Asas
1 O início
Notas iniciais
— Emile Willians, pare de fazer isso agora mesmo e venha já aqui.
Ouvi minha mãe me chamando ao fundo, mas não to com tanto animo assim que me faça parecer uma pessoa sorridente, estou tentando o máximo que consigo, porem não está parecendo o suficiente para a minha mãe. Forço ainda mais o sorriso e continuo andando pelo meio da multidão da festa de ano novo.
Mais um ano prestes a iniciar e eu continuo a mesma, às vezes desejo ser aquelas pessoas determinadas, que enfrentam tudo pelos seus ideais, e porque continuo na mesma? Simples, minha família. Não sou a pior filha do mundo, na verdade tento ser a melhor que posso, sempre aceitando tudo e por mais que discorde ou até que me doa fazer algumas coisas que me são impostas a realizar, não vejo outra maneira de fugir das garras da minha mãe.
— Emile já disse pra você colocar um sorriso nesse rosto, todos estão me perguntando o que aconteceu com você.
Talvez ela pudesse responder essa questão melhor do que eu, mas claro que ela não vai se colocar em uma situação que a deixe constrangida com os próprios atos.
— Só estava pensando, mas vou olhar como estão às garotas.
Faço o melhor sorriso que consigo e isso parece agrada-la já que tira a expressão rabugenta da face. Quando vejo-a se afastar, caminho para a varanda, me livrando da festa por alguns instantes, forço as lágrimas a continuarem onde estão fazendo com que o nó do meu peito aumentar.
Caminho até um pequeno banco que fica próximo as colunas de segurança e olho para a lua e respiro fundo.
— Seja forte. – Digo em um sussurro. – Você consegue. – Mecho os lábios quase sem voz e limpo uma lágrima teimosa forçando outro sorriso e volto para a festa.
A música está alta e a minha casa bastante agitada cheia de pessoas, o que posso fazer se sou filha do prefeito da cidade? Era de se esperar que eu fosse a garota mais feliz que existisse na face da Terra, porem as coisas são diferentes, por fora posso até parecer mas por dentro é difícil de se mencionar a palavra felicidade.
10 Anos Atrás.
— Emmy, sua imprestável já mandei você parar de me perturbar, estou numa ligação muito importante.- Diz minha mãe tampando o celular.
A voz da minha mãe ecoa pela minha cabeça e vai ate fundo do meu ser, é tão doloroso que só amasso a folha da minha prova da escola, fiquei tão feliz de ter tirado um dez em redação que só queria mostrar pra minha mãe. Mas não foi isso o que aconteceu, seguro as lágrimas e caminho pro meu quarto, tranco a porta e me jogo na cama agarrando o travesseiro para abafar o choro, ela não gosta de choro; porem precisava disso, precisava chorar e liberar a frustração que estava sentindo.
Hoje.
— Olá meninas! – Digo alegremente pra Lucy e Anny, filhas do governador.
— E ai Emmy! – falam me observando dos pés a cabeça. Estou usando um vestido prata, justo acima dos joelhos ele tem um decote coração na frente. Amei-o por brilhar e ser da cor da lua não um branco tradicional que todos costumavam usar.
— Emmy, ta sabendo da festa que vai ter lá em casa? – Diz Lucy abrindo um grande sorriso. Ela está vestindo uma saia lápis branca e uma blusa com um decote em “v” profundo.
— Na verdade não sabia, quando vai ser?- Perguntei não muito animada, preferia ta no meu quarto ouvindo musica e vendo filmes.
— Amanhã e nem vem com essa cara de talvez eu vá, você vai sim- Disse Lucy determinada.
— Vai começar às 19 horas sem hora pra terminar! – Disse Anny num gritinho animado. Ela estava usando uma calça social brando e uma blusinha de babados também branca e alguns brilhos.
— O que não tem hora pra terminar?
Aquela voz me deu arrepio na espinha, era da minha mãe, virei devagar e olhei para ela que estava curiosa, ainda bem, solto o ar devagar enquanto Lucy falava da festa que iria ter pra ela.
— Tudo bem Emmy, você pode ir, contanto que se divirta disse ela com um sorriso forçado. — sabia que mais tarde não importasse a hora que a festa acabasse iríamos ter outra conversa.
Volto a falar com as meninas é bom para me distrair dos meus problemas. Conversamos por mais alguns minutos e ouvimos a contagem regressiva.
Fico mais próxima da piscina e olho para a lua enquanto as meninas vão pra perto dos pais eu continuo lá, olhando pra lua.
10..9...8...7..
Fecho os olhos sentindo o vento no meu rosto.
6...5...4...3...
É estranho como sinto uma paz, que não sentia a muito tempo.
2..1...
— Quero criar asas e voar para a minha liberdade.- Digo como um sussurro.
FELIZ ANO NOVO!!!
Abro os olhos e vejo perto das árvores um homem do outro lado da piscina me observando com um copo de vinho em uma das mãos sorrindo, seu rosto era lindo quase angelical.
— Emile, onde você está? – Olho para trás, para onde o som da voz da minha mãe está vindo, quando olho de novo para frente o garoto não está mais lá. Olho para todos os lados e não o vejo, ele deve ter ido atrás dos pais e volto para dentro de casa.
— Estou aqui. – Digo a encontrando e abraçando – Feliz ano novo.- Ela se desfaz do meu abraço.
—Emile você ta amarrotando meu vestido. – Minha mãe esta com um vestido branco elegante de um ombro, com corte conservador, o vestido é todo de seda ate os pés com apenas o busto e uma faixa pra marcar a cintura com pedrarias.
— Vamos seu pai que vê-la ele acabou sair da reunião de emergência. – Abro um sorriso e deixo-a me guiar para a sala de reunião.
Ao chegar na porta que encontrava-se entreaberta avisto meu pai sorridente, ando rapidamente e o abraço forte. –Feliz ano novo papai — Sussurro em seu ouvido.
—Feliz ano novo minha Emmy. – Diz ele baixinho me soltando de seu abraço carinhoso.
10 Anos Atrás.
Ouço batidas baixas na minha porta, olho para o relógio, são 17 horas.
— Emmy... – Escuto a voz do meu pai e vou correndo abrir a porta.
— Oi minha princesa, cheguei em casa e não te encontrei em nenhum lugar- Diz ele entrando no meu quarto ligando a luz. – Emmy você andou chorando? – Abaixo a cabeça. – Querida, seu professor me ligou hoje me falando da sua nota extraordinária em redação e da indicação para um premio, porque essa carinha triste? — Me pergunta preocupado.
— Mamãe não quis saber de nada disso, só pra uma das suas amigas idiotas- com meu pai era diferente um respiro no meio da perfeição imaginária que era a minha vida.
— Não ligue pra isso, você é ótima e ela está muito preocupada com o jantar beneficente pra me ajudar nas eleições, por isso não fique assim, nos te amamos. – Abri um sorriso.
— Também te amo papai.
Dias Atuais.
A festa correu como o previsto e às três da manhã todos já tinham ido embora, estava exausta e tudo o que queria era deitar na minha cama e dormir, porem sabia que ia ter mais conversa pela frente sobre a festa na casa da Lucy, ela já tinha aceitado e eu agora não poderia mais recusar então meus planos caseiros já estavam arruinados.
— Emmy abra a porta! – minha mãe grita do outro lado ela odeia que tranque a porta, mas é o único jeito que encontro para ter privacidade.
Me levanto e abro a porta , ela logo entra — Você vai pra festa porque precisamos ter amizades fortes com o governador , porem não quero ver nada do que acontecer lá em revistas e jornais está me ouvindo? Aquelas meninas são muito escandalosas.
— Sim Senhora. – Digo com a voz cansada.
— E tire essa maquiagem antes de dormir.- Diz ela saindo do meu quarto.
— Ta bom mãe, boa noite.- Tranco a porta e vou me deitar.
Acabo sonhando com o homem angelical.
O rosto branco contrastante com os cabelos pretos era lindo de se ver, seus olhos escuros me observavam atentamente.
Sua blusa social branca agora estava aberta mostrando seu corpo definido porem brilhante, vou descendo meu olhar pela sua calca branca e olho para os seus pés descalços que não alcançam o chão. Volto o olhar assustada para o seu rosto agora sorridente.
Ele quer me dizer alguma coisa, mas quando seus lábios se abrem só escuto o barulho do despertador tocar, acordo ofegante e molhada de suor, porem não estou assustada.
— Que sonho doido foi esse?- Digo me sentando.
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