Ascensão de Zero | Light Novel
2 O Presente Das Flores Mortas
Myizuki tentava se aproximar do fogão para desligar, antes que tudo piorasse. Após dar alguns passos curtos.......
«Chamas»
O calor do momento dificultava suas ações. Olhando para os lados, encontrou um extintor de incêndio. Após pegar, se posicionou em frente ao fogão a uma distância segura.
Mas antes de conseguir usar, uma fagulha saltou para fora da panela, acertando os armários aéreos, espalhando o fogo rapidamente.
— Não...... NÃO!
Então, rompendo o lacre do extintor, Myizuki começa a combater o incêndio como pode.
— Merda, merda! Essa maldita mania despreocupada que ele tem....
No banheiro, Yamato ainda de joelhos, cai para frente se apoiando em seus dois braços.
— Parece que as sensações de vômito pararam um pouco.....
Usando o pouco de força que ainda tinha, firma suas pernas usando a pia à sua esquerda como apoio para se levantar.
Ao se olhar no espelho que ficava acima da pia, sente a falta de luz. Ofegante, procura o interruptor com a ponta dos dedos. Ao encontrar, aperta o botão várias vezes, mas nada acontece.
— Droga, esqueci que a casa está sem luz.
Então abre a torneira e lava seu rosto. Também passa um pouco de água na boca para tirar o gosto de sangue. Em seguida bebe um pouco.
— Merda, o que está acontecendo? Nunca tive problemas de saúde.
Ainda com a cabeça baixa....
«Trovão»
Uma figura sombria de aspecto humano surge no reflexo do espelho sem que seus olhos percebessem.
— Ah, é verdade, eu tenho uma lanterna guardada aqui.
Abrindo o armário do espelho, encontra o que procurava.
Mas, ao ligar.
«Luz falhando»
— O quê? Mas eu só usei essa porcaria uma vez!
Então decide colocar a lanterna em cima do espelho, apontada para cima. Ainda que falhasse, era melhor do que o escuro.
Enquanto a posicionava, sentiu algo estranho e olhou de canto para o espelho.
Rapidamente se vira, mas não encontra nada além da banheira. Ainda verifica os lados para confirmar, mas também estavam limpos.
Colocando a mão sobre um dos olhos diz:
— Estranho, parecia ter visto um vulto.
............
— Aaaaa.... a perda de sangue deve estar me fazendo ter alucinações.
Após alguns segundos, a sensação de dor volta.
— Ahhh... não! Não! N–Glóóah!!
Yamato se joga de joelhos ao lado da banheira e vomita dentro.
— Aaaaaa... que inferno!
— Ah, que merda... eu ia tomar banho ai.
Ao ouvir aquela voz, o rapaz arregala seus olhos. O silêncio domina o ambiente.
«Coração acelerado»
Virando a cabeça lentamente para o lado, vê com um dos olhos, algo que gerava um medo incapaz de descrever.
— Olá, Yamato Kiono....
Imóvel, a única coisa que passava em sua cabeça, depois de ouvir aquela voz grave de tom sombrio, era seu próprio coração.
Não conseguia acreditar que diante de seus olhos, estava um ser de asas negras acocado em sua pia, com dois pontos vermelhos fixados em sua direção.
«Luz da lanterna falha»
Pela janela um raio iluminou o banheiro, revelando rapidamente o corpo do ser misterioso, que mostrava os dentes em seu sorriso, com um olhar psicopata.
— Ah... Aah.... Aaahh..... AAAAH!!
Yamato permanece em choque.
— Q-Q-Quem é você? O-O que v-você é? O q-que você quer? O que eu–...
Ainda acocado, levantou lentamente uma de suas mãos e disse:
— Oh! Oh! Oh! Calma! Que exagero, parece até que viu o diabo.
O corpo de Yamato tremia intensamente, tudo o que saia de sua boca eram tentativas falidas de dizer algo.
Até que consegue dizer algumas palavras:
— O-O-O q-que é v-você?
A luz da lanterna novamente acende, e o que aparentava ser um anjo, sorri e responde sarcasticamente.
— O d-d-diabo....
— Hã?!
Percebendo que Yamato não conseguia entender nada do que estava acontecendo, permanece em silêncio.
Com a cabeça baixa, cobre o rosto com uma das mãos. Após alguns segundos, a levanta e começa a rir com um tom agudo.
Em seguida, desce da pia e coloca a mão na própria cabeça.
— Brincadeirinha. Viu? Sem chifres. Hehe.
— C-Como.... sabe meu nome?
Sem saber como reagir, a criatura apenas coloca a mão no próprio rosto, enquanto o outro braço repousava em seu abdómen.
— Isso é sério? Tem um anjo negro, na sua frente, e está preocupado em saber como sei seu nome? É cada uma.....
O anjo olha para a janela à sua esquerda cruzando os braços.
— A propósito.... meu nome é Harushi, mas pode me chamar de Haru.
Se apresentou, com um largo sorriso expondo os dentes.
«Raio»
Seu rosto é iluminado enquanto retorna o olhar para Yamato.
Parados, ambos ficam se encarando. Após alguns segundos......
— H-Harushi? A-Anjo Negro? Ah... S-Sim.....
Apoiando a mão direita na banheira, se levantou lentamente com um sorriso assustador. Em seguida, olhando para a direita, mesmo ainda fraco, corre em direção à parede.
Então bate a cabeça com força, caindo ao chão.
Com as mãos em sua testa, rola para os lados enquanto sentida a dor do impacto.
Harushi arregala seus olhos completamente confuso.
— Mas, que merda foi essa?!
Após sentir um pequeno alívio da dor, Yamato fica de joelhos, e ao olhar para uma de suas mãos, vê o sangue que estava escorrendo pelo próprio rosto.
Então volta a olhar para Harushi, atordoado.
— Não acredito..... Realmente não estou sonhando?!
Ao ouvir aquilo, o anjo sussurra com um olhar de decepção:
— Era só o que faltava....
Novamente cobre o rosto com a própria mão.
— .....aaaaa, humanos.....
Suspira Harushi, que segue falando:
— Haha.... Pelo menos até agora, você foi o mais ‘normal’.
Surpreso ao ouvir aquelas palavras, Yamato se levanta e pergunta:
— Eu sou o mais.... normal? Então houve mais pessoas antes de mim?
— É, mas o melhor foi o último, aquele foi ‘O destaque’.... nunca vou me esquecer. Haha.
— .............
— Ele saltou pela janela achando que fosse um sonho, igual você. Foi divertido de assistir. Hahaha! Obrigado por me lembrar disso.
O anjo caminha até a porta e a fecha, trancando enquanto ri baixo.
Yamato fica em posição fetal, repetindo para si mesmo.
— Não... não... não! Não é real! Não é!
— Ahh.... ele ainda não desistiu.
Impaciente, o anjo suspira com a teimosia do rapaz. Então avança rapidamente em sua direção....
«Parede rachando»
Ao olhar para o lado, viu o que o soco de Harushi tinha feito, muito próximo de acertar sua cabeça.
— Isso parece falso para você?
— N-N-Não.....! Não é real, não é re–
Com a paciência esgotada, pega Yamato pelo pescoço e levanta seu corpo, tirando ele do chão, o pressionando na parede.
— Repetindo as mesmas palavras que usou sobre aquelas coisas que vocês dois estavam assistindo.
O rapaz olha para o anjo e responde:
— M-Mas...... aquilo é apenas um filme.....
— É, realmente........ mas baseado em que você afirma isso?
Naquele momento, sentiu um peso na pergunta de Harushi, como se houvesse uma lógica, mesmo que a primeira vista não fizesse sentido.
— B-Bom.....
— Em suas crenças?
— ..............
— Enquanto continuar vivendo, tendo como base ‘suas’ crenças, que não passam de falsas ideologias forjadas pelo homem, para que atendam os próprios interesses, você continuará sendo um escravo da mentira.
Mesmo tendo refletido sobre o que tinha ouvido, relutou:
— M-Mas, eu não sou religioso......
Harushi começa a rir alto, o som saía rasgado.
— Não? Neste caso, melhor ainda............ a verdade irá doer menos em você.
— Doerá menos? O que quer di–Ughh!
«Sangue caindo ao chão»
— Shhhh... será rápido, eu prometo.
Olhando para baixo, vê a mão direita de Haru perfurando sua barriga.
— Ahh!....... Mas...... O-O que...... é isso?
— Essa é a verdade..... essa....... é a realidade. O que acha?
— P-Pare.......
— Hm...... posso sentir seus órgãos dançando em meus dedos.
Suas pupilas se contraiam, enquanto lambia os próprios lábios.
Yamato sem saber o que fazer, apenas resistia, tentando tirar a mão que estava dentro de seu corpo. Mas não tinha forças para lutar contra a dor que estava sentindo naquele momento.
— O-O que é....... isso?
Algo estava sendo injetado para dentro do seu corpo, se misturando ao seu sangue.
— Por..... Por favor...........
— Hmm.... Certo, apenas porque foi educado.
Puxando sua mão violentamente, joga mais sangue para o chão. Em seguida solta seu pescoço e Yamato cai de joelhos.
Então se atira para o lado e se encolhe, chorando em agonia. Seus braços tapavam a ferida feita. Em seu rosto pingavam gotas do próprio sangue que escorriam da mão de Harushi.
— Por que? Por que comigo? O que foi que eu fiz de errado? Não importa o quanto tente ser bom nesse mundo... ele sempre vai arranjar uma maneira de te destruir.
Suas lágrimas aprisionavam o desejo de um grito sem tamanho, até que não aguenta mais, e rasga suas pregas vocais.
— AAAAAAAAAAHHH!!!!
Na cozinha, Myizuki ainda tentava conter o fogo, porém a situação não estava nada favorável. Mesmo assim, estava conseguindo controlar a maioria das chamas, mas ao ouvir o grito de Yamato, se descuidou de um detalhe.
— K-Kiono?!
O incêndio estava alcançando um gás inflamável. Quando percebeu, já era tarde demais.
«Explosão»
No banheiro, Yamato ouve o estrondo dentro da casa.
— O que.... O que foi isso? .............
Após pensar por alguns segundos.........
— Eu esqueci a comida nas panelas! Não me diga que........
— SOOOOOONAAAAAAAAA!!!!!!
.................
Ainda ao chão, tenta se levantar, mas a ferida feita por Harushi era profunda.
— Droga! Está queimandoooo!! Isso ardeeee!!
Se divertindo vendo seu sofrimento, Harushi abre um sorriso.
— Relaxe, os primeiros segundos é como me ver pela primeira vez.....
— Merda, isso não vai acabar nunca?!
— É realmente um inferno..... mas logo você se acostuma. Hehehe.....
Erguendo a cabeça e olhando para o anjo, pergunta:
— Fez isso tudo apenas para me provar o que estava dizendo?
Fechando seus olhos, respondeu:
— Claro que não. Hehe.
.............
— Então.......... por que?
Ao abrir, respondeu com um tom frio sorrindo:
— Apenas........ por diversão...
— O quê? Diversão? Ele não pode estar falando sé–Ghhh!
«Ferida cicatrizada»
Poucos segundos depois, veias negras surgem pelo corpo, como se fossem raízes. Ao olhar para aquilo, ficou surpreso.
— A dor p-parou?
Yamato olha para suas mãos e percebe que seu braço direito estava ficando levemente escuro.
— O que é isso?!
Sem mais qualquer sensação de enjoo, vai em direção à pia e começa a lavar seu braço. Mas, por mais que tentasse, nada removia as manchas que surgiam.
— Se você amputar é mais fácil. Hehehe....
Disse Harushi sarcasticamente.
Então, sente algo estranho. Parecia ser um ‘chamado’. Lentamente ergue sua cabeça olhando para o espelho. Parado, observava seu reflexo.
«Estática»
Um rosto sombrio, onde um dos olhos brilhava a cor amarela surge no espelho.
.................
O rapaz aproxima seu rosto, mesmo assustado, estava sendo atraído pela curiosidade.
Em seguida é surpreendido por um sorriso muito semelhante ao de Harushi. Fazendo com que caísse sentado.
— AAAAAHHHH!!
«Batidas na Porta»
— Ki......Kino!
Gritou a garota enquanto tossia.
— S-Sona! O que houve? Você está bem?
— Sim........ na verdade, mais ou menos.
— O que aconteceu?
— A cozinha explodiu. Eu não consigo conter o fogo. O incêndio está se espalhando. Temos que sair antes que chegue até aqui.
— Certo!
Yamato segura a maçaneta e a gira. Porém, a porta não abre.
— O quê?! Trancada?............ Mas está destrancada!
Novamente, força a porta.
— Mas que merda! Por que não abre?!
...................
«Suspiro»
— Você não vai abrir essa porta.
Olhando para o anjo começa a discutir. Confusa Myizuki pergunta:
— Kino, com quem está falando?
Yamato permanece em silêncio, e de costas olha para a porta. Então Harushi passa um sermão:
— Eu sei que, vocês humanos tem aquele costume de aprender com os próprios erros. Mas você ultrapassa os limites da irracionalidade.
— O quê?! Do que você está falando?
— É só olhar para si mesmo, seu idiota.
— Eu não ligo! Tenho que ajudar ela! Não ouse me impedir.
Então começa a forçar a porta para arrombar.
— Kino, o que está acontecendo?
— A porta está emperrada. Estou tentando...
— Kino, eu...... eu te.......
— NÃO! Pare de usar esse tom de voz como se fossem suas últimas palavras. Eu vou te salv–....................
— Kino?
.....................
— Insolente....
— AAAAAAAAHHH!!
— KINOOOO?!
De joelhos, Yamato se apoia em seus braços. O anjo puxa seu corpo para perto, e começa o que parecia ser um ritual.
Enquanto pronunciava suas frases, transforma sua mão esquerda em garras, e finaliza com um corte nas costas do rapaz.
Uma aura roxa surge em seu corpo. Logo, uma marca em forma de tatuagem surge em suas costas.
Ao ver aquilo, Harushi confirmou em seus pensamentos:
— Está feito.
— D-Desgraçado!
Se levanta, e avança com um soco contra o anjo, mas é bloqueado, e acaba levando um chute no estômago, sendo arremessado longe.
«Impacto na porta»
— Kino? Fale........ co.... migo....
Myizuki sussurrava, atordoada por causa da grande quantidade de fumaça que já estava circulando pela casa.
— Preciso.... abrir uma..... janela....
Mas, ao tentar se aproximar de uma, o telhado cai.
— Droga!
Yamato ouve o som de algo quebrando.
— SONAAAAAA!!
A fumaça aos poucos começa a sair pelo buraco aberto, mas a garota acaba machucada por um pedaço da telha ter acertado sua perna. Então volta mancando para a porta do banheiro.
— Kino.... Kino!
— Sona, estou aqui!
Ambos ficam com seus rostos na mesma altura, apenas separados pela espessura da porta. O rapaz não se contém e começa a chorar.
— Kino... o que houve? Pode me falar...
— Eu não consigo.
— Por quê?
— .................
O silêncio das duas vozes toma conta da situação. Então Sona diz com um tom de voz calmo e triste:
— Kiono.... Sabe que pode confiar em mim... Lembra? “Seja no amor, seja na dor, estaremos juntos aonde quer que o outro for”.
Sem saber o que dizer, Yamato coloca a palma de sua mão na porta e sussurra:
— Eu sei disso, mas isso é algo que você não vai conseguir entender.
Então, sente seu braço direito leve, e em seguida algo se romper por dentro.
De repente, seus músculos começam a sair pela sua pele, formando diversos buracos pequenos. Estavam remodelando seu braço de dentro para fora. Unindo a mão ao seu punho.
Aquilo era diferente de tudo que já havia visto.
Uma verdadeira anomalia, nem era possível considerar aquilo uma mão. Lembravam luvas negras que se estendiam até seus pulsos.
Já não possuía mais controle de nada, tudo que era capaz de fazer era aceitar a dor.
— Kino, só quero que saiba que, eu estou aqui para o que precisar. E eu te a–.........
Myizuki fica calada de repente..................
Então Yamato levanta a cabeça e olha para seu braço direito.
«Batidas do coração»
Em seguida seu olhar se contrai, ao ver que no lugar de seus dedos, haviam garras que haviam atravessado a porta.
— S-S-So-na....
Tirando as garras da porta...........
«Corpo caindo»
Então vê o sangue passando pela fresta abaixo.
................
Encostado na parede do outro lado do banheiro, Haru assistia toda a cena.
— Uhuhuhu...... essa visitinha realmente valeu a pena...... Gostou do presentinho?
Yamato quebra um lado da porta com as garras, abrindo um buraco que permitia ver a garota atirada no chão.
Então passa para o corredor e a pega nos braços, em seguida coloca o ouvido em seu peito.
................
«Batida do coração»
— Aaaaaa....... Aaaa..... ainda está viva!
Myizuki ouve a voz de Yamato e abre seus olhos lentamente, vendo o braço dele transformado.
— K-Kino.....?
Ao pegar a mão de sua namorada firmemente diz:
— Sona, sou eu. Aguente firme, por favor! Eu vou buscar ajuda!
A garota desmaia em seguida.
— Aaaaaa...... essa falsa fé de vocês humanos é algo...... repugnante....
Fala Harushi com um tom que expressava nojo.
— .......mas ao mesmo tempo é prazeroso. Hehehe.....
— Você..........
— Eh?
Consumido pelo ódio, Yamato se levanta e derruba a porta.
— Você....... vai pagar...... caro........
— Pare de murmurar, fale alto!
O jovem ergue sua cabeça lentamente mantendo seus olhos tapados pela sombra dos cabelos, junto de um sorriso de canto.
Harushi olha para o rosto e reconhece aquele sorriso.
— Esse sorriso...... Só pode ser do—
Yamato avança com tudo em direção ao anjo.
— MORRAAAAAAAAA!!!
«Metais colidindo»
Mas é surpreendido pelo bloqueio do anjo, que o prende pelo punho.
Então é puxado pelo braço e em seguida recebe um chute no rosto, onde pé de Harushi permanece ‘colado’.
— Morrer? Deveria ter mais respeito antes de pensar em falar.
Insatisfeito, empurra a cabeça de Yamato com o mesmo pé e atinge sua costela com outro chute, o deixando vulnerável.
Continua com um soco direto em seu estômago, fazendo com que cuspisse sangue enquanto era levantado do chão pelo impacto do soco.
No “ar”, conseguia ver o corpo de sua namorada imóvel no corredor. Seu rosto continuava coberto por lágrimas, por não conseguir proteger quem ele mais amava.
— Sona, me perdoe...
Harushi o puxa de volta pelo pescoço, olha para ele com ódio e o solta acima do chão, dando um giro e finalizando com um chute com o pé esquerdo contra a parede, a mesma que mantinha o espelho erguido.
...................
Porém, não se ouviu nenhum som de algo quebrando.
Ele ainda não havia desistido. Mesmo fraco e com dor em diversas partes do corpo, se manteve de pé segurando o golpe do anjo com suas mãos.
— Desculpe a pergunta, mas você é masoquista?
— Cale a boca!
— Essa atitude tola sem sentido será sua ruína, você não consegue se proteger. Como pretende salvar a garota?
................
Com a mão firme ainda prendendo o pé de Harushi, usa a outra para agarrar a perna.
— Com meu...
Em seguida segurando os ombros do anjo, avança uma joelhada de esquerda acertando seu estômago.
— ....último suspiro!
Yamato consegue o espaço necessário para dar vários golpes que acabam o encurralando contra a parede.
— Então, continue no mundo dos sonhos...... que eu irei fazer você provar da verdadeira e dolorosa realidade.
Harushi para um dos socos do jovem, esquivando a cabeça de um chute em seguida.
Novamente levanta Yamato pela mão que estava segurando, e acerta uma cabeçada no meio de seu rosto, o deixando atordoado, e finalizando com um soco que o joga contra a parede do outro lado.
«Fumaça»
................
Em meio àquilo, com desejo em matar à todo custo, o jovem avança contra Harushi rasgando a cortina de ar. Apostando tudo em seu último golpe, tal como seu “último suspiro”.
Entretanto............
— Agora..... prove o verdadeiro gosto da realidade.
«Metais quebrando»
Yamato não acreditava no que via. Suas garras haviam sido paradas pelas mãos do anjo.
Tendo seu braço preso, sem ter como escapar, apenas assistiu cada uma de suas lâminas serem esmagadas impiedosamente.
Foi naquele mesmo momento que tinha percebido o quanto havia o subestimado.
— Certo, vamos acabar com essa brincadeira.
Disse com um tom calmo, mas que rasgava sua garganta.
Levantando a cabeça enquanto sorria, mostra seus olhos vermelhos que estavam tapados pelo seu cabelo.
Harushi pega o jovem pela cabeça, levantando seu corpo e jogando direto ao chão, rachando o piso. Então pisa em sua cabeça.
— Nos veremos novamente, ou talvez não. Mas espero que até lá seja capaz de me divertir.
— Eu vou....... te matar..........
Sussurrou Yamato praticamente sem forças.
— Acreditarei quando parar de tentar.
Seguindo até a porta, o anjo olha para a garota inconsciente no chão do corredor. Logo se abaixa ao lado de seu corpo, e passa sua mão negra em seus cabelos loiros. Por fim, alisa seu rosto delicado.
Sem poder fazer nada, apenas olhava Harushi tocando em Myizuki.
Então, volta para o banheiro, decidindo ir embora. Mas antes deixa um aviso para o rapaz:
— Antes que eu esqueça......
— Hã?
— Se ela ou qualquer outro humano ver você com essa aparência, considere-os mortos.
— O quê? Como assim? O que quer dizer?
— Não pense. Apenas siga. É uma lei, não uma escolha.
Em seguida, Harushi abre suas asas e voa para fora do banheiro quebrando a janela.
«Luzes acendem»
— Não acredito que a luz tinha sumido por causa desse desgraçado.
Com dificuldades, se arrastou para chegar até a garota, deixando um pequeno rastro de sangue no chão que pingava de seu rosto.
Próximo da garota........
— Meu corpo voltou ao normal... Droga, esqueça isso!
Ao pegar o celular no bolso, percebe que estava quebrado por causa dos impactos da luta. Então pega o de Myizuki no bolso da calça dela.
Em seguida, liga para a emergência.
— Droga! Sona, me perdoe.... me perdoe...
Repetia com a cabeça da jovem em seu peito, enquanto aguardava ser atendido.
Alguns minutos depois:
«Sirene»
Três médicos entram na casa.
— Olá!!.......... Emergência!!............ Tem alguém a–
— Aqui no corredor!! RÁPIDO!
Os médicos entram correndo e ao chegar no corredor, olham para tudo ao redor. Um deles comenta assustado:
— Mas........ o que....... o que houve aqui?
— Por favor, nos ajudem.......
Sussurra Yamato chorando com sua namorada deitada colo.
— Tragam a maca, rápido!
Os médicos colocam a garota na maca e se dirigem rapidamente ao veículo.
Um dos homens olha para Yamato e meio assustado pergunta:
— Ei, você está bem?
— S-Sim.....
— Qual o seu nome?
— Y-Yamato Kiono.
— Certo Sr. Yamato, me chamo Takeno Sasaki. Sou o chefe, no caso desse grupo de paramédicos.
— Ok....
— Poderia me dizer algo, do que aconteceu aqui? Mesmo que sejam poucas palavras.
— ...............
Takeno sente algo estranho vindo do olhar perdido do rapaz, então abaixa a cabeça mantendo a seriedade no olhar.
— Tudo bem, me desculpe...... Imagino que ela seja sua companheira.
— S-Sim, por favor, salve ela!
— Tudo bem senhor, fique calmo. Daremos o nosso melhor. Poderia nos acompanhar? Ela provavelmente irá precisar de forças de alguém em que confie.
— C-Claro... eu iria de qualquer forma.
— Suspeitei disso. Haha. Bem, vamos?
Yamato se levanta e é tapado por uma toalha dada por Takeno. Em seguida, entram no veículo que parte imediatamente para o hospital da cidade. A caminho um dos médicos diz:
— A respiração dela está muito fraca. Ela perdeu muito sangue, não sei se ela aguentará até chegarmos.
O jovem põe suas mãos ainda com um pouco de sangue nos ombros do médico, e olha diretamente em seus olhos. Implora com seu rosto coberto por lágrimas.
— Por favor....... salvem ela!
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