Notas iniciais
Gostaria de agradecer á TheKuroNeko13Meh pela maravilhosa recomendação, estou radiante, nunca recebi nada do tipo em toda minha vida... Isso me deu um ânimo estupendo para terminar esse capitulo, espero que gostem e bom proveito!

Depois de deixar os convidados no quarto resolvendo seus problemas (Roderich ainda não aceitara a proposta de divisão do colchão), Ludwig foi para a cozinha preparar um pequeno café para seus hóspedes.

Claro que o alemão não cozinhava sempre, então por questões de comodidade e praticidade tirou um bolinho do armário e deixou a cafeteira trabalhando. Depois puxou uma toalha e estendeu sobre a mesa recentemente comprada, colocou os pratos e talheres, por ultimo arrumou as xicaras e deixou o bule de café por perto, junto com o bolo.

Os visitantes vieram atraídos pelo cheiro, e assim que Roderich viu o modesto café logo foi buscar uma coisa na sua mala, deixando Gilbert se sentar junto com o irmão.

–Hey, West, é uma bela casa essa não? É grande até... – Começou Gilbert servindo um pouco de café.

–Está sem açúcar – Comentou Ludwig apontando um pequeno potinho no meio da mesa que ninguém tinha percebido – Não sabia o tanto que o Roderich costuma colocar.

–Ele põe pouco também – Respondeu Gilbert colocando uma pequena colherzinha de açúcar e mexendo em seguida. – Falando no diabo...

Roderich voltou á mesa nesse momento com um pequeno embrulho em mãos, Gilbert olhava curioso para o moreno, nunca tinha visto aquele embrulho na vida.

–Para você Ludwig, em agradecimento pela acomodação.

Ludwig se levantou e pegou o presente, sentando-se à mesa junto com Roderich para abri-lo, Gilbert esticou o olho para o lado do irmão.

Depois de rasgar o pomposo embrulho azul marinho, o alemão se deparou com uma coleção de chocolates austríacos muito caros na Itália, ele sempre gostara desses bombons, mas comprava só de vez em quando.

–Muito obrigado, gosto muito desses chocolates.

–São feitos de chocolate ao leite com nozes colhidas na Turquia durante o primeiro mês de colheita...

–Tá tá, jovem mestre, não precisa passar a ficha técnica do produto, apenas me diga porque você não me contou antes que tinha trazido – Resmungou um Gilbert visivelmente enciumado.

–Porque se eu tivesse te dito, você teria comido tudo sozinho – Disse calmamente Roderich se servindo de uma xicara de café. – Oh! Sem açúcar...

–Pegue ali – Respondeu Ludwig cortês, ainda bastante feliz pelos chocolates.

Então a refeição seguiu em silêncio, só quebrado pelo barulho das xicaras pousando nos pires e do bolo sendo cortado.

Faltava apenas uma fatia para o fim do bolo, Ludwig estava na metade do seu pedaço enquanto Roderich e Gilbert já haviam terminado o deles, ambos olhavam o pedaço restante como um predador olha para a sua presa, e em um movimento rápido Gilbert pegou a faca, porém Roderich foi mais rápido e deixando seus modos aristocráticos, pegou o pedaço com a ponta dos dedos e o colocou em seu prato.

O albino sorriu:

–Então é assim né, jovem mestre?

–Tudo para vencer. – Roderich deu um sorrisinho e mordeu seu premio com um olhar orgulhoso. Mas o sabor da vitória isso não durou muito, logo Gilbert agarrou a mão do austríaco e antes que esse pudesse protestar o albino já havia comido a parte remanescente do bolo, engolindo-a logo em seguida, e para finalizar seu show, aproveitando-se da proximidade deu um pequeno selinho na boca de deu namorado, o fazendo corar.

–Tudo para vencer ... – Repetiu o albino se ajeitando no lugar

Ludwig deixou o pedaço de bolo na sua mão cair no prato, atraindo a atenção de ambos, seu rosto era a personificação da surpresa.

–Vocês ... estão saindo???

–Sim, ora! Você não sabia? – Disse Gilbert neutro quanto o irmão balançava a cabeça lentamente em negação, seu queixo caiu.

–Mas eu lhe contei! Mandei mensagem!

–Faz quanto tempo?

–Um... ano e meio – Respondeu dessa vez o austrico vermelho e perplexo com a desinformação.

Ludwig raciocinou um pouco, o que ele podia estar fazendo a um ano e meio que o fez esquecer do namorado do irmão? Ah! Lembrara-se! Foi durante as férias na Áustria de Gilbert.

Naquela época Gilbert tinha ido á Áustria e muito provavelmente ficara na casa de Roderich, enquanto Ludwig tinha ficado na Alemanha junto com o avô, o problema era que naquela época seu irmão lhe mandava mensagem a cada 10min, e depois de alguns dias assim, o alemão passou á simplesmente excluí-las. Não porque não gostava do irmão, ou não ligava para ele, longe disso, o motivo era que assunto contido nas mensagens era tão banal que passavam a não ter importância nenhuma.

Eram coisas mais ou menos assim:

“Hei Luddy, hoje eu estava na rua e pisei um uma poça de agua, molhei todo o meu tênis novo, que droga não?”

Quando voltou para a Alemanha, Gilbert não tinha comentado nenhuma vez sobre Roderich de um jeito que sugerisse algo, apenas dissera que fora divertido e a noite sempre contava alguma história engraçada dos dias passados. Ludwig também nunca tivera contato direto com Roderich, muito menos com a família Eldstein porque era sempre Gilbert á viajar, então realmente, não tinha como o alemão saber.

Voltando á mesa, Ludwig pediu desculpas ao irmão contando o que tinha acontecido. No fim da história, o austríaco deu um pequeno risinho sendo logo abafado pela mão enquanto dizia baixo um “you fool”. Gilbert por outro lado fazia uma cara de ultrajado (com mão no peito e tudo) tão exagerada que chegava a ser cómico.

No fim os três arrumaram a mesa e Ludwig olhou no relógio, estava quase no fim do expediente de Feliciano, eles ainda deviam sair mais uma vez. O alemão olhou para os convidados e comunicou-os que tinha que sair e que provavelmente só voltaria para casa á noite.

Roderich assentiu perguntado qual era a torneira quente do chuveiro, “a direita”, enquanto que Gilbert que lavava a louça (depois de muita insistência por parte do albino, pois seu irmão não gostava de dar trabalho ás visitas) soltou um risinho e um “garanhão” deixando um Ludwig todo vermelho caminhando até seu guarda roupa.

Eram cinco para sete quando Ludwig saiu de casa.

XXX

Feliciano estava saindo do café pela porta dos fundos como sempre fazia, seu turno já tinha terminado e ele ficava se perguntado se Ludwig viria pega-lo ou qualquer coisa assim.

Quando deu a volta no prédio, viu ao longe uma figura alta se afastando, Feliciano achou que fosse mais alguma de suas alucinações, aquele homem de costas parecia muito com Ludwig.

Parecia não, era Ludwig. E ele estava indo embora!

O italiano pensou em chama-lo ou então correr até ele, mas teve uma ideia melhor, bem melhor...

XXX

Ludwig estava visivelmente frustrado, andava pela rua naquele fim de tarde com o humor nebuloso, olhou de relance para o buquê de margaridas em uma de suas mãos.

Ele nem sabia por que tinha comprado um, aquilo não era um encontro, e buquês só funcionavam com garotas, certo?

Se não tivesse passado tanto tempo na floricultura não teria perdido Feliciano, e ele nem sabia onde esse homem morava.

Enquanto tinha Ludwig tinha conflitos internos, alguma coisa o agarrou por trás, o alemão ficou rígido.

XXX

Aquela tinha sido sua melhor ideia em tempos, Feliciano estava convicto disso.

Ele tinha espreitado o alemão durante todo o percurso e aproveitado um momento de distração, o agarrara por trás e agora sorria contra as costas do outro.

P-E-R-F-E-I-T-O

Mas então uma coisa muito rápida aconteceu, em um momento ele estava grudado á Ludwig e no outro estava caído com as costas no chão cercado por margaridas e com a cabeça doendo.

Ludwig acabara de acertá-lo com o buquê.

Assim que percebeu o que fez o alemão entrou em pânico e correu até o outro desesperado, ele nunca teria imaginado que fosse seu querido Feliciano quem o surpreendera, as únicas coisas que passaram por sua cabeça foram: “ou marginal ou prostituta”

Ele não gostou de nenhuma das opções.

Assim que se aproximou do italiano, Ludwig percebeu que ele estava consciente.

Ótimo, ao menos isso.

Depois tentou levantá-lo e se desculpar.

Pegou em ambas as mãos dele e fez força, erguendo aquele corpo surpreendentemente leve.

–Feliciano, me desculpe, eu não fazia ideia que era você. Não foi minha intensão...

–Tudo bem...-Feliciano ainda estava meio zonzo, era impressionante a força daquele homem — Eu é que te peguei de surpresa.

Ambos deram um risinho nervoso e um clima estranho pairava no ar. Feliciano então começou a limpar a roupa e se deu conta da quantidade de margaridas no chão e em sua camisa.

–Essas margaridas... Eram para mim?

Ludwig corou e olhou para ao chão, percebendo que perdera todo o buquê.

–B-b-b-bom – Ludwig limpou a garganta numa tentativa de não gaguejar mais – Eram... para descontrair.

Feliciano ficou feliz e um enorme sorriso se apossou de sua face, logo o sorriso se tornou uma gargalhada tão sincera que era impossível não rir junto, Ludwig não se conteve e logo estavam os dois rindo espalhafatosamente na calçada, atraindo a atenção dos outros pedestres.

Quando o riso acabou, Ludwig recolheu algumas lagrimas dos olhos e perguntou:

–Porque estávamos rindo?

Feliciano ainda deu mais uns dois um três risinhos antes de responder

–Essa foi a forma mais inusitada de entregar um buquê que eu já vi.

Ambos riram mais uma vez.

XXX

Aquele fim de tarde estava mais belo que Ludwig e Feliciano poderiam imaginar, no céu alaranjado dançavam nuvens coloridas de rosa e violáceo ao mesmo tempo em que raios dourados tingiam a aurora.

Ludwig andava sem jeito pelas ruas ainda um pouco vermelho pelo ocorrido, já Feliciano estava com os pés mais leves que o de costume, e sempre que podia tentava puxar conversa com o alemão deixando que ele o guiasse.

O loiro por outro lado não fazia a menor ideia de onde levar o italiano, pois todos os restaurantes daquela cidade ou estavam lotados e barulhentos ou eram caros demais para que ele pagasse, ele não podia simplesmente andar em círculos com o outro, isso era impensável.

Eis que veio a uma ideia, ele correu para um mercadinho próximo e pediu que Feliciano ficasse na porta, o outro obedeceu, e depois de cumprimentar o dono com um aceno de mão, ficou observando a portinha pela qual o outro entrara.

Vinte minutos depois lá vinha o loiro novamente com varias sacolas em mãos.

Ludwig por milagre se lembrou de um garçom ruivo, do café do centro e daquele papo sem compromisso:

Existe uma ruelazinha virando nessa primeira aqui que se o senhor seguir até o final, vai ter uma boa visão do canal. Como é afastado dos pontos principais, não existem muitos turistas por lá

Agradeceu mais uma vez á sua memória e com um sorriso guiou Feliciano pelo caminho, este o olhava cada vez mais curioso e tentava á todo custo espiar dentro da sacola.

Era a vez de Ludwig dar o troco.

Depois de andarem de volta até o café do Centro, Feliciano começou á pensar que eles se sentariam por alí mesmo, então quando estava prestes a dizer para Ludwig que não possuía a chave para abrir, o alemão deu um sorriso enigmático e começou á descer a rua em direção á uma ruela bem estreita.

Feliciano não costumava passar por alí, na verdade, nem se lembrava quando foi a ultima vez que fizera isso.

“Bene”, disse consigo mesmo, “vamos ver onde isso vai dar.”

O italiano amava Veneza e não havia nada que o fascinasse mais do que descobrir novas facetas da cidade, ele sabia que Veneza nunca fora um lugar muito grande, mas vivia em constante mudança, gente que vinha, gente que vai, Veneza era uma cidade de mil faces.

Na entrada da estreita ruela, Feliciano não conseguia ver muita coisa a não ser os ombros largos de Ludwig á sua frente, seus cabelos loiros e os muros altos das casas, os seus sapatos batiam nas pedras e ele tomava cuidado para não pisar em alguma coisa solta e cair, um risco considerável visto que aqueles ladrilhos pareciam não ver um reparo á um bom tempo.

De vez em quando batia a mão em algum vaso de flor na janela alheia que por pouco não caía, às vezes via algum bichano andando por detrás das cortinas, e a pouca claridade do dia não estava favorecendo muito, a curiosidade só aumentava.

Ludwig por outro lado estava cada vez mais inseguro, nunca tinha ido á aquela parte da cidade e estava com medo de acabar em algum lugar pulguento ou perigoso. Considerava se não era tarde para voltar e pagar caro em algum restaurante á beira do canal, assim pelo menos ficavam mais tranquilos.

Mas não. Alguma coisa em sua cabeça dizia que deveria continuar, deveria ver onde dava aquele caminho, se fosse um lugar ruim aquele garçom não teria indicado com tamanha segurança, certo?

A intuição do alemão estava certa, logo ambos puderam sentir uma brisa marítima tocar sua pele, em Feliciano tocou o cabelo porque Ludwig estava na frente. Assim que as paredes acabaram uma pequena pracinha surgiu á sua frente. Não era um lugar grande, na verdade, só tinha duas árvores e uns banquinhos de madeira de aparência frágil, uma mesinha de pedra ficava no centro dando um ar simples ao ambiente, o chão de pedra desgastada em algumas partes cheia de muco se estendia por mais uns dois metros depois das arvores para sair em uma grade baixa que dava vista para o Piazza de São Marcos bem ao fundo e ao mar.

Um pequeno postinho com uma luz amarelada dava mais charme do que claridade ao ambiente.

Ludwig colocou as sacolinhas em uma das banquetas centrais enquanto deixava que Feliciano observasse a paisagem.

É belíssimo – Os olhos âmbar brilhavam – Como conhece esse lugar?

–Sorte eu acho... – Ludwig sorriu consigo mesmo, fora realmente um golpe de sorte...

–Vamos comer? Ouvi dizer que os italianos adoram conversar enquanto comem – Disse Ludwig fazendo um gesto para que o outro se sentasse no banco á sua frente.

–Ouviu bem – Respondeu Feli com um sorriso.

O alemão tirou de uma das sacolas velas, e assim que recebeu um olhar enigmático de Feliciano tratou logo de soltar um “ Comer no escuro não faz bem á saude” e um “lanternas não são confiáveis”, Feliciano sorriu mais e olhou para o postinho que piscava de vez em quando.

Ludwig deu uma limpadinha com a mão na mesa improvisada e estendeu uma toalha de cozinha, depois colocou as velas acendendo-as. Em seguida tirou alguns pratos de plástico e copinhos descartáveis “Não encontrei os de vidro” e tirou vários tipos de comidas prontas em tupperwares, tudo comprado no mercado.

Uma salada fria, uma carne seca, e na falta de batatas e arroz, comprou macarrão pronto também.

De outra sacola tirou talheres descartáveis e uma garrafa de vinho.

Só depois de ter tudo arrumado é que se sentou para comer enquanto via Feliciano agarrar o potinho com o macarrão e colocar uma boa quantidade em seu prato.

No céu surgiam as primeiras estrelas daquela noite repleta de promessas.

Notas finais
É muito tarde para desejar um Feliz Ano Novo?