? – Pergunto desinteressada.

Ele põe umas fotografias em cima de sua mesa. Eu as analiso e tudo que vejo é uma garota, que aparenta ter por volta de 20 anos, sorrindo e seus cabelos loiros estão desarrumados os em todas as fotos deixando-a com um ar jogado, os olhos verdes parecem uma extensão do sorriso. É uma garota muito linda, mas não entendo o motivo das fotos.

- Eu não quero matá-lo, isso afugentaria futuros interessados em acordos comigo. Mas eu não acho que seja bom para meus negócios que os outros me vejam como fraco. Eu quero dar a ele um aviso e quero que a mate, a filha dele.

É a primeira vez em muito tempo que sinto medo de cumprir uma missão. Matar homens grandes e malvados é uma coisa, mas colocar as mãos naquela garota inocente era algo bem mais grave. Minha alma ainda não estava tão corrompida.

- Quando foi que passamos a matar garotinhas inocentes? – Pergunto.

- Quando foi que você me passou a fazer perguntas? Eu estou ordenando. Ou você a mata ou eu matarei você me entendeu Isabel? Agora saia! – Ele manda indicando a porta com o dedo indicador.

- Sim senhor. – Sou incapaz de dizer algo além disso.

Assim que saio do escritório dele um grande peso se abate sobre minhas costas, o rosto sorridente daquela garota me vem à mente e eu quase não posso suportar a ideia de tirar-lhe do rosto. Não consigo imaginar aquela garota sem vida, estou quase chegando ao fim do corredor quando ouço Lucas me gritar.

- Você esqueceu as informações sobre o caso. – Ele diz sério, mas demonstrando um certo receio.

Creio que assim como eu ele não se sente a vontade com isso.

- Não a chame de caso, por favor. Ela é uma menina, cheia de vida e vamos colocá-la no meio dessa merda toda. É isso que nós somos agora?– Digo com os dentes cerrados.

Viro-me sem dar a ele a possibilidade de uma resposta, quase corro até a minha moto. E durante todo o caminho até meu apartamento não consigo tirar a imagem da garota da minha cabeça. Como eu vou fazer isso a alguém tão puro?

Enfim chego ao meu apartamento. Abro a porta e encontro Elisa deitada no meu sofá já cochilando, não lhe dou atenção e me dirijo até meu quarto. Abro a pasta com as informações da garota.

Primeiramente olho as fotos mais uma vez. E de novo aqueles olhos verdes tão cheios de vida me encaram, seus cabelos loiros brilham devido ao sol que batia nela na hora em que a foto foi tirada. O sorriso nos lábios dela é o sorriso mais verdadeiro que já vi na vida, sem mentiras ou segundas intenções, somente o riso frágil de uma menina cheia e alegria.

Jogo as fotos de lado tentando voltar ao profissionalismo, começo a ler sua ficha.

Seu nome é Alice, tem 19 anos e mora com os pais no centro de Brasília. Ela estuda medicina veterinária pela manhã e a tarde faz serviço voluntário em uma ONG para cães abandonados. Uma menina aparentemente tão boa pagando pelos pecados de um pai corrupto, o mundo nunca foi justo mesmo e isso é só mais uma confirmação disso. Suspiro pesadamente, não tenho a mínima ideia de como evitar fazer isso, então aceito meu fardo.

Amanhã irei atrás dela e farei o que é preciso, eu terei que matar aquela garota. Eu terei que matar um anjo.

Notas finais
Então pessoal por enquanto é isso.
Espero que deixem suas opiniões.
Agradeço por lerem minha história. Grande beijo.