Ashamed

1 Capítulo 1


A intensa batalha finalmente acabou. Os Cavaleiros de Athena enviados à pequena cidade ao norte da Europa foram derrotados pelos Espectros de Hades invasores. O centro estava todo devastado, algumas pessoas ainda pelejavam por suas frágeis vidas, mas a ordem dada era que não tivesse nenhum sobrevivente. E aqueles homens estavam cumprindo aquilo, executando qualquer um que se movesse ou falasse.

Violate de Behemoth, que foi na linha de frente do ataque, fazia a vistoria junto de outros dois espectros. Virava corpo por corpo, prestando atenção em qualquer sinal vital que pudesse existir. E estava tão compenetrara e ainda dominada pelo calor da batalha que sequer percebeu a grande e profunda laceração em sua perna.

Um ordinário homem se arrastava para debaixo de um cocho na tentativa vã de se esconder. A espectro o puxou pelas pernas, erguendo-o e logo disse:

- É típico de um verme se arrastar por entre a lama para fugir... Pensava que ia escapar?

- Por favor...! – o homem implorou, a voz embargada, o rosto já danificado. – Faço o que quiser, mas não me mate...!

- Todos fazem. – iria ser um golpe de misericórdia, um único soco, que com sua força bruta atravessaria o corpo esguio do homem, mas um outro espectro lhe chamou a atenção, dizendo-lhe para largar o corpo que logo padeceria. Ela não acatou, entretanto, parou ao ouvir seu nome ser chamado pela voz que tanto gostava:

- Está misericordiosa hoje, minha Asa Direita?

- Mestre Aiacos... – soltou o homem no chão, ele gemeu baixo com o impacto; virou-se para seu senhor e mestre que estava logo atrás de si, e prostrou-se ao chão após reverenciá-lo. – Apenas estou terminando o serviço de forma rápida.

- Entendo. Tão rápido que sequer percebeu que sua perna está praticamente estraçalhada. – sorriu ao que ela olhou para o próprio ferimento.

- Não é nada, Mestre.

- Nunca é. – Aiacos se abaixou e a pegou no colo como se fosse uma criança. Violate era mediana e leve, nunca teve problemas em erguê-la. Abraçou sua cintura e segurou suas pernas, caminhando em direção à saída da cidade. Violate protestou.

- M-mestre! Não há necessidade disso! Consigo caminhar sozinha, ponha-me no chão, por favor! – ela estava meramente envergonhada, a pele rosada se misturando à cor do sangue que tingia seu rosto. Apoiou as mãos manchadas no peitoral da surplice de Garuda, empurrando para tentar descer, mas o juiz não cedia um milímetro sequer.

- Minha Asa Direita está machucada, não posso deixar que a situação piore. – fitou os olhos castanhos e bonitos dela, sorrindo-lhe docemente. – Tem vergonha que eu a carregue, é isso?

- N-não, senhor! Não é isso! Apenas que realmente não há necessidade. – se balançou a fim de tentar ao menos cair dos braços dele, mas o abraço se apertou mais ainda. – Mestre Aiacos... – resmungou, por fim, desistindo.

- Não sabia que tinha vergonha...

- Mas eu não tenho! – disse emburrada, fazendo um bico sem ao menos perceber.

- Porque... – continuou, ignorando o que ela disse — Quando você estava, ontem à noite, cavalgando no meu colo e gemendo meu nome, não parecia ter vergonha de mim, Violate.

A espectro travou, entreabriu os lábios e arregalou os olhos. Devia estar mais vermelha ainda. Ele falou aquilo em alto e bom som para que qualquer um que estivesse por perto ouvisse, e muitos estavam por perto. Não que fosse um fato novo, apenas que não tinham a certeza. Mas agora tinham. Violate, depois de ter se recuperado de certa forma, fitou o rosto do juiz, um sorriso divertido nos lábios finos dele. Filho de uma...!

- E...

- Mestre Aiacos! – resmungou entre os dentes, irritada e envergonhada.

- O quê? – a olhou, mantendo o sorriso. Ela franziu o cenho. Finalmente entrou no navio, e a carregou rumo à enfermaria.

- Isso não...

- Não o quê? Isso o quê? – fitou os olhos escuros, o sorriso se tornou doce.

- O senhor sabe. – se encolheu nos braços dele e olhou para qualquer outro lugar que não aqueles bonitos olhos azuis.

Ele riu, divertido. Adorava ver a sua tão indomável fera desconsertada, simplesmente sem saber como reagir ou sem ter o que falar. Na sala, a colocou deitada sobre uma maca e removeu sua surplice sem qualquer dificuldade. Era um juiz, a armadura lhe era submissa. Tirou seu próprio elmo e o colocou debaixo do braço, a mão segurando o bico da Garuda. Chamou duas servas e um espectro com conhecimentos médicos suficientes para a ocasião.

- Quero que tome mais cuidado, Asa Direita. Não gosto de vê-la cheia de cicatrizes.

Violate se ajeitou na maca e o olhou diretamente nos olhos. Não fazia aquilo na frente de ninguém, mas não deixaria de responder à alegação.

- Não vejo porque não gostar delas, senhor. Conto-as, uma a uma, como vitórias conquistadas à você, como que por mais um dia lutei e venci em seu nome.

Aqueles olhos tão sinceros. Aiacos não teve outra opção se não sorrir diante da resposta. Aproximou-se dela e afagou os compridos e bonitos cabelos negros. Realmente, só podia ser sua Asa Direita, sua extensão, sua mais perfeita serva e aquela quem conseguiu fazer o coração de um dos Três Grandes Juízes do Inferno bater mais rápido. Abaixou-se e tomou aqueles lábios manchados com paixão e desejo, ignorando qualquer reação inicial dela, que logo cedeu e levou uma de suas pequenas mãos a seu pescoço.

- Pois então, a partir de hoje, as tratarei como meu mais precioso prêmio.

Notas finais
Hey você que chegou até aqui. Agradeceria, e muito, se comentasse se gostou ou não gostou. Críticas são sempre bem vindas, desde que construtivas. Comente, também, caso haja algum erro grotesco de português, lembrando que não foi betada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!