As palavras que não refletem seu coração

7 Capítulo 7 - Uma sensação estranha... será?


Notas iniciais
Mei se despede do conselho estudantil, mas sente que algo estranho está acontecendo com Himeko. Yuzu e seu grupo aguardam a ajuda de Himeko e Shirapon para confirmar a identidade do noivo e saber onde Mei estará após sair da escola. Shirapon tem uma sensação ruim, mas decide ir adiante com o plano.

Durante o intervalo, logo após ter feito um lanche rápido, Himeko vai até a sala do conselho, onde encontra Mei lendo um relatório.

— Mei-mei, você não deveria se preocupar com este relatório, já que a partir de hoje as preocupações que eram suas agora serão de minha responsabilidade.

— Bem, como apenas eu estava na sala, o professor Miyashiro pediu que eu fosse buscar o relatório sobre uma aluna que está ausente por problemas de saúde. Estou registrando esse fato para que nos próximos dias vocês possam fazer algo a respeito. Talvez solicitar à representante de classe para levar as anotações das aulas fosse o mais adequado.

— Ah, ok então! Sem problemas!

— Só tem algo que me deixou curiosa, Himeko... quando fui buscar o relatório com o professor, vi que você estava na sala da Yuzu e da Taniguchi, conversando com as duas. O que aconteceu?

“Droga! Não era para ela ter me visto com as duas! Agora preciso pensar em uma desculpa para não levantar suspeitas!”, pensa Himeko. Rapidamente, a vice-presidente inventa uma história qualquer para disfarçar.

— É-é q-que... outro dia, indo para casa, vi as duas entrando numa loja de roupas, e então fui adverti-las de que elas poderão ser punidas. Como elas estão sempre fugindo de mim, aproveitei o momento para chamar as duas em particular e avisá-las. Foi isso, Mei-mei!

Mei não compra de imediato a mentira da amiga, pois nota algo de estranho no comportamento dela. Que Yuzu e Harumin são alvos fáceis da ira de Himeko, isso é sabido por todos, mas do modo como a vice-presidente estava conversando com as duas gyaru não parecia ser uma advertência. Mei viu as três de longe, e pelo que observou, a conversa estava calma até demais.

— Himeko, você se esqueceu que deveria ter escrito um relatório sobre o ocorrido? Nós temos que formalizar o ocorrido, e só depois chamá-las para virem até aqui, onde elas receberão a punição a ser cumprida. Se você for apenas chamá-las de lado, isso não terá efeito nenhum para aplicar uma punição.

“Ahhh, Mei-mei, como você é atenta aos detalhes, mesmo sendo seu último dia! Agora minha imagem como nova presidente está manchada justamente porque esqueci dessas formalidades!”, o desespero quase toma conta da vice, mas ela dá um jeito de mudar de assunto.

— Oh, que cabeça a minha! Acho que estou nervosa por ter de assumir a presidência, daí que eu simplesmente esqueci de registrar essas quebras de disciplina. Me perdoe, Mei-mei!

— Da próxima vez, não deixe passar, senão as alunas vão pensar que podem fazer o que quiserem sem receber a punição adequada.

Algum tempinho e as duas ficam em silêncio, ocupadas com seus afazeres no conselho. Himeko de vez em quando levanta a cabeça dos papeis que está lendo e observa a amiga, que está concentrada em terminar a organização dos documentos para finalizar seu trabalho como presidente do conselho. O silêncio da sala é quebrado subitamente pela ojou-sama.

— Himeko... Já que você conversou com a Yuzu, poderia me dizer como ela está?

Depois de tanto tempo evitando falar em Yuzu, Himeko acha um milagre Mei ter perguntado algo sobre a loira. Mal sabe a herdeira dos Aihara que a melhor amiga está ajudando Yuzu a atrapalhar os planos do casamento. Se Mei perguntou sobre a irmã, provavelmente ainda há esperança de que a kaichou desista de se casar.

— Aihara Yuzu está bem, como você deve ter notado nos últimos relatórios e nas listas de melhores pontuações nas provas. Quem diria que aquela peste fosse se tornar uma pessoa disciplinada, não é mesmo? Com esse afinco todo, ela conseguirá uma vaga numa boa universidade. Aliás, se ela quiser, poderá pleitear uma bolsa de estudos no exterior também, a escola poderia ajudá-la com isso. Nosso programa de intercâmbio com outras instituições no exterior é bem conceituado, seria ótimo para colocá-la nos trilhos.

A sugestão de Momokino para Yuzu estudar no exterior mexe com Mei, que de pronto interrompe o registro do relatório para rebater qualquer sugestão dada pela amiga.

— Não! Não vejo Yuzu cursando uma faculdade no exterior. E-ela... não conseguiria passar tanto tempo longe da nossa mãe, a comida seria totalmente diferente, ela não iria se acostumar com isso. E acho que a nossa mãe não suportaria ela fora do Japão... Fora isso, não sei se ela sabe falar inglês o suficiente para se virar sozinha.

— Sua irmã sabe se virar em qualquer situação, e você sabe muito bem, tanto que mudou as regras da escola para que Yuzu não fosse expulsa. Além do mais, Aihara Yuzu faz amizades facilmente, com certeza ela iria conhecer vários novos amigos, estaria sempre acompanhada de outras pessoas. E quanto ao inglês, todos os bolsistas passam por um curso preparatório no país escolhido, não seria nenhum empecilho. — Himeko provoca e observa a reação de Mei, cujo rosto demonstra incômodo com a possibilidade de Yuzu sair do país e encontrar um novo amor.

— Ahem... Que tal mudarmos de assunto? Hoje eu não poderei demorar, nossa despedida deverá ser breve. Tenho que voltar para a mansão do meu avô, pois de lá iremos diretamente à mansão dos pais do meu noivo, já que eles querem me conhecer pessoalmente.

— Mei-mei, me desculpe, mas... Você realmente não vai me dar nenhuma informação nova sobre seu noivo? Ah, poxa, que mal faria?

— Não há nada mais que eu possa falar a respeito, Himeko. Eu mesmo não o conheço em detalhes, quem sabe mais sobre ele é meu avô. Nós nos encontramos poucas vezes, e temos conversado apenas por telefone, mas para tratar de assuntos relacionados à cerimônia.

A vice-presidente já percebe que não conseguir extrair mais do que o que foi dito por Mei, e então as duas retornam ao trabalho em silêncio, que é interrompido depois de alguns minutos. Alguém bate à porta da sala do conselho, e Mei se levanta para atender, sendo surpreendida pela pessoa que aparece em sua frente. Nene está nervosa por estar na sala do conselho, do qual ela guarda um trauma desde o incidente que envolveu Mitsuko e a eleição entre Mei e Yuzu.

Quando a porta do conselho é aberta, a garota quase grita quando vê Mei, mas dá um jeito para se acalmar e inventar uma mentira para a kaichou.

—Ol... AAHHH! K-k-kaichou?

— Nomura? O que faz aqui? Você não está me parecendo muito bem...

— É-é-é que... E-eu est-tava passando por aqui, e de repente meu nariz começou a sangrar. Bati aqui para ver se vocês teriam alguns lenços de papel, hehehe... — Nene sua frio e ri de nervoso para disfarçar sua real intenção.

— Não temos, mas você vai ter que ir diretamente à enfermaria. Vamos, vou te acompanhar até lá e chamar a enfermeira responsável! Você está suando muito e com esse tanto de sangue saindo pelo nariz, seria uma irresponsabilidade você passar mal aqui no corredor.

— N-NÃO! E-eu acho melhor que Momokino-san me acompanhe! É com ela que eu quero ir! Momokino-saaaan!!!

Mei acha muito estranho que Nene peça a ajuda de Himeko, que é o terror da gangue de Yuzu. Ela vira os olhos, impaciente com o pedido de Nene, e tenta arrastar a garota até a enfermaria.

— Que diferença faz quem vai te acompanhar? Vamos logo, todo esse sangue saindo não está normal, não podemos demorar, pode ser algo urgente! Eu não tenho o dia todo disponível!

Himeko ouve as duas, e se dá conta de que Nene pode estar querendo dizer algo para ela. A vice-presidente vai até as duas e pede para Mei não se preocupar.

— Espere, Mei-mei, a Nomura está certa, é melhor eu acompanhá-la! Fique aqui, não se preocupe com isso. Afinal, hoje você não pode se precisa mais se estressar com mais nada da escola.

Sem entender nada, Mei larga o pulso de Nene e deixa Himeko levar a garota até a enfermaria. Ela volta ao que estava fazendo e fica sozinha na sala. “Mas que raios está acontecendo hoje? Himeko está um pouco estranha... Será que é porque ela herdará o meu cargo? Mas ela sabe como tudo aqui funciona, não tem motivo para agir diferente. E Nomura, aparecendo do nada no piso da sala do conselho, que ela tanto teme depois daquela eleição? Estranho, muito estranho!”, pensa Mei. No minuto seguinte, a ojou-sama dá de ombros pois acha que pode ser apenas impressão dela.

Longe da sala do conselho estudantil, Nene avisa a Himeko que Matsuri pode ter descoberto a identidade do noivo da kaichou. As duas param na enfermaria para conversar sem levantar suspeitas.

— Momokino-san, parece que descobrimos a identidade do noivo da kaichou!

— Como assim, Nomura? Vocês falaram com Shiraho-senpai?

— Não, foi a Matsuri quem lembrou de algo estranho. Sabe o gerente Udagawa, dono daquela pousada para onde viajamos todas juntas? Parece que ele também teve o casamento arranjado, e, segundo a Matsuri, ele se encontrará com a noiva hoje.

— Mas vocês têm certeza de que é ele? Porque ricos arranjando casamento pelo Japão é algo costumeiro, pode ser apenas uma coincidência! E o avô da Mei-mei é um empresário com vários contatos pelo país, poderia muito bem ser alguém de outra província!

— Bem, 100% de certeza mesmo não temos, mas notamos que algumas informações batem! Veja: ele fechou a cafeteria do qual é dono, e isso sem avisar os clientes. A família dele é rica e mora numa mansão aqui da capital, ele teve que largar tudo na cidade vizinha para voltar aos negócios da família. E quando a Matsuri perguntou se o gerente iria se encontrar com os Aihara, ele hesitou, não confirmou mas também não negou a informação. Simplesmente disse que era algo privado e desligou. Ou seja...

— Não é possível, sinceramente. De todos os herdeiros disponíveis aqui, Mei-mei teria sido prometida ao gerente? Que coincidência. Para tirarmos a dúvida, só tem um jeito de confirmar...

— O que você tem em mente, Momokino-san?

— Me dê uns quinze minutos, vou fazer uma ligação e você informará Aihara Yuzu para ficar de olho no celular dela. Não deixe que Mei-mei perceba algo diferente ou estranho entre vocês, senão é capaz de ela mudar de ideia e arranjar algum plano para nos despistar. Vou pedir a ajuda de alguém para conseguir algumas informações de uma maneira não muito legal, mas neste caso os fins vão justificar os meios.

— Ah, então preciso ir correndo até a sala da Yuzu-senpai antes da aula voltar! Até, Momokino-san!

Himeko aproveita que a enfermeira não está presente e usa o telefone da sala, já que não teria como voltar até a sala do conselho e fazer a ligação na frente de Mei.

— Alô? Kobayashi-san? Aqui é a Himeko. Será que você pode chamar Suzuki-san para mim, por favor? Não, não é para me buscar aqui na escola... é que eu preciso que ele faça um favor para mim. Não é algo que meus pais aprovariam, mas...

Do outro lado da linha, a pessoa com quem Himeko deseja falar atende. A vice-presidente explica a situação para o motorista da família.

— Suzuki-san, eu preciso que você venha até a escola com o carro de passeio. Não, não é para me buscar. Na verdade, eu preciso que você fique do lado de fora da escola, dentro do carro, no horário que vou combinar. Vou precisar que você faça o seguinte...— Momokino detalha o que Suzuki-san precisa fazer para ajudá-la no plano.

O relógio da escola anuncia o final das aulas dessa sexta-feira. No térreo, Yuzu, Harumin, Nene e Matsuri se encontram para, a partir dali, irem até alguma lanchonete esperar pelo sinal que Himeko dará. Apreensiva, Yuzu toda hora verifica seu celular na expectativa de receber logo algum telefonema da vice-presidente com as instruções para os próximos passos.

— Será que Momokino vai demorar muito, Nene?

— Yuzu-senpai, a vice-presidente não estipulou nenhum horário. Ela só me disse que você precisa estar atenta ao seu celular, e eu acho que provavelmente ela irá ligar para você daqui a algum tempo. Não sei o que ela pretende fazer, de verdade.

— Calma, Yuzucchi. A mama Harumin aqui conversou com a vice-pres, e ela quer mesmo te ajudar de alguma forma ou de outra. Ela está super preocupada com a kaichou tanto quanto você, e está disposta a remover qualquer obstáculo que impeça a amiga dela de ser feliz.

— Yuzu-chan, até eu que não morro de amores pela Sobrancelhas tenho fé de que ela vai cumprir o que prometeu. Acho que ela está demorando um pouco pois a reunião no conselho deve estar acontecendo agora que todas as outras alunas foram embora.

— Vocês têm razão, meninas. Talvez eu esteja apenas ansiosa e impaciente. Vamos logo até a lanchonete matar o tempo enquanto a Momokino não liga.

As quatro amigas vão até a mesma lanchonete em que se encontraram com Momokino e Shirapon-senpai da última vez, onde aguardarão o aviso da vice-presidente para os próximos passos. Enquanto Yuzu não disfarça sua preocupação enquanto consome seus lanches, Harumin olha de relance para a loira, e tenta adivinhar o que a outra está pensando no momento.

— Então, Yuzucchi... assim que a vice-pres der o sinal, você já sabe o que fará quando alcançar a kaichou? Digo, quando você conseguir chegar ao local em que ela e o noivo estão. Você não planejou nada, né?

— Ah, Harumin, nessa correria toda eu nem consegui pensar no que vou dizer assim que encontrar a Mei. Vou deixar que meu coração e minha consciência ditem o que vou falar. Não sei mais se vou ficar indignada, com raiva, aliviada ou feliz, ou um misto de tudo isso. A falta que eu sinto dela é tanta que eu faria uma confusão: ficaria muito feliz, mas provavelmente depois mostraria toda minha mágoa acumulada nesses meses.

— Yuzu-senpai, se você não conseguir trazer a kaichou de volta, você tem uma opção bem aqui na sua frente: Taniguchi-senpai! Eu serei a primeira a ap... — Nene é cortada secamente por Matsuri.

— Pare de sonhar, Nene! A Mei é o amor da vida da Yuzu-chan, Harumin-senpai não tem nada a ver com isso! Pare de arrastar os outros para essa fantasia yuri sem sentido! Não sei de onde que essa garota tira esse ship impossível!

— Ei, ei, vocês duas! Se continuarem fazendo escândalo, não vou conseguir ouvir o telefonema da Momokino! Vocês estão comigo ou contra mim? — Yuzu reclama com as duas novatas. Harumin ajuda Yuzu a acalmar as garotas, dando cascudos nas duas ao mesmo tempo.

— Nós estamos com um plano para resgatar a kaichou, não para falar de mim com a Yuzucchi. Prestem atenção e ajudem as duas a ser feliz no amor. Vocês duas só ficam especulando minha vida amorosa que chega a ser um saco!

A intervenção de Harumin faz efeito, e todas esperam caladas pelo telefonema de Momokino. Enquanto o celular não toca, Yuzu olha em direção à rua através da vitrine da lanchonete, relembrando o caminho pelo qual ela e Mei costumavam passar para ir para casa.

“Como era bom poder andar lado a lado com a Mei pelas ruas, mesmo que ela não fosse de falar muito comigo. Tê-la por perto me deixava mais animada e motivada a estudar, os dias na escola não eram tão tensos quanto antes. Eu gostaria muito de poder andar de mãos dadas com ela, mas eu sempre tive que me segurar para não causar nenhum tipo de constrangimento para ela. Aliás, não deveria ser constrangedor demonstrar que você gosta de alguém. Por que muitas pessoas se incomodam tanto sobre quem a gente gosta ou deixa de gostar? Eu só queria poder anunciar aos quatro ventos que Mei e eu estávamos juntas, como namoradas, e não como irmãs. Se eu tomei coragem suficiente para contar às nossas amigas mais próximas sobre o nosso relacionamento, eu sei que posso ter coragem também para enfrentar os olhares alheios e também o avô dela”, pensa Yuzu. “Aliás, papa e mama... como eles reagirão? Não vai ser fácil falar com eles sobre isso! E como contar para eles que nós já estávamos juntas bem debaixo do nariz deles? Oh, Yuzu, onde você foi se meter!

Dentro do bolso do cardigã da gyaru, o celular toca e interrompe seu fluxo de pensamentos. Suas mãos, agora geladas de nervosismo, alcançam o aparelho e tocam o botão para atender ligação. Todas as outras meninas na mesa param a conversa e ficam na expectativa de saber o que a pessoa do outro lado da linha tem a dizer.

— Alô?

Na sala do conselho, Mei dá um breve discurso de despedida enquanto oficializa a posse de Himeko como a nova kaichou, até que uma nova eleição seja feita.

— Muito obrigada a todas vocês, integrantes deste conselho, pelo trabalho dedicado a manter a ordem dentro da nossa instituição. Himeko Momokino é a pessoa certa para ocupar meu lugar nesta nova fase, e é uma das pessoas mais responsáveis que conheço, e não digo isso apenas por conhecê-la há muito tempo. Hoje me despeço da escola como aluna, mas em breve espero voltar como uma profissional preparada para honrar o trabalho da família Aihara. Peço a todas que colaborem com Momokino nessa árdua tarefa, pois como vocês devem saber, nosso trabalho no conselho não se restringe apenas ao que acontece aqui dentro, mas também ao que as alunas fazem do lado de fora quando usam nosso uniforme. Himeko é a pessoa a quem vocês devem reportar quaisquer casos envolvendo as estudantes da Academia Aihara a partir de hoje. Obrigada e continuem dando o melhor de si!

As demais integrantes do consellho aplaudem a agora ex-kaichou Mei Aihara. Himeko toma a palavra e faz seu discurso.

— Obrigada, Mei, pela confiança depositada em mim. Tenho ciência do desafio que terei de enfrentar como a nova kaichou, principalmente quando uma nova leva de alunas está prestes a entrar na nossa instituição. Prometo seguir fielmente todas as diretrizes estabelecidas durante seu mandato e manter a ordem com a ajuda de nossas integrantes. Nunca quebrarei nossa relação de confiança, construída ao longo de anos estudando nas escolas do Grupo Aihara. Espero atender às suas expectativas e, para isso, conto com a ajuda de todas as nossas integrantes, que têm feito um trabalho impecável desde que aceitaram participar do conselho.

Uma breve confraternização ocorre antes que todas as presentes voltem para casa. Um brinde é feito em homenagem a Mei, que se despede e agradece a cada integrante pelo trabalho desempenhado. Todas as meninas se emocionam e prometem manter o brilhante trabalho da agora ex-kaichou. Depois de cerca de vinte minutos de despedidas, cada uma das integrantes arruma suas coisas para voltar para suas casas. Como de praxe, Momokino e Mei ficam por último para fechar a sala do conselho e sair do prédio da escola. Notando que estão sozinhas, Himeko se aproxima de Mei e a abraça forte, enquanto deixa as lágrimas caem nos ombros da amiga.

— Mei-mei, obrigada por tudo! Sinceramente, não gostaria que sua despedida como presidente fosse assim. Sentirei sua falta dando bronca nas calouras! Não serei tão brilhante como você, mas prometo não te desapontar.

— Estou apenas me despedindo da escola por enquanto. Sabe que pode me encontrar sempre que puder, nossa amizade não acaba só porque estou deixando a escola. Você é uma das pessoas em quem eu mais confio além da minha família, não conseguiria pensar em outra pessoa assumindo a presidência do conselho.

— Vou torcer pela sua felicidade, vou tentar... pfft, esqueça o que eu ia dizer! Desejo que você consiga assumir os negócios do seu avô e que seja muito feliz com a pessoa com a qual se casará.

— Era isso o que eu queria ouvir de você, depois das nossas conversas anteriores. Eu juro que vou ficar bem. Eu preciso ficar bem para cuidar do império que meu avô criou, é a minha missão desde que me entendo por gente. Espero, do fundo do meu coração, que nós possamos trabalhar juntas novamente no futuro.

— Claro! Seria uma honra e um privilégio estar ao seu lado mais uma vez.

— Enquanto esse dia não chega, eu gostaria de fazer um pedido. Mas não conte a mais ninguém, por favor. Isso fica apenas entre nós duas. Quero que você fique de olho na Yuzu enquanto eu não estiver por perto. Peça informações sobre ela através da Taniguchi-san, que é a melhor amiga dela e quem melhor a entende. Não diga nada a Matsuri ou a Nomura, pois elas com certeza não gostariam de saber que eu ainda me importo com a Yuzu. Eu até poderia pedir este favor a nossa mãe, mas como ela trabalha muito tempo fora acho melhor recorrer à Taniguchi-san, que está sempre ao lado da minha irmã. E, além disso, se a Yuzu souber que nossa mãe escondeu algumas informações dela a meu pedido, isso seria prejudicial para o relacionamento das duas. Himeko, por favor! Informe qualquer movimento que a Yuzu fizer, eu te peço...

— Mei-mei, mas por quê?

— Eu não sei te explicar, mas é algo que eu preciso fazer. Mesmo estando longe, eu ainda me preocupo com ela. Sei que depois de tudo o que fiz seria muito estranho colocar alguém espiando todos os passos da Yuzu, mas de alguma forma isso me tranquilizaria. Bem, pelo menos é o que eu acho...

— O certo seria que vocês duas resolvessem todas as pendências diretamente, com sinceridade e nada para esconder. Não acho correto passar informações dela para você sem ela saber, mas se você acha que é melhor assim... Não tenho coragem de negar esse favor.

— Muito obrigada, Himeko. No futuro, talvez você possa entender as minhas ações e o porquê de eu não falar diretamente com a Yuzu sobre os nossos problemas. Agora, eu preciso ir para casa antes de ir ao encontro com meu noivo. O vovô irá junto para acertar os detalhes com a outra família e também causar uma boa impressão como o responsável por mim. Talvez eu demore um pouco para entrar em contato com você, mas isso não quer dizer que eu te abandonarei. Bem... até breve!

— Boa sorte, minha Mei-mei. — As duas amigas se abraçam novamente, desta vez mais forte. O rosto de Himeko está inchado de tanto chorar, um contraste absurdo em relação ao rosto de Mei, que está praticamente intocado.

Depois de se despedirem, Mei acaba saindo antes de Momokino, já que o carro da família Aihara aguarda no portão para levar a ojou-sama até a mansão do avô. Da janela da sala do conselho, Momokino vê o carro de passeio da sua família logo atrás, aguardando o momento certo para começar a seguir o carro preto dos Aihara. Com o telefone da sala do conselho na mão, a nova kaichou disca um número e espera a pessoa do outro lado atender.

— Suzuki-san?

— Senhorita Himeko! Como o combinado, já estou próximo da Academia Aihara e pronto para seguir o carro logo à frente. Só esperarei mais um pouco, para não levantar suspeitas.

— Ótimo, é assim mesmo que preciso que você faça. Logo que chegar à mansão dos Aihara, você terá de aguardar mais um pouco antes de seguir novamente o carro à sua frente. Mei e o avô se encontrarão na mansão antes de irem até o endereço que preciso. Quando o carro deles parar e os dois descerem, quero que passe a localização do GPS para o número que irei informar. Mas por favor, não falhe nessa missão, pois isso diz respeito a pessoas muito queridas para mim. Faça tudo o que puder para nos informar o endereço correto.

— Claro, senhorita, às ordens!

Após encerrar a ligação com Suzuki-san, Himeko faz uma ligação para Shirapon, para que esta coloque seus criados a postos assim que a localização da mansão do noivo for informada.

— Shiraho-senpai, já consegui que Suzuki-san, o motorista da minha família, seguisse o carro do avô de Mei-mei até a mansão do noivo. A localização exata chegará ao seu celular em breve, para que seu motorista possa levar Yuzu até lá.

— Himeko-san, já avisei aos meus criados sobre o plano. Ligarei para Yuzupon para marcarmos o local onde o carro da minha família passará para pegá-la. Minha única preocupação no momento é quanto ao trânsito.

— Considerando que estamos numa sexta-feira, já tenho um plano B na manga para caso o carro não conseguir escapar de um congestionamento. Maruta-senpai tem o que precisamos, ela já sabe do plano e está atenta. Só preciso de uma ligação e resolvo isso em um instante.

— Hmm, entendo. Entrarei em contato com Yuzupon para ver se conseguimos nos livrar do trânsito caótico o quanto antes. Assim que tudo der certo, ligarei para você avisando.

— Muito obrigada, Shiraho-senpai! Você não sabe o quanto me alivia saber que posso contar com sua ajuda neste momento.

— Ah, não estou sendo de muita ajuda, era o mínimo que eu poderia fazer para ajudar minhas amigas a resolverem seus problemas. Bem, agora vou desligar e ligar imediatamente para Yuzupon! Até logo mais, Himeko-san!

— Obrigada novamente, Shiraho-senpai. Boa sorte!

Logo após desligar a ligação de Himeko, Shiraho disca o número do celular de Yuzu para saber onde as duas poderão se encontrar. Mas, por um instante, uma sensação estranha provoca um arrepio na ex-veterana, que desconfia de que algo perigoso ameaça o plano de Yuzu. “E-essa sensação! Parece que, de repente, uma lufada de vento gelado passou por mim e me paralisou... Tem alguma coisa errada, mas não sei o que é. Por um alguns segundos senti algo ruim e assustador, um frio que eu nunca havia sentido antes. Será que é algum tipo de aviso ou sinal de que algo perigoso está para acontecer?”, Shiraho se pergunta.

O visor do celular mostra os números do telefone de Yuzu já discados, mas a ex-veterana ainda para por alguns segundos, pensando se é melhor seguir em frente ou ser cautelosa e levar a sensação ruim em consideração antes de qualquer passo. Quando a tela do telefone escurece e apaga os números de Yuzu, a veterana decide ligar, pois não há mais tempo extra para pesar os prós e os contras de seguir sua intuição; a felicidade de Mei e Yuzu pode se tornar impossível se todas as garotas envolvidas no plano não correrem contra o tempo. Ela então pensa que o frio súbito pode ter sido apenas uma coincidência, na melhor das hipóteses.

— Alô? Yuzupon!

— Alô? Shirapon?

— Escute, Himeko-san acabou de me ligar, e estou pronta para dar o suporte a vocês. Preciso saber onde você está agora, para que possamos buscá-la.

— Ah, bem... estou com as meninas na mesma lanchonete onde nos encontramos da última vez. Mas por quê?

— Himeko-san pediu ao motorista da família dela seguir o carro em que Mei-san está. Ele está acompanhando o trajeto e esperará o tempo necessário até descobrir onde fica a mansão do noivo de sua irmã. Mas para agilizarmos as coisas e evitar o trânsito lento, teremos que buscar você e esperar até recebermos a localização exata que o motorista de Himeko-san ficou de enviar pelo celular.

— Entendi. Estarei aqui na lanchonete esperando vocês com as outras meninas. Muito obrigada pelo apoio, Shirapon! Saiba que ficarei grata eternamente pela sua amizade!

— Fico feliz em poder ajudá-la neste momento crucial. Espero que meu motorista consiga chegar até a lanchonete sem encarar um engarrafamento. Vou junto e daí conversamos melhor daqui a alguns minutos. Até logo!

Shiraho havia pedido aos seus criados para retirar da garagem o carro que melhor atendesse ao plano: teria que ser um veículo discreto e compacto, não um dos carros caros e compridos que sua família usa no trabalho e em compromissos formais. Os dois homens decidem pegar o menor carro da família, pois seria o mais conveniente para o momento: nada chamativo e que fosse fácil de manusear.

— Mas é esse carro pequeno? — A ex-veterana estranha a escolha.

— Senhorita, dos carros disponíveis, este pequeno seria o ideal para andar nas ruas neste momento. Ele está com o tanque cheio e gasta pouco combustível, então não precisaríamos parar para abastecer por ora.

— Hmm, tudo bem. Desde que possamos chegar ao destino, o que vocês escolheram basta. Agora, preciso que me levem até a uma lanchonete próximo da Academia Aihara, no mesmo estabelecimento que me buscaram quando eu estava com a Yuzupon. Precisamos buscá-la e aguardar até que um endereço seja enviado ao meu telefone.

— Sim, o carro já está pronto para partir. Só estávamos aguardando seu sinal!

— Ótimo! Vamos lá!

Notas finais
Obrigad@ a tod@s pela leitura! Peço mil desculpas pela demora, estive tão cheia de trabalho e cheia de desânimo, cheia de estresse. Só agora consegui ter tempo para conseguir cortar algumas partes do texto e terminar este capítulo. Espero que continuem a leitura, já que preparo dar um choque na história. Hehe!