Notas iniciais
Mais um pequeno ~filler~. Já aviso que eles vão ser bem comuns, tanto pra entender mais os personagens quanto pra expandir o cenário. Dessa vez, nosso protagonista é o lobo Orion (que entre comentários recebidos e críticas de amigos, notei ser um dos personagens mais queridos). Espero que gostei desse pequeno capítulo.

Naquela noite, corri sem rumo. Ainda podia ouvir os uivos dos últimos da alcatéia misturados ao tilintar dos peles-de-ferro. O sangue de meus pais secara em meu pêlo, o odor era quase insuportável, entorpecente, especialmente quando vindo da dor lancinante na estreita linha que o brilho prateado na mão do estranho invasor talhara em minha lateral.

Olhei para cima, onde a deusa brilhava em todo seu resplendor prateado. Vi uma brecha entre os galhos retorcidos que bloqueavam meu caminho, um feixe de luz que se desvencilhara da prisão das copas das árvores, iluminava meu caminho.

Corri orientado pela luz da deusa celeste. O caminho era definido, como se ela me guiasse a cada passo. Em meio às arvores, galhos afugentavam meu rosto, arbustos cravavam seus espinhos em meu pêlo, e tal tortura continuou até eu bater o rosto com força em um tronco caído.

O vermelho tingiu minha visão no momento em que desfaleci. Olhei para a lua, moribundo, enquanto todos meus ferimentos latejavam. Fiz uma prece silenciosa e gani baixinho, desejando encontrar paz na morte.

Uma brisa fria, como um gentil abraço na noite.

A única coisa que me impediu de fechar os olhos naquele momento foi a curiosidade. Um fraco brilho prateado se aproximava, consegui distinguir a forma de uma corça, tão prateada quanto a própria lua, saltando sobre quaisquer obstáculos da floresta escura, vinha em minha direção. Em seu último pulo, ela se transfigurou em uma criatura similar ao guardião estranho, o que vivia na clareira.

Tinha uma postura ereta ao caminhar sobre as duas patas de trás — pés, como meus anciões tinham dito ao contar histórias do guardião, com as pernas de cima do tórax mais longas e delicadas, terminando em patas estranhas. Pêlos só cresciam no topo de sua cabeça e lhe caíam sobre as costas até pouco abaixo da cintura, tão alvos quanto sua pele. Seus olhos eram belos a um ponto que chegou a me fazer temê-la, negros com uma aréola prateada onde devia haver cor. Estava completamente despida, como se o frio não lhe fosse um incômodo, sua aterrorizante beleza era coroada pela luz prateada da lua que banhava seu corpo, parecendo segui-la a cada passo silencioso. Sua própria existência emanava tal majestosidade provinda de tamanha perfeição que soube que Alfas dariam suas alcatéias simplesmente para vê-la, e desejei um dia poder vê-la como uma loba.

A estranha pegou no colo e, no momento do toque, senti minhas dores sendo expulsas. Sua mão era tão macia quanto o pêlo de minha mãe. Fria e delicada, mas contendo tamanha força que me levantou como se eu não pesasse mais que um lírio. Sem mover os lábios, sem que qualquer som fosse enunciado, ouvi sua voz, tão bela que desejei poder correr ao lado da dama branca até o fim dos meus dias, e senti paz sendo carregado por ela.

Luna

Luna

Luna
Lua

Acordei com o calor do sol. Estava em uma prisão de árvores achatadas, em uma superfície mole. Não consegui me mover livremente, alguma coisa branca estava enroscada em meu tórax, agora manchada de sangue. Vi o guardião estranho me olhando, sorrindo.

– Jovem lobo, tem sorte de ter alcançado minha cabana, ferido como estava. Como devo me referir a você? — pela primeira vez entendi aquelas articulações sonoras como palavras que faziam algum sentido. Tentei reproduzir meu nome, mas era impronunciável naquelas palavras estranhas, com aqueles sons que eu não conseguia enunciar. Desisti, ele entendeu — Apenas pense, entenderei.

– Sou aquele que viu a dama branca — pensei, o encarando nos olhos. Eu soube a língua dele, as palavras fluíram como água em minha mente.

– A lua?

– Nós a conhecemos por "deusa", mas sim. Ela me tocou, e me trouxe até aqui.

– Então eu tenho um nome na minha língua para você. Orion, o caçador celeste, que empunha suas armas no céu, sempre caçando ao lado da deusa — imediatamente gostei do nome.

Naquela noite, minha raça fora extinta da floresta, me tornando o último lobo gigante vivo. Pactuei com aquele druida, e isso foi a 6 gerações. Agradeço até hoje à deusa, e ainda a procuro pela floresta, olhando para sua face celeste sempre que perco o rumo.

"Já te falei que fui eu quem escolheu seu nome, pequenina?" — mas Luna já tinha adormecido.

Notas finais
Mais uma vez, termino aqui. Ainda não tenho nada do próximo escrito, mas, como eu disse, a volta às aulas vai tornar postagens mais frequentes. Ainda há muito por vir, e mais ainda com esses capítulos filler que eu ocasionalmente penso. Deixem seus reviews, pessoal, eles são o que realmente me deixam motivado a continuar essa história. Fico por aqui, um abraço do contador de histórias, e que a lua brilhe sobre seu caminho.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.