As várias faces de Aizawa
1 Prólogo
Notas iniciais
Falando nisso, o mangaká de BNHA tem uma criatividade para nomes que vou dizer hein... Todoroki Shouto, Aizawa Shouta! S?“ MUDA UMA MÍSERA LETRA! Ai, ai viu. Mas ainda assim, amo BNHA e eu amo os dois personagens, todo mundo!
Enfim, sem enrolar, eu espero que gostem dessa fanfic, o comecinho dela é meio... Bom, não vou dizer muito, senão estraga a magia. :v
Sua pele morena continha uma galáxia; em forma de pequenos pontinhos em tons marrons e pretos espalhadas por suas costas, que vez ou outra em me perdia contando-as à medida que seu corpo nu encontrava-se ao meu lado nas manhãs quentes e frias. Eu me perdia nos detalhes que você, por completa, me proporcionava. Aquele aroma doce, combinava perfeitamente com sua personalidade, gosto e textura. Você era um doce viciante ao qual, infelizmente… tive o desgosto de ver partir. E eu nunca entendi o motivo ou sequer soube se existiu um…
(...)
É uma manhã como qualquer outra. Acordar, tomar um café da manhã reforçado, me arrumar e partir para o trabalho. Rotina ao qual sempre fora muito acostumado e admito que eu não poderia pedir coisa melhor, pois como exerço a profissão de professor, a minha rotina dentro dela sempre fora recheado de novidades e se não houvesse, meus alunos fariam questão de torná-lo agitado por conta de suas brincadeiras e a ansiedade de um futuro que os aguardava. Porém, por algum motivo, sentia meu estômago embrulhar e um misto de nervosismo e pânico estava se assolando no meu interior. Sentei sobre a cadeira giratória que a sala do Diretor fornecia. Havia recebido um “convite” para comparecer em sua sala, o que é bastante inusitado de sua parte, pois se o problema fosse meus alunos, eu mesmo poderia tomar uma medida provisória a respeito até que tudo se acalmasse, contudo, estar sozinho e encarando os vários certificados que ele se dispunha em mostrar na parede atrás de sua poltrona, me acarretava diversos pensamentos, desde bons aos ruins e isso me deixava estressado.
— Vejo que chegou. — A voz do Diretor soou assim que a porta se abriu. Ele é pequeno e rechonchudo, poderia se dizer que ele transmitia a fragilidade de um roedor, porém era sério que nem um urso e isso nos amedrontava um pouco. — Deve estar se perguntando o motivo de estar aqui, suponho.
— Sabe, não sou acostumado a ser chamado pelo próprio Diretor da Yuuei tão pouco das aulas começarem, entende? — Brinquei, arrancando uma curta risada do mesmo e eu não contive a minha também.
— Aizawa… — Pronunciou meu nome assim que sentou-se em sua poltrona. — Somos bons amigos, assim como você e Toshinori e é claro, o Yamada. Foram meus alunos e agora, somos uma equipe. Exercemos nossas funções em prol de nossos alunos para que consigam se adaptar a sociedade. — Como o conhecia, suas palavras sempre eram bastante profundas e não pode faltar um pouco de sentimentalismo como Diretor que ama os pequenos brotos. — No entanto, entre nós quatro, sabemos das dificuldades que passou dois anos atrás… — Aquele assunto… Esse assunto. — Sei que é ainda bastante desconfortável tocar no assunto, contudo, esta manhã, recebi uma carta.
— Uma carta? — Indaguei um pouco confuso. Logo ele me estendeu um envelope branco e eu hesitei em abri-la, mas recebi permissão do mais velho. — É a… Ela está…
Era como se um buraco tivesse surgido bem abaixo de mim. É a letra dela, reconheceria em qualquer lugar. Não, não estou pronto para ler isso. Não agora.
Me levantei abruptamente da cadeira, estendendo a carta sobre a mesa. Visivelmente frustrado e confuso. Por que ela mandaria uma carta para o Diretor? Bom, naturalmente como ex-professora que já lecionou na Yuuei, de fato poderia mandar uma carta a ele, mas…
— Acalma-se, Aizawa. — O Diretor se pronunciou de maneira mansa. — Eu também não compreendi de início, mas acredito que deve haver um motivo e eu irei pedir que guarde esta carta.
— O que? — O encarei transtornado.
— Não precisa ler a carta, não agora, mas acredito que ela pertence a você. — Completou, sua expressão estava calma, mas sua voz o entregava. Havia um teor de tristeza.
— Nezu e-
— Por favor, fique. — Inquiriu.
Eu gostaria de negar, mas… Era uma carta dela. Sua letra, seu perfume. Merda!
Peguei a maldita da carta e a esmaguei no bolso de minha calça. Logo, saí frustrado da sala do Diretor, este que não disse mais nada e me deixou partir. Conforme eu andava, os passos que antes eram rápidos, diminuíram gradativamente até eu me recostar na parede do corredor. Aquele era um sinal de que… Ela havia falecido. Sim, eu sabia. Ela já havia me dito ou dados sinais sobre. E aceitar isso era a pior parte. E aceitar que não a conhecia, me deixou irado.
Soquei a parede com um pouco de força, sentindo logo a dor latejar pela região e seguir um pouco até o meu braço.
— Aizawa? — A voz de Yamada soou um pouco surpreso e preocupado. — O que houve, amigo? — Ele se aproximou e como ele era um dos que sabia, junto de Toshinori, entreguei-lhe a carta e após o mesmo abrir, ele mostrou-se eufórico. — I-isto é…
— Exatamente.
(...)
Estávamos na sala de descanso, onde poucos minutos depois, Toshinori se reuniu um pouco assustado pela mensagem de Yamada. Aposto que ele deve ter exagerado na notícia, pois o loiro estava ofegante.
— Como assim ela mandou uma carta? — Foi a primeira coisa que ele proferiu ao abrir a porta de maneira brusca.
— Acalme-se, é só uma carta. — Disse um pouco indiferente, ao menos eu estava tentando ser.
— Como é que você pode ser tão descarado, Shouta? — Foi a vez de Yamada de dizer algo e estava até um pouco bravo pela maneira que eu estava agindo. — É uma carta da Anne! Você deveria estar mostrando mais importância a isso!
Yamada talvez tivesse sua total razão mas, emoções sempre foram um obstáculo e se tratando de Anne, a mulher cujo me proporcionou os cinco anos mais incríveis da minha vida, ainda era mais difícil. Toshinori acalmou os ânimos do nosso amigo que ficou visivelmente frustrado em não conseguir dizer o que pensava. E de fato, não adiantaria nada naquela minha atual situação.
— Se você recebeu uma carta dela, isto significa que… — Me olhar se dirigiu ao Toshinori, que se reprimiu em continuar a falar. — Eu sinto muito, Aizawa. — Finalizou com um tom cheio de pesar.
— Não é como se eu pudesse ter feito algo, levando em conta que não conhecia seu passado e a aceitei em minha vida sem muitos questionamentos.
Ninguém proferiu uma palavra, concordávamos que de fato não havia muito o que se fazer sabendo que Anne havia sumido por dois anos, entretanto, carregamos o mesmo sentimento de… Se naqueles cinco anos, soubéssemos de algo, nós poderíamos ter mudado algo? Ela poderia continuar viva? Nunca saberemos, afinal… Anne havia falecido e na manhã seguinte, sua morte foi anunciada nos jornais.
Um acidente de carro.
Ela estava viajando de carro para cá, Masutafu, em alta velocidade. Porém, perdeu o controle do veículo e bateu de frente a um caminhão. Saber daquilo me fez pensar que ela talvez estivesse tentando me encontrar novamente e no fim…
Joguei a caneca que segurava com café e a joguei na televisão.
Foi a primeira vez que chorei depois de anos, nem mesmo quando Anne me deixou eu me permiti derramar uma lágrima, pois tinha a expectativa que nós iríamos nos ver novamente. Agora tenho a certeza de que não haverá um nós outra vez.
(...)
Três anos depois…
Acordei em um sobressalto, acabando por cair da cama ao escutar o meu celular tocar feito louco. Irritado, atendi o celular em um tom grosseiro.
— Hey, calma lá amigo! — Yamada… — Estou ligando pois como é seu aniversário e dia de folga do trabalho, que tal uma saidinha mais tarde? Beber e quem sabe, pegar algumas garotas?
— Você brigou com a sua namoradinha? — Retruquei um pouco irritado. — Não me meta nos seus assuntos e se ela te expulsou de casa, acredito que ela tem sua total razão.
O escutei reclamar por longos minutos, enquanto me xingava por apoiá-la.
— Mas não foi por isso que eu liguei! — Disse assim que se recompôs. — Vamos lá Shouta, só uma saidinha, beber casualmente.
— Nós fazemos isso quase todos os dias e no final, quem o leva para casa sou eu. — Praguejei. — Toshinori vai para casa antes das onze horas e quem tem que acompanhá-lo nas altas doses de cerveja, repetindo, sou eu.
— Não seja assim… Vai ser diferente dess-
Desliguei o celular.
É o meu dia de folga — e como ele disse, aniversário — e nada mais justo do que aproveitá-lo sozinho. Sabia que Yamada estava apenas preocupado, desde as notícias, tudo o que ele faz é me tirar da casa com medo de que eu acabe fazendo algo impensado. Acredito eu, que de certa forma, sua preocupação exagerada é de fato, cheia de importância. Com nossas saídas, não tenho tempo de pensar em algo.
Meus pensamentos são interrompidos pelo soar da minha campainha.
Eu morava em um pequeno complexo de apartamentos em um bairro não muito movimentado, o que era perfeito para alguém como eu, que vivia cansado por conta do trabalho.
Pelo que me recordo, o apartamento ao lado estava vazio. O inquilino anterior mudou-se para outra cidade por conta do trabalho, apesar disso, nunca conversamos muito. Imagino que pela barulheira do dia anterior, alguém o ocupou.
Abri a porta e uma mulher de cabelos castanhos escuros sorria para mim. Sua orbes violetas me fitavam e pisquei algumas vezes para entender o que se passava. Logo, meu pensamento foi interrompido por alguns puxões na minha calça. Direcionei meu olhar para baixo e vejo uma pequena garota de cabelos brancos e olhos de íris vermelhas.
— Tio! — Exclamou, o que me fez ficar um pouco acuado. — Eu me chamo Eri, a mamãe e eu nos mudamos para o apartamento ao lado e nós lhe trouxemos um bolo!
A pequena garota, Eri, me estendeu uma forma de bolo, mas parecia faltar um pedaço.
— Me perdoe, minha filha adora doces e insistiu em querer um pedaço. — Agora foi a vez da mãe se pronunciar e eu apenas aceitei o bolo sem muitos problemas, as agradecendo. — Eu me chamo Yari e como Eri disse, nos mudamos para cá hoje. Aliás, nos perdoe qualquer barulho que houve ontem à tarde, pois soubemos que nossas coisas haviam chego.
— Não há problema, fazia algum tempo que as coisas não se encontravam um pouco agitadas para cá e aquele apartamento estava vazio já fazia bastante tempo. — Contestei sem muitos problemas. — Bem-vindas.
Tentei sorrir, mas acho que foi um pouco demais pois, a garotinha me encarava fixamente.
— Tio, você é casado?
Aquilo me pegou desprevenido que quase acabei derrubando o bolo no chão. A morena pegou a garota no colo rapidamente e desculpou-se.
— Me desculpe, minha filha é um pouco… espontânea. — Yari a olhou um pouco envergonhada e tentando demonstrar que estava brava, mas a albina apenas deu risada. — E intrometida. — Completou.
— Ah… É, não há problema, crianças. — Tentei parecer um pouco mais calmo e indiferente a questão que me fora lançada. — Novamente, obrigado pelo bolo.
Contornei a conversa e felizmente, deu certo, pois após o agradecimento as duas partiram para casa e eu as observei brevemente, percebendo que ambas se davam muito bem. Apesar disso, notei que não eram nenhum pouco parecidas… Não irei me meter. São mãe e filha. É isso. Pensando demais, Aizawa.
Ao entrar em minha casa novamente, encarei o bolo. Não poderia fazer desfeita e fui direto para a cozinha, pegando um prato pequeno, faca e garfo. Coloquei tudo sobre a mesa e comecei a desfrutar do doce. Não era fã mas, também não repudiava coisas como aquela e admito… O bolo caíra num momento ideal.
— Chocolate com morangos...
Notas finais
Ah! Os capítulos dessa fanfic sai as sextas-feiras! Sem horário previsto também.
Enfim, eu até que gostei do resultado, eu fui escrevendo aos poucos e... Ah, mesmo assim, eu releio as vezes e se eu achar que falta algo, eu vou lá e complemento, se houver algum erro, me digam também. Obrigada para quem leu! De coração! E até o próximo!
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