Notas iniciais
Eu demoro, mas eu apareço. Nunca abandono minhas histórias.

Mirela amanheceu o dia de ressaca, uma vez que decidiu beber tudo o que podia na noite anterior. Não se lembrava bem como havia voltado para o hotel, mas tinha quase certeza de ter ido sozinha. Continuou deitada olhando pro teto e ouvindo o movimento dos carros na avenida lá em baixo. Ouvindo o celular tocar, mas nem se moveu para atender. O celular parou e ela finalmente se levantou vagarosamente e com os olhos ainda fechados.

—Merda. — Sentia a cabeça latejando.

Abriu os olhos incomodados pela clareza que entrava pela janela de vidro e decidiu tomar um banho. O celular tocou novamente e ela só olhou reconhecendo o número de Tamires sem a menor vontade de atender. Encontrou um toalha e foi tomar meia hora de um banho relaxante de banheira.

Estava se sentindo velha mesmo sendo tão nova, não queria mais viver fugindo e fingindo, queria estabilidade, mas sabia que demoraria anos para ter isso, ao mesmo tempo não queria ter que trabalhar pelo próprio dinheiro. Estava sossegada como estava, mas a vida não era só tranquilidade. Muitos caras estavam atrás delas e da falecida mãe ainda, querendo processa-las ou algo do tipo.

Colocou um vestido longo de alça e uma rasteira, hoje só queria dar um passeio tranquilo sem estresse e sem pensar nos problemas que sabia que estava para enfrentar e principalmente se algo desse errado naquela família estranha.

Passou a tarde toda andando de um lado para o outro sem ter exatamente o que fazer naquela cidade. Seus pensamentos vagueavam entre sua mãe e seu futuro sem ela. Estava preocupada se conseguir dar conta, era uma jovem sem nenhum estudo e tudo o que sabia fazer era manipular e roubar. Tirando-a de seus pensamentos, repentinamente seu celular vibrou em sua mão assustando-a. Um número desconhecido lhe enviava mensagem.

"Oi garota do bar. Sou eu, o cara do bar."

Mirela sorriu sozinha e bloqueou o celular novamente. Aquele tinha que cozinhar por muito tempo já que ela não iria embora do Rio tão cedo. O mauricinho precisava estar afim dela, e se ela caísse nas garras dele tão rápido ele se livraria dela logo. Desta forma, preferiu esperar. O celular vibrou novamente.

"Você é realmente o tipo de mulher que a gente não esquece não é?"

Ela decidiu salvar o número dele como "o cara do bar" como ele mesmo havia dito. Parou em uma sorveteria, pediu três bolas de chocolate e sentou-se para apreciar aquilo calmamente.

"Ainda está viajando? Gostaria muito de te reencontrar."

Ela suspirou sem saber se estava incomodada pelas mensagens ou gostando de recebe-las. sentia-se chateada por ter sido a única que não dera conta de agarrar um daqueles primos e irmãos mauricinhos.

"Olá. Estou no Rio de Janeiro ainda. Não sei quando volto."

Mirela observou o celular por alguns segundos esperando uma resposta mas não obteve-a imediatamente então continuou sua tarde tranquila. Depois de longas horas chamou um táxi para voltar ao hotel.

"Como está sua irmã?"

Mirela recebeu a mensagem assim que entrou no carro. Inicialmente estranhou a pergunta até se lembrar que havia falado sobre a irmã à ele no breve tempo que se encontraram. Respirou fundo.

"Bom...Na mesma. Nada bem."

"Sinto muito. Espero que ela melhore."

"Para ser bem sincera, ela está em estado terminal, não tem muito o que esperar. Estamos apenas aproveitando os últimos momentos dela juntas."

Ela bloqueou o celular e se perguntou se deveria mesmo ter dito isso. Soava como uma coitadinha e ela odiava isso. Não tinha que ter falado de sua vida intima ao cara que ela queria que fosse sua próxima vítima, mas acabou comentando. Sentiu que precisava falar aquilo com alguém. Começou a pensar que talvez estivesse guardando muita coisa para si desde a morte da mãe. Toda vez que precisava conversar com alguém as primeiras pessoas que procurava eram sua mãe e Ana. Depois que a mãe morreu e Ana ficou doente ela simplesmente parou de falar sobre seus problemas e pensamentos.

"Me desculpe por ter tocado no assunto. Eu não fazia ideia."

"Está tudo bem. E você, o que tem feito pro ai?"

E por mais que ela houvesse tido vontade de continuar aquela conversa casual, o resto do dia não obteve respostas do misterioso cara do bar.

Tamires encontrava-se deitada no apartamento o dia inteiro. Havia mandado uma mensagem à Marcelo havia cerca de uma hora chamando-o para uma partida do jogo que sabia que ele jogava e desde o início havia falado para jogarem juntos e nunca havia convidado-a. De repente o celular vibrou em seu peito e ela de qualquer forma o pegou atendendo sem sequer abrir os olhos para ver quem era.

—Oi Tamires. — Ele falou primeiro.

—Marcelo, oi! -Ela tentou não parecer empolgada mas havia sentado tão rápido que sentiu a visão ficar turva com a tontura.

—Tenho estado bem sumido então queria recompensar isso, achei que seria interessante te ligar.

—Pois é, parece que esta com medo de jogar comigo. Medo de perder? — Ela brincou.

—Um pouco, confesso. Você parece muito competitiva. — Marcelo falou ouvindo Tamires rir do outro lado. — Quer sair mais tarde?

Tamires não queria de jeito nenhum parecer uma desesperada por atenção, mas ela tinha vários pontos em sua cabeça que faziam ela querer gritar desesperadamente por um sim:

1. Ela precisava do dinheiro;

2. Ela não queria decepcionar as amigas;

3. Não podia ir embora porque não sabia quando Ana morreria e queria estar lá quando isso acontecesse e

4.Queria provar à si mesma que era tão capaz quanto as outras.

—Claro, o que quer fazer?

—Qualquer coisa, a gente pode ir tomar um sorvete, como dois adolescentes e ficar falando de jogos.

—Aceito. — Ela riu achando graça de como ele parecia tão diferente do resto da família.

Por mais que Tamires fosse a mais bruta do grupo, a que crescera em família pobre, lidara com marginais desde sua infância, já até havia usado armas e pra ela isso fosse comum, ainda assim era dentre elas a mais boba para o amor. Ela sabia bem disso e sempre saia com o coração partido depois de uma missão, porque acabava entregando seu coração à quem não podia tê-lo. Queria fazer diferente dessa vez, mas sabia que já havia começado errado desde que deixara se perder nos olhos de Marcelo como uma garoa boba em um conto de fadas.

Notas finais
Me diga o que tem achado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.