Ascensão
5 Capítulo 4 - Saudades
Notas iniciais
Era mais uma manhã maravilhosa, a garota de longos cabelos loiros regava as flores em frente a loja cantarolando. Assim que terminou esse serviço aproveitou a brisa que estava passando e respirou bem fundo, dando um largo sorriso, não sabia direito porquê estava tão feliz mas estava aproveitando o máximo, então adentrou a loja e foi arrumar as outras flores que havia lá dentro.
— Ino! — Ouviu uma voz lhe chamar, como estava de costas não viu quem era, porém conhecia aquela voz. — Bom dia!
— Bom dia, Sai! — Ela estava feliz até aquele momento, mas quando ouviu a voz dele foi tomada por uma irritação.
— Ainda está brava comigo? — O moreno esperou por um tempo a resposta da garota, contudo, quando percebeu que a mesma não iria respondê-lo, prosseguiu. — Desculpa, eu não sei direito o motivo de ter agido daquele e além do mais, já se passaram dois dias.
— Idaí que já se passaram dois dias? A minha raiva pode dura muito tempo ou pouco. — Disse Ino finalmente olhando para o garoto.
— Você poderia vir comigo? Não vai demorar.
A loira estava receosa de ir, ainda estava chateada com Sai e ela sabia que se o segui-se provavelmente iria brigar com ela e era algo que não queria, gostava da amizade dele e não queria estragar isso, porém ele estava certo já tinham se passado dois dias e ela estava agindo igual um criança. Sem dizer nada ao moreno foi até a parte de trás da loja e pediu para uma garota tomar conta da floricultura, pois tinha que dar uma saída rapidinho.
— Vamos lá, mas realmente não posso demorar. — Ino tirou o avental e foi em direção a porta, onde Sai ficou parado desde quando chegou.
Os dois andaram um do lado do outro até chegar em uma pontezinha de madeira, não haviam pronunciado uma palavra se quer depois que saíram da floricultura. Pararam no meio da ponte e ficaram um de frente para o outro, numa distância normal.
Ino era teimosa demais e Sai sabia disso, a conhecia muito bem e sabia que ela não seria a primeira a começar a falar, então ele que teve que tomar a iniciativa.
— Ino, eu não sei explicar o motivo de ter agido daquele jeito, quando eu percebia já tinha falado. Eu sei que Gaara é seu amigo a muito tempo, mas eu também sou e não gosto de quando fica esse clima entre nós dois. — Assim que o moreno completou a frase Ino soltou um suspiro e desfez a carranca, voltando a sua expressão alegre.
— Eu sei, também agi errado com você, agi igual uma criança. Mas fiquei desse jeito porque o Gaara já sofreu muito e não gostei por ter feito aquilo, ele ainda é muito travado e na dele, então naquele dia estava tentando fazer com que se solta-se e então você fez aquilo e fiquei muito irritada com você. Então, me desculpa também.
— Amigos novamente? — A loira o abraçou fazendo com que seu coração acelera-se, isso sempre acontecia quando Ino o tocava, porém não sabia o porquê disso, na verdade ele sempre se sentia estranho perto dela.
— Sim, fiquei com saudade de você durante esses dias, mas fui teimosa demais para dar o braço a torcer. Agora vamos que eu tenho que voltar à floricultura.
Dessa vez os dois voltaram conversando alegremente e como de costume Ino estava de braços dados com o moreno, ela sempre fazia. Sai a acompanhou até a loja e depois seguiu seu caminho sozinho, contudo,agora se sentia aliviado e alegre.
No meio do caminho ouviu alguém lhe chamar, sabia quem era dona daquele voz e se virou para poder olhar a rosada que vinha correndo em sua direção sorrindo.
— E aí, como foi? Eu vi você saindo da loja da Ino. — Ele também tinha se tornado muito amigo de Sakura, então assim que brigou Ino procurou a rosa para conversar e pedir conselho.
— Deu tudo certo, voltou tudo a ser como era antes, e como você havia dito, ela também percebeu que estava errada. Sakura-san, foi bom ter aparecido, estava mesmo pensando em falar com você.
— Sou todo ouvidos, afinal virei sua conselheira número um, né? — Riu, deixando o moreno sem graça.
Foram para um lugar mais afastado onde poderiam conversar com mais privacidade, e então Sai explicou tudo que sentia quando estava perto de Ino ou quando ela o tocava e quando estava longe dela só ficava pensando na loira, contou tudo para a rosada que ouviu atentamente com um sorriso no canto da boca. Quando o moreno terminou de falar a garota não conseguiu se segurar e acabou soltando um risinho.
— O que foi? — Perguntou Sai atordoado.
— Sai, você ainda não percebeu o que sente pela Ino? Você está apaixonado, isso que você está sentindo se chama amor.
— Amor? Mas como eu posso estar sentindo isso?
— Ué, é isso que sentimos quando gostamos de uma pessoa.
— Você gosta do Naruto, então você o ama também? — A rosada nunca conseguia se controlar e acabou gargalhando.
— Não, quer dizer, eu o amo, mas não dessa forma. Existe mais de um tipo de amor, no meu caso eu amo o Naruto como amigo, apesar que as vezes eu tenho vontade de matá-lo, tem amor de pai e mãe, e tem o amor de quando estamos apaixonados por uma pessoa, como no seu caso com a Ino e eu com o Sasuke.
— Uhm, tenho que ir agora. Obrigada pelo conselho.
— Aonde você vai? — Gritou para o moreno que já tinha tomado uma boa distância.
— Na biblioteca pesquisar sobre esse amor.
— Fique sabendo que não tem como se aprender sobre o amor nos livros e não tem como realmente se definir ou explicar o que ele é, isso é algo que você aprende com o tempo e perto da pessoa que gosta.
***
— Gai-sensei, você tem certeza que eles estão perto? — Perguntou um garoto de cabelos preto e olhos grandes e redondos preto também, para homem em sua frente.
— Lee, eu sempre tenho certeza. — Respondeu o homem que era muito parecido com seu aluno, o corte de cabelo em forma de tijela, sobrancelhas grosas e a roupa, um macacão verde.
— Não é mais fácil pedir para o Ne... — Começou a falar uma garota de cabelos castanho preso em dois coques no alto da cabeça e olhos cor castanho-claro, porém interrompeu a si mesma lembrando que ele não estava mais ali.
— Lee, Tenten, vamos parar ali para poder descansar um pouco e verificar o local na procura de pistas.
Os dois confirmaram acenando em afirmativo com a cabeça e foram em direção a pequena clareira que o professor havia falado, se sentaram ofegantes na grama pegando rapidamente o cantil de água que levavam na mochila, enquanto descansavam Gai dava uma olhada ao redor a procura de alguma armadilha.
— Certo, já descansamos!
— O queee? Mas nós acabamos de parar para descansar.
— Estou pronto, Gai-sensei!
— Isso aí, Lee! Mostra para ela a força da flor da juventude!
— Vamos logo. — Falou Tenten, se levantando cabisbaixa.
Quando os três estavam prontos para partir, foram rapidamente cercados os deixando sem reação e a única coisa que tiveram tempo de fazer antes de serem atacados por vários ninjas, foi fazer a formação de costume, ficarem um de costas para o outro.
Gai e Lee partiram para cima dos adversários, enquanto Tenten pegou o seu grande pergaminho nas costas e deu um saltou bem alto, abrindo o pergaminho, fazendo com que uma chuva de kunais, shurikens, entre outras armas acertacem um grande número de ninjas. Assim que Tenten aterrissou um homem alto e parrudo veio na sua direção, ela conseguiu nocauteá-lo pulando por cima dele e o acertando com o cabo da kunai na nuca, Tenten continuou lutando invocando armas através de seu pergaminho para tomar distância dos adversários, mas as vezes tinha que utilizar o taijutsu, o único problema era que ela não estava prestando atenção em suas e por muitas vezes ela quase não foi pega por trás.
— Não preciso me preocupar muito com minhas costas, Neji pode me dar cobertura, então vou com tudo.
Tenten continuou lutando sem nenhuma preocupação, ainda não tinha se acostumado com a ausência do amigo e como na maioria das vezes eles dois lutavam de costas um para o outro, e ela ainda pensava que ele a estava lhe protegendo, não quer dizer que Neji não poderia estar a protegendo, entretanto, não do jeito que estava pensando. Dessa vez a morena estava muito distraída e não percebeu o homem vindo por trás para lhe acertar com uma kunai, provavelmente ela teria morrido naquele momento se não fosse pela rapidez de Lee que a pegou no colo e a levou para o alto de uma árvore.
— Tenten, o Neji não está mais aqui para cobrir suas costas e eu também não posso fazer isso, então acorde e preste atenção. — A garota o olhava espantada, o que ele falou era verdade e ela não podia continuar assim.
Os dois voltaram a lutar e não demoraram muito até todos os ninjas que os atacou estivessem desacordados. Enviaram um pássaro até Konoha pedindo que enviassem um grupo de apoio, pois eram muitos ninjas para prender e poder levar apenas os três. Também não demorou muito para a ajuda chegar, afinal as pessoas que o grupo Gai estava indo atrás tinham feito uma pequena desordem perto da vila da folha, então prenderam todos e voltaram logo para Konoha.
Por mais que tudo estivesse em paz, ainda havia pequenos grupos causando algumas desordens em países pequenos e até mesmo nos grandes, então os cinco grandes países entraram em um acordo, quando soubessem de algum caso desses grupos avisariam a todos e o país que estivesse mais perto iria mandar um grupo para capturá-los e depois os enviariam para o país de origem e os prenderiam lá.
***
Gai, Lee e Tenten, estavam voltando da sala do rokudaime Kakashi, tinham ido levar o relatório para o mesmo. Agora estavam andando pela rua um do lado do outro, enquanto Gai e Lee gritavam coisas sobre juventude, a irritação aumentava em Tenten que tentava ao máximo se segurar para não explodir.
— Será que dá para vocês pararem com esse negócio de juventude?
— Nunca Tenten, nós estamos na flor da juventude e devemos mostrar para todo mundo!
— Isso mesmo, Lee! Estou orgulhoso de você!
— Sério mesmo, Gai-sensei?
— Sim, e isso merece até mesmo a "Nice Guy Pose"! — O professor pôs a mão esquerda cintura, estendeu o braço direito fazendo um sinal positivo e um sorriso brilhante, enquanto Lee chorava de emoção e gritava: "Obrigado, Gai-sensei!"
— Ai, Neji por quê, por quê você me deixou sozinha com esses dois?
A moreno começou a saiu sorrateiramente até tomar uma distância em que os dois não pudessem mais vê-la e então voltou a andar normal, estava muito triste e cansada, queria chegar logo em casa, se jogar em sua cama e dormir para se esquecer de tudo.
Demorou um pouco mais que de costume para chegar em casa, só que estava tão cansada que teve que ir andando devagar. Assim que chegou em sua residência, tirou o sapato na entrada e já foi se dirigindo em direção ao seu quarto, pode ouvir sua mãe falar alguma coisa contigo, porém não conseguiu entender muito bem, provavelmente foi sobre o jantar.
Ela apenas pensava que precisava chegar logo em seu quarto, estava se sentindo sufocada, era como se seu peito estivesse com um peso enorme em cima e lhe tira-se todo o ar, sua garganta tinha um grande nó, que a impediu de responder sua mãe e quando finalmente chegou no quarto, tratou de trancar rapidamente a porta e correu em direção a cama, se jogando na mesma, não se preocupou em ligar a luz. Porque a lua fazia o trabalho de iluminar o local e naquela cama pôde desabar, começou a chorar e soluçar compulsivamente, queria arrancar aquela dor ou pelo menos aliviar de algum modo, sentia saudades dele e muito, sentia saudade do seu jeito sério e até mesmo das vezes que era rude, sentia saudade de quando se irritava com Gai-sensei e Lee, queria que ele estivesse ali, queria ouvir sua voz, apenas queria ele do seu lado e poder abraçá-lo, dizer que... o amava e que queria passar o resto da vida ao lado dele, mas esse que era o lado ruim... ele simplesmente não estava ali para poder fazer isso.
Tenten ficou um bom tempo chorando, até finalmente cair no sono. Talvez isso tivesse sido bom ou não, pois como nos outros dias ao longo desses dois anos dormiu com a esperança de poder ver Neji no outro dia, entretanto iria se desapontar como sempre, logo assim que acorda-se iria perceber que mais uma vez chorou até dormir e que nada iria trazê-lo de volta e que chorar não adiantaria.
***
Um moreno de cabelos picotados e olhos negros, andava no meio de uma floresta, os raios de sol entravam por entre os galhos das grandes árvores e iluminava o seu caminho. Deu mais alguns passos e parou, seu olhar estava focado em uma marca na árvores a sua esquerda, mais uma vez aquela marca, porém, dessa vez não tinha nenhum bilhete: era o seu nome formando o símbolo do clã Uchiha, estreitou os olhos e passou a mão por cima da marca, olhou em volta para saber se tinha alguma outra pista, nada, como das outras que deixavam algum bilhete.
— Tenho que voltar para Konoha rapidamente. — Sussurrou.
Fale com o autor