Notas iniciais
Olá pessoal tudo bem com vocês?

POV ALICE

Ali de frente para mim está a garota que amei por longos anos, durante toda a minha infância ela foi só uma amiga, mas quando entrei na adolescência eu percebi que sentia algo a mais por ela. Eu havia nutrido esse sentimento por tempo demais e quando eu finalmente o largo de lado ela aparece em minha porta. Indico para Isabel que está tudo bem e que ela pode guardar a arma.

– Beatrice o que está fazendo aqui? – Consigo encontrar minha voz.

– Ãh,.. Eu te vi chegando e resolvi falar contigo.

A última vez que havíamos nos falado tinha sido uma grande confusão. Eu por impulso de momento havia me declarado para ela, no entanto, ela não sentia o mesmo e ainda por cima considerava meus sentimentos nojentos. Eu havia ficado magoada demais para tentar manter contato com ela durante esses anos.

Eu indico para que ela entre ela assim o faz, seus cabelos alaranjados estão na altura da cintura exatamente como eu me lembrava. Seus olhos azuis ainda me assombravam de uma maneira extremamente intensa.

– Quer tomar um chá? – Pergunto.

– Não, eu estou bem.

Ficamos em silêncio nos encarando. Isabel deve ter ido para o quarto ao perceber a tensão que existia entre nós duas.

– Alice...

Ela para respirando fundo tentando tomar coragem para dizer o que quer que fosse.

– Eu – ela prossegue –queria me desculpar contigo. Eu não deveria ter lhe dito aquelas coisas horríveis.

– Você teve cinco anos para se desculpar Beatrice, acredito que seja um pouco tarde. Você me magoou no momento em que mais precisava de apoio, talvez você não me amasse de volta, mas eu queria ter podido contar com minha melhor amiga quando eu finalmente me assumi.

– Eu... Eu sei que não há perdão para a forma como eu te ofendi, mas eu não sabia o que fazer ok? Você mexia comigo e uma maneira que eu não queria admitir e te odiar seria a única maneira de me livrar daquele desejo.

As palavras dela me atingem como um tiro, durante todo o tempo ela não era simplesmente uma homofóbica, mas sim uma garota que tentava a todo custo esconder sua sexualidade. Compadeço-me um pouco com sua situação.

– Eu não sabia disso. E o que mudou agora? – Pergunto.

– Eu me assumi para meus pais, no começo eles surtaram, mas agora me respeitam pelo menos.

– Deve ter sido bem difícil. – Comento.

Ficamos em silêncio novamente olhando-nos timidamente, reconstruir uma amizade é uma das coisas mais difíceis de se fazer na vida, muito mais do que simplesmente iniciar uma. As mágoas nos acompanham e é difícil deixar o passado para trás.

Tentando manter uma conversa normal ela começa a me contar que mudou para o prédio e que está estudando gastronomia. Fico feliz com suas conquistas e no fundo eu a invejo por não estar tão metida nessa confusão em que estou.

Em um dado momento ela começa a me fazer perguntas sobre minha vida, sinto-me incomodada de mentir para ela, mas é preciso para manter todos a salvo. Desvio das suas questões e tento mudar de assunto.

– Acho que já está na hora de eu ir. – Ela diz de repente olhando no relógio.

Estranho sua súbita vontade de sair, mas me levanto e abro a porta para ela, ela segura seu casaco nas mãos e muda o peso de um pé para o outro nervosamente.

– Tchau. – Eu digo.

Sem perceber ela preenche o espaço entre nós e me beija timidamente. Um calor se espalha por todo meu corpo, deixando-me inebriada de todas as maneiras possíveis, o beijo tem um toque de carinho e de amor. Acho que a espera de todos esses anos deixou tudo mais intenso.

Finalmente ela se afasta e me lança um sorriso tímido, eu lentamente fecho a porta sem mais o que dizer. Quando me viro dou de cara com Isabel que está com uma expressão fria. Ela novamente se encheu de muros ao seu redor, logo agora que eu estava conseguindo me aproximar dela, logo agora que eu finalmente estava quebrando suas barreiras.

– Me desculpe. – É só o que consigo dizer.

– Não confio nela Alice, tome cuidado para não ser a mesma adolescente boba de anos atrás e caia de amores por uma emboscada.

Irrito-me com seu tom superior, o que ela acha que sou? Uma criança?

– Eu não sou uma adolescente Isabel, sabe se você fosse um pouco menos antipática talvez a gente não brigasse tanto.

– Ou se você não fosse tão fácil, afinal estava quase me beijando meia hora atrás e agora já está aos beijos com a garota que te deu um pé na bunda anos atrás. – As palavras dela são como um tapa em minha cara.

– Então se trata de ciúmes Isabel? – Eu a provoco.

– Eu jamais sentiria ciúmes daquela garota Alice, ela jamais fará você sentir como eu faria você sentir. Ela nunca te dará o que eu poderia dar Alice, eu só não confio nela e acredito que você vai fazer papel de idiota. – A voz de Isabel me causa arrepios.

Não posso a deixar perceber o quanto aquelas palavras mexeram comigo, mantenho-me firme em meu lugar sem demonstrar nada.

– Você está errada. Só com um beijo ela conseguiu mexer comigo de um jeito que você jamais seria capaz Isabel, não seja tão convencida. – Eu a ataco.

– É mesmo?

Ela diz se aproximando de mim. Ela vem chegando cada vez mais perto e eu me afasto até que sinto minhas costas encostarem-se à parede, não há como correr agora, estou presa.

Com uma mão Isabel segura as minhas acima de minha cabeça, tento controlar minha respiração que já está descompassada. O modo com ela me olha me deixa completamente perdida de tesão por ela. Ela ergue minhas pernas com facilidade colocando-as em volta de sua cintura.

Sua boca finalmente encontra a minha e todos os beijos que já havia tido perdem o sentido. Eu realmente nasci para beijar Isabel, seu beijo demonstra desejo, carinho e posse. Todo o meu corpo reage a ela, deixando-me excitada e desejando por mais.

De repente ela cessa o beijo e me coloca no chão novamente. Afasta-se e então eu vejo a raiva brilhar em seus olhos, eu realmente estava certa ela tinha ficado com ciúmes.

Eu havia estragado tudo.

– Como eu disse Alice, você é fácil demais. – Ela diz enquanto sai batendo a porta.

Jogo um vaso na porta para aliviar a raiva. Eu nunca convivi com uma mulher tão manipuladora, egocêntrica e ciumenta. Se ela acha que isso vai ficar barato ela mal pode esperar para ver. Levanto-me e saio atrás dela.

Isabel está prestes a conhecer o pior lado de Alice. O lado obscuro que ninguém conhece.

Notas finais
Que tenso né? Então vocês já sabem né? Que tal me dizerem o que acharam desse capítulo? E no geral? Vocês acham que elas vão se resolver logo. Fiquem de olho que tem mais por vir. Agradeço que estejam gastando o tempo de vocês lendo minha fic, me faz muito feliz. Até o próximo, bye bye.