Notas iniciais
*A partir de agora as coisas ganham um pouco mais de emoção. *Desculpe pelo atraso!

— Não, não e não, os senhores não entendem que é perda de tempo um investimento dessa magnitude. A empresa ao qual se referem não tem lucros significativos há mais de dois anos, é inconsequente o que sugerem. Portanto minha palavra final é não.

A sala de reunião estava abafada, entre homens barrigudos e fervorosas discussões a temperatura do lugar tinha aumentado, Melissa vestia saia lápis e uma regata de seda, dava graças aos céus por não ter que usar terno naquela hora, sua secretaria Jessica, sentada ao fundo da sala, anotando para depois passar para ela, usava um vestido. As vezes ser mulher lhe dava pequenas vantagens, como por exemplo elas não estavam ficando irritadiças por causa do calor.

— Já que esta tão irredutível, partiremos para o próximo tópico: as vendas de final de ano, afinal estamos em setembro já, precismos de algo para Natal e Ano Novo.

— Senhor Crause, por favor, preste mais atenção nas reuniões, semana passada já foi dito isso, essa semana o protótipo de uma nova tecnologia para celulares já estra pronto, as vendas de final de ano estão plenamente ganhas. Além do mais...

Antes que Melissa continuasse, Jessica a interrompeu, algo raro uma vez que a menina Rossevelt odiava isso, e deixava bem claro, deveria ser algo de estrema importância.

— Senhorita, o Senhor Josephe esta na linha 1, deveria dizer que retorna mais tarde?

— Não, deixe-me ver o que ele quer, um minuto senhores.

Andou até a pequena mesa no canto da sala, onde Jessica estava, pegou o telefone e ouviu atentamente ao que lhe era dito, não esboçou nenhuma reação, e não disse uma palavra ao desligar o telefone. Voltou a outra extremidade da sala, apoiou as mãos na mesa de carvalho e sorriu.

— Como estava dizendo, todos os projetos para o fim de ano estão no relatório que Jessica ira entrega-los agora, creio que isso encerre a reunião de hoje, obrigada senhores e até semana que vem, tenham um bom dia. Se me dão licença.

Sem uma palavra se retirou da sala, inteiramente de vidro, foi até os elevadores e subiu até o decimo quinto, andou até a sua sala e se sentou. Olhou a agenda na mesa e viu que tinha mais uma reunião aquele dia, uma pena não poderia comparecer, estava entre cancela-la ou mandar seu irmão ir no seu lugar, pensou não mais que dois minutos e decidiu cancelar, as vezes seu irmão não sabia lhe dar com tais assuntos. Antes que pudesse pensar em alguma outra coisa, ouviu sua porta ser aberta e esperou pacientemente a pessoa entrar para então se pronunciar.

— Então, ele está mesmo no galpão

— Sim my lady, está, e esperando pela senhorita.

— Pois não vamos deixar nosso ilustre convidado esperando.

—Como quiser.

Ela e Lucca seguiram caminho, do elevador ao estacionamento e deste ao galpão, que ficava quase do outro lado da cidade, Nova York era grande, e parecia ter o dom de sempre ter o que se procurava nela, a beleza da cidade que nunca para.

No galpão estavam Josephe, Jonatam e uma rapaz, alto de cabelos castanhos, e olhos de mesma cor, não aparentava ter mais de 24 anos, e se vestia com roupas que certamente eram de luxo; olhava intrigado para o galpão, paredes de cores creme teto alto, piso de porcelanato, e dividido em varias salas, pelo que percebeu ao longo do breve caminho até aquela sala. Estava agora sentado uma cadeira que poderia dizer que pertenceu a uma família rica da França, a mesma coisa com a mesa e o armário de cristal no canto esquerdo da sala, uma vez ou outra olhava para a porta no lado oposto ao armário e depois olhava para o espelho na parede que ficava para as suas costas.

A sala, com a mesa no centro e apenas duas cadeiras francesas, uma de cada lado, era uma das preferidas de Melissa, o estilo vintage que lembrava outro século, o armário de cristal, o os dois belos quadros de paisagens de campo e o espelho compunham o perfeito cenário para conversas serias demais pra serem feitas por telefonemas. Ao entrar naquela sala, e Lucca fechar a porta atras de si, a postura do rapaz mudou, mais rígido e apreensivo, os olhos um pouco arregalados e uma pequena camada de suor começara a surgir, ele enfim tinha entendido porque estava ali, começara a lembrar os cochichos que ouvira quando acompanhava o pai a Vertice, “ela sempre leva eles primeiro para o quarto francês e depois bom, na maioria das vezes uma vala os espera”, pensou então que ali seria o local de sua morte.

— Peterson, quanto tempo não te vejo meu caro. – Melissa falava enquanto dava uma volta na sala, parara bem atras de onde ele estava, sua voz doce como mel quase podia encobrir a ironia ali contida.— Achei que você não iria aparecer por um longo tempo, não enquanto esta em divida comigo.

— Senhorita Roosevelt, me perdoe, por favor. A culpa não é minha sou apenas o intermediario das comprar, ele não me repassou o dinheiro, por favor.

A suplica era evidente, o suor agora ensopava a roupa do rapaz, e fazia sua pele ganhar um brilho um tanto diferente. Melissa se sentou a frente dele, o analisou, e pediu que Josephe lhe servi-se um copo d’agua, logo após o rapaz beber todo o copo lhe servido, ela o olhou atentamente e pronunciou palavras que ecoariam na mente do jovem por anos.

— Escute Peterson, não me importa se você não é o comprador real das minhas armas, ou se você não foi pago. O que importa é que você comprou mais de duzentos mil entre armamento e tecnologia minha e não me pagou nem 10%, e o seu prazo acabou ontem. É muita coragem ou estupidez vir até aqui depois disso, é pedir pra ser morto. Mas escute bem, você é jovem, bonito, inteligente, lamento por ter se enfiado nesse mundo; ele não é justo e muito menos piedoso, mas como voto de bondade eu te dou até o final da semana para trazer meu pagamento, caso não o faça é melhor se confessar com o padre, porque eu irei te achar e a sua cabeça ficara muito longe do seu corpo.

— Entendido senhorita, obrigado, muito obrigado.

Com um aceno de cabeça ela o dispensou, observou ele sair apressado e riu, não passava pela sua cabeça como um jovem como ele entrara para um mundo como aquele, ele teve escolha, diferente dela que nasceu ali.

— Josephe, você poderia colocar alguns de seus homens vigiando o Peterson, quero saber quem é o comprador dele.

— Claro my lady, farei imediatamente o que pediu.

Restando apenas ela, Lucca e Jonathan, resolveu seguir caminho, queriaa tomar um banho e ao menos poder relaxar antes da reunião de logo mais, algo lhe dizia que não seria nada pacifico. E o pressentimento estava certo.

Notas finais
*Postado em 19/07/2019