Ashita Hareru Kana
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Mou sukoshi no shoubu ja nai
Kujikesou na feeling
Norikoete. One more chance
(Isso não é apenas um jogo
Ao se sentir derrotado
Você deve superar. Mais uma chance)
- Q-quê? Do que você está falando???? – Foi tudo que ele conseguiu gaguejar.
Eriol sorriu e respondeu tranquilamente:
- Vendo essas fotos e pensando no que aconteceu no dia em que foram tiradas eu me lembrei de coisas que pareciam não fazer muito sentido. De uma hora para outra você simplesmente parecia não saber direito o que estava fazendo, esquecia de coisas óbvias e até dizia coisas suspeitas. Nunca esqueci daquilo no Havaí...
- E você simplesmente achou que essa era a resposta mais lógica? – Syaoran o encarava, chocado.
- Bem... – Ele deu de ombros – Na verdade foi o Yamazaki que me deu a dica... Ele contou que ouviram você dizer algo sobre estar num casamento na final do futebol no primeiro ano, que dali a alguns anos iríamos entender... Seria muita coincidência e eu nem acredito em coincidências... Aquela foi a primeira vez, né?
Syaoran não sabia o que dizer. Mas no fundo, no fundo não se impressionava com aquilo vindo de Eriol.
- Por que você não voltou mais?... Você tem que me dizer como fez isso!
- Ehhh... Uma mulher estranha apareceu de repente... – Ele respondeu simplesmente, tomando mais um gole da cerveja.
- Ahn? Mulher estranha? Onde? – O outro perguntou, procurando ao redor.
Mas metade da atenção de Syaoran estava agora na foto que tinha substituído a anterior há alguns segundos. Estavam todos à beira-mar no amanhecer do ano-novo. "Esse foi o pior inicio de ano da minha vida... Sakura e Oshima já estavam saindo juntos... Realmente não há mais nada que eu possa fazer... Desistir foi mesmo a melhor coisa..."
- De qualquer jeito, é uma pena você não ter voltado mais... – Eriol voltava a falar — Eu podia ter ajudado...
Ele não tinha pensado nisso. "Talvez... Talvez as coisas fossem diferentes com isso!... Será que tem como...?"
Foi uma surpresa agradável ver as luzes fechando depois que ele começou a pensar nisso e antes que a foto desaparecesse.
- Que história é essa de mulher estranha??? – Yuuko fazia com que ele a encarasse, virando seu rosto com uma mão.
- Me desculpe. Eu não quis ofendê-la... Juro que não.
- Hum. – Ela largou o rosto dele e disse: – Pois eu aposto que só disse isso porque queria que eu voltasse.
- Não... Quer dizer... na verdade... eu realmente pensei que se pudesse ter uma nova chance, dessa vez...
- Aff, nunca vi alguém que gostasse tanto de arrependimento e dificuldade quanto você... Disse que ia parar com a volta no tempo, mas agora acha que se tiver a ajuda dele vai conseguir?– Ela tinha se virado para Eriol e o analisava. – Hmm... Você não acha que, ao invés de tentar mudar os sentimentos da noiva, você devesse tentar mudar seus próprios? – Perguntou cautelosamente.
- Meus próprios?
- Se o seu eu do passado fosse capaz de esquecê-la, seus problemas chegariam ao fim, não é? Se você não conseguiu nada antes... Agora que eles já estão namorando... Talvez seja a hora de pensar no melhor para você, não acha?
- Esquecer... – Syaoran disse como se nunca tivesse ouvido aquela palavra. Nunca tinha lhe passado pela cabeça tentar esquecer o que sentia por Sakura, nem quando se decidira por desistir da volta ao passado ou mesmo antes, quando já estava de certa forma conformado com o casamento... Para ele só o tempo diria se aquele sentimento poderia sumir. "Parece que eu realmente gosto de sofrer..."
Yuuko, que o observava com uma expressão um tanto melancólica, deu um suspiro e tentou recuperar o tom animado:
- Bem, pense nisso. Agora... por ter me enganado e me chamado de estranha, terá de dizer de novo as palavras mágicas! – Dizia, cutucando o peito dele, com um sorrisinho. – Vamos lá! ‘Aleluia chance’ com determinação!
Syaoran apenas suspirou também.
- Rápido!
Era inútil tentar discutir. Ele juntou toda a determinação que lhe restava para exclamar:
- Aleluia chance! – E tampou os olhos com o braço por causa da luz forte que voltou a querer lhe cegar.
Mais uma vez ele voltava para um dia frio de inverno, mas o céu estava alaranjado pelo pôr-do-sol. Ele estava parado, algumas pessoas passavam rápido ao seu lado em direções opostas e ele ficava para trás sozinho.
- Ei Li, o que houve? – Ouviu Eriol chamando-o à frente, antes que seu pensamento se completasse e ele percebesse que precisava terminar de atravessar a rua.
Correu para o lado do amigo que o olhava com uma sobrancelha levantada, esperando uma explicação que ele não deu. Caminhavam alguns passos atrás de Sakura, Tomoyo e Meiling, no meio de uma conversa tão animada que nem perceberam o incidente que acabava de acontecer. Syaoran sabia que deviam ter ido ao templo mais cedo e agora provavelmente estavam voltando do karaokê. Era o que sempre faziam no ano-novo.
- Hiragisawa.
- Que é? – Ele disse automaticamente enquanto puxava o celular para ler uma mensagem que acabava de chegar.
- Sou eu!... Eu vim do futuro. – Syaoran disse num quase sussurro.
- Aham... – Respondeu sem desviar os olhos do aparelho mesmo quando completou num tom excitado: — Por acaso você foi abduzido e obrigado a participar de alguma experiência alienígena de...
- Eu estou falando sério! Eu voltei ao passado!
- Certo, então como foi? Cápsula do tempo? – O outro falou depois de terminar de digitar alguma coisa e voltar a guardar o telefone.
- Olha aqui, eu... eu posso te dar uma prova!
- Ora, então me dê!
- É... deixa eu ver... Ah! Eu sei que no início desse ano seu pai vai pedir que você o substitua no comando da firma!
- Fala sério! Ele já me falou disso e eu comentei com vocês...
- E você não acha estranho eu não me lembrar?
- Na verdade, não muito.
Syaoran soltou um muxoxo, impaciente.
- Há poucos instantes, no futuro, você descobriu isso sozinho e disse que poderia me ajudar... – Syaoran resmungou meio para si mesmo antes de se lembrar de algo que poderia ajudar: – E que tal aquilo que aconteceu no Havaí? É isso! Eu nunca suspeitei que você ia querer estudar na Inglaterra, eu sabia que você iria e esqueci que não podia saber...
Depois de uma longa pausa, o outro deu um profundo suspiro e disse:
- E quando exatamente no futuro eu teria prometido que o ajudaria?
Syaoran esboçou um sorriso ao responder, percebendo que ele começava a ceder.
- 1º de abril de 2010...
- Está acontecendo algo especial nesse dia?
- ...É o casamento da Sakura... com Matsuo Oshima... – E já não restava nem traço de sorriso.
Por essa Eriol visivelmente não esperava.
- Quê!!?? Eu sei que eles estão saindo, mas... não pensava que chegariam a isso... Você tem completa certeza que não está tendo alucinações?
- Infelizmente, sim. – Ele parecia realmente infeliz.
Eriol olhou para seu rosto e a expressão que viu nele o fez ficar ainda mais surpreso.
- E-espera aí! – Ele seguiu o olhar de Syaoran até as costas de Sakura, à frente, e de volta para o rosto de Syaoran – F-foi por causa dela que você veio aqui!?... É nisso que quer que eu o ajude!?
Nem foi preciso que dissesse nada para confirmar. Eriol ficou boquiaberto por mais alguns minutos, antes de voltar a gaguejar:
- E-eu não acredito que nunca percebi isso!!... Mas, afinal, desde que os conheço vocês são muito próximos... E por que é que você esperou ela se casar para querer fazer alguma coisa?
Syaoran nem sabia o que dizer. Sim, ele já tinha ciência do quanto era patético.
- Como você conseguiu esconder isso por tanto tempo!?
- E vocês? O que é que tanto cochicham aí atrás? – Tomoyo falou, de repente, virando o rosto para trás, no que as outras duas a imitaram.
- Nossa! Vocês finalmente lembraram que estamos aqui? – Syaoran se surpreendeu com a mudança tão rápida na expressão e no tom de Eriol, que escondeu rapidamente sua perturbação pela conversa que estavam tendo.
- Deixe-os aí, devem estar contando segredos de homens... – Meiling disse, fazendo-as rir.
- Sakura. – Eriol chamou.
- O que foi? – Ela respondeu, voltando a olhar para trás.
Syaoran o olhou meio assustado e ele sussurrou rapidamente ao seu ouvido:
- Você não queria minha ajuda? – E, continuando a se dirigir à Sakura: — Li quer lhe contar uma coisa.
- É mesmo? – Sakura ficou parada, esperando-os se aproximar, com um sorriso desconfiado, achando que era alguma brincadeira deles.
Eriol passou o braço pelos ombros de Tomoyo e Meiling, dizendo:
- E então meninas, vocês não querem continuar a conversa?
Os três se afastaram, dando risada, deixando Sakura e Syaoran para trás.
- Então, Syaoran-kun, o quê... – Ela foi interrompida pelo som de seu celular tocando. – Ah, me desculpe... Alô... Oi... – Seu sorriso tornou-se meio encabulado, enquanto falava com a outra pessoa na linha – Está tudo bem?... ... Sim, agora estamos indo para o apartamento do Syaoran-kun... é... – Deu risada de alguma coisa, antes de terminar: — Certo, até mais.
- Matsuo-kun realmente queria estar aqui... – Ela comentou voltando a guardar o telefone e recomeçando a andar.
Depois de dar alguns passos e perceber que ele não a acompanhava, ela parou, perguntando:
- Qual o problema?
Ele não disse nada, apenas foi para o seu lado.
- Arrr, está fazendo muito frio!!! – Ela comentou, puxando o casaco para mais junto do corpo.
- Por quê? – Syaoran disse, repentinamente.
- Por que o quê? – Ela disse, confusa.
- Por que você aceitou sair com Oshima?
Ele viu seus olhos se arregalarem diante da pergunta inesperada e ela desviar o rosto com um risada amarela.
- Syaoran-kun!
- Você está apaixonada por ele?
- Eu... gosto de estar com o Matsuo-kun... – Sakura respondeu, olhando para o ouro lado.
- E isso basta?
- Ele gosta muito de mim e eu gosto dele...
Depois de uma pausa, Syaoran prosseguiu:
- Quando vejo vocês dois juntos... eu sempre me lembro de como você se sentia em relação ao Tsukishiro... Seus olhos brilhavam e eu sorriso ficava maior do que nunca, era quase possível escutar seu coração batendo só de ouvir o nome dele... Com Oshima você não parece sentir nem um pouco daquela empolgação...
- Ai, por favor! Eu era uma criança... Você realmente queria que eu ainda agisse assim? – Ela tentava encará-lo, mas ele olhava em frente, com um olhar vago — E, afinal, por que você está me falando tudo isso assim de repente?
- Eu... tenho medo que você se arrependa... e acabe sofrendo. – Ele disse, ainda sem encará-la.
Sakura, que até então mantinha no rosto um sorriso sem jeito e meio forçado, ficou séria e passou a olhar para o chão, parecendo até mesmo decepcionada. Começou a dar passos mais largos, ficando à frente dele, ao dizer:
- Não precisa se preocupar. Eu estou feliz e... vou ficar bem. – Ela disse com a voz firme e começando a dar passos tão largos que praticamente corria.
- Sakura. – Ele ainda chamou, mas ela não olhou para trás.
Eles já tinham chegado à rua do prédio branco onde Syaoran morava e em instantes ele alcançou-a na entrada do apartamento.
- Já voltaram? – Tomoyo perguntou, aparecendo com Eriol na frente deles. – Algum problema? – Sakura apenas meneou a cabeça, percebendo um certo par de sapatos em meio aos outros enquanto tirava os seus. — Você tem uma surpresa. – Sua amiga explicou, sorridente.
Ela foi puxando Sakura e Eriol lançou um significativo olhar de interrogação a Syaoran que apenas balançou negativamente a cabeça uma vez antes de se afastar.
- ...mas você estava em Kyoto... – Sakura dizia, surpresa, para Oshima, que encontrou sentado na sala.
- Eu voltei. Estou sempre lá no ano-novo... Acho que está tudo bem mudar isso dessa vez...
- Então, ainda agora, quando você telefonou...
- Eu estava no táxi, precisava saber para onde deveria ir... – Ele respondeu, rindo.
- Nós o encontramos lá na entrada. Você é tão sortuda, Sakura-chan! – Meiling comentou, parecendo emocionada.
- Sua família não se importou? – Sakura se sentou ao lado dele, corando pelo comentário.
- Eles entenderam. Um novo ano está começando, eu queria estar com você...
- Fico muito feliz que esteja aqui. – Sakura disse, abrindo um sorriso.
Nesse instante Eriol pigarreou alto, chamando a atenção de todos para falar:
- Nós não íamos preparar o soba* agora?
Enquanto todos estavam ocupados em preparar os fios do macarrão, Eriol inventou que precisavam de mais alguns ingredientes e fez Syaoran ir com ele comprar, só para ter a chance de lhe fazer mais perguntas.
Primeiro ele ficou zangado por saber que não tinha contado nada a Sakura.
- Eu não entendo! Qual é a dificuldade?
- Eu só precisava tentar saber uma coisa primeiro...
Mas mesmo com muita insistência, não conseguiu lhe arrancar o conteúdo da conversa e então começou a fazer as outras perguntas que vinha querendo fazer, quase a mesma coisa que já tinha perguntado no futuro, sobre como Syaoran tinha conseguido voltar ao passado, querendo saber tudo sobre a ‘mulher estranha’ que tinha poderes mágicos.
- E sobre o meu futuro?
- Ahn?
- Me conte como eu estou no futuro!
- Como assim?
- Eu continuo do mesmo jeito??
- Daqui a pouco mais de um ano, o que você espera? Ter sido eleito primeiro-ministro? – Syaoran estava completamente sem paciência para conversas e ficou aliviado de já estarem de volta.
A comida quase não ficava pronta antes da meia-noite e eles estavam queimando a língua, comendo às onze horas e cinqüenta e poucos minutos.
- Hmm, mas está muito bom!... Syaoran, você não vai comer?
Ele estivera mexendo o conteúdo da tigela, pensativo, até ouvir Meiling.
- Claro. – Ele disse, colocando um pouco na boca e sentindo instantaneamente os olhos lacrimejarem pela quentura.
- Dizem que se não comer não terá sorte no ano-novo...
- Meu avô diz que você corre sério risco de sua vida ser reduzida pela metade... – Oshima comentou.
- Ele cuida de um templo em Kyoto, não é?
- É. E costumava me aterrorizar com isso quando eu era criança...
- Gente, tá começando! – Eriol disse, colocando na mesa o celular, onde a televisão mostrava a contagem regressiva para a chegada do novo ano.
- 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1... Feliz ano novo! – Todos falaram juntos, animados, estourando confetes, menos Syaoran que apenas continuou a comer, percebendo Oshima segurar a mão de Sakura, fazendo-a ficar vermelha e sorrir. Ele ainda não tinha terminado, mas se levantou, levando a tigela para a cozinha, querendo fugir dos cumprimentos.
Jogou fora o resto do macarrão e ficou encarando a pia não soube por quanto tempo até alguém abrir a porta.
- Li-kun, o que você está fazendo? Vamos logo, depois cuidamos disso... – Era Tomoyo.
Syaoran desceu e encontrou-os já acomodados no carro que Eriol tinha ganhado do pai depois de terminar a faculdade de direito, estacionado perto do portão de entrada.
Vendo-o ali parado, apenas observando-os, Tomoyo baixou o vidro, para perguntar:
- Qual o problema?
- Eu não vou.
- Quê?
- Por quê? – Eriol perguntou.
- Syaoran-kun! – Sakura exclamou da janela do banco de trás.
Olhando para ela, as palavras de Yuuko ecoaram ainda mais fortes em sua cabeça e ele não hesitou em continuar:
- Eu tenho algumas coisas para fazer, ok? Podem ir.
- Que conversa é essa? Vamos, ainda tem bastante espaço. – Disse Meiling.
Syaoran respirou fundo e falou, decidido:
- A verdade é que eu estou cansado disso. É a mesma coisa todo ano... Já não me parece mais importante...
Todos pareciam chocados demais com aquelas palavras continuar a contestar, então Eriol saiu e foi até ele. Puxando-o para um pouco mais longe de costas para o carro, disse com a voz baixa:
- O que é isso agora?
- Está tudo bem, apenas me deixem.
- Me diga o que está acontecendo. Isso é por causa dela, não é? O que está tentando?
- Não estou tentando mais nada. Sakura está bem sem mim...
- Aaaaff, você é inacreditável!
Nesse instante, uma buzina soou escandalosamente. Era Meiling tocando, se esticando do banco de trás do carro.
- Ora, se ele não quer ir, deixe-o! – Ela disse, irritada.
- Olha, você está sendo idiota, venha logo! – Eriol ainda lhe disse, perdendo um pouco do tom calmo.
- Não. – Syaoran foi enfático.
- Certo, então. – Ele disse, finalmente vencido, antes de deixá-lo.
Pôde ouvir a porta batendo logo em seguida e o carro se afastando, mas não se virou.
SSSSSSS
- Ai, eu não acredito no que ele fez! – Dentro do veículo que avançava por uma rua pouco agitada, Meiling ainda estava irritada.
- Realmente, não dá para entender sua atitude... – Tomoyo apoiou.
- Acho que ele só quer ficar sozinho... – Eriol disse.
- Hum... Está tudo bem eu estar incomodando? – Oshima perguntou, de repente.
- Como assim? – Meiling perguntou.
- Eu ouvi que vocês estão sempre juntos no ano-novo desde o colegial... Está tudo bem eu também ir?
- Claro, claro... É sempre bom ter um reforço nessas horas... – Oshima riu da definição de Meiling, que continuava a se queixar: — Ah! Mas eu tenho certeza que o Syaoran vai se arrepender disso!
- Lembram da primeira vez em que quisemos assistir o amanhecer do ano-novo na praia no último ano? – Tomoyo comentou, com uma risadinha.
Sakura também riu, tinha estado calada desde que partiram e parecia pensativa com a cabeça recostada na janela. — Syaoran-kun quis ir mesmo estando com febre... – Ela explicou para Oshima.
- Ninguém sabia, ele não aparentava nada... Mas muitas coisas aconteceram. Nós até pegamos o trem errado! – Tomoyo estava praticamente dando gargalhadas com a lembrança.
- Na volta nós praticamente tivemos de carregá-lo. Estava cambaleando! – Eriol lembrou.
- Syaoran-kun é muito teimoso...
- Bem, ele definitivamente vai acabar se arrependendo! – Foi a conclusão final de Meiling.
SSSSSS
Estando sozinho, Syaoran não quis voltar para o apartamento, depois de um tempo ali parado em pé, começou a andar sem destino pelas ruas desertas. Quando parou para pensar onde estava, percebeu que era perto do Shogun burger, onde ele e seus amigos continuavam a ir de vez em quando e que não tinha mudado nada com os poucos anos.
Havia poucas pessoas ali, embora um grupo barulhento de amigos numa mesa fizesse parecer lotado. Syaoran sentou-se no balcão e pediu um lanche.
- É muito estranho ver você aqui sem seus amigos. – Jack comentou com seu forte sotaque, ao colocar o pedido a sua frente.
- É... – Ele respondeu, encarando a comida sem fome alguma. Tinha sido uma má idéia ter ido até ali, foi só pela força do hábito.
- O que houve? Vocês estão sempre juntos... – Pior idéia ainda tinha sido sentar ali, mas agora seria muita falta de educação ir para uma mesa.
- Nós todos já temos mais de 20, não acha que já está na hora de isso ter um limite? Você não sente vontade de estar sozinho às vezes? – Ele retrucou, comendo um pedacinho do hambúrguer.
- Bem, eu estou quase sempre sozinho... Vendo pessoas juntas conversando e se divertindo... Acho que não consigo entender seu ponto de vista... – Ele disse, antes de se afastar para atender um casal que chegava.
E isso não melhorou nada. Syaoran nunca tinha pensado seriamente no quanto seus amigos lhe eram importantes. Para ele era natural que estivessem sempre juntos. Eles o faziam rir, o apoiavam e o irritavam bastante também às vezes, mas juntos eram como uma família. Ficar longe de Sakura, significaria inevitavelmente de algum modo ficar longe de todos... Ele riu para si mesmo de onde sua burrice o tinha levado. Boa parte do motivo que o levara a esconder o que sentia por tanto tempo, tirando o tempo que levara negando isso para si mesmo, tinha sido o medo de estragar sua amizade, mas agora ele não sabia até que ponto era masoquismo ainda ser amigo dela.
Quanto mais pensava na reação dela ao que ele tinha falado mais cedo, mais se convencia de que deveria seguir o conselho de Yuuko. Provavelmente agora só lhe traria problemas com o que vinha tentando fazer. Ela tinha parecido muito segura do que dizia, em seus ouvidos ainda escutava claramente. Ela estava bem, não precisava dele.
Aproveitando que Jack estava de volta ao balcão, ele pagou pelo hambúrguer e coca-cola que mal tinha tocado e saiu, não queria mais ficar sentado ou responder mais perguntas.
SSSSSSS
Quando finalmente chegaram ao destino, os cinco amigos desceram para enfrentar novamente o frio congelante do lado de fora. Estavam de frente a uma praia, o carro estava estacionado ao lado de uma pequena pousada há alguns metros do mar. Logo, Eriol, Tomoyo e Meiling saíram correndo como crianças para perto da água.
- Vamos lá! – Sakura disse, puxando Oshima pelo braço e fazendo-o correr – Acredite, todos acabam achando que a espera vale a pena. – Ela acrescentou, vendo-o se encolher diante do frio desconfortável.
- Parece que esse ano está mais frio que o normal, né? – Tomoyo comentou.
- Querem tentar de novo a competição de corrida? – Meiling perguntou, arrancando risos.
- Competição de corrida? – Oshima perguntou.
- Foi ano passado, para tentar vencer o frio, queríamos ver quem corria mais rápido até aquele rochedo ali em frente... – Tomoyo explicava.
- Eu acabei tropeçando e derrubei junto o Syaoran, que estava do meu lado, para dentro das ondas. Foi uma sensação terrível, estava um gelo! A gente tentava se levantar e não conseguia... – Todos riam ainda mais até ficarem sérios de repente, voltando a pensar no amigo — Esse ano está diferente, né?
- Será... que isso se tornará natural? – Sakura falou depois de uma pausa, com a voz triste, ninguém disse nada e ela continuou: — Será que nos separaremos aos poucos com o tempo?
- Isso não é um pouco precipitado?
- Bem, logo todos estaremos formados, não é? Cada um terá sua própria vida para cuidar... Mudanças são inevitáveis, eu acho.– Tomoyo falou.
- Acho que você está certa – Disse Oshima e, vendo todos se virarem para ele, continuou: — Com o tempo, há várias coisas que terminam gradualmente... Coisas muito importantes, coisas sem importância... Acho que é mais simples do que se imagina... – Aquelas palavras fizeram todos refletir e ficar um pouco deprimidos – Mas, na minha opinião, seria um desperdício. — E todos voltaram a olhar para ele – A relação de vocês cinco é realmente invejável... Seria um grande desperdício se algo assim acabasse.
Sakura esboçou um sorriso ao ouvi-lo e Meiling disse:
- Eu não quero que isso aconteça.
Os outros concordaram silenciosamente e Eriol suspirou fundo, dizendo:
- É, acho que não tem jeito...
E saiu de volta na direção do carro. Vendo-o entrar e ligar o motor, os outros trocaram olhares surpresos e as três amigas sorriram ao entender a idéia.
SSSSSSS
Andando lentamente, de volta para casa, tudo que passava pela cabeça de Syaoran eram os 14 anos que tinha passado ao lado de Sakura. Ele tinha se afastado para ver como seria tentar esquecê-la e tudo que conseguia era pensar nela. Com o peso daquele tempo acumulado, já não pôde impedir que as lágrimas caíssem, mas nem tentou, deixou que elas caíssem livremente, esperando que isso aliviasse a dor que sentia no peito. "Talvez nunca tivesse dado certo... Mas agora é tarde demais para querer descobrir...". Mesmo já estando de volta, seus olhos ainda não tinham secado. Ele se jogou no sofá de bruços, pensando no quanto tinham sido inúteis suas voltas ao passado de qualquer jeito, sentia que só tinha ido até lá para se deixar vencer pela realidade. Já cansada de tantos pensamentos, sua cabeça foi sendo invadida por uma sensação de vazio e ele estava prestes a cochilar quando o som da campainha o despertou.
Viu pelo vidro da porta da sacada que o céu estava agora num tom bem mais claro de azul e se sentia sonolento quando abriu a porta, mas foi completamente acordado pelo som de novos estouros de confetes, seus amigos estavam de volta.
- Feliz ano novo parte 2!!! – Eles disseram, sorridentes, entrando.
Syaoran os encarou surpresos, mas com um pequeno sorriso no canto da boca.
- Realmente você parece melhor depois de ficar sozinho... – Eriol disse, ironicamente, jogando o confete estourado nele.
- É nisso que dá querer ser muito adulto, não é? – Tomoyo completou, trocando um risinho com Eriol.
- Mas está muito enganado se acha que vai se livrar da gente assim tão fácil. – Falou Meiling, também lhe jogando o confete estourado.
- É isso mesmo! – Sakura disse, empurrando-o de leve.
- Mas também não fique se achando muito. Nós só voltamos porque tava muito frio na praia... – Meiling disse, tirando os sapatos e passando por ele. Todos fizeram o mesmo, se dirigindo para a sala.
- Olha só! Quase chegamos tarde demais... – Tomoyo disse, indo para a sacada.
De lá, era possível ver os raios de sol surgindo no horizonte e logo o próprio sol começava a aparecer.
- Ah, não é nada comparado à praia, mas até que é bonito... – Meiling comentou.
- O lugar não é o que importa e sim com quem. – Eriol disse.
- Ahaaa! O que foi isso? Tão profundo... – Meiling achou graça, na verdade ninguém conseguia parar de rir. Até mesmo Syaoran tinha que admitir que se sentia feliz por estarem de volta.
- Pessoal – E depois de respirar fundo: – ...Me desculpem. – Ele disse rapidamente.
- Nós sentimos muito sua falta, Syaoran-kun. — Sakura disse a lado dele, parecendo triste por alguns segundos até lhe dar um sorriso.
- Nossa! Estamos todos tão emotivos hoje!... Ah! Não podemos esquecer a foto! – Meiling saiu para pegar a máquina.
- Será que vai dar certo tirar uma foto aqui? – Eriol se perguntava.
Tomoyo foi ajudar a amiga a achar o ângulo certo no suporte. Todos tiveram que se espremer em um lado da sacada para a foto. Uma luzinha vermelha e um barulhinho e Syaoran estava de volta.
A imagem do slide tinha, obviamente, mudado drasticamente enquanto ele continuava ali de pé ao lado de Eriol, mas ele levou um susto ao perceber que já não era só Eriol. Tomoyo também estava lá agora! Ele olhava para ela como se visse um fantasma.
- O que houve? – Ela perguntou, confusa.
- Eu é que pergunto!
Continua...
Notas finais
O cap. acabou ficando bem mais longo do que eu esperava... Digam o que acharam;D
Estamos chegando à reta final. O próximo é o penúltimo! Té lá^^
BJOS
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