As palavras que não refletem seu coração
12 Capítulo 12 - Mães e filhas
Notas iniciais
Harumin chega em casa de carona com Himeko e seu motorista. Apesar de já estar tarde, a herdeira dos Momokino pede um tempo para poder conversar sobre o que ocorreu nesta noite.
— Taniguchi, será que eu poderia falar um pouco com você? Eu sei que você deve estar morta de sono, mas é que...
— Não se preocupe com isso, vice-pres! Como não temos aula amanhã, acho que não tem problema dormir um pouco mais tarde. E o único compromisso que tenho amanhã é visitar minha irmã e a Maruta-san no hospital, já que a Yuzucchi está na UTI e só poderá receber a família.
As duas entram na casa e vão até o quarto de Harumin no piso superior. Enquanto Himeko se ajeita no cômodo, a caçula dos Taniguchi desce até a cozinha para fazer um chá.
— Fiz um chá, mas não sei se é do seu agrado. Não tive tempo de passar no mercado e comprar outros sabores.
— Não se preocupe com isso.
— Bem, então, vice... o que você tem em mente neste exato momento?
— Taniguchi, você deve ter sido a primeira a chegar ao hospital e ficar sabendo do acidente. A Matsuri te contou o que aconteceu com mais detalhes? Assim que cheguei à recepção, Mei-mei já estava lá com o avô, mas eles estavam lá porque haviam sido avisados apenas sobre sua irmã e a Maruta. Eles só ficaram sabendo da Matsuri e da Yuzu pouco tempo depois.
— Eu e a vovó chegamos rápido, sim, mas isso porque foi a Matsuri quem ligou do hospital e assim pude avisar você, a Nene e a Shiraho-senpai. Não tive nenhuma informação sobre o que ocorreu na mansão do Udagawa-san, já que a Matsuri disse que estava aguardando na entrada enquanto a Yuzucchi conversava com a kaichou. Mas pelo clima tenso que testemunhamos na recepção do hospital, as coisas não devem ter saído do jeito que havíamos planejado.
— Eu já estava sentindo isso, principalmente pelo pouco tempo que se passou desde que Maruta-san e Mitsuko-senpai saíram com as motos até o horário em que recebi a notícia do acidente. Pelo visto, a Mei-mei não quis nem ouvir a Yuzu e deu uma resposta curta e grossa.
— Você se lembra do que a Matsuri disse quando estava exaltada, quase partindo para a briga? Parece que a Yuzucchi saiu de lá com um dos braços machucados, e por conta disso não conseguiu arrumar o capacete. E foi justamente por conta do capacete que ela sofreu uma lesão séria na cabeça. Parece que a Mi-chan percebeu que Yuzucchi estava com problemas para colocá-lo, e parou a moto para que a Matsuri pudesse ajudar. E nesse tempo em que elas ficaram paradas, acabou que um motorista atingiu todas as meninas.
— Hmm, Taniguchi... você acha que a Mei-mei teria machucado o braço da Yuzu?
— Vai saber, né? O clima lá pode ter sido tenso, ainda mais pelo fato da Yuzucchi ter chegado lá de repente. Você mesma não sabia para onde a kaichou iria depois de sair do conselho.
— A Mei-mei é rígida e brava, nós sabemos muito bem disso. Mas não acredito que ela tenha agredido alguém! Por outro lado, assim que o médico falou sobre a cirurgia e o alto risco de morte, ela começou a se culpar tanto pelo que aconteceu. Então, suspeito que ela tenha uma parcela de culpa aí...
As duas garotas param de falar por um instante para beber os chás que Harumin preparou. Himeko, durante esse momento em silêncio, pensa sobre o momento em que Matsuri revelou a Mei que todas as outras meninas haviam ajudado Yuzu a chegar à mansão de Udagawa. Ao saber que até sua melhor amiga havia tido papel no plano de fazê-la desistir do casamento, Mei deve ter se sentido traída, direcionando um olhar de raiva e desapontamento para a herdeira dos Momokino.
— Será que a Mei-mei está com raiva de todas nós por termos ajudado a Yuzu?
— Por que está pensando nisso, vice-pres?
—Eu notei quando Mei-mei olhou com uma expressão de raiva para mim, logo que ela soube que eu e Shiraho-senpai ajudamos na localização e na locomoção das garotas até a mansão do Udagawa-san. E eu, desde criança, sempre havia prometido que nunca trairia a confiança dela, que ela sempre poderia contar comigo para todas as ocasiões. Agora sinto um certo receio de que ela me veja como uma traidora e que fique com raiva de todas nós, e muito mais de mim.
— Sinceramente, se ela ficou com mágoa ou com raiva de todas nós, que fique! Falando por mim, eu não me importo se ela não quiser olhar na minha cara, ela quase não fala comigo mesmo! Não vou me preocupar com a kaichou agora, ainda mais com a Yuzucchi inconsciente numa cama de hospital. Você mesma viu quando a Mei-san ficou se culpando por tudo o que aconteceu. No papel de melhor amiga, você estava fazendo o possível para que ela abrisse os olhos e seguisse o próprio coração. Se a kaichou decidir cortar os laços de amizade contigo, com certeza quem sairá perdendo será ela, que ficará mais isolada do que já estava.
— Não gostaria de pensar nessa possibilidade, mas depois do que vi, não sei quando e como conversarei com a Mei-mei. Só queria que ela soubesse que eu não tive a intenção de causar mal algum quando decidi ajudar a Aihara Yuzu a encontrá-la novamente. Gostaria de explicar por que nós todas decidimos nos unir para ver as duas juntas.
— Vice-pres, acho que é melhor esperar um pouco antes de ir atrás da Mei-san. Pelo jeito como ela ficou, creio que não é o momento adequado. Vamos aguardar até a poeira baixar, porque ela ainda não está em condições, principalmente pelo que a Matsuri esfregou na cara dela na frente de todas nós. E, olha, me desculpe por falar mal da sua amiga de infância, mas recentemente a kaichou vem fazendo cada burrada, viu?
— Eu entendo que você esteja revoltada com as atitudes da Mei-mei, e peço desculpas no lugar dela. Só espero que ela entenda que nós já sabemos sobre o relacionamento com a Yuzu, então não há porque ter vergonha ou receio de falar sobre isso conosco. Admito que fiquei em choque ao saber que minha querida Mei-mei estava se relacionando com a própria irmã, mas eu meio que já desconfiava, pelas pequenas mudanças que ocorreram desde que aquela delinquente passou a frequentar a escola. Acho que o presidente Aihara não vai gostar de saber disso, ainda mais quando as fofocas correm longe naquele colégio. Imagine se todas as famílias ricas tirarem suas filhas de lá quando souberem sobre a herdeira do Grupo Aihara? Seria um desastre.
— Sim, isso realmente seria um cenário ruim. Infelizmente a mente de algumas pessoas ainda está lá na Idade Média ou no tempo das cavernas. Talvez seja uma oportunidade de o colégio mostrar que acompanha a mudança dos tempos, afinal aquelas garotas todas não vivem em uma bolha.
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Depois de um banho demorado, Mei vai até a cozinha ver se o curry já está quente o suficiente para poder jantar. Sentada à mesa, Ume está olhando para o vazio pensando em Yuzu, quando percebe que a filha mais nova se juntou à ela para fazer a refeição.
— Sabe, Mei-chan... Mesmo você longe da gente, a Yuzu continuou a comprar o mesmo tanto de ingredientes para fazer a comida. Várias vezes não tive tempo para voltar para casa por conta do trabalho, então sobrava o suficiente para ela guardar para o dia seguinte. Mas em várias ocasiões ela também não jantava, pois queria focar nos estudos a noite inteira.
— Eu fiquei sabendo pelo conselho que a Yuzu estava se saindo bem nos testes, mas não imaginava que ela estava deixando de comer para estudar.
— Ela queria estar entre as melhores alunas, tanto que havia deixado de lado as saídas com as amigas. Acredite, a Yuzu voltava da escola direto para casa! Nem nos finais de semana ela saía mais.
— Achei impressionante como ela conseguiu se empenhar tão rápido. As provas ultimamente andam muito difíceis devido à contratação de professores mais experientes.
— Esse empenho todo foi graças a você! Uma coisa que ela havia me dito era que, se continuasse tirando ótimas notas, talvez pudesse chamar a sua atenção ou conversar contigo, nem que fosse por alguns minutos. O sorriso contagiante e a conversa animada que ela tinha sumiram nesses meses em que você foi morar com seu avô, mas ela evitava conversar sobre esse motivo. Só queria que você soubesse que nós estávamos sentindo muito a sua falta, mas a Yuzu estava uma tristeza só. Tentei fazer com que ela se distraísse com outras coisas, mas não consegui. Até o espaço que era seu ela deixou intacto, provavelmente porque esperava que você mudasse de ideia e voltasse para casa. Quando eu tentava puxar conversa, ela simplesmente me evitava ou dava respostas curtas. E com a minha carga puxada de trabalho, era praticamente impossível encaixar nossos horários e sentar para tomar um chá.
— Sinto muito pelos transtornos que causei a vocês. Não era minha intenção, mas eu não poderia dizer não para o vovô. — Mei se sente péssima após as revelações de Ume.
— Eu entendo, querida. Você não tem culpa por carregar uma responsabilidade enorme nas costas. A Yuzu parecia não se conformar com o casamento arranjado pelo seu avô, mesmo eu tendo explicado que vocês duas cresceram em ambientes bem diferentes. Só que ela não queria desabafar sobre tudo o que estava sentindo... Achei que ela fosse ficar feliz por você, mas acabou que a reação foi totalmente oposta.
— Me sinto mal por não ter conversado com ela antes de voltar para a mansão do vovô. Não tive coragem de revelar que meu noivo já havia sido escolhido...
— Como você havia pedido, não revelei nada sobre vocês adiantarem o casamento. Só que agora queria saber como ela soube do encontro com seu noivo, e ainda mais como conseguiu encontrar vocês dois. Eu ainda não sei o que a Matsuri e as outras meninas estavam fazendo junto com a Yuzu, ninguém me disse nada! E no meio do desespero todo eu nem lembrei de perguntar às suas amigas como tudo ocorreu!
— Desconfio que alguém da escola tenha passado informações para a Yuzu e às outras meninas, e assim todas deram um jeito de fazer com que nós nos encontrássemos... — Logo a imagem de Himeko vem à cabeça de Mei.
—Hmm, vou ter que perguntar para a Matsuri...
— Ah... Matsuri, é? — Mei não gosta da ideia de Ume. — Acho que seria melhor perguntar para outra pessoa, não confio muito naquela garota.
— Ah, Mei-chan! Não demore muito, ou o seu curry vai esfriar!
— Ah! É mesmo, desculpe! Você não vai comer?
— Sinceramente... perdi a fome. Não consigo pensar em nada mais além da Yuzu.
Assim que começa a jantar, Mei sente que o sabor e o aroma do curry preparado por Yuzu dispararam um turbilhão de pensamentos e de lembranças de tudo o que passaram juntas. As lágrimas descem pelo seu rosto, e logo em seguida ela não consegue manter os olhos abertos.
— Mei-chan?
— Ahh... a Yuzu preparava esse curry todas as vezes em que chegávamos tarde do colégio. Ela sabia que eu gostava, e ainda gosto, dessa receita, por isso fazia para mim. Lá na mansão do vovô... as refeições... eu sempre ficava sozinha à mesa... e o gosto era totalmente sem graça. Depois que eu me mudei para cá, ganhei a atenção que eu não tinha quando morava com meu avô. — Chorando, a garota interrompe a refeição. Ume se comove com a situação e toca a mão de Mei, que abre os olhos para olhar para a mãe.
— Mei-chan, tem algo que eu nunca te contei. Sabe que achei tão lindo quando vi que a Yuzu conseguiu superar o mal estar que ela tinha no início, logo quando descobriu que teria uma irmã mais nova? Claro que tem a Matsuri, mas é um caso totalmente diferente do que temos aqui. Que relacionamento especial vocês devem ter criado! É uma pena que as duas tenham se desentendido e brigado feio hoje. Será que é possível que vocês possam fazer as pazes quando a Yuzu estiver melhor? Queria uma conversa só entre nós três, para que vocês me dissessem tudo o que está entalado na garganta. Eu não quero que minhas duas filhas fiquem de mal para sempre! Se vocês quiserem me contar o que estão sentindo, quais problemas estão enfrentando, eu vou ouvir! Além do mais, sinto que você tem algo para falar, mas talvez este não seja o momento adequado. Aliás, a Yuzu também tinha algo muito importante para falar comigo, algo sobre o futuro que ela escolheu. Mas daí veio o acidente...
— A-acho que eu... e a Yuzu... temos vários assuntos para falar. Se estivermos juntas... talvez... seja mais fácil dizer sobre tudo o que nos aflige.
— Que bom! Espero que vocês possam resolver as diferenças da melhor maneira possível! Ficaria muito triste se tivesse que lidar com uma clima ruim entre as duas.
— Se é isso o que deseja, mamãe, vou fazer o possível.
— Ah, já ia esquecendo... Tem uma outra coisa que eu gostaria de pedir. Não se sinta obrigada a aceitar, ainda mais planejando o casamento. É que... enquanto a Yuzu estiver na UTI, apenas nós da família estamos autorizados a visitá-la. Só que talvez eu não consiga vê-la todos os dias, meu trabalho é rígido com os horários. Mei-chan, eu não gostaria de imaginar a Yuzu sozinha no hospital, ainda mais naquele lugar frio, cheio de máquinas. Quero que ela sinta que estaremos sempre presentes, que sinta o nosso calor, mesmo que sejam apenas 30 minutos de visita. Se for possível, você poderia visitá-la nas ocasiões em que eu não puder vê-la? Ou mesmo quando eu puder, você poderia ir comigo?
A herdeira dos Aihara sente receio em aceitar o pedido de Ume. Mei feriu os sentimentos de Yuzu, tomou uma decisão unilateral ao romper com a gyaru e a fez sofrer durante todo esse tempo. E agora, justo no momento em que Yuzu não tem condições de expressar seus sentimentos, a ojou-sama ganha o direito de ficar perto dela? Mei lamenta o fato de Ume não saber exatamente o que se passou entre as duas garotas. Mas como ela não tem coragem de dizer não à mulher que a acolheu e a tratou com carinho desde o primeiro momento, acabou aceitando o pedido.
— Eu acho que posso, sim. Mas estou com um certo medo de ir ao hospital novamente.
— Estou mais aliviada agora que você aceitou! Mei, também sinto um certo receio de voltar ao hospital, mas também não quero a Yuzu passando um dia sozinha. Não vou mentir que foi chocante ter que ver minha bebê em coma, cheia de curativos e fios, ela sem se mexer... É difícil vê-la ligada a vários aparelhos, mas pela Yuzu eu preciso que aguentar o que for.
— Entendo. Se você desejar, amanhã mesmo irei vê-la, pois preciso me certificar de que estão cuidando muito bem dela.
— Você poderá visitá-la no período da tarde, querida. Infelizmente não podemos levar flores ou qualquer outro tipo de objeto, mas só pelo fato de podermos vê-la já sinto um certo alento.
— Não se preocupe quanto a isso. Se os médicos disserem algo, eu a informarei o mais rápido que puder. E se houver algo necessário, vou ter que avisar meu avô também.
— Obrigada, Mei. Eu sabia que poderia contar com você.
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No departamento de polícia, a equipe responsável pela investigação procura os dados que possam levar ao nome do dono do carro. Com a fotografia tirada por alguém da perícia, Ogawa e Ishihara fazem uma busca nos registros de veículos, até chegar a um nome fichado na polícia.
— Hmm... parece que achamos o proprietário do veículo que causou o acidente de hoje à noite. Esse cara já tem ficha na polícia por furtos e roubos, e o endereço dele é um pouco longe daqui. O nome dele, deixa eu ver aqui... Taichi Kawamura.
— Vamos até o local, ver se alguém da família sabe de algo e se pode fornecer alguma informação sobre o motorista. Do jeito que o corpo ficou, acho que será necessário obter algum material biológico para identificar o cadáver. Depois ainda teremos que entrar em contato com as famílias das outras vítimas, saber se esse motorista tinha algum tipo de contato com as garotas que sofreram o acidente.
— Teremos que verificar se alguma das casas da região do acidente tem câmera de segurança. É bem provável que alguma residência tenha as imagens, não é possível que aquelas casas de alto padrão não tenham um circuito de vídeo!
— Sim, mas esses assuntos deixaremos para amanhã. Você sabe, esses ricaços são a maior frescura, acham que são intocáveis quando os nomes deles estão envolvidos em algum crime, direta ou indiretamente. Se aparecermos agora, a essa hora da noite, eles não nos deixarão trabalhar em paz.
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Depois de ter jantado o curry preparado por Yuzu e ter conversado um pouco com Ume, Mei vai até seu antigo quarto para dormir. Assim que entra, encosta o corpo na porta e fica parada, com as mãos tampando o rosto. "Argh... com que cara eu vou aparecer no hospital? Por que a mamãe quis que um monstro como eu ficasse perto da pessoa que mais sofreu com minhas decisões? Não vou conseguir ficar em pé quando for visitá-la naquela UTI. E ainda tenho que tomar uma decisão importante em relação ao casamento, mas preciso pensar num jeito de fazer com que o vovô entenda a condição em que estou. Talvez eu deva pedir ajuda ao Udagawa-san...", pensa Mei.
A ojou-sama desencosta seu corpo da porta e vai até a cama, sentando no lugar em que Yuzu costuma dormir. Ela se deita e usa o travesseiro de Yuzu para sentir o perfume do xampu que Yuzu adora usar. Já sonolenta, ela pega Kumagoro e o abraça com força.
— Kumagoro, o que eu devo fazer agora? A Yuzu está em estado grave, e eu tenho uma grande parcela de culpa por ela estar nesta situação. Eu não vou conseguir seguir em frente enquanto não me certificar de que ela vai ficar bem. Se eu já não estava no clima para ajudar nos preparativos do casamento que eu mesma pedi para adiantar, agora então... Se algo ruim acontecer com a Yuzu, eu não saberei como agir.
No meio de tantos problemas aparecendo em sua cabeça, a ojou-sama adormece agarrada ao urso de pelúcia, sua única companhia naquele quarto vazio.
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Na manhã seguinte, Harumin e sua avó vão até o hospital para visitar Mitsuko e Kayo, que estão instaladas em um quarto. As duas garotas acordaram há pouco tempo e não se lembram direito do que aconteceu na noite anterior.
— Olá, meninas! Espero que estejam melhor! — Disse a avó.
— Oi, Mi-chan, Maruta-san! Viemos aqui fazer uma visitinha e trazer algumas coisas para vocês. — Harumin abre a bolsa de pano com algumas frutas e biscoitos.
— Vovó, Harumi! Ainda bem que vocês vieram! Eu e a Maruta não sabemos direito como viemos parar aqui, e ainda com todos esses curativos. Afinal, o que aconteceu?
— Mitsuko, você e Kayo-chan sofreram um acidente e foram atingidas por um carro. Aliás, não apenas vocês duas, mas aquela garota de cabelo rosa e a amiga de Harumi também vieram para cá.
Harumin abaixa a cabeça triste após a avó dizer que Yuzu também estava no hospital. Mitsuko percebe e pergunta para a irmã mais nova sobre o que aconteceu com as outras duas.
— Harumi! Que olhar é esse? Aconteceu algo que ainda não sabemos?
— Mi-chan... é que a Yuzucchi... ela sofreu graves lesões e passou por uma cirurgia. Ela bateu a cabeça no asfalto, se machucou gravemente e perdeu muito sangue, então foi preciso colocá-la em coma para ver se ela se recupera mais rápido. Mas o médico disse que o quadro dela é delicado.
— Ah, espera aí... Agora eu me lembro de parte do que aconteceu, Mi-chan! — Maruta se lembra do problema que Yuzu teve no caminho. — Paramos em uma rua para que a Yuzu-san pudesse arrumar o capacete, porque o braço dela havia machucado lá dentro da mansão. Não sabemos o que houve para ela ter se machucado, mas lembro que a Mizusawa foi tentar ajudar a prender o capacete, por isso desceu da minha moto. Daí a última coisa que vimos foi uma luz intensa vindo em nossa direção, e depois acordamos imobilizadas aqui no hospital.
— Oh, agora estou me lembrando sim! Até a parte em que a Mizusawa desceu para ajudar a Aihara, porque depois disso só me lembro de uma luz alta, e depois apaguei totalmente.
— Mitsuko, de qualquer forma você e Kayo-chan tiveram sorte, assim como a Mizusawa. Já falamos com a médica que atendeu vocês e ela disse que vocês duas precisarão ficar aqui por mais alguns dias, só por precaução. Espero que da próxima vez vocês me avisem para onde estão indo, pois eu só fiquei sabendo de detalhes do que aconteceu por conta da garota que ajudou a chamar o resgate. Como é que é o nome dela mesmo? Hmmm... Ah! É Megumi! Depois vocês terão de agradecer essa garota por tudo o que ela fez! — Diz a avó.
— Me desculpe, vovó! Mas não tínhamos como prever que alguém fosse nos atingir e causar todos esses transtornos! Eu e Maruta fomos chamadas pela Momokino para ajudar em um assunto, por isso saímos com as motos. Bem, assim que estivermos melhor, iremos agradecer pessoalmente a esta garota chamada Megumi!
Harumin dá uma olhada pelo quarto e sente que não há nada de interessante para que as duas garotas consigam passar o tempo. Não há TV no quarto, e um livro seria inconveniente para quem está com o braço fraturado.
— Então, gente, vocês querem que eu traga alguma coisa para entreter as duas? Eu sei que com a situação em que as duas estão, não há muitas opções disponíveis. Talvez, como vocês estão no mesmo quarto, só resta colocar a conversa em dia, não é mesmo?
— Sim! Eu tenho um monte de coisas para conversar com a Mi-chan, ela não vai entediada. Pelo menos é o que eu acho... — Maruta explica para as Taniguchi, rindo. Mitsuko não tem nenhuma ideia, então se conforma com a companhia de Maruta.
— Ah! Já estava me esquecendo! Eu preciso avisar ao escritório que não estou em condições de trabalhar por enquanto! — Mitsuko se preocupa em avisar o local de trabalho, mas é tranquilizada pela avó.
— Quanto a isso, não se preocupe, Mitsuko! O Aihara-san veio pessoalmente assim que soube do acidente, parece que o escritório todo já sabe, afinal eles foram avisados primeiro pelo hospital. Recupere-se primeiro e aí você resolve as coisas com o pessoal do trabalho.
— E quanto à Mizusawa? Ela está bem? — Maruta pergunta para Harumin.
— Ela está ainda aqui no hospital. Como a situação dela não foi tão grave como o de vocês, que estão com pernas e braços imobilizados, é provável que aquela peste saia daqui ainda hoje. Só torço para que ela não descubra o quarto onde vocês estão, senão vai vir aqui infernizar vocês com coisas inconvenientes.
— Harumi, e quanto à sua amiga, a Aihara?
— Bem, Mi-chan... a Yuzucchi está na UTI, e apenas a família dela tem permissão para visitá-la. Eu bem que gostaria de ir até lá dar uma força, mas já que não posso pedi à mãe dela para nos dar notícias. Acho que a kaichou também deve visitá-la, apesar de tudo o que aconteceu.
— Na verdade, a neta do Aihara-san só soube que a irmã estava envolvida no acidente quando a mãe delas entrou desesperada pela porta do hospital. Foi bem triste ver a pobrezinha se culpando pelo que aconteceu!
— Ai, vovó, você está sendo muito boazinha com a kaichou porque não sabe de tudo o que ela fez com a Yuzucchi! — Harumin se espanta com a pena que a avó sente por Mei. — Mas isso não importa agora, tudo o que eu quero é ver a minha amiga de volta! Logo, logo estaremos juntas batendo perna nas lojas de roupas, escolhendo novos looks, indo ao shopping. Eu tenho certeza disso!
— Harumi, você veio morar com a vovó para estudar ou ficar gastando dinheiro à toa? —Mitsuko se revolta com o pensamento da irmã caçula. — Acho que vou avisar o papai para não te mandar mais dinheiro! Afinal, você só gasta dinheiro com porcarias, enquanto deveria pensar mais no seu futuro. Logo, logo vai chegar sua vez de entrar numa universidade, aí eu quero ver como você vai se virar!
— Eu vim para estudar também, mas quem me convidou para cá foi a vovó, e foi ela quem me ensinou a ter estilo. Se quiser brigar comigo, vai ter que brigar com a vovó também! — Harumin chega perto da avó e dá uma piscadinha para a idosa, que concorda com a neta mais nova. Com isso, Mitsuko desiste de discutir com Harumin.
Enquanto as duas garotas hospitalizadas se alimentam com a ajuda da vovó Taniguchi, Harumin olha o celular em busca de alguma notícia sobre Yuzu, porém nada de mensagem.
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Mei chega à mansão do avô após ter tomado café da manhã com Ume, mas não encontra o velho Aihara. Um funcionário percebe a chegada dela e a avisa sobre a ausência do patrão.
— Ah, senhorita Mei! Seu avô teve de sair para uma reunião com alguns sócios, mas disse que à noite ele estará de volta. Há algo que eu possa fazer pela senhorita?
— Obrigada pelo aviso. Não, no momento não preciso de nada. Só que... à tarde vou precisar ir até o hospital visitar minha irmã, e talvez também precise me encontrar com o Udagawa-san.
— Entendido! Avisarei ao motorista para ficar de prontidão.
A garota sobe as escadas e vai até o quarto para pensar o que fazer nos próximos dias, principalmente quanto ao casamento com Udagawa. Assim que abre a porta, ela vê a maleta com o material escolar e se sente desconfortável ao pensar que não estará mais no comando do conselho estudantil. Apesar de ser uma tarefa exaustiva e de grande responsabilidade, era algo que a mantinha centrada e ocupada, como se fosse um preparativo para o futuro que vislumbrava como sucessora do avô. Mas o casamento com Udagawa acabaria com parte de seu futuro, já que os sócios do Grupo Aihara esperam que o futuro marido de Mei assuma os negócios. Eles não confiam em uma mulher no comando, não importa que essa mulher seja neta do próprio presidente.
"Do que adianta passar por um colégio conceituado, ter que se esforçar mais que os outros para mostrar que eu não sou favorecida por ser neta do presidente do Grupo Aihara, carregar várias responsabilidades, se no final os sócios esperam outra pessoa no lugar do meu avô? Será que pensam que eu sou um simples troféu, alguém que é só um enfeite?", Meise pergunta. Sentada em sua cama, a garota fica pensativa e começa a relembrar as palavras de Ume na noite anterior. "Queria uma conversa só entre nós três, para que vocês me dissessem tudo o que está entalado na garganta. Se vocês quiserem me contar o que estão sentindo, quais problemas estão enfrentando, eu vou ouvir! Além do mais, sinto que você tem algo para falar, mas talvez este não seja o momento adequado. Aliás, a Yuzu também tinha algo muito importante para falar comigo, algo sobre o futuro que ela escolheu."
Deitada na cama e olhando para o teto, Mei começa a pensar que a ida de Yuzu até a mansão de Udagawa tenha a ver com a conversa que a gyaru havia prometido à mãe. Pode ser que Yuzu tenha definido as alternativas para o próprio futuro levando em consideração o resultado do encontro com a herdeira dos Aihara. Se a loira conseguisse convencer Mei a não se casar e a dizer não ao avô, isso significaria que as duas poderiam recomeçar o relacionamento de onde pararam, e daí em diante nada mais as impediria? E com Mei insistindo no casamento, o que Yuzu faria da vida?
A garota acha melhor conversar com Udagawa-san sobre a possibilidade de adiar o casamento, pelo menos por enquanto. Ela então decide fazer uma ligação para o noivo.
— Alô? Udagawa-san? Aqui é a Mei.
— Ah! Olá, Mei-san! Está tudo bem por aí? Depois daquele episódio de ontem com a Yuzu, fiquei preocupado com vocês duas!
— Então... — Ela hesita em falar. A linha fica em silêncio por algum tempo.
— Mei-san, ainda está na linha?
— Sim. É que eu preciso conversar com você urgentemente. Se for possível, gostaria de encontrá-lo pessoalmente à tarde. Aconteceu algo muito grave na minha família, por telefone seria complicado explicar.
— Ah, sério? Sinto muito! Há algo em que eu possa ajudar? Posso passar e buscá-la, daí paramos em um café, pode ser?
— Sim. E é justamente você a quem posso pedir ajuda no momento. Todas as outras pessoas não me parecem... confiáveis no momento. Poderia vir pelas 16 horas?
— Claro, sem problemas. Até às 16!
Após se despedir e agradecer a disponibilidade de Udagawa, Mei dá um suspiro por pelo menos ter tido a coragem de chamar o noivo para tentar explicar a situação que a atormenta atualmente.
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Os investigadores chegam até o local onde mora o dono do carro que feriu Yuzu e suas amigas no dia anterior. É um bairro afastado do centro da cidade, com casas malconservadas, estabelecimentos com fachadas antigas e movimentação suspeita. Alguns homens parados na calçada começam a se mover assim que percebem a chegada de um carro da polícia, outros olham de dentro de suas casas se perguntando quem será o preso desta vez.
— Ishihara, pelo que deu para perceber, esse local não é muito bem frequentado. Só de chegarmos as pessoas deram no pé imediatamente!
— Já deu para sacar que aqui parece meio barra pesada! É melhor se preparar para não ser pego de surpresa quando estivermos saindo do carro.
Os dois chegam até uma casa velha com partes de madeira caindo aos pedaços. Eles olham todos os cantos para se certificarem de que não estão sendo vigiados de perto por algum criminoso na rua, e só então resolvem abordar os donos da casa. Ogawa dá algumas batidas na porta, até ouvir a voz de uma mulher gritando do lado de dentro.
— JÁ OUVI! PARE DE BATER!
A mulher está com um aspecto deplorável, exalando um forte cheiro de cigarro e bebida. Ao ver os dois homens apresentando os distintivos, o mau humor dela se acentua, pois provavelmente o marido deve ter aprontado mais uma vez.
— Eu sou Ogawa, e esse é Ishihara. Somos da polícia e viemos até aqui saber se esta é a casa de Taichi Kawamura. O carro dele esteve envolvido em um acidente ontem à noite...
— Ah, não! Eu sabia que essa coisa de emprestar o carro para o desgraçado do Amemiya não era coisa boa! Mas meu marido devia um favor para aquele pilantra, não conseguiu recusar.
— Como assim, emprestou o carro? Ele não saiu ontem à noite com o veículo? — Pergunta Ishihara.
— Não, o Ta-kun ficou o dia inteiro em casa comigo. Era para a gente ter saído, mas o doido do meu marido emprestou aquela lata velha para o Amemiya não tem muito tempo.
— Então não ficaram sabendo o que aconteceu com o carro, nem mesmo pela televisão? Ninguém os avisou?
— Não, meu marido mesmo não disse nada. E não acompanhamos o noticiário.
— Pois o carro que o seu marido emprestou para esse tal de Amemiya causou um acidente gravíssimo, em que quatro pessoas foram atropeladas num bairro de alto padrão. O veículo pegou fogo e o motorista morreu carbonizado.
— Oh, que desgraça! Então o Amemiya... Eu vou chamar o Ta-kun, ele precisa saber disso! Esperem só um minuto!
A mulher desaparece no interior da casa escura, e logo chega com o marido vestindo uma camiseta e uma bermuda gastas.
— Ah, mas era só o que faltava! Eu já paguei o que devia, não me meti em encrenca recentemente, nem venham me pegar de novo!
— Sinto muito, mas uma encrenca aconteceu envolvendo seu carro. O motorista atingiu quatro garotas numa batida, sendo que uma delas corre risco de morrer. E no final, o fogo consumiu tanto o veículo quanto quem o dirigia. O senhor vai ter que nos acompanhar se não quiser ser preso imediatamente!
— Droga! Eu tinha avisado o Amemiya que aquele carro estava com problemas! Aposto que o safado achou que eu estivesse mentindo. Olha, eu vou sim, mas já avisando que eu não sabia nada desse acidente! Se ele tentou matar alguém, eu não ajudei a planejar!
— Já entendemos! Mas isso tudo você vai ter que dizer lá no departamento de polícia! Troque de roupa e iremos coletar todas as informações que você sabe. Se não colaborar, aí sim teremos motivo para colocar você atrás das grades.
Contrariado, o dono do carro destruído volta até o quarto e pega a roupa mais decente que ainda resta no armário, e acompanha os dois investigadores até o departamento de polícia.
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Matsuri recebeu alta no começo da tarde, mas voltou para casa com uma muleta, pernas e braços enfaixados, o que significa que ela vai levar alguns dias ou semanas sem sair de casa. Só de pensar nessa possibilidade a garota de cabelos rosa fica de mau humor. Não bastasse ter perdido o celular com todas as fotos, contatos e mensagens, ainda teria que ficar ausente dos arcades e dos passeios com as outras meninas. Entretanto, com o estado de saúde de Yuzu, é improvável que Nene e Harumin queiram bater perna à toa.
Estirada no pufe dentro do quarto, a garota relembra as cenas do dia anterior, toda a raiva extravasada em cima de Mei. De repente, sua mãe bate à porta trazendo uma bandeja com alguns lanches, o que interrompe o momento introspectivo de Matsuri.
— Matsuri, trouxe algumas coisas para você comer. Desde que você saiu do hospital, ficou aqui enfurnada nesse quarto. É melhor comer e se recuperar o mais rápido possível, afinal precisa voltar às aulas, não é mesmo?
— Mamãe, pode deixar essa bandeja em cima da minha escrivaninha. Eu não estou com fome agora, mas prometo comer mais tarde. — Diz a garota sem muito ânimo.
— Sinto muito pelo que aconteceu com a filha da Ume-san. Ela vai sair dessa rápido, pode apostar! — A mãe tenta animar com palavras de conforto.
— Não estou tão confiante assim, a Yuzu-chan estava num estado deplorável. Ela saiu humilhada da mansão do gerente, e ainda sofreu o pior quando fomos atropeladas. Nada disso teria acontecido se aquela vadia da irmã dela...
— Minha filha, sei que você adora a Yuzu-chan como se ela fosse sua irmã mais velha, mas isso de se meter demais nos assuntos dos outros só traz confusão. O que você esteve fazendo com a Yuzu-chan e as outras meninas, em cima de uma moto, num bairro de gente milionária? Era para você ter saído da escola e voltado direto para casa, não ter desviado do caminho para arranjar confusão do outro lado da cidade! O Inori ficou sozinho te esperando, sem falar que eu e seu pai tivemos que sair às pressas do trabalho pensando que algo muito pior tivesse acontecido a você. Nem para nos avisar que voltaria mais tarde você se deu ao trabalho! Agora olha só o seu estado!
— Mas mamãe, eu só estava ajudando a Yuzu-chan a resolver alguns assuntos com a irmã dela!
— Não importa! Você nunca havia nos dado problemas durante esse tempo todo, você sempre foi uma menina obediente e atenciosa com seu irmãozinho. E, de repente, seu pai e eu ficamos chocados e decepcionados por vê-la envolvida em um acidente, num local em que nunca havíamos pisado. Se tivesse voltado direto para casa, com certeza não teria sofrido todos esses machucados e não correria o risco de perder aulas. Agora vai ter que ficar um tempo sem celular e sem computador conectado à internet. E se quiser ligar para alguém vai ter que usar o telefone da sala, pois assim vamos saber para quais números você ligou.
— Como é que eu vou conseguir as anotações das aulas que vou perder? Querem que eu repita de ano? — Pergunta a menina, indignada. Na verdade, Matsuri está preocupada com a falta de dinheiro fazendo montagens pornográficas para velhos safados.
— Não se preocupe, vamos entrar em contato com a escola e pedir que alguma de suas colegas traga o conteúdo das aulas. E com os livros você consegue se virar, não vai ser necessário navegar pela internet para pesquisar as matérias. Se tiver algum outro problema, é só contar que nós damos um jeito de resolver. Agora queremos que pense muito antes de meter a colher em assuntos alheios.
— Mas...
— Na segunda-feira a gente resolve as coisas da escola. Agora coma e seja a menina obediente que você costumava ser.
"Não vou deixar a Mei-san pensar que estará livre de mim. Vou dar um jeito de acompanhar as ações daquela herdeirazinha!", promete Matsuri.
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O horário combinado com Udagawa-san chega, e Mei desce à espera do noivo. Pontual, o carro simples para em frente ao portão da mansão, enquanto o dono avisa ao funcionário dos Aihara que veio buscar a ojou-sama. Poucos minutos depois, o portão se abre e a jovem herdeira aparece, entra no carro e começa a conversa com Udagawa com o carro parado.
— Como combinamos, podemos ir a um café para conversarmos com mais calma. Soube de um novo estabelecimento que abriu algumas semanas atrás e que não fica muito longe daqui.
— Espere, Udagawa-san. Antes disso, eu preciso que você me leve até o Hospital Central, o horário de visitas está próximo, não posso faltar!
— Está se sentindo mal? Se quiser...
— Não, não estou me sentindo mal. Aliás, o motivo que me levou a marcar essa conversa tem a ver com a ida ao hospital primeiro. É... sobre a Yuzu.
— O QUÊ? Então a situação grave que você havia mencionado de manhã tem a ver com a Yuzu-chan? O que aconteceu? — Udagawa fica chocado com a revelação. — Isso foi logo depois de vocês terem conversado na mansão dos meus pais?
— Sim, pouco tempo depois de ela ter saído correndo de lá. A Yuzu e a Matsuri estavam em companhia de duas veteranas, a Mitsuko e a Maruta-senpai, que você conheceu naquele final de semana na pousada. As quatro meninas estavam voltando para casa em duas motos, quando um carro desgovernado atingiu e atropelou todas elas, isso perto da mansão dos seus pais. Mas de todas, a Yuzu foi quem sofreu os danos mais graves. — Mei massageia e abaixa a cabeça, que dói só de pensar de novo no que aconteceu.
— Sinto muito pela Yuzu-chan! Nunca imaginaria que algo tão sério ocorreria com ela em tão pouco tempo! Como ela está agora?
— Ela... passou por uma longa cirurgia, quase morreu durante a operação... e agora está na UTI, em estado muito grave. O médico disse... que ela ainda corre um risco alto de não suportar. Ela perdeu muito sangue, teve que ser colocada em um coma artificial por conta de lesões graves no pulmão e um traumatismo craniano. Como a nossa mãe precisa resolver alguns assuntos no trabalho... ela me pediu para visitar a Yuzu sempre que eu puder. Apenas a família pode visitá-la na UTI.
— Eu realmente... estou sem palavras, Mei-san.
— Acho que é melhor irmos, o horário de visitas está próximo. Peço desculpas por não ter revelado o motivo de antemão, mas é que eu não estava com a cabeça preparada. — Mei levanta a cabeça, e seus olhos vermelhos se voltam em direção a Udagawa.
— Ah, não se desculpe, não há nada de errado, entendo sua preocupação. Vamos agora mesmo.
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