Asas Malditas
9 Capítulo 9 - De Novo
Notas iniciais
Estava escuro e silencioso. O corredor tinha armários dos dois lados, armários azuis com um cadeado que trava e apenas abria com o código. Quando pisava ecoava pelo corredor inteiro, estava na escola mas completamente escura e a noite. Então virei a direita e subi as escadas e acabando em um corredor vazio de novo mas com portas para as salas. As janelas que estavam a esquerda iluminavam o corredor e então andei a última porta que estava aberta, empurrei a porta e as cadeiras e carteiras estavam jogadas no chão e um rapaz estava deitado com o rosto no chão. Corri até ele e virei seu rosto para mim, era Cam com o rosto marcado como se tivessem batido nele. — Cam! Gritei mais ele não me ouvia. Coloquei o meu ouvido em seu peido, ele ainda respirava. Sacudi ele para acordá-lo, mas ele não respondia. — Não adianta. Ele foi apagado, vai demorar para acordar. Era uma voz que não reconhecia que vinha da porta. Virei para ver mas estava escuro e começou a chover forte. — Como assim "apagado"? — Ele tomou uma injeção na cicatriz, ele foi punido de novo. Tentei responder ao homem mas a minha voz não ia. Só conseguia ver ele indo embora e repetindo: "De novo"... "De novo"... Acordei com o meu celular tocando, meu coração estava acelerado. Peguei da cabeceira e atendi: — Alô? — Olá, pronta para outra? Era Penny que estava falando. Olhei no relógio e era seis e meia da manhã, poderia ficar acordada até as sete... — Pronta para outra? Como assim? — Bom, depois daquele caso que você resolveu sumir no meio da festa e o Peter desesperado procurando você. Quando você foi embora, menina você perdeu tudo de bom da festa! — Co-como assim...? Penny suspirou cansada de ficar respondendo minhas perguntas. — Vou para a parte boa, na praia quando começamos a ficar bêbados. O Cam ficou falando que tinha que possuir seu corpo e blá blá e que se não fosse pelo Peter ele teria possuído você naquela noite... Que doidera né? Possuir corpos para tornar-se humano! Tolice! Ouvi Penny gargalhando e sua mãe chamando ela para descer. — Ah, doidera... — Bom, eu vou descer. Espero que você também vá se aprontando que saber mais sobre o que aconteceu com você ontem! Beijos! Mesmo antes de responder ela desliga. Levanto da cama retirando as cobertas e coloco pantufas para sair. Ando até a porta e abro ela, ando no corredor rangendo algumas partes velhas da madeira e chego a escada. Olho rapidamente a porta de Peter estava aberta então ele já havia acordado. Desço as escadas, indo em direção a cozinha empurro a porta e vou direto a geladeira. Pego um suco de laranja que tinha e uma fruta que estava em cima da bancada com um bilhete: " Espero que goste da maça, colhi do jardim". Dei um sorriso e mordi a maça vermelha, andei até a sala e abri a porta. Vi Peter apoiado na varanda olhando para as árvores, vou até seu lado e sento na varanda. — Bom dia. — Bom dia. Peter responde virando rosto para mim sorrindo, ele coloca a sua mão direita em meu pescoço e da um beijo em mim. Sorrio para ele e dou uma mordida disfarçando a vergonha. — Tem que se acostumar com isso... Peter disse olhando para meus olhos. — Por que? Fitei Peter para poder dar um clima de desafio. — Bom, porque eu gosto de você — Suspiro ainda fitando ele como se fosse novidade — e também porque eu sou seu anjo da guarda... Certo? Corei pensando nisso. Eu tenho um anjo da guarda, não é todo mundo que tem... — Ce-certo... Gaguejei abaixando o rosto de novo, minha maça parecia eu, quase sempre vermelha. Sinto os dedos de Peter e sua respiração mais perto. Ele levanta meu queixo deixando meus olhos a altura de seus. — Vou te proteger sempre Annie Parkison, sempre. Desta vez Peter me encarava como se estivesse destinado a isso, como se existisse só para isso. Dei um pequeno pulo encostando em seu lábios e dando um pequeno selinho. Então sorri no final, mas um arrepio pequeno me contagiou aquele momento. "Será que Peter me protegia de Cam?" "Me protegia pois tinha o medo de ser possuída?". Mas então eu não queria discutir isso com Peter, não hoje. — Bom, tenho aula hoje preciso me apressar. Fingir não saber sobre o que Penny me contou e voltei dentro da casa, andei até meu quarto. Arrumei usando um vestido florido com um sinto preto e uma bota marrom de couro e cardaço. Peguei minha mala da escola e andei até minha cabeceira para pegar meu celular e tinha recebido uma mensagem: "Vamos nos encontrar de novo, espero que não escape desta vez, Anjo". Ao ler a mensagem arrepiei ouvindo de novo a voz: "De novo", "De novo" e "De novo..."
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