As malas já estavam prontas. Valter e Duda já haviam ido para o carro, faltava somente Petunia. Logo ela surgiu no topo da escada. Sua bolsa nas mãos e uma expressão no rosto que Harry não conseguiu decifrar.

Do topo da escada, Petunia olhou nos olhos de Harry. Seus lábios se contraíram e seus olhos desviaram dos de Harry rapidamente e voltaram-se para as paredes.

Petunia começou a descer os degraus lentamente, tentando aproveitar cada passo da última vez em que ela pisava naquela escada. E, ao chegar na base, ela olhou para Harry novamente. Ela parecia estar em conflito consigo mesma. Após alguns segundos, ela olhou para o chão e balançou a cabeça positivamente, como se estivesse discutindo consigo mesma se faria aquilo ou não.

— Sabe… – ela disse, olhando para Harry e travando por alguns segundos – Eu nunca… Eu nunca odiei Lílian. – Petúnia apertou a alça de sua bolsa com mais força. – A verdade é que eu sempre invejei sua mãe. Sempre tive vontade de fazer parte desse mundo tão incrível de vocês, e ter esse desejo negado me deixou com muita raiva e me fez fazer coisas horríveis a minha vida toda, primeiro com ela e depois com você.

Petunia desviou o olhar para o chão novamente.

— Quando Riddle matou Lílian… – sua voz estava ficando mais embargada – Mesmo antes de me contarem, eu já tinha sentido que algo ruim havia acontecido com ela. Eu não consigo explicar, mas me passou uma sensação ruim e eu fiquei jogada na cama o dia inteiro, preocupada e com uma dor no peito enorme. E quando me falaram o que tinha acontecido… Eu fiquei devastada. Você pode até pensar que eu nunca me importei com a morte de Lílian, mas naquele dia… Não foi só você que perdeu sua mãe… Eu perdi a minha irmã!

Petunia levou a mão esquerda aos olhos, secando uma lágrima.

— Ficar sabendo daquela notícia me fez perceber que, apesar de todas as brigas, eu nunca quis perdê-la. E, quando me disseram que ela tinha sido morta tentando te proteger, eu acabei culpando você, o que me fez te tratar ainda pior… Eu odiava você simplesmente por pensar que, se não fosse por você, minha irmã ainda estaria aqui…

Harry permaneceu em silêncio, absorvendo cada palavra de sua tia.

— Mas ontem, quando você me disse que as coisas estavam saindo de controle e que, apesar de você estar tentando derrotar Riddle, todos nós corríamos perigo… Eu me dei conta de algo…

O silêncio pairou no cômodo por alguns segundos, enquanto Petunia tentava colocar aquelas palavras para fora.

— Eu me dei conta… Eu me dei conta de que eu não quero perder você também. – Petunia falou baixinho, mas Harry conseguiu ouvir. – Você é tudo que sobrou de Lílian nesse mundo, e, apesar de tudo o que eu fiz com você… No final das contas… eu criei você desde um bebezinho. Apesar de a nossa relação familiar ser horrível, eu considero você como um filho… E agora você vai enfrentar esse que é talvez o mais poderoso e perigoso bruxo das trevas que já existiu… E os riscos são reais de algo acontecer! Então eu não quero cometer o mesmo erro de deixar mais um ente querido ir embora em maus termos comigo, achando que eu o odeio… Por isso eu gostaria de deixar uma coisa bem clara…

Ela pára um pouco, as palavras entaladas na garganta. Ela não iria pedir desculpas. Não fazia o estilo dela, e ela nem achava que merecia ser perdoada. Mas ela precisava resolver essa situação de algum jeito, ela precisava dizer algo…

— Eu… – ela não sabia se aquelas seriam as melhores palavras, mas é o melhor que ela conseguiria fazer. – Eu me arrependo. De tudo. Não acho que isso mude alguma coisa… Mas pelo menos isso não tá mais preso aqui dentro…

Ela observou Harry por alguns segundos, imaginando se ele teria alguma reação, mas Harry estava parado ali, talvez tão pasmo com a situação que nem soubesse como reagir.

Petunia imaginou que era isso, a conversa havia terminado ali mesmo. Ela virou o rosto na direção da porta, deu um suspiro e começou a andar. Porém logo sentiu a mão de Harry no seu ombro, impedindo-a de seguir.

— Tia… – Harry olhou para o rosto confuso de sua tia. – Tá tudo bem! – ele sorriu e puxou Petúnia para um abraço.

Petunia o apertou com força e depositou um beijo em sua testa. Os dois se soltaram e Petunia se virou pra ir embora.

Na porta ela parou novamente e virou para Harry.

— Boa sorte com Riddle… Espero que você não morra. – ela deu um sorriso tímido e seguiu para o carro.

Harry observou o carro partir, dando um sorriso, feliz em saber que o que restou da sua família estaria a salvo, e esperando que, apesar de tudo, eles fossem felizes em seu novo lar.

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