Notas iniciais
~Le autora se arratando~ Como vai pessoal? Espero que bem porque eu não estou. ~Risada mórbida~ As aulas começaram e é um caco de gente que vos fala agora.... Professores cruei, vida cruel... Trago o capítulo pra vocês... Mas se o próximo demorar mais do que o normal (mais de 10 dias) fiquem sabendo que não morri, muito provavelmente só estou enterrada em uma pilha de livros... HEHE ~Ataque de riso mórbido~ Vou ver se durmo agora... Qualquer erro com o capitulo coloquem nos reviews . Amo todos vocês

Quando Lovino acordou ele estava no mínimo desesperado. E nem precisou consultar o relógio para ter certeza do fato, apenas deu uma olhadela para medir o nível do desespero.

2:10

Não era tão grave...

Mas foi o suficiente para Lovino sentir o coração faltar uma batida, ele ainda estava com a roupa da viagem (calça jeans e camiseta), não podia simplesmente sair assim, era uma roupa demasiado simples, o achariam com cara de adolescente, ou pior, de criança.

Por outro lado também não podia perder o encontro, não faria sentido se arrumar todo se o espanhol fosse embora, e não causaria uma boa impressão se demorasse de mais.

Então, com sérios conflitos mentais, Lovino pegou a camisa de botão azul marinho e jogou-a por cima da camiseta branca estampada que usava, o jeans escuro podia não ser o ideal, mas era pelo menos discreto, no fim, pegou a chave, a carteira e o celular e saiu correndo parando a primeira gôndola que encontrou.

XXX

Antônio estava tranquilo, mais do que tranquilo, ele esta simplesmente “na boa”. Eram 5 pras 2 e ele estava confiante quando fechou a porta do seu apartamento.

No edifício onde morava não havia elevador, isso porque o prédio era construção antiga e o proprietário tinha medo de que com o início das obras, a estrutura do edifico poderia ser prejudicada.

Mas para os venezianos isso pouco importava, os italianos sempre foram um povo cheio de energia, alguns lances de escada não podiam matar ninguém, certo?

O tão falado prédio tinha exatamente 4 andares, então a subida e a descida nunca fora de fato um problema para os moradores, tinha até um certo charme conduzir as visitas pelos lances de escada de madeira, podia puxar papo com a vizinha, encontrar um amigo, enrolar para deixar o namorado...

A escadaria de fato não incomodava ninguém, exceto é claro em dias de compra, para esses dias foi instalado um pequeno elevador de mão,(com o consentimento do proprietário) onde as pessoas colocavam as sacolas e elas eram içadas por uma corda. Era o mesmo principio do elevador normal, só que menor e menos prejudicial á estrutura delicada dos apartamentos.

Antônio desceu o ultimo lance de escada com seu sorriso de holofote no rosto, deu boa tarde ao porteiro quase cantando, e saiu para a rua cantarolando uma melodia baixa. Estava um dia espantosamente bonito, as chaves rodavam em seus dedos e batiam dando o ritmo da música.

Quase não se escutava o barulho do sapatênis batendo na pedra tamanha a leveza de seus passos, usava também uma bermuda xadrez cinza e uma camiseta estampada com a frase “¿Por qué no te callas?”, uma pequena homenagem sua ao presidente da Venezuela.

As pessoas que passavam ao seu redor facilmente notavam a aura confiante e motivadora, e de fato nada poderia estragar seu dia.

Enquanto caminhava, o espanhol se recusou a imaginar pela milésima vez como seria o encontro com Lovino, se ele estaria calmo ou nervoso, se pedisse um suco ou um refrigerante, se fosse falar da fazenda ou dele mesmo, se não diria nada...

Todas as possibilidades já passaram pela cabeça durante as noites de mal dormidas e qualquer tempo livre que tivesse, e apesar disso uma parecia tão provável quanto a outra. Afinal, Lovino era uma pessoa extremamente imprevisível.

Já descendo da gôndola, Antônio localizou o café na esquina seguinte, e daquela distancia já tentou localizar Lovino com o olhar...

Ao que parecia Lovino ainda não havia chegado. O espanhol então simplesmente se sentou do lado de fora e ficou olhando a rua. Em alguns minutos um garçom jovem veio lhe atender, ele era parecidíssimo com Lovino. Seriam eles parentes?

–Já fez seu pedido, senhor? – Disse o garçom com um sorriso educado.

–Não, estou esperando alguém – E apontou para a rua em algum ponto aleatório.

O garçom concordou com a cabeça enquanto se virava, e por um instante Antônio pôde jurar que viu um sorriso discreto em seus lábios.

O espanhol se acomodou melhor na cadeira enquanto checava ansiosamente os dois lados da rua. Agora só precisava aguardar.

XXX

Lovino estava esbaforido.

Esbaforido e extremamente irritado.

Isso sem falar no nervosismo.

O italiano corria freneticamente pelas ruas de Veneza enquanto tentava inutilmente arrumar a gola da camisa.

Já perdera muito tempo com o barco/ónibus logo alí atrás.

Lovino bem sabia, assim como todos os venezianos que barco nunca fora um dos transportes mais rápidos do mundo, porém ESSE em especial estava excepcionalmente lerdo, seja por culpa do barqueiro ou por culpa do motor. A cada minuto que passava Lovino tinha mais vontade de dar uns bons chutes no maquinista do vaporetto, que por sua vez parecia extremamente calmo e ao mesmo tempo em que guiava o barco, ia cumprimentando os amigos barqueiros com um aceno de mão e um sorriso animado.

Para Lovino isso era o fim do mundo!

Ele conseguia ser mais irritante que o próprio António! Isso porque todas as vezes que Lovino pedia para ir mais rápido o homem simplesmente balançava a cabeça e dizia:

–“questa è la velocità massima consentita”

Que se dane a velocidade máxima! Que se dane esse Vaporetto! Que se dane essa cidade e suas leis de transito! Tudo o que Lovino queria era chutar aquele bastardo para fora do barco e dirigir como um bom romano aquela banheira á mil por hora até o café!

Mas isso infelizmente não aconteceu.

O barco nem bem se encostou no ponto e Lovino já descia sem nem olhar para trás, à partir daí começara uma corrida frenética até o local combinado.

Os sapatos praticamente massacravam as pobres pedrinhas do asfalto enquanto Lovino desviava das pessoas gritando e gesticulando loucamente.

–Scusami! Scusami!

Depois de um pouco de esforço e muitos palavrões internos e externos, eis que avista com louvor as mesinhas pretas com toalhinhas vermelhas do café, e passando o olhar de relance pelas pessoas alí presentes, avista um calmo espanhol com um olhar perdido á sua espera.

XXX

Antônio tamborilava os dedos no tampo da mesa com calma enquanto cantarolava qualquer coisa aleatória. Seu olhar estava perdido em algum ponto da rua enquanto um grupo de senhorinhas passava animado tirando muitas fotos, apostava consigo mesmo que aparecera em pelo menos duas delas.

Seu olhar vagueava pela rua quando em um ponto distante avistou m homem correndo desesperadamente, logo Antônio se pegou observando-o...Seus olhos se estreitaram, ele se parecia muito com Lovino... Sim! Era definidamente Lovino!

O espanhol instantaneamente se levantou e começou á acenar animadamente como uma criança que quer chamar a atenção dos pais.

–Lovino! Lovino! – E balançava a mão.

Assim que avistou o outro, o italiano passou de “desesperadamente nervoso” para “calmamente radiante”, deixou de correr e passou á andar com toda calma do mundo pelo pequeno trecho que os separava, passou a mão pela camisa aberta no fim de alisa-la e decidiu que a deixaria assim, e embora as sobrancelhas ainda permanecessem franzidas e as bochechas levemente avermelhadas, tentou abrir um sorriso que pareceu de tudo menos amigável.

Assim a distancia entre os dois foi vencida e depois de um singelo “ oi...” por parte de Lovino e um “Olá!” gritante por parte de Antônio, ambos se sentaram na mesa. O italiano passou a mão pelos cabelos um pouco desgrenhados e umedecidos de suor por causa da corrida, depois de alguns segundos sentado ao sol, Lovino começou a se sentir incomodado com a camisa de manga comprida que vestia, mas ficou na dúvida se a tirava e revelava a parte de trás amassada da blusa de baixo ou se passava calor e suava como um pote novo.

Antônio percebendo o desconforto do outro sugeriu gentilmente que se sentassem dentro do café (com ar condicionado).

Lovino aceitou na mesma hora.

O espanhol e o italiano entraram no estabelecimento e se sentaram em uma mesa estrategicamente na mira da janelinha da cozinha, bem no meio do salão, é claro que nenhum dos dois imaginava o quão benéfico esse ato seria para uma terceira pessoa.

XXX

Enquanto isso da cozinha, Francis comemorava internamente.

–Finalmente... – Exclamava baixinho enquanto tentava decorar bolinhos com glacê colorido.

O francês estava muito feliz com a mudança de localização do casal. Quando estavam do lado de fora, Francis não conseguia enxerga-los muito bem, sempre passava na sua frente um garçom, ou um cliente dando altas gargalhadas, ou então algumas mocinhas que riam histericamente, tudo isso o impossibilitava de observar os movimentos de Antônio e de seu tão falado par, Lovino.

Até agora, o pequeno lhe pareceu um pouco tímido e ao mesmo tempo bonito, se não desse certo com Antônio, (e se já não tivesse Arthur), tentaria ele mesmo com o italiano. Porém, além de todos esses motivos, Francis sabia que nunca teria chance... Antônio sabia ser bastante insistente quando queria, isso sem falar no charme e astúcia. Porque para seguir o menino da Espanha até a Itália, era preciso mais do que uma boa dose de loucura e determinação, coisa que Antônio tinha de sobra.

Neste momento Francis que temperava uma massa de bolinho percebe a aproximação de Feliciano á mesa, o italiano sorri para o casal e enquanto Antônio parece bastaste tranquilo, seu par Lovino começou á se mexer desconfortavelmente na cadeira.

Francis não ouviu os pedidos, mas sabia exatamente o que fazer. Já tinha instruído á Feliciano que oferecesse ao par o prato especial de tomates que ele e Antônio haviam bolado.

E todos sabiam, não havia como recusar um pedido de Feliciano.

Quando o italiano voltou á cozinha sorridente, Francis deu uma leve piscadela, sendo correspondido pelo garçom que se sentava em uma banqueta. Francis por sua vez pegou um pequeno embrulho de debaixo da bancada e colocou no micro-ondas. Enquanto apertava os botões com o tempo programado no aparelho, o cozinheiro pôde perceber pelo conto do olho que o italiano em vez de voltar para o salão e atender a outras mesas simplesmente se debruçou à bancada(ainda sentado na banqueta) e começou á olhar exclusivamente para o casal pela janelinha da cozinha.

Francis achou curioso:

L'amour ... l'amour est si belle – Se aproximou cantando em sua língua materna.

Feliciano sorriu para si enquanto o francês também se debruçava na bancada, ambos olhava ternamente para o casal. Antônio havia começado á falar de algum assunto realmente interessante para si, pois enquanto falava chaqualhava as mãos para cima e para baixo, Lovino por outro lado olhava fixamente para camiseta do rapaz e o rubor em seu rosto crescia ainda mais. Francis não sabia se por causa da conversa, ou dos músculos que seu amigo possuía debaixo da blusa.

Feliciano deu um longo suspiro ao seu lado, como se estivesse vendo algum tipo de acontecimento extremamente raro e não quisesse perder um minuto.

Francis neste momento percebeu um detalhe muito importante, Lovino, o rapaz da mesa tinha quase o mesmo roto de Feliciano, talvez fosse um pouco mais franzino e a cor dos olhos não fosse igual, mas ambos tinham o rosto arredondado, o nariz pequeno, e um fio estranhamente rebelde e enrolado.

Um estalido ecoou em sua mente.

Sim sim, agora entendia perfeitamente, deviam ser parentes... Por isso o interesse de Feliciano no casal. Será que ele tivera alguma coisa a ver com o local do encontro, o Café Central?

O micro-ondas apitara e tanto o francês quanto o italiano olharam para ele, Francis se dirigiu até o aparelho e colocou o conteúdo do embrulho em dois pratos extremamente brancos, depois dirigiu-se a Feliciano que se aprontava parar carrega-los em uma bandeja, Francis colocou ambos em cima e antes que o italiano pudesse sair, Francis o segurou pelo braço com um sorriso matreiro. De repente, (sabe-se lá de onde) o cozinheiro tirou uma rosa de plástico vermelha muito bem decorada e colocou-a dentro de um copo vazio de champanhe. Feliciano sorriu como quem tinha entendido tudo e arrumou o copo entre os dois pratos.

Como quem é cumplice de um crime, ambos sorriram e Francis disse para si mesmo enquanto Feliciano saia:

–É preciso ovos para fazer omelete.

Notas finais
kisses :3