As pessoas salvam a si mesmas
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Seu cabelo loiro descia até 10 centímetros abaixo dos seus ombros estreitos, sua altura era igual a 1 metro e 62 centímetros. E apesar de não ter como ter certeza, calculei seu peso em 54Kg. O que dá um IMC de 20, 58. Ela entrava em companhia de alguém que parecia ser alguém da coordenação da escola.
A funcionária acompanha a garota até a metade do quadro-negro, depois sinaliza para ela esperar. E segue em direção ao professor, que estava sentado na outra extremidade da sala e fala algo para ele em voz baixa. Que respeitosamente acena a cabeça de maneira afirmativa.
E em seguida volta ao lado da garota por quem me interessei. Bem, eu sei que um amor a primeira vista parece forçado, mas você pensa isso porque não viu o doce sorriso dela. As duas ficaram paradas em frente a classe esperando todos se sentarem. O que não demorou muito, e a mulher começou a falar, em um tom pausado e elegante.
— Olá a todos! Pra quem ainda não me conhece, meu nome é Masami e sou a coordenadora pedagógica dessa escola. Estou aqui para apresentar a vocês uma colega que esteve ausente nessa primeira semana de aula. O motivo dessa ausência foi porque ela estava hospitalizada, porém, felizmente recebeu alta sexta-feira. E esteve nesses primeiros horários conversando com nosso médico, motivo o qual ela está entrando na sala nessa hora. Bom… é isso. — Masami se vira para a aluna e acena com a cabeça. — Se apresente para seus colegas.
Omiti meus pensamentos dessa narrativa sobre estar surpreso pela enorme coincidência dela ser da minha turma e sentar tão perto de mim. Aliás, com o tempo passei a pensar nisso não mais como uma coincidência, mas como obra do destino. Mas após ouvir o que a coordenadora disse, fiquei assustado. A notícia de que ela esteve no hospital foi uma surpresa para mim, porém fiquei aliviado ao saber que ela recebera alta. E ao pensar que ela só poderia ter estado gripada, fez eu me sentir melhor.
E naquele momento, pela primeira vez de muitas, estava perto de ouvir a voz dela. Perto de saber seu nome, por isso cessei meu turbilhão de pensamentos e me foquei em observá-la. Ela ergueu ainda mais sua cabeça, não sei se era por causa do reflexo da lâmpada, mas seus olhos pareciam brilhar. E mais ou tão brilhante quanto eles, era seu sorriso.
Apesar de estar na última cadeira, pude perceber que o semblante da turma havia mudado. Todos também estavam impressionados. O ar parecia leve e doce.
— Meu nome é Aika Igarashi! — Sua voz é fofa. — E eu desejo que vocês todos vão pra merda! — Então ela começou a rir discretamente. Foi nesse momento que percebi que poderia ter cometido um engano, em que confundi um sorriso sombrio com um sorriso luminoso.
A coordenadora obviamente não gostou nem um pouco do que ela disse. Se virando abruptamente pra ela.
— Esse tipo de comportamento é inaceitável nessa prestigiada instituição de ensino, relevarei dessa vez. Quando terminar as aulas, me encontre em minha sala, que eu gostaria de ter uma conversa séria com você. — Disse Masami com um tom severo.
O que estava prestes a acontecer em seguida não sei dizer se somente impressão minha, mas eu não quis esperar pra ver. Porque em sua mão direita, seu punho estava fechado, e o dedo do meio parecia levantar devagar. Se ela estirar o dedo para a coordenadora, isso não terminaria bem.
Então, de forma irracional, me levantei rapidamente da cadeira, conseguindo a atenção de todos. Eu não sei bem o que eu pretendia fazer, mas achei que não precisaria fazer mais nada. Seguindo os olhos de Masami, todos olharam para mim. E Aika, pareceu ter desistido da ideia. Ainda pensando no que tinha acabado de fazer, me sentei devagar. Como que tentando não fazer movimentos bruscos diante de uma fera.
— Hum, então é ali o seu lugar, Garota. Apresse-se e sente, minha tarefa terminou por aqui.
Enquanto Aika Igarashi caminhava em minha direção, a coordenadora caminhava em direção a saída. Porém, com a mão na maçaneta ela para de se mover.
— Ah é, eu quase esqueci. Preciso de alguém para apresentar as instalações da escola a ela. — Os olhos dela se dirigiram a mim, e logo em seguida seu dedo indicador. — Que tal você!
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