As sombras do dragão
1 Verde e Dourado - prólogo parte 1
"Em 111DC, um grande torneio foi organizado em Porto Real, no quinto aniversário de casamento do rei ( Viserys I Targaryen ) com a rainha Alicent. Esse torneio seria um prelúdio do que viria a ser a guerra civil Targaryen pela sucessão do trono, conhecida como a Dança dos Dragões "
Olho para a minha figura refletida no espelho. O vestido vermelho com o bordado dourado era semelhante ao de minhas irmãs, mas era notável que o trabalho feito com ouro fora a prioridade do costureiro, assim como também das minhas servas que colocaram presilhas douradas com diamantes na trança loira que descia pelas minhas costas. Era de se esperar que a riqueza de minha família fosse exaltada, mostrando aos nobres presentes com quem eles estavam lidando, mesmo sendo difícil que eles já não soubessem.
— Myra, traga o broche azul para mim. — me viro para a garota Payne sentada na cadeira ao lado da janela, observando com entusiasmo o exterior do quarto.
Ela me olha por um breve momento antes de ir até a caixa de jóias — Tem certeza de que vai usar o azul ?
— O que você acha que eu deveria usar ? — olho para ela pelo espelho e a moça pega um broche da caixa, mas em vês do azul, em suas mãos está um verde e dourado.
— Este tem as cores do seu noivo, mas também o dourado Lannister — Myra o prende no meu peito e sorri para mim — e foi presente de sua avó.
— Minha intenção era contrariar esse noivado — me afasto dela — por isso quero usar o azul.
— Lya, não a nada a ser feito em relação a isso — a garota vai até mim e segura minha mão — no início eu achava que Tom seria um bruto bêbado, mas ele se mostrou muito eficiente em suas funções como senhor e marido, assim como o seu noivo também irá.
— Exatamente Myra — solto sua mão e vou para a janela. Eu vivia naquele quarto a anos, e ele tinha vista para um pátio e uma ala com aposentos que geralmente ficavam vazios, mas agora os Tyrell e sua comitiva estavam instalados neles, e a visão da janela se transformou em bandeiras e rapazes com armaduras de temas florais. Aquilo só fazia eu pensar no que me esperava, como se estivesse preste a ser sufocada pela situação. — Eu não quero um marido, e muito menos um senhor.
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— Ouvi dizer que o irmão do Rei pode vir para o torneio — Walda era outra dama que me acompanhava, junto de Myra. Ambas eram baixas, mas uma tinha cabelo ruivo, enquanto o da outra era castanho claro.
— Não seja tola, o príncipe Daemon está bem longe — a outra retrucou enquanto caminhavam em direção às celebrações — E enquanto o Rei não o perdoar, ele vai continuar lá.
— Mas agora ele conquistou terras no Mar Estreito e mostrou seu valor. E convenhamos — a ruiva abriu um sorriso — seria muito mais divertido ter ele aqui.
— Guarde suas fantasias para seu travesseiro. — digo. Elas me olham mas não respondem, em vês disso paramos para apreciar algo muito mais interessante.
O patio que ficava na entrada do salão onde seria realizado o banquete estava decorado com diversos ornamentos e estardantes exibindo o dragão vermelho da casa real e a torre cinza dos Hightower, a casa da rainha Alicent.
Nobres e cavaleiros de várias partes do continente estavam lá, bebendo, rindo, contando piadas inadequadas. A orquestra tocava e uma pequena roda de dança havia se formado. Damas com vestidos bem trabalhados e rapazes se envolviam no ritmo da música. Servos andavam servindo bebidas e comidas, reabastecendo a mesa no centro do pátio.
Myra toca meu braço e sigo seu olhar para um círculo na ponta mais distante da mesa. Os Tyrell estavam reunidos em uma versão mais elegante da que eu tinha visto pelo meu quarto.
— Qual deles é o herdeiro ? — quando ouço essa pergunta minha respiração se intensifica e sinto meu rosto esquentar. Sempre diziam que a cor que surgia no meu rosto em momentos de tensão era notável a distâncias pelo contraste formado com minha pele branca.
Antes que possamos seguir com a busca as trombetas soam indicando a abertura do salão. As portas pesadas se abrem e aos poucos as pessoas vão entrando nele.
O lugar era uma extensão da decoração do pátio, mas mais elaborado dando uma forma incrível as paredes de pedra. A organização das mesas era por grandes casas e vassalos, convidados e casas pequenas. Minha avó já estava no acento principal de nossa parte, e assim que me viu indicou que o lugar a sua direita era meu. Até o momento estavam andando junta das garotas, mas agora ia sozinha até a cadeira.
— Querida, você está linda. — ela diz com um sorriso, ajeitando sua coluna na cadeira. — E está usando o meu presente. Aposto que algumas pessoas vão ficar muito satisfeitas quando o verem em você.
— Obrigada, mas estou usando isso para a senhora, não para agradar mais ninguém. — seguro uma taça recem colocada na minha frente e dou um pequeno gole no vinho doce.
— Não acredito que fará diferença agora — ela se inclina mais em minha direção — Mais cedo eu estava conversando com alguns conhecidos meus Tyrell, eles estão muito ansioso com a união e não veem a hora de você e Lorde Gusnell serem devidamente apresentados.
Tomo mais um gole do vinho, dessa vez maior e mais rápido. Na nossa frente estava os representantes de Ponta Tempestada ao lado dos nortenhos. Havia tanta gente preenchendo aquele salão que era difícil identificar um único rosto. Mas a situação virou quando o Rei entrou pela porta, acompanhado de sua esposa e os filhos logo atras. Ambos pareciam reluzentes quando tomaram seus lugares na mesa designada para a família real.
A rainha Alicent tinha cabelos escuros presos em uma trança com a coroa cravejada de jóias, acompanhada do belíssimo vestido verde que ela usava.
Ao seu lado esquerdo estava o Rei, e ao lado esquerdo dele na mesa o lugar que deveria ser ocupado pelo príncipe primogênito, tinha uma mulher como dona, e o príncipe do lado da mãe.
A princesa Rhaenyra usava drasticamente as cores preto e vermelho. Eu lembrava da época que a primeira esposa do Rei morrerá durante o parto sem deixar um homem como herdeiro. O Rei decidiu declarar sua filha mais velha como sua sucessora, mas havia diversas críticas que só se intensificaram, principalmente quando ele se casou novamente e sua esposa dera luz a um garoto forte e saudável.
A maioria do que era contado não passava de fofoca, mas avó sempre defendia a Rainha. Agora vendo as duas lado a lado era óbvio a rivalidade entre elas. O verde contra o negro. Suas posições eram a amostra viva daquela situação.
Então um pensamento passou por minha mente e lembrei do broche no meu vestido. Talvez a intenção da minha avó era realmente agradar alguém, mas essa pessoa talvez não fosse meu noivo. Eu não tinha visto ele e tinha quase certeza de que nosso encontro seria outro dia. Talvez em seu lugar aquela jóia tivesse a intenção de agradar outra pessoa, e eu olhava diretamente pra ela.
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