As voltas do mundo
1 Capítulo único
Notas iniciais
Esta one é pelo desafio do grupo do whats mais animado e querido do universo 42! haha
Minha desafiante, beta, fazedora de capa foi @Hitsatuke.
Muito obrigada amiga lindaaaaaaa!!!! Vou comprar seu livro na bienal! haha
Muito obrigada também a todas que deixaram seus xingamentos para me ajudar. @Pan irá reconhecer muitos deles no texto. hehe
Aos que passarem por aqui... Boa leitura! ;)
"O mundo dá voltas."
Quantas vezes não ouviu isso e deixou de lado como algo ridículo.
Uma frase clichê que não merecia atenção.
Existe algo útil para se tirar do clichê?
Ela era apenas a menina órfã sem absolutamente ninguém. Seus pais morreram em algum momento, tios, primos... Se existia alguém tinham abandonado-a a própria sorte e suas memórias não serviam para lembrar de nada. Só sabia que era forte. Tinha habilidades únicas. Mas era só.
Até que ele apareceu. Estranho, mas lhe ofereceu algo. Não seria um pai, não seria um tio. O objetivo era usar de suas habilidades e indiretamente a tirar da solidão. Ela aceitou.
Aceitou ser usada e depois descobriu que poderia ser inteligente o suficiente para ganhar elogios.
E o recebeu. Fazia pesquisas, não se importava com o sofrimento alheio. Ela já tinha sofrido, então qual o problema de outros sofrerem também? Ela tinha decidido trabalhar para aquele homem e não sofrer mais. Se aqueles outros estavam sofrendo, ela não poderia fazer nada. Ela não estava mais sozinha.
Quando o conheceu naquela floresta... Foi a primeira vez que foi salva. Sabia que ele nem se importava tanto com ela, mas o que levaria alguém a defendê-la? Ninguém nunca se importava com ela. Guardou aquela imagem para si.
Quando ele apareceu dizendo que havia matado o homem que lhe tirou da solidão, mas a estava convidando para ir junto com ele... Ela sentiu um desconforto por perder o seu mundo, entretanto ele estava ali. Ele estava dando um novo mundo a ela. Não hesitou de segui-lo e amá-lo. Mesmo quando ele tentou matá-la, ela tentou entender o quanto ele estava confuso e perdido. Ele tinha perdido sua família também. Ele era sozinho como ela.
Depois de toda guerra, ela descobriu que não era bem assim. Ele tinha amigos. Ele tinha uma pessoa que o amava de verdade. E isso a fez pensar se em algum momento ela sentiu algo. Ela possuía sentimentos? Ela não se importava com quem machucava, se dedicava ao homem dizendo que era amor, mas como poderia amá-lo se ela nem ao menos se amava?
E por fim, ela estava de volta ao início.
-Karin. -o homem com sua voz sempre lembrando uma cobra a chamou — Já acabaram a vistoria no laboratório. Volte para a pesquisa. Acho que conseguiremos algo dessa vez.
O mundo mudou depois da guerra. Quando Sasuke decidiu voltar para casa, todos puderam chorar os seus mortos e voltarem para seus lares. As relações entre cada vila mudaram e coube aos kages decidirem como seria a partir daquele momento. Kakashi assumiu como hogake e junto com Naruto e Sakura intercederam por Sasuke. Foi árduo convencer o Raikage, mas por fim todos aceitaram dar mais uma chance ao Uchiha. Não poderiam negar que ele foi um dos heróis da guerra. Depois veio a questão do que fazer com Orochimaru e seu trio. A partir daquele instante, Karin soube que não teria mais Sasuke. Eles não eram um time.
Os crimes de Orochimaru eram mais do que suficientes para levá-lo a morte. Uma morte bem dolorosa por sinal. Mas mesmo que muitas coisas mudem, o interesse dos homens nunca irá mudar. Sabiam das habilidades de pesquisa do Sannin. Apenas o fato dele estar vivo depois de tantos óbitos já o tornava ainda mais forte e necessário ao mundo ninja. Ninguém apoiaria as pesquisas violentas, entretanto eles acreditaram que bastava monitorar o homem para que tudo ficasse bem.
Desde então Orochimaru, Karin, Juugo e Suigetsu viviam em um esconderijo. Monitorado 24h por ninjas de diversas aldeias da aliança, o homem cobra ainda teve seu chakra reprimido devido a uma técnica de Tsunade. Karin não duvidava que mesmo assim houvesse grandes chances de fuga, mas após tantos anos, Orochimaru parecia ter aceitado o reconhecimento que conquistou. Talvez viver tanto tempo no corpo de outra pessoa o fizera observar o mundo de outra forma. Ou talvez fosse apenas por Anko ser a ninja de Konoha de vigilância permanente. A ruiva preferia não pensar nessa hipótese.
Todos tinham sua função e a de Karin eram as pesquisas. A forma como Madara e Kagura dominaram o mundo tentando usar o Tsukyuomi deixaram todos apreensivos pelas novas formas de genjutsu. Karin estava usando as pesquisas sobre sharingan e rinnegan que já possuíam para buscar por novas formas de quebrar este jutsu mesmo sem a necessidade de Naruto ou Sasuke.
Sasuke...
A última informação que teve dele foi que o Uchiha havia decidido viajar pelo mundo em busca de algo. Algo que ela não sabia, mas fazia ideia. Em parte, ela o entendia. Sabia o que era estar só, focar em um objetivo, perder o objetivo, focar em um novo e se perder. Ela havia seguido Orochimaru, havia seguido Sasuke. E agora seguia a quem? Konoha? O mundo? O que ela fez para seguir a estes a quem ela sempre odiou? Não foi culpa deste mundo que ela tenha ficado só?
Tentava focar seus pensamentos nos tubos de ensaio e nas inúmeras pesquisas a sua frente. Até começar a ouvir os gritos já comuns.
-Tá fazendo o que, Quatro olhos? — Suigetsu já mexia na vidraria do laboratório- Brincando de cientista?
-Sai daqui, seu inútil! Vai brincar com seu peixinho dourado e me deixa trabalhar! -Karin estava vermelha pensando em como matar o indesejado.
-Não precisa querer destruir o laboratório, Filhote de Kurama!- Suigetsu ria da mulher
-Suigetsu!-Karin falava pausadamente- É melhor você correr!
A ruiva pegou um experimento próximo a ela e jogou na direção do homem.
-Errou, água de salsicha. -Suigetsu tinha deixado a parte atingida se desfazer em água e logo se regenerava.
-Errei? Eu tenho cérebro e não sou igual a você, Cabeça de alga! -Karin dizia feliz vendo o azulado se contorcer sem conseguir controlar sua habilidade. Ele desmanchava-se em água e se solidificava logo depois saindo pelos corredores do lugar gritando por Orochimaru.
-Não acha que essa foi cruel, Karin? — Juugo chegou perguntando de seu modo soturno colocando mais materiais na bancada.
-Eis um ser que não faria falta ao mundo. — Karin dizia deixando seu tique de mexer nos óculos aflorar.
-Cada um tem seu papel no mundo. Você dizia que o Uzumaki era inútil e ele se provou o oposto. -Juugo já se retirava deixando a ruiva sozinha novamente.
Sozinha. Será que ela em algum momento tinha conseguido sair dessa solidão. Talvez isso já fosse intrínseco a ela.
A pior parte da solidão são os pensamentos. Ficar só despertava memórias. Despertava ideias.
-Espera! Quer dizer que ela é uma Uzumaki também? –Naruto berrava na reunião de kages.
-Para de gritar, Naruto! –Sakura já batia na cabeça do amigo.
-O cabelo vermelho somado com a capacidade da habilidade de cura prova a descendência de Karin. –Orochimaru explicava-Encontrei Karin vagando. provavelmente os pais foram mortos no período que o clã Uzumaki foi extinto.
-Você não tinha nenhum lugar para ficar desde pequena? –Sakura olhava assustada para a ruiva.
-Não precisa fazer essa cara de pena. –Karin dizia irritada- Sei me cuidar. Sempre soube.
-Claro que sim! Uzumaki’s são fortes! –Naruto dizia com um sorriso.
Karin ficou com aquele sorriso em sua mente por muito tempo e bastava ouvir o nome do loiro escandaloso para lembrar. Lembrar que ele sofreu. Foi desprezado, viveu só, não sabia nada sobre quem era e mesmo assim decidiu ser o hogake. Ele era um herói sem deixar de ser o idiota que gritava porque queria ter cabelo vermelho.
E ele lhe sorriu com orgulho. Ele havia decido trata-la como a uma parente. Mas Karin era muito mais fraca comparada a ele. Naruto buscou por amigos e um reconhecimento bom. Não deixou o ódio dominá-lo, nem aceitou ser dominado por alguém. Ele escolheu o caminho mais difícil e agora tinha uma família, além de amigos e muitas outras pessoas que confiavam nele. Karin aceitou o mais fácil e agora permanecia sozinha.
-Para de viajar aí, sanguessuga ao contrário! –Suigetsu apareceu já normal – Passou o dia inteiro enfurnada aqui dentro. O jantar já tá pronto.
-Do que você me chamou, bafo de peixe? –Karin já se irritava- Eu trabalho, ao contrário de você que só sabe perturbar as pessoas.
-Já pensou em visitar um psicólogo? Corta o cabelo com aparador de grama e ainda não sabe o que fala. –Suigetsu dizia com ar entediado.
-É melhor você correr, cabeça de água-viva! –Karin já corria atrás do azulado.
-Parem de bancar as crianças e venham comer logo. –Anko dizia séria como sempre.
-A culpa é toda desse bastardo! –Karin dizia raivosa- Se ele parasse de me perturbar tava tudo bem.
-Eu que perturbo? Você que deveria procurar um médico, masoquista. –Suigetsu dizia enquanto se escondia da fúria de Karin.
- Eu estou mesmo precisando de ajuda em uns experimentos. Minhas cobras estão com fome. –Orochimaru dizia sorrindo fazendo os dois logo se sentarem.
-Por que Karin seria masoquista? –Juugo perguntava confuso.
-Ora você não sabe? –Suigetsu já começava sorrindo – É que ela curte umas...
-Também estava precisando de uma espada. Qual o nome da sua mesmo, Suigetsu? –Orochimaru dizia em meio a sua refeição.
-Nem pense nisso! –Suigetsu gritava desesperado- Kubikiribocho merece ser tratada com amor! Apenas pessoas dignas podem segurá-la!
-Com pessoas dignas, você que dizer assassinos pirados? –Anko perguntava ao azulado.
-Pessoas dignas são aquelas que eu quero deixar tocar na minha espada. E apesar da cara assustadora de vocês dois, eu não os considero dignos para ela. Ainda tenho tanta raiva por não terem deixado eu pegar as outras espadas! Será que se eu me oferecer para a tal Mei ela me dá a espada? –Suigetsu dizia esperançoso.
-E o que ela ganharia com você se oferecendo a ela, dente de tubarão?-Karin perguntava debochada.
-Muita coisa. Mas só quem experimenta pode descobrir. –Suigetsu dizia sério.
Karin não pôde evitar o estranhamento diante a atitude do homem. Homem?
Terminaram sua refeição em um silêncio atípico e Karin logo se levantou para seu quarto. Ia vagando pelos corredores do lugar até ser parada por Orochimaru.
-Hai. O que deseja, Orochimaru-sama?- A ruiva perguntava ao homem.
-Amanhã quero que você saia desse lugar. Podemos sair pelos arredores e buscar ervas medicinais. Faça algo que queira. -Orochimaru dizia já saindo.
-Espere... Como assim? E o trabalho?- Karin dizia abismada.
-O trabalho pode esperar. Não temos nenhuma urgência. –Orochimaru dizia de costas.
-Nunca se preocupou em nos dar folga... –Karin sussurrava.
-Não estou me preocupando só não aguento mais ouvir vocês correndo por aqui. –Orochimaru olhava sobre o ombro em direção à mulher- Durma, Karin. E passe o dia fora amanhã. Isso é uma ordem.
Karin ficou parada observando o homem sumir. Não acreditava que ele estava dando dia de folga sem se importar com a pesquisa. Nunca Orochimaru mandaria isso, mas não era apenas nessa fala que ele estava mudado. Agora era ele que acabava com as brigas, dava missões pessoalmente, não cobrava apesar de não elogiar, conseguiu acalmar Juugo com uma de suas primeiras pesquisas no esconderijo e agora isso. Karin decidiu dormir logo assim que o pensamento que Orochimaru seria um bom pai surgiu em sua mente.
O dia amanheceu belo. Nem quente, nem frio. O céu estava azul com algumas nuvens o enfeitando. Os pássaros cantavam harmoniosamente e até a floresta parecia mais viva. O rio seguia seu curso silencioso. O lugar transmitia paz.
Karin sentia-se deslocada em meio a tanta perfeição. Tudo parecia estar em seu lugar certo e ela ali como um brinquedo sem conserto. Ela era estranha. Olhava-se no reflexo do rio e não gostava do que via. Ela não gostava de si mesma. Como podia ser alguém tão deplorável? Por que não podia ser apenas a cientista brilhante e uma ninja com habilidades incríveis?
Remoer todas as questões apenas a faziam se afundar em si mesma. Era como criar diversas versões de si. Uma Karin calma para trabalhar. Uma raivosa. E a verdadeira que se odiava.
-Se perdeu aí, Filhote de cruz credo? –Suigetsu vinha andando feliz.
-Será que não posso ter paz por um instante? –Karin deixava a sua versão raivosa aparecer e se tratando do azulado, ela aparecia bem fácil.
-Não se sinta tanto. Só vim aqui pelo rio. Essa água parece ótima! –Suigetsu já se jogava na água molhando a ruiva na margem.
-Olha o que você fez, peixe-ogro! –Karin sacudia a roupa encharcada.
-Eu avisei que estava aqui apenas pelo rio. Se você não tem cérebro, a culpa não é minha. — Suigetsu dizia rindo- E para de palhaçada que isso é água. Basta ficar no sol.
-Baka! Baka! Baka! –Karin dizia sentando-se mais ao sol – Será que nem nas raras folgas que Orochimaru-sama nos dar você não deixa de me perturbar?
-Para de drama, Karin! E o que você ia ficar fazendo aqui? –Suigetsu dizia em deboche- Ia ficar apenas observando o rio?
-Gosto de pensar. Sei que essa não é uma das coisas que você prioriza. –Karin dizia secando seus óculos.
-Pensando no Sasuke?-Suigetsu dizia boiando no rio- Se dizia tão apaixonada por ele. Sente saudades dele nessa volta ao mundo por algum motivo besta?
-Sasuke-kun sabe o que faz. Capaz dele estar pensando assim como eu prendia fazer. Essa saída não é algo besta, seu babaca! –Karin dizia incomodada. Não gostava de pensar em Sasuke.
-Depois de tanto se arrastar e se oferecer para ele, nem um peteleco na testa você ganhou. Tá mal mesmo hein?- Suigetsu ria da mulher.
-Eu não me oferecia para ele. Apenas tinha conversas que você não entenderia. –Karin dizia já se remexendo no lugar.
-Para de tentar me enganar, Karin! Você é uma sasukete falida. Admita isso. –Suigetsu dizia um pouco mais sério- Sasuke nunca se importou com você. Para ele você era apenas mais uma fã só que com mais utilidade que as outras. Você viu como ele nem se importou com o que aconteceria com a gente, mas sempre olhava para Sakura quando ela se pronunciava. O que você vai fazer agora que perdeu? Se oferecer para o próximo com chakra bom?
Karin tentou responder, mas fugir foi a melhor ideia que veio a sua mente. Não conseguiu gritar com Suigetsu sem que lágrimas surgissem. Sabia que ele estava certo. Era exatamente isso que ela havia feito a vida inteira. Aceitava as migalhas seja de quem for. Criava justificativas para os seus erros e não tentava mudar. Sabia que Sasuke iria escolher a ninja de cabelo rosa. Talvez ele se sentisse indigno de ter alguém bom ao seu lado. Karin se sentia suja todos os dias. Talvez ele não sentisse tanta esperança de ter a vida boa que ele sonhava antes da morte dos pais. Karin nunca havia sonhado com uma vida boa. Esperança era algo cruel. Sonhar era cruel. Ela não aguentava mais sofrer. Como podia curar tantas pessoas e não conseguir curar a si mesma?
Vagou por toda floresta até se deparar com uma caverna escura e fria. Entrou no lugar se encolhendo e deixando todas as lágrimas descerem livres. As lágrimas de saudades por algo que nunca teve. Pelos sonhos que nunca foram sonhados. Pela vida que possuía. Será que poderia mudar?
A ruiva acordou com os raios de sol brilhando em sua face. Havia chorando toda a amanhã e parte da tarde. Agora o sol da metade da tarde brilhava mesmo na caverna antes tão escura. Sentiu o frio ir se dispersando. Sentiu a escuridão dando lugar para a luz. Mas viu que ainda havia um lugar mais ao interior que não mudava tanto. Poderia ela ser assim? Poderia se dar esperança de ter uma vida melhor a partir daquele momento mesmo que seu passado nunca a abandonasse? Mesmo ela poderia merecer ter uma vida melhor?
Uma vez tinha ouvido que as noites sempre ficam claras ao raiar do dia. Havia achado essa a frase mais idiota de todas, mas agora... Ela queria sair da escuridão.
Levantou-se já limpando a face. Andou determinada para uma vila pequena que havia no arredor do esconderijo. Sabia que estava sendo seguida de perto, mas não se importava.
Estava decidida a não deixar mais ninguém olhar para ela como uma idiota qualquer. Não iria mais se rebaixar. Tentaria se amar. Mostraria seu lado mais brilhante para todos. Cuidaria de seus medos e pecados.
Ela era Uzumaki Karin. Uma mulher que passou a vida só, mas sobreviveu. Sabia lutar e tinha habilidades invejáveis. Sabia gritar e não abaixaria mais a cabeça. Não se importava que as pessoas a olhassem torto, mas não deixaria mais ninguém olhá-la sem demonstrar certo respeito.
Já era noite quando a ruiva voltou ao esconderijo. Viu Juugo e Suigetsu perto de uma fogueira em uma clareira na floresta. Parecia que ambos iriam seguir o plano de passar o dia inteiro fora. Juugo estava recostado em um tronco de árvore totalmente calmo. O azulado estava cuidando de sua tão preciosa espada.
Karin não acreditava que teria que agradecer ao ser mais idiota da Terra por tê-la feito tomar coragem para mudar. De onde o mundo menos esperou veio o herói. De onde Karin menos esperava veio um herói para sua vida. Estava perdida em seus pensamentos e apenas quando estava bem próximo que percebeu o olhar de Suigetsu em si.
-Saiu correndo para cortar o cabelo, é?- O azulado perguntava – Tá estranho. Mulheres não deveriam raspar o cabelo.
-O cabelo é meu e eu decido o que fazer. Não importa a sua opinião porque eu gostei. Até porque a sua opinião é irrelevante, tubarão-duende. –Karin dizia mexendo em seu óculos.
-Mudou o modo de falar depois de um dia de salão? –Suigetsu dizia com uma sobrancelha arqueada.
-O salão apenas complementou. Eu tomo minhas decisões. – Karin disse firme.
-Isso significa que não irá mais se arrastar para o Sasuke?- Suigetsu continuava o questionamento.
-Não vou me arrastar por ninguém e torço pela Sakura. Ela é uma pessoa legal. Foi ela quem me curou quando precisei. –Karin dizia leve. A sensação de estar falando algo verdadeiro era incrível. Admitir que nunca havia amado Sasuke entre outras coisas lhe fez bem. Agora estava livre para seguir em frente.
Estava perdida em sua felicidade e não percebeu quando Suigetsu parou a sua frente segurando a espada. Ambos apenas se encararam naquela noite estrelada com uma lua iluminando o momento. Muitas vezes apenas olhar já nos diz muito e Karin viu muito no olhar do homem. Sempre se comparou ao Sasuke, mas e Suigetsu? Será que o antigo assassino também não sofria por algo? Será que o interior dele era repleto por trevas como o de Karin?
Ficou presa ao olhar dele até sentir um peso em sua mão. Olhou e viu a espada. Lembrava que Suigetsu tinha dito que só quem ele considerava digno poderia segurá-la. Ele reconhecia que ela estava tentando mudar?
Ele sempre surgia em momentos que ela estava perturbada com sua própria mente. Suas brincadeiras sem graça sempre lhe tiravam do torpor de sua própria vida. Seria proposital? Mas por qual motivo seria?
Viu o azulado já próximo à entrada do esconderijo e não sabia o que pensar.
Uma mulher que xingava e odiava um homem. Um homem que apenas implicava com uma mulher.
Poderia ter algo bom nos clichês?
Um leve sorriso surgiu nos lábios da ruiva. Levantou-se e foi em direção a sua casa. Deixou a espada no lugar certo e logo foi para a sala de jantar onde a comida já era servida.
-É melhor não pensar que pode me usar como empregada, sua enguia desnutrida. –Karin dizia aparentando uma leve raiva.
-O quê? Do que está falando, sua louca? –Suigetsu gritava confuso.
-Sua folga foi produtiva, Karin? –Orochimaru perguntava levantando-se da mesa.
-Foi sim, Orochimaru-sama. Foi sim. –Karin dizia sorrindo ouvindo os berros de Suigetsu.
Estava decidida. Não estava tão a fim de seguir o clichê.
Mas agora gostava das voltas do mundo.
Notas finais
Foi meio inevitável colocar um leve toque de drama. Acho que não consigo sair desse estilo.
Mas acho que já está válido só pelo casal.
Beijoooos!
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