Ascenção: O Império
5 Promessas de Sangue
Notas iniciais
“ Depois de um tempo decidiu descer e ver como as coisas estavam, após avisar sua mãe que seu pai não queria ser incomodado no escritório, decidira subir para quarto, e lá ficou. Leu seu livro, ouvi musicas, mas quando um barulho lhe soou estranho, decidiu descer; céus como se arrependeria de ter saído daquele escritório.
Aos pés da escada estavam vasos quebrados, que outrora estiveram na cristaleira que enfeitava a entrada da mansão Roosevelt, preocupada a menina decidirá pegar a arma que fica no aparador embaixo da escada, aqueles moveis lindos vitorianos que deixam tudo mais parecido com a nobreza, agora estavam manchados com sangue, quase como um rastro agonizante de verdade liquida.
Analisou, os cacos quebrados, as machas de sangue, e o pior de tudo o silencio, a casa estava assustadoramente silenciosa, não tinha percebido aquilo até o presente momento, arfou. Seguiu o rastro de sangue, que deu até o escritório de seu pai, internamente rezava pra que ele estivesse ao menos vivo, mas não era ele que estava lá. Caída, quase que teatralmente, sua mãe jazia no chão, uma mão esticada em direção ao que depois Melissa vira ser uma arma, ela lutara, concluiu.
Apressadamente correu na direção oposta ao rastro de sangue, parou em frente a porta da pequena biblioteca que a mansão tinha, era seu lugar favorito, abriu-a. A primeira coisa que viu fora um copo de wisk jogado no chão, estava apenas trincado, então levantou seu olhar, as cortinas balançavam com o vento que aquela tarde ensolarada trazia, e os pequenos raios de sol que iluminavam o lugar mostraram uma cena que ela jamais esqueceria. Seu pai caído, deitado no chão com os braços abertos, as magas da camisa social que usara estavam levantadas até os cotovelos, como ele sempre colocava quando estava trabalhando em casa, calças e sapatos sociais, e por fim a menina notou a mancha escarlate no peito dele, um buraco de bala a havia causado.
Estática Melissa notou a poça de sangue crescer e crescer envolta do pai, até que uma lagrima escorreu, só então correu ate o corpo no meio da biblioteca e o abraçou, chorou, gritou, até que lembrou de Marcos, onde ele estaria? Preocupada, desesperada, pegou seu celular no bolso da calça jeans que usava, agora encharcada de sangue. Ligou para o irmão, este que atendeu dando uma risada gostosa de ouvir, devia estar com os amigos pensara a menina, por um momento se sentiu mal por acabar com aquela felicidade, mas quando Marcos a chamou de novo, não tinha como não soluçar.
— Melissa, maninha me diz o que foi? O idiota do Lois vai levar uma surra, não quero ver papai o prote...
Mais um soluço interrompeu Marcos, então veio as palavras que Melissa achou que jamais proferiria na vida. Cortantes como faca, quase pudera sentir o gosto ruim da morte quando falava.
— Papai e mamãe estão mortos, alguém veio aqui e os matou. Marcos venha para casa, por favor, só venha.
Meia hora mais tarde, um Marcos atordoado e ansioso entrou na mansão, não precisou perguntar onde a irmã estava o seu choro a denunciava. Temoroso foi até a biblioteca, e viu sua irmã abraça ao corpo de seu pai, o segurava como se a sua vida dependesse disso. Ele então ligou para a policia, que dissera que em dez minutos estaria ali; andou seguindo as marcas de sangue e encontrou sua mãe morta no escritório. Não se deu ao luxo de chorar, alguém tinha que saber explicar o que acontecera ali quando os policiais chegassem.
As sirenes foram ouvidas, os policias revistaram cada canto da propriedade, levaram os corpos sob protestos fervorosos de Melissa, pegaram depoimentos e foram embora. Restara somente os dois órfãos ali no saguão de entrada da mansão, se abraçaram e então o menino Roosevelt chorou, ambos choraram até se cansarem, até faltar lagrimas em seus corpos.
Nos dias seguintes os velórios e sepultamentos aconteceram, tudo grandioso, tudo agonizante. Melissa passava as noites em seu quarto chorando e pelas manhas se fazia de forte para o mundo; Marcos chorava os dias e as noites, até que de algum jeito bloqueou o que sentia, toda dor e tristeza.
Nas semanas seguintes, Melissa fora interrogada, acusada do crime, até que as investigações mostraram que ela era inocente, o culpado nunca aparecera e o caso arquivado. Suas lagrimas secaram, e sua alma ficara trincada como aquele copo de wisk, sua vida agora era divida em duas partes: a Melissa de antes de 20 de setembro de 2015 e a de depois. O mesmo com seu irmão, ele começara a levar uma garota diferente toda noite pra cama, bebia, ia em festas era como se não quisesse enfrentar a realidade. Até que tudo mudou.
— Faz meses que papai morreu Marcos, alguém tem que assumir os negócios dele, TODOS os negócios.
— Bom e cadê o testamento que ele certamente fez?!
Naquela manha procuraram em cada espaço da mansão e não acharam, até que Melissa pegara o livro de cabeceira do pai, e então uma carta caiu.
Aos meus amados filhos.
Escrevo porque sinto que meu dia está próximo, a morte ronda essa casa a minha procura, movida a ganancia e poder, ela não vai cessar até que tenha o que deseja, e peço meus filhos que não deixem isso acontecer.
Marcos e Melissa, a Roosevelt Entreprise é de ambos, decidam como se encaixam melhor nela e a façam crescer, esse é um dos legados de nossa família. Seu bisavô a construiu com o suor de suas próprias lutas, então honre a memoria não somente a dele como a minha. Já estou orgulhoso de vocês porque sei do potencial de cada um.
Melissa, você foi por um bom tempo meu braço direito em outro legado nosso, sua intuição e ambição nos levou a lugares impossíveis antes para mim. Meu cargo na Vertice di Potere é seu, conduza os negocios como bom senso e firmeza, mostre que nós Roosevelt não tememos ninguem. Não se preocupe querida, Rafaelo já tem sua carta de legitimação para o cargo consigo, uma hora mais cedo ou mais tarde ele seria seu, você nasceu pra ele.
Marcos ajude sua irma, seja o braço direito dela, como ela foi o meu. A protegeja, e ensine-a o que puder. Lhe entrego a missão de cuidar dela, veja bem ela sempre será nossa menininha, meu filho. Vejo tanto de mim em você, controle seus impulosos e aprenda com seus erros.
Amo vocês meus filhos, e lembrem honre vosso sangue, ele é vosso legado.
E assim se segiu, Melissa assumiu os negocios na Vertice di Potere, e virou CEO da empresa, Marcos seu braço de direito, e vice na presidencia da Roosevelt Entreprise. Ambos quebrados, modificados, perdidos sem chance de serem achados.
Mas Melissa naquele dia abraçada ao corpo do pai fez uma promessa que jamias esqueceria. ‘Eu vou vingar, meu pai, o seu sangue; vou fazer pagar cada gota derramada. É uma divida de sangue’ . Destruida por dentro, a menina de 19 anos faria tudo pra cumprir a promessa ao pai.”
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