Notas iniciais
Até que não demorei tanto para postar.

Mirela acordou no dia seguinte já pronta para por em ação a nova personalidade que assumiria naquele período que acabara de começar. Hoje ela e as amigas pegariam um voo para o Rio e mais tarde no mesmo dia o plano já entraria em ação. Decidiu usar a peruca favorita: Preta e longa. Foi até o salão mais experiente e fez o processo mais fiel possível. Não que a peruca fosse lá um grande problema, sempre inventava algo quando descobriam-na. Decidiu que a roupa do voo seria fina, elegante, mas sem chamar tanta a atenção, por isso optou por um vestido preto de alças com uma fenda enorme do lado direito, que subia quase até a sua bunda, nos pés uma sandália de salto preta e a maquiagem de sempre: Batom vermelho, máscara para cílios e lápis preto. Ficou pronta assim que possível e dirigiu-se ao mesmo bar de sempre, para tomar seu velho e bom vinho de costume. Sentou-se no lugar de costume e pediu o que queria.

—Você é uma fã de vinhos? — Uma voz ao seu lado perguntou.

Mirela olhou para o lado desinteressada e encontrou dois olhos cor de mel encarando-a amistosamente. O rapaz ao seu lado deveria ter não muito mais do que a sua idade. Talvez uns 25 anos. As vestes elegantes e a bebida cara em sua mão indicavam que ele poderia ser um alvo, ela analisou discretamente suas mãos. Não havia aliança, melhor ainda.

—Gosto de apreciar o bom da vida.

Ele sorriu para ela e elevou seu copo cumprimentando-a. Ela fez o mesmo e beberam cada um de sua bebida.

—Você quem estava aqui ontem, não é? — Ele continuou puxando conversa.

—Sim, me lembro de você também.

—Você parecia com pressa de ir embora. — Ele provavelmente estava ofendido por ter sido ignorado.

—Não estava de muito bom humor. — Ela sorriu se desculpando com o olhar.

—Briga com o namorado? — Mirela já estava acostumada com homens. Na verdade toda mulher sabe que esse tipo de pergunta é apenas para saber se a moça tem namorado ou não.

—Não. — Ela sorriu sem facilitar para ele. A duvida continuaria, ela não revelaria seu status de relacionamento com uma pergunta tão idiota. — Minha irmã está com uma doença terminal.

Ele pareceu extremamente surpreso e arrependido de perguntar. Era justamente isso que ela queria causar. Um homem que acha que magoou uma mulher, é muito mais fácil de atingir. Ela se levantou delicadamente e colocou uma nota em baixo da taça, anunciando com o olhar para o garçom, que estava de saída. Enquanto ele vinha em direção a ela, Mirela voltou-se para o estranho.

—Preciso ir, tenho um voo já já. — Olhou para o relógio em seu pulso. -Foi um prazer te conhecer.

—Espere, você...está indo embora ou você mora aqui e apenas vai viajar e volta. — Ela havia despertado o interesse dele, e sabia bem disso.

—Bom, eu moro aqui. — Ela sorriu e virou-se novamente para ele vendo de canto e olho o garçom pegar a nota. — Mas agora vou precisar sair por tempo indeterminado.

—Senhorita. — O garçom interrompeu-os. — O seu troco.

—É seu. — Ela falou sem olhar para ele, que agradeceu. Não era o mesmo do outro dia.

—Posso pegar seu telefone? — O rapaz parecia constrangido.

Mirela estendeu a mão pedindo o telefone dele e rapidamente anotou seu número. Entregou o celular novamente com o número salvo com o nome "Garota do bar". Ele sorriu ao pegar o telefone e ela apenas acenou um tchauzinho. Rebolou enquanto andava até a saída, sabia que esse já estava no papo. Ele provavelmente era o típico filho rico que não tem amor em casa e por isso procura em outras mulheres. Faria de tudo para mantê-la ao seu lado, o que significava dinheiro fácil. Mirela já conhecia bem o tipo de cada homem.

Assim que saiu, chamou um táxi. Não esperou nem mesmo cinco minutos quando ele chegou. Ela indicou a casa dela ali mesmo em Higienópolis e cinco minutos depois chegaram.

—Vou precisar de uma corrida para o Aeroporto de Congonhas, vou apenas pegar minhas malas. — Informou.

O motorista desceu para ajuda-la quando ela surgiu na calçada com tantas malas grandes. Acomodaram as bagagens da melhor forma e seguiram viagem até o aeroporto que ficava vinte minutos dali. Assim que despachou as malas e estava livre para esperar a hora do voo como quisesse, decidiu não se juntar as amigas e sim sentar em uma daquelas cadeiras de massagens e pagar por longo minutos nela. Sentiu que aquilo acalmaria ela antes de partir por tempo indeterminado.

Quando entrou no avião, reuniu-se com as amigas na primeira classe. Quatro poltronas, duas cadeiras de frente para outras duas. O ambiente era tranquilo e silencioso. Ela amava aquilo, mas sentia falta da mãe tagarelando sem parar atraindo a atenção de todos.

—Você está bem? — Tamires que estava ao lado dela, segurou sua mão entrelaçando os dedos um no outro. — Você nem quis saber como foi para tirarmos a Ana do hospital.

Mirela olhou para Ana que mantinha os fones de ouvido como sempre fazia nas viagens. A meia-irmã e amiga estava bem magra, mas continuava elegante como sempre. Sentava-se ereta e de pernas cruzadas.

—Bom, vocês estão aqui então é sinal de que tudo saiu sem erros. — Mirela sorriu desinteressada.

—É. — Tamires não insistiu, ela sabia que a amiga estava triste por causa da primeira missão após perder a líder delas, que além disso era mãe de Mirela.

Automaticamente Mirela passou a ser a líder. Não que elas titulassem isso formalmente, mas era algo que todos sabiam. Se precisassem de algo, era para ela que se voltariam. Mirela não se sentia preparada para isso, mas Tamires, Maiara e até mesmo Ana achavam que a menina era a mais capaz dentre todas elas.

Seguiram o voo de pouco tempo em completo silêncio.

Notas finais
Comente aqui o que espera para esta história. ♥