Notas iniciais
Gente, eu tenho que pedir milhões de desculpas, eu sei... abandonei a fic e deixei meus leitores a verem navios, mas eu estava totalmente desanimada para escrever. Esse capítulo ficou suuuuuper curto comparado com os outros, mas o final da história se resume a isso e nada mais. Sim, eu continuarei escrevendo o segundo capítulo do jogo, mas vai demorar um pouquinho para sair, quero escrevê-lo inteiro para então postar em partes, assim não deixo vocês na mão. Quero que me deem sugestões e críticas também são bem-vindas. Espero que gostem desse (pequeno) capítulo. Música: https://www.youtube.com/watch?v=-r5pTv-PET8

Tillie fez o favor de nos acordar antes do sol nascer, o que me deixou com um péssimo humor. Comemos algumas frutas e um pão que compramos no meio do caminho. Nenhum de nós falava muita coisa, a situação estava tensa demais para qualquer piada ou descontração. Airdan havia nos conseguido um barco que atravessaria o rio dos espinhos e então estaríamos no castelo abandonado e de cara com Diego.

Airdan nos fez a gentileza de conseguir o barco, mas deixou claro que teríamos que remar rio acima e mesmo que a correnteza nos ajudasse, a viagem seria difícil. E realmente estava sendo, a correnteza estava forte demais e exigia muita força de quem estava remando – eu e Zander, no caso. Nos revezávamos, trocando os remos a cada meia hora, mas por volta do meio dia já não aguentávamos mais. Famintos e cansados, paramos na beira do rio e Tillie nos coseguiu algumas frutas e raízes e comemos o pão que havia sobrado do café. Nossas mentes estavam pesadas demais para alguma conversa longa. Zander não mencionou aquele beijo em momento algum e eu não pretendia tocar no assunto.

Ficamos sentados por cerca de uma hora debaixo de árvores. O céu estava nublado e um vento forte vinha do sul.

– É melhor irmos antes que a chuva nos alcance ou só poderemos seguir em frente quando o rio baixar... – falei na esperança de que o resto da viagem fosse mais agradável, mas longe disso.

Nenhuma palavra foi proferida, o único som que se ouvia era o da água veloz passando pelo casco de madeira e pelos remos. A força do vento havia aumentado e entre longos períodos de tempo, ouvia-se o barulho de trovões ao longe. O dia parecia escurecer conforme nos aproximávamos do castelo, ao atracarmos na margem rochosa do rio, o céu estava escuro e o vento parecia cortar minha pele.

Nos reunimos na segurança de antigas ruínas de casas próximas ao castelo, após Tillie se aproveitar de sua pouca altura para espionar a posição dos guardas.

– Existem três deles no portão principal, mas há uma brecha lateral que podem usar, eu ficarei com Sky e atrairei a atenção deles. Tomem cuidado, haverá guardas do lado de dentro. Não se esqueçam, foco, peguem o diário e saiam o mais rápido que puderem! – Tillie falou num tom preocupado.

– Soa fácil... – ao menos para mim. O que eram alguns guardas comparados à uma taverna cheia de bêbados brigando loucamente?

– Aida... Quero que saiba que independente do que acontecer lá dentro, foi uma honra ter sua amizade e conhecer uma nobre como você, gentil e com um bom coração. – ela está chorando?

– Pare de falar como se fosse me enterrar, que horror Tillie... – fui caminhando por entre as ruínas, abaixando atrás de paredes para não ser vista, assim como Zander e Jace. Conseguimos chegar até a pequena rachadura na lateral do castelo, os dois tiveram certa dificuldade para passar por ela, mas tudo correu bem.

Os corredores eram terrivelmente mal iluminados por tochas, o que nos guiava era o instinto e foi ele mesmo quem nos avisou sobre a horda de guardas que nos esperava à frente. Zander foi rápido o suficiente para afastar uma boa quantidade deles, ateando fogo sobre seus corpos, mas eram muitos.

– Vão! Vou segurá-los! – ele berrou enquanto manipulava labaredas de fogo, atrasando os guardas que se amontoavam.

Jace e eu seguimos correndo por um longo caminho escuro, tateando as paredes. Quando o corredor se abriu para uma sala mais ampla e iluminada, mais uma dezena de guardas surgiu para nos causar problemas. Eu podia sentir que Diego estava atrás daquela porta.

– Vamos nessa... – estava pronta para acabar com aqueles caras.

– Não desta vez, gracinha. – falou Jace, me empurrando para trás enquanto defendia o golpe de um deles e o apunhalava. – Sabe onde ele está, vá pegá-lo. Terei bastante diversão aqui.

Realmente, não havia o que contestar, não tínhamos tempo e Diego sozinho era um covarde. Provavelmente eu não precisaria sequer matá-lo para pegar o diário. Corri pelo pequeno corredor e fechei a porta pesada atrás de mim. A sala era ampla e muito bem iluminada, embora o vento forte fizesse as tochas quase se apagarem, a chuva estava intensa do lado de fora e então me veio à cabeça se Tillie e Sky estavam bem...

– Ora, ora... Vejo que minha masmorra não foi suficiente para te segurar, Aida.

– Eu tive uma pequena ajuda... – o tom da voz dele me fez reconsiderar sobre cortar seu pescoço. Vi o diário em cima da mesa logo atrás dele, seria fácil. Saquei a adaga e apontei em sua direção. – Quero meu diário de volta e a chave que você descobriu também. Por gentileza. – pedi com todo o sarcasmo que me permiti no momento.

– Seu diário? – ele riu. – Aquelas informações pertencem a nós, Aida. – Você conheceu a mulher que roubou isso? Ela era uma de nós e então um dia cometeu esse crime e fugiu, para seu próprio bem. Foi uma droga descobrir seu paradeiro. É claro que conseguimos, há alguns anos atrás... – ele forçou os lábios – não foi uma cena bonita.

Não me dei o trabalho de responder, mas não pude esconder minha indignação ao descobrir que a mãe de Sky era parte das Águias.

– Veja Aida... Ninguém rouba nada de nós e sai impune.

– Não me importa droga nenhuma do que você diz. Pode me dar o que quero e eu te deixo vivo, ou eu te mato e pego o que eu quero. De qualquer forma eu saio ganhando.

– Isso é tão doce. – ele mordeu o lábio inferior, olhando para mim num tom desafiante – Acha eu pode me ferir? Tenho a impressão de que nossa luta terá um pequeno atraso.

Ele mal tinha acabado de falar e pude sentir um tremor extremamente forte sacudir toda a estrutura do castelo. Não havia muito o que segurasse aquelas paredes ocas no chão, tentei correr para ao menos cumprir meu objetivo antes de acabar soterrada, mas meus pés não se moviam, estava presa ao chão.

– Que diabos você fez?! – vociferei para Diego que ainda mantinha a expressão calma.

– Eu? – ele falou fingindo inocência – Nada... você queria a chave e acabou de encontrá-la.

– O quê? – que diabos ele estava falando? Ficou louco?

– Você é a chave... – Diego não parecia nem um pouco preocupado com o fato de o castelo estar prestes a desmoronar sobre sua cabeça. – Não você unicamente, é claro, mas sua raça. É uma pena, apesar de tudo, que você não vá mais apreciar sua vida. Veja... os portões para o Reino Antigo se abrem apenas com um certo tipo de magia, uma que era usada por seus próprios habitantes – ele se aproximou de mim, aproveitando-se do fato de eu não poder me mover. Tocou meu cabelo, brincando como se o tempo fosse seu melhor amigo. – Uma magia proibida e esquecida, exatamente como tudo no Reino Antigo.

– Exceto pelos nobres... – falei baixo, como se apenas eu ouvisse. Não estava acontecendo... eu não cheguei tão longe para morrer ao abrir um portão idiota.

– Exceto pelos nobres. – ele repetiu – vocês são a única prova de que um dia o Reino Antigo existiu. Eu procurei por informações durante anos. Eu não estava certo até o momento, tudo não passou de um blefe, mas devo admitir que foi um muito bom. Vocês eram usados como os guardas das passagens, objetos que abriam portas e depois que se abre algo, não há mais necessidade da chave, não é mesmo? – ele tinha um sorriso sádico no rosto e isso foi o suficiente para me fazer acreditar em tudo.

Diego ia me matar e ia matar a todos que eu amava... Sky, Tillie, Zander... até mesmo Jace, o idiota. Foi só então que eu pude notar o quão fraco nós éramos e o quão longe chegamos apenas dependendo da sorte ao nosso lado, mas agora isso havia acabado e nossas vidas também. Não pude evitar que as lágrimas escorressem por meu rosto, o que apenas incitou ainda mais o sorriso diabólico dele.

– Não chore, princesa. Morra com seu orgulho intacto. – ele desapareceu nas sombras, enquanto a luz que emanou de meu corpo anteriormente no templo no dia em que conheci Zander, voltava a inundar a sala...

– Zander, temos que sair daqui! Este lugar vai desabar! – gritava Tillie em desespero.

– Não! Ela ainda está lá! – o mago tentava passar por Jace e Tillie sem matá-los, mas acabou arrastado para fora do lugar segundos antes das paredes desabarem.

– Vocês estão bem? – Sky se preocupou, levantando-se apressadamente de uma rocha onde estivera sentada e a salvo, exatamente onde Tillie a havia obrigado a ficar. – Onde está Aida? – sua expressão se contorceu, já imaginando o pior. – Jace? Zander? – procurou por qualquer resposta que não fosse a de sua imaginação, mas seus rostos e as lágrimas de Zander não negavam. – Não... – sua voz desapareceu e seus joelhos fraquejaram.

A chuva continuava a cair sem perdoar e o rio estava quase avançando sobre as ruínas em que estavam se protegendo.

– Temos que sair daqui ou seremos levados pela correnteza... – falou Jace, que ainda que abalado, era o mais racional dos quatro. Conseguiu tirar os colegas dali, levando-os para longe do perigo.

– Faelern! Faelern veja! Há uma garota aqui, me ajude! – falou uma voz desconhecida.

– Uma nobre? – ele chegou mais perto, analisando-a – Isso só pode ser sobre a abertura do primeiro portão! Ela está viva?

– Eu não sei...

Notas finais
E então, o que acharam? Minha escrita mudou um pouco, sim. Eu comecei a escrever sobre outras coisas, principalmente mais violentas e para público adulto, então ela está mudada, mas espero que tenham gostado e vejo vocês na próxima temporada, meus lindinhos! Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!