As palavras que não refletem seu coração

8 Capítulo 8 - Um acidente no meio do caminho


Notas iniciais
Com a ajuda das amigas, Yuzu consegue chegar ao local onde Mei está, mas o resultado acaba saindo pior do que o esperado. Amemiya não consegue se segurar e acaba causando uma tragédia.

Suzuki-san, o motorista dos Momokino, segue o roteiro estabelecido por Himeko para seguir o carro dos Aihara sem despertar suspeitas. Por precaução, ele deixa que pelo menos um carro de passeio passe à sua frente, para que o motorista do carro preto que está sendo seguido não o identifique. “Bem, como já conheço o caminho para a mansão dos Aihara, acho que não terei muitos problemas por enquanto. Mas preciso ter certeza de que o motorista deles não irá me reconhecer no momento em que o carro partir para a outra mansão”.

No carro dos Aihara, Mei está pensativa, os olhos vendo os carros ao redor enquanto não chegam à mansão do avô. Pessoalmente, ela não faria questão de ir à mansão do noivo para cuidar dos detalhes da cerimônia de casamento; bastaria conversar pelo telefone para que o próprio Udagawa resolvesse toda a questão envolvendo o cerimonial, já que a família dele teria todos os contatos necessários para criar um evento inesquecível. Mas por vontade do avô, que quer manter uma boa relação com os Udagawa, ficou decidido que ele e a neta iriam pessoalmente até a mansão.

Ao contrário da primeira vez em que se encontrou oficialmente com o noivo, desta vez Mei não passará parte do seu tempo em meio a vestidos e a preparação de seu visual. Como se trata de um encontro informal, o próprio uniforme da Academia Aihara bastará e ainda poupará o precioso tempo do avô, que não vê a hora da neta dar continuidade ao império da família.

Do banco de trás, Mei vê a fachada dos estabelecimentos e dos lugares pelos quais ela e Yuzu costumavam passar para ir para casa ou para passear. A agora ex-presidente do conselho estudantil se lembrou do último encontro, quando foram abordadas por uma loja de vestidos de casamento e puderam experimentar e tirar fotos vestidas como noivas. Na ocasião, Yuzu expressou o desejo de, quando o casamento delas acontecesse, seria legal se as duas estivessem vestindo o mesmo modelo. Porém, essa lembrança também tinha algo de amargo: enquanto Yuzu se arrumava em outra sala, Mei desabava em choro por se sentir incapaz de dizer a verdade para sua namorada. Yuzu estava estonteante, como se fosse realmente se casar naquele dia. Mas os dias seguintes ao último encontro se tornaram cinza, em contraste com o colorido dos dias passados com Yuzu.

Com o dedo indicador, ela puxa o colarinho do uniforme e dá uma olhada no anel que está pendendo com a corrente. Na véspera do dia em que ganhara o anel, Mei viu Yuzu voltar para casa aos prantos, sem conseguir explicar o porquê do choro. No dia seguinte, ao abordá-la na biblioteca, a ojou-sama conseguiu desvendar o mistério e acalmar a amada ao explicar que a maneira como os outros reagiriam ao relacionamento era algo que escapava ao controle delas, não haveria como evitar comentários maldosos ou criticismo de outras pessoas. “Nesse dia, Yuzu me perguntou se estaria bem se ela ficasse ao meu lado para sempre, e eu disse que sim. E eu a enganei. Agora estou aqui, pagando o preço por ter mentido e fazendo uma pessoa sofrer.”

O carro para em frente à mansão dos Aihara, e logo o portão se abre. Mei desce por alguns minutos para deixar seu material escolar no local e aguardar o avô, que está em um telefonema com um parceiro de negócios. Pelo menos uns quinze minutos se passam até que os dois saem juntos e entram no carro, rumo à mansão dos Udagawa.

Alguns metros atrás do carro dos Aihara está estacionado o carro dirigido por Suzuki-san, que chegou com antecedência ao local por ter pego um atalho. Longe o suficiente para não ser notado como suspeito, ele acompanha atentamente a movimentação entre o carro e o portão da mansão. Porém, logo que chegou ao local, o motorista dos Momokino notou algo diferente: alguns metros atrás, um carro meio velho e malconservado está parado, um contraste e tanto com a paisagem do bairro de classe alta. “Será que esses ricaços também adoram colecionar modelos antigos nas suas garagens?”, Suzuki-san se pergunta. “Talvez seja apenas um prestador de serviços, vai saber...”

Na lata velha estacionada num bairro de ricaços, Amemiya está de olho nos passos de Mei e seu avô. Ele havia chegado antes de Suzuki-san para acompanhar todos os passos desde a manhã. Apesar do carro emprestado ter uma aparência horrível, e isso num local em que apenas os carros de luxo costumam transitar, ninguém deu queixa do veículo estranho ser suspeito de algum incidente ao redor. Assim que o carro dos Aihara começa a se movimentar, ele tenta dar partida no carro velho, que engasga algumas vezes antes de sair do lugar. “Maldita lata velha! Só espero que não falhe na hora mais importante!”

Três carros indo ao mesmo destino, com alguns instantes de diferença, mas com seus ocupantes pensando em finalidades bem diferentes.

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Shiraho chega à mesma lanchonete onde havia conversado com Yuzu e as outras meninas recentemente. Toda hora a ex-veterana confere seu celular na esperança de ver logo a localização de Suzuki-san, o motorista dos Momokino. Assim que nota Yuzu, Shirapon desgruda os olhos do aparelho e vai até a mesa onde as outras estão.

— Yuzupon! Meninas!

— Shirapon-senpai!

— Vim o mais rápido que pude! O bom é que conseguimos um carro pequeno para levá-la até o local onde Mei estará esta noite, Yuzupon. Não é tão confortável como o carro em que costumo andar, mas para não chamar atenção e chegar mais rápido, ele deve ajudar.

— Isso não é problema algum, Shirapon-senpai! Pelo contrário, qualquer que seja a ajuda, eu sempre serei grata a você e a todas que estão nos apoiando neste momento. Só estou um tanto nervosa porque parece que o tempo está demorando para passar, e a Mei parece estar cada vez mais longe de mim.

—Yuzucchi, nós saímos mais cedo que o pessoal do conselho, portanto é normal pensar que o tempo está demorando para passar. Fique calma, senão é capaz de você ter um troço no momento em que se encontrar com a kaichou. Quanto mais ansiamos por algo, mais sentimos que o tempo está contra nós, mas na verdade ele está seguindo normalmente. Não seja pessimista logo agora na reta final!

—Yuzupon, está tudo indo de acordo com o combinado até agora. E a Mei-san não vai diretamente à mansão dos Udagawa; antes disso é provável que ela dê apenas uma parada para deixar as coisas da escola e aguardar o avô, pode ser que ainda leve algum tempo até que eles sigam ao local combinado. Fora isso, Himeko-san não mandou nenhuma mensagem sinalizando que o plano deu errado, o que quer dizer que estamos indo bem. É normal ficar nervosa num momento decisivo, mas não deixe que isso te impeça de lutar pela pessoa que ama.

—Nos piores momentos pensei que não seria capaz de chegar até aqui, que seria adequado abrir mão da Mei. Não é algo que eu gostaria de pensar, mas essa possibilidade apareceu em minha mente, não vou mentir para vocês. Sofro pensando também em como nossos pais reagirão ao souberem do nosso relacionamento. Se tudo der certo comigo e com a Mei, será que eles aprovarão ou farão de tudo para nos manter separadas novamente?

Ao ouvir essa fala de Yuzu, Matsuri se levanta da cadeira, vai até o lado da gyaru e segura o queixo da amiga, fazendo com que a loira olhe diretamente para ela.

— Escuta aqui, Yuzu-chan! Esse nervosismo todo está te fazendo pensar em coisas ruins. Não me faça tomar medidas drásticas, você sabe que eu não tenho pudor nenhum em mostrar o que sinto ou penso em público. Você vai sim encontrar com a Mei! Se seus pais não aprovarem, azar o deles; nós que somos suas amigas não vamos deixar barato, ouviu?

Enquanto Matsuri encoraja Yuzu, Shiraho percebe que há uma notificação em seu celular, e confere para saber do que se trata. Como se os céus tivessem entendido o recado, o que aparece na tela é justamente a mensagem de Suzuki-san com um link contendo as coordenadas do local onde Mei está. Imediatamente a ex-veterana se levanta da cadeira e interrompe a conversa da mesa, avisando Yuzu e as demais de que chegou o momento derradeiro.

—Yuzupon, conseguimos a localização exata por meio de Suzuki-san! Vamos, levarei vocês até o carro, e a partir daí vocês poderão seguir adiante!

As cinco garotas saem da lanchonete e vão até o estacionamento, onde o carro da família de Shiraho está. Dentro, o motorista já está a postos, tendo recebido a localização no celular preso ao painel do carro. Além de Yuzu, Matsuri e Harumin entram, sobrando Nene e Shiraho do lado de fora.

— Yuzupon, sinto em não poder acompanhá-la agora. Quando encontrar a Mei-san, por favor diga a ela para viver de acordo com os sentimentos dela, e não seguir cegamente o que os outros ditam. Tenha boa sorte!

—Mesmo tendo mais um lugar aí no carro, acho melhor fazer igual à Shiraho-senpai e ficar torcendo de longe para que tudo dê certo. Eu não acrescentaria em nada estando por lá, então vou ficar aqui com ela esperando pelas boas notícias! Boa sorte, Yuzu-senpai!

— Obrigada, meninas! Assim que tudo se resolver, eu ligo para vocês! Até mais tarde!

E assim o plano de resgate de Mei começa um novo capítulo.

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— Mas isso são horas para querer dar um passeio de bicicleta? Você teve o dia todo livre, por que não aproveitou para ir a um parque na parte da manhã? Muita gente está voltando para casa neste exato momento, então é provável que o trânsito esteja carregado!

— Poxa, mãe, mas que mal tem andar de bicicleta agora? Está mais fresquinho, e além do mais, não vou assim tão longe! Se vocês quiserem, posso até passar numa loja de conveniência ou no mercado para aproveitar o passeio! Querem uma cerveja, um bentô? Vai, digam qualquer coisa que eu vou lá e trago!

— Não vamos precisar de nada do mercado, só queremos que você tenha cuidado ao sair assim na rua, depois de tanto tempo fora. Não demore muito e nem passe por locais escuros, dê apenas uma voltinha e retorne! E não esqueça de levar uma blusa, pois à noite a temperatura cai e você pode ficar doente.

— Não se preocupem! A buzina, o farol e o retrovisor da minha bicicleta estão funcionando perfeitamente depois de anos! Só quero dar uma respirada no ar em volta, não demorarei muito! Será que é pedir muito poder sair de casa após tantos anos fora do país?

— A questão não é essa, Megumi. Justo no dia mais movimentado você inventa de querer sair, e ainda mais à noite, no meio desse monte de carro? Muitos aproveitam para beber após sair do trabalho, fazem happy hour em bares e karaokês enchendo a cara de álcool, sabe-se lá como eles voltarão para casa. Uma bicicleta velha contra um carro em alta velocidade ou desgovernado não tem muitas chances.

— Pai, passei cinco anos longe dos olhares de todos vocês e sobrevivi, num país que não era o meu. Não vai ser agora que eu vou sofrer um acidente, né? E eu conferi a minha bicicleta, ela ainda está boa para andar, o retrovisor, os faróis e o freio estão bons ainda.

— Tá, mas e o restante do equipamento, como o capacete?

— Ahahah, então, gente... esse passou do prazo de uso, acho que ele não serve mais. Mas eu tenho sorte ultimamente, então mesmo sem capacete o máximo que pode acontecer comigo é só cair da bicicleta sozinha, hahaha!

— Não conte com a sorte sempre! Dê apenas uma voltinha e volte logo! E a partir de amanhã, você vai até uma loja comprar um capacete novo! Vai logo antes que eu me arrependa!

—Tô indo! Até mais!

E lá foi Megumi passear com sua bike à noite, para explorar novamente parte do lugar onde morou.

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Numa das avenidas mais movimentadas de Tóquio, o carro em que Yuzu e companhia estão parece não mover um centímetro. De acordo com a rádio, alguns semáforos sofreram uma falha e pararam de funcionar em pleno horário de pico, mobilizando guardas de trânsito para organizar o tráfego na região. Com isso, as filas de carros vão aumentando gradativamente, o que causa um certo temor em Yuzu e suas amigas.

— Senhorita Yuzupon, infelizmente ocorreu uma falha nos semáforos, vai ser meio difícil sair desse trânsito agora.

— Poxa, mas não tem nenhuma alternativa? Se a gente demorar muito aqui, é capaz da Mei já ter assinado os papeis do casamento!

— Matsuri, pare de falar asneiras numa situação dessas! Se for para atrapalhar, teria sido melhor nem ter vindo conosco!

— Droga, por que isso tinha que acontecer justo agora? Estou quase abrindo a porta no meio desse trânsito para ir a pé ou correr até uma estação de metrô mais próxima!

Harumin fica preocupada com a situação e pensa se Mitsuko pode ajudá-la. Com o celular na mão e o número da irmã selecionado na agenda, ela decide tentar.

— Alô! Mi-chan?

— Alô! Aqui é a Maruta, estou com o telefone da Mi-chan enquanto ela ajeita a moto. É você, Harumi?

— Maruta-san, por favor! Veja com a minha irmã se ela pode nos ajudar a levar a Yuzucchi até onde a irmã dela está! É urgente, estamos presos no trânsito e não temos como sair daqui tão cedo!

A ex-integrante do conselho soube por Himeko do plano para impedir Mei de seguir com o casamento arranjado. A herdeira dos Momokino explicou toda a situação e pediu apoio na locomoção de Yuzu em caso de algum imprevisto, sabendo que Maruta e Mitsuko já haviam tirado suas carteiras de motorista e possuíam veículo próprio. Ciente do que poderia acontecer ainda mais em uma sexta-feira, elas já estavam prontas esperando algum aviso para entrar em ação. Felizmente, Harumin estava presente no momento certo para pedir a ajuda das duas ex-alunas da Academia Aihara.

— Harumi, você ligou porque posso ajudar com a moto, não é mesmo?

— Mi-chan, c-como você sabe?

— A vice-presidente... ou melhor, a presidente Himeko enviou um pedido da Shiraho-san. A Maruta já havia me explicado tudo, por isso já estávamos ajustando as motos. — Mitsuko repassa o celular para a amiga e está pronta para dar a partida

— Já sabíamos de tudo e estávamos praticamente prontas, precisávamos apenas de um sinal. A Mi-chan gosta quando pedem a ajuda dela, então não façam cerimônia, está bem? Nós estamos a caminho!

— Maruta, você não precisava ter dito isso para elas! — Resmunga Mitsuko.

Harumin ouve a reclamação da irmã e acha graça enquanto desliga o telefone. Agora com a ajuda de Mitsuko e Maruta, Yuzu estará a poucos minutos distante de Mei. Se nada mais atrapalhar no caminho, as duas garotas separadas há tanto tempo poderão se reencontrar e ficar frente a frente.

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O carro em que Yasuo Aihara e a neta estão para em frente à mansão da família Udagawa, onde são recebidos pelo noivo de Mei.

— Presidente Aihara e Mei-san, sejam bem-vindos à mansão da minha família! Por favor, entrem, meus pais estão ansiosos para encontrá-los.

— Satoshi-san, eu e minha neta ficamos agradecidos por nos receberem. Espero que você e minha neta possam decidir com calma sobre os detalhes do casamento. Não vejo a hora de marcar a data da cerimônia e ter os Udagawa como parte da família!

— Bem, sobre isso, eu e Mei-san podemos resolver enquanto o senhor conversa com meus pais. Como minha família já possui alguns parceiros comerciais com experiência em serviços para eventos de qualquer porte, isso seria mais fácil de resolver. Inclusive, nossa família poderá bancar toda essa parte.

— Então, deixarei que vocês dois conversem e escolham o que precisarem. O que vocês decidirem para mim está ótimo. Podem repassar a lista de fornecedores para a minha secretária para que eu possa fazer minha parte, farei questão de pagar o que for necessário para que tenham uma ótima celebração.

Após adentrarem a mansão e irem até o encontro dos pais de Udagawa, Mei e o avô se separam e vão para cômodos diferentes. Mei vai com Udagawa para uma das salas reservadas, enquanto Yasuo aproveita para conversar com os pais do noivo e apreciar uma bebida.

Do lado de fora da propriedade, Amemiya está na lata velha emprestada por um companheiro de crimes, aguardando os Aihara saírem do local para poder agir. Assim como horas antes, o bandido estacionou o veículo longe do local visado para não levantar suspeitas e nem ter seu rosto flagrado por qualquer segurança ou circuito de câmeras das mansões da região. Com seu binóculos, ele verifica de tempos em tempos o que acontece no entorno, ciente de que terá de fugir caso alguém decida verificar o que o veículo velho está fazendo naquele local.

Pouco tempo antes, Suzuki-san, o motorista dos Momokino, parou em uma rua próxima da mansão Udagawa após notar onde o carro dos Aihara havia parado. Vendo de longe e confirmando que Yasuo e a neta haviam entrado na mansão, o motorista verifica no GPS as coordenadas e envia as informações para Himeko e Shiraho, esperando que elas confirmem o recebimento da mensagem. Assim que tudo dá certo, ele dá a partida no carro e retorna à mansão dos Momokino satisfeito por ter cumprido sua parte no plano. Porém, assim que pega novamente a rua onde fica a mansão Udagawa, Suzuki-san acha estranho que a mesma lata velha vista próxima da mansão dos Aihara esteja por ali também. “Mas o que essa lata velha está fazendo por aqui? Já não basta ter visto isso no bairro dos Aihara, agora aqui perto dos Udagawa? Tem algo estranho ou é muita coincidência... Acho que vou parar e verificar.”

Suzuki-san estaciona o carro uns metros atrás do outro veículo e desce para verificar o que está acontecendo. Assim que Amemiya percebe, pelas lentes do binóculos, que o motorista está vindo em sua direção, ele dá a partida e sai correndo dali, dando uma volta pelo quarteirão até que Suzuki-san esteja fora de sua vista. O motorista dos Momokino, após notar que a lata velha deu no pé, decide voltar ao carro e ir embora. “Bem, se fugiu é porque algo bom ele não estava fazendo. Espero que ele não volte, agora que sabe que foi notado. Só por segurança, deixei fotografada a placa do carro, caso algo aconteça.”

Na sala com Udagawa, Mei começa a discutir sobre coisas relacionadas à cerimônia.

— Quanto ao local da festa, não tenho como opinar. Fui a alguns eventos com meu avô, mas não reparava muito nos locais, pois para mim todos eram tão parecidos e afastados da cidade.

— Sobre o local, eu posso ver com meus pais, eles estão sempre participando de eventos com fornecedores e parceiros. E sobre o que vai ser servido na data, você tem alguma ideia ou sugestão do que prefere? Bebidas, doces? Consegui um catálogo de bebidas com um ex-fornecedor, talvez você queira conferir.

— Eu não bebo nada alcoólico, então gostaria de ver opções, considerando também que irei convidar algumas pessoas do colégio. Sobre as demais bebidas, você poderia escolher o que seria mais apropriado para a ocasião. Em relação às sobremesas, preferiria algo mais suave, não precisa ser como os doces ocidentais.

— Também podemos marcar um dia para irmos pessoalmente provar alguns sabores dos pratos e sobremesas que serão servidos. Seria bom se sua irmã pudesse vir conosco, afinal sei que ela tem talento para preparar receitas, ela já havia me dito anteriormente que é responsável por cozinhar quando a mãe de vocês não está em casa.

— A Yuzu? N-não, eu acho que não podemos levá-la conosco. Ela não deve ir ao casamento...

— Como assim, sua irmã não vai participar? Ela sabe que você decidiu apressar o casamento, certo?

— Udagawa-san, eu não vou entrar em detalhes, mas aconteceu um desentendimento entre nós duas, então provavelmente a Yuzu não irá ao casamento. Não contei nada a ela, mas acho que a esta altura ela já esteja sabendo.

— Poxa, sério? Que tristeza, esperava que ela pudesse nos ajudar dando opinião sobre o cardápio. E além do mais, ela é uma pessoa muito animada, seria ótimo ter a companhia dela. Espero que vocês possam se entender e desfazer esse clima ruim, seja lá o que tiver acontecido.

— Talvez seja até melhor que ela não apareça, eu não sei como ela iria reagir. Ou eu mesma não saberia o que fazer ao vê-la. Acho que não nos veremos por um bom tempo...

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Maruta e Mitsuko localizam o veículo onde estão Yuzu e suas amigas e param suas motos ao lado.

— Yuzucchi, Maruta-san e Mi-chan chegaram com as motos para te levar até os Udagawa. Elas já conseguiram o endereço, agora é você ir para lá o quanto antes.

— Como assim? As duas estão sabendo de todo o plano?

— Sim, eu pedi a ajuda delas. Na verdade, a agora presidente Momokino já havia explicado tudo sabendo que a Maruta-san e a minha irmã poderiam dirigir as motos. Agora você pode descer do carro e subir na garupa de uma delas.

— Mas e você, Harumin? Não vem comigo?

— Acho melhor você ir com a Matsuri, ela poderá ser mais útil que eu naquele lugar. Afinal, ela conhece o gerente de longa data. — Harumin toca no ombro de Matsuri e recomenda que Yuzu a leve junto. A garota mais nova fica surpresa com a atitude de Harumin e decide subir em uma das motos.

— Hmpf, já que não tenho saída, vou com a Yuzu-chan resolver de vez essa parada.

— Não fique se gabando muito garota, essa é uma ótima oportunidade para você dizer a que veio. E Yuzucchi, vá e mostre o verdadeiro espírito de uma gyaru!

— Sim, deixa comigo, Harumin! Obrigada e torça por mim!

— Avise a vovó que devo demorar um pouco, Harumi. Assim que terminarmos e tudo der certo, eu retorno para casa. — Mitsuko avisa a irmã.

— Pode deixar, Mi-chan. Boa sorte para vocês!

As duas motos passam em meio às filas de carros, se posicionando logo à frente para poderem partir assim que os guardas derem o sinal.

— Com a localização passada por Himeko, acho que conseguiremos chegar lá dentro de 20 minutos, Aihara. Se conseguirmos um atalho, talvez até menos que isso.

— Desde que eu consiga encontrar a Mei pessoalmente, está ótimo. Se tudo der certo esta noite, não demorarei muito. Assim espero.

No apartamento, a mãe de Yuzu está curiosa para saber o que a filha tem a falar assim que voltar para casa. “O que essa garota vai me dizer? Será que ela pretende estudar no exterior? Ou será que... ela arranjou um namorado?” Pensando nessa última possibilidade, Ume começa a ter várias ideias. “Será que agora ela vai melhorar esse humor? Talvez assim ela não pensará muito na falta que a Mei faz, mas por outro lado fico preocupada... Arranjar alguém nessa altura do campeonato, logo agora em que as notas dela estão ficando altas! Aiaiaiaiai... Se for isso mesmo, deve ter dedo da Matsuri, tenho quase certeza. Yuzu me contou que Mei não se dá muito bem com aquela menina.”

Ume se levanta do sofá e vai até a geladeira pegar uma lata de cerveja. Assim que volta à sala, ela vai até o canto onde estão as fotografias da família, e pega um porta-retrato de Yuzu com o uniforme do colégio. Porém, o item cai no chão e o vidro se despedaça todo, enquanto Ume sente algo estranho e tenta se apoiar no móvel onde estão as fotos. A lata de cerveja aberta também cai no chão, esparramando seu conteúdo pelo carpete. “O que é essa sensação que eu tive agora? De repente, uma pontada no meu peito, uma sensação de angústia que eu não havia sentido há muito tempo... Será que estou doente de tanto trabalhar? Pode ser que esteja exagerando na bebida, talvez? Um sinal?”

A mãe de Yuzu senta no sofá e leva uma das mãos à cabeça, preocupada com o que isso pode significar. “Oh, meu deus... espero que isso não esteja dizendo que algo ruim esteja prestes a acontecer justo hoje! Aconteceu algo com a Mei, será? Ou talvez... Yuzu!” A mulher fica pensativa no sofá, torcendo para que a sensação ruim seja apenas um mal estar passageiro. Ela olha para o telefone como se ele estivesse prestes a tocar, mas nada acontece, e ela fica indecisa se liga ou não para as meninas para saber se elas estão bem.

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Himeko está tomando chá no jardim de sua mansão e decide ligar para Shiraho com o intuito de saber se Yuzu conseguiu chegar ao local indicado por Suzuki-san.

— Alô, Shiraho-senpai? Aqui é a Himeko!

— Himeko-san!

— Estou ligando para saber se você já tem notícias de Aihara Yuzu, se ela já chegou ao local que Suzuki-san mandou pelo GPS. Soube pelo noticiário que houve uma falha nos semáforos de uma das avenidas principais da cidade, então o trânsito deve ter ficado engarrafado. Espero que elas tenham escapado, senão vai ser o caso de acionar Maruta e Mitsuko-senpai.

— Quanto a isso, pode ficar tranquila! Meu motorista avisou que Harumi-san ligou para a irmã e solicitou a ajuda das motos, Maruta e Mitsuko-senpai estavam apenas aguardando o sinal. Elas já foram levar Yuzupon e Mizusawa até a mansão dos Udagawa, enquanto Harumi-san está voltando.

— Agora que fiquei sabendo que a Mizusawa foi junto, temo pelo resultado, afinal ela não vai muito com a cara da Mei-mei. Aquela garota está sempre aprontando pelo colégio, é capaz de ela aprontar na mansão também.

— Calma, vai dar tudo certo. A Mizusawa conhece o gerente Udagawa, acho que ela não seria capaz de fazer um escândalo na casa dele. Mas tem uma outra coisa que me deixou preocupada, Himeko-san. Por um acaso, você já sentiu algo estranho, algum arrepio ou sensação de frio, como se estivesse recebendo algum sinal antes de fazer algo importante?

— Senpai, não senti nada do tipo em toda minha vida. Mas o que isso tem a ver com Aihara Yuzu e Mei-mei? Você não está me dizendo que...

— Para ser sincera, eu tive uma sensação ruim antes de ligar para Yuzupon e ir encontrá-la na lanchonete. Mas como a situação exigia pressa, decidi ir em frente mesmo assim, não pude pensar com mais cuidado sobre a sensação ruim que passou por mim. Talvez seja apenas algo da minha cabeça ou uma coincidência, afinal, temos que ter confiança de que Mei-san e Yuzupon conseguirão ficar juntas.

— Ah, deve ser o estresse da situação, não deve ser nada, senpai! Como estamos preocupadas demais com os últimos acontecimentos, pode ser que seja apenas algo passageiro, nada que seja grave. Agora, vamos esperar que elas deem notícias assim que saírem daquele lugar. Estou perto do telefone no aguardo de novidades.

— Eu também! Espero que o dia amanhã seja de festa para Yuzupon e Mei-san.

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As quatro garotas chegam de moto à mansão dos Udagawa e dão de cara com o portão.

— E agora? Como farão para entrar? — Pergunta Mitsuko.

— Droga, não imaginei que o gerente morasse num local desses. Agora preciso pensar rápido no que vou fazer.

— Não temos tempo para pensar, Yuzu-chan! Deixa comigo, eu vou arranjar uma desculpa aqui para que alguém deixe pelo menos nós duas entrarmos. Acho melhor vocês duas saírem daqui e voltarem quando eu avisá-las. — Matsuri fala à Maruta e Mitsuko.

Antes que Yuzu a impeça, Matsuri já aciona o interfone para falar com alguém da mansão.

— Boa noite! Por favor, precisamos de ajuda! Somos duas estudantes da Academia Aihara e estávamos sendo perseguidas agora mesmo por um ladrão. Será que poderia nos ajudar?

— Boa noi... Hein? Um bandido por aqui no bairro, e perseguindo duas estudantes? Espere aí, eu vou autorizar a entrada das duas até que alguém da polícia venha ao local. Por favor, entrem rápido assim que o portão se abrir.

Logo em seguida, o portão se abre e Yuzu e Matsuri entram, sendo recebidas por uma senhora que trabalha para os Udagawa.

— Vocês podem aguardar um pouco até que eu possa acionar a polícia? Aliás, o presidente Aihara está de visita, talvez ele possa fazer algo a respeito. Aguardem aqui e verei o que posso fazer.

Enquanto a funcionária da mansão entra nos aposentos, Matsuri e Yuzu decidem se separar para que a loira vá atrás da irmã.

— Yuzu-chan, deixa que eu cuido da velhinha. Eu não vou poder ir com você a partir de agora, você vai ter que dar conta sozinha de encontrar a Mei-san. — Matsuri encosta o punho fechado desejando sorte para a amiga.

— Obrigada, Matsuri! Graças a ajuda de vocês todas, eu vou conseguir encontrar a Mei depois de tanto tempo. — Yuzu pega o punho de Matsuri com as duas mãos e promete se esforçar.

— Vá, Yuzu-chan! Agora é com você!

Correndo em disparada, a gyaru vai abrindo cada porta que aparece a sua frente, chamando por Mei. No corredor, faltam mais duas portas, pode ser que Mei esteja em uma delas. Porém, na penúltima porta ela é surpreendida pelos funcionários da mansão, que saem correndo atrás e a seguram com todas as forças. Decidida a abrir a última porta, Yuzu tenta se desvencilhar dos braços tentando impedi-la de seguir em frente, mas consegue alcançar o cômodo e abrir a porta. Assim que esta se abre, a garota cai logo na entrada, mas com o rosto demonstrando a felicidade que a tempos ela não via: Mei está lá, sentada na poltrona, com Udagawa em pé ao seu lado.

— Mei! — Yuzu vê pela primeira vez em meses o rosto que tanto a fez feliz no último ano. Mei, por sua vez, fica surpresa com a visitante inesperada na casa do noivo, cuja identidade ela não havia revelado nem mesmo para Himeko. Mas logo o dever a chama, e ela pede para que os seguranças da mansão retirem a gyaru dali, ação que é impedida pelo próprio Udagawa, que tenta resolver as coisas sozinho.

— Podem deixar que eu cuido dessa situação, ela é uma conhecida minha.

Solta pelos seguranças, a loira se desculpa por ter vindo de repente à casa do antigo chefe.

— Gerente! Me perdoe por ter invadido sua casa e ter causado problemas! Mas é que eu preciso muito falar com a Mei! — Yuzu implora para o ex-chefe.

— Udagawa-san, não tenho nada para falar com ela. Por favor, tire-a daqui. — Mei tenta cortar a resposta do noivo.

— Espere, Mei-san. Sua irmã mais velha veio aqui hoje para tratar de um assunto que parece ser muito urgente. Admiro a determinação e a força de vontade dela em correr atrás do que deseja. Como eu havia prometido, não revelei a ninguém sobre o nosso casamento, então vou fazer um pedido: por favor, escute pelo menos o que sua irmã tem a dizer! Eu vou deixar as duas à vontade para resolverem o que tiver que ser resolvido.

Mei vai contrariada saber o que Yuzu veio fazer na mansão do noivo. Para deixar as duas longe dos ouvidos dos demais presentes na casa, os três chegam a uma ampla sacada. Um vento fresco bate no local, como se aparecesse para diminuir a tensão entre as garotas.

— Tomem o tempo que precisar. Eu estarei por aqui, caso precisem de alguma coisa. — Udagawa fecha a porta e deixa as meninas a sós.

A ojou-sama vai até a beira da sacada e não olha para Yuzu, que está parada próxima a porta pensando no que vai dizer. A irmã mais nova decide iniciar a conversa.

— O que você veio fazer aqui? Como eu já havia deixado claro naquela carta, eu não tenho mais nada a ver com você. Agora mesmo estava tratando dos preparativos do casamento com Udagawa-san e você apareceu. Por favor, não se meta mais nos meus assuntos!

— Mei, você se lembra do que escreveu naquela carta? Seu desejo era de que eu fosse feliz com todos, e isso realmente me deixou muito contente. Porém, se a pessoa que eu mais amo não pode ser feliz também, eu não quero essa felicidade. Eu quero ser feliz não apenas com você, mas com o vovô, nossos pais, enfim, com todos aqueles que nos apoiam. Quero ser feliz com todos!

— Pare de ser ingênua! Ser feliz com todos? Pare de falar sem pensar! Isso nunca aconteceria...

— Pode acontecer SIM! Eu sei que pode parecer difícil! No último semestre eu fiquei sofrendo, estava preocupada e sozinha, achava que nada faria mais sentido sem você por perto. Foi então que eu percebi que, quando não sabemos como lidar com nossos próprios sentimentos, tudo o que precisamos é conversar com as pessoas ao nosso redor. Mesmo que a possibilidade de ficarmos juntas seja baixa, isso não quer dizer que seja impossível. Por isso eu não desisti de você!

— Chega, já ouvi demais! Não importa o que você diga, meus sentimentos não irão mudar! Apenas... saia daqui.

Yuzu sente a decepção tomando conta do seu semblante ao notar que Mei não quer nem olhar para seu rosto. A gyaru então decide fazer uma última pergunta.

— Mei, então você... me odeia?

O silêncio paira no ar por um minuto logo após a pergunta de Yuzu. A ojou-sama aperta os punhos e sente desespero ao ter que dar uma resposta.

— Eu... te odeio! — A garota se vira com os olhos cheios de lágrimas, querendo despejar tudo o que vêm sentindo nos últimos meses. — Você não sabe o inferno por que tive que passar só para me livrar de você! Mudei de turma, pedi para que Himeko me desse mais e mais trabalhos no conselho estudantil, fiz de tudo para não te ver na minha frente! Não adiantou nada! Quanto mais eu tentava te esquecer, mais os dias pensando em você aumentavam!

— Mei, eu... — A loira tenta se aproximar até onde está a amada para consolá-la.

“Yuzu, por favor, vá embora para seu próprio bem. Esqueça tudo o que vivemos. Eu não posso desapontar o vovô, ele ficaria muito mal comigo, e além disso ele viraria uma piada para os acionistas da empresa. O que vai ser da minha vida se eu manchar a imagem da família, sendo incapaz de seguir os passos desenhados pelo vovô? Quanto mais cedo cortarmos esse relacionamento, mais fácil será para cada uma de nós seguir adiante. Entre você e meus deveres como herdeira dos Aihara, eu preciso priorizar os desejos do meu avô”, Mei pensa.

Ao ver Yuzu cada vez mais perto, a herdeira dos Aihara se vê pressionada e quer acabar com o assunto ali mesmo. Um conflito interno surge em Mei, e ela começa a imaginar a pressão vinda de todos os lados. “Mei, é seu papel como herdeira dar prosseguimento ao império da nossa família. Não me desaponte como fez seu pai! Shou nunca se conformou em seguir as tradições, ele foi uma decepção como filho. Você é uma neta obediente e correta, não quero que siga o mau exemplo dele! Confio em você para manter a nossa empresa pelos próximos anos!”, a voz do avô surge em sua mente. ”Que bobagem, casar por amor quando sua família tem um nome a zelar! Famílias como as nossas não podem aceitar que seus filhos tragam qualquer pessoa para o nosso círculo. Apenas filhos de boas famílias, com algum negócio estabelecido, podem se casar com herdeiros de grandes negócios. Temos que manter o status e a riqueza em boas mãos!”, vozes de parceiros comerciais e contatos de seu avô começam a aparecer. “Ora essa, que deprimente! Uma moça de boa família como Aihara Mei, se apaixonando por outra garota, e ainda por cima a irmã! Onde esse mundo vai parar? Aposto que se o avô dela permitir essa aberração, a família Aihara vai parar no fundo do poço rapidinho! Não quero que minha filha fique perto de uma garota como ela, já pensou o que a sociedade vai dizer?”, outra voz, representando as famílias que colocaram suas filhas na importante Academia Aihara, surgem na mente de Mei.

— CHEGA! — Mei se desespera com todas as vozes em sua cabeça e tenta afastar Yuzu, mas acaba empurrando de forma violenta a irmã.

Nesse gesto brusco por parte da herdeira, Yuzu acabou sendo atirada ao chão. Numa tentativa de amortecer a queda, a garota usa o braço esquerdo por puro reflexo e cai em cima dele, um estalo de osso se quebrando pode ser ouvido. Ainda no chão, a gyaru se encolhe de dor e segura o braço machucado, sem olhar para Mei.

— Uh, droga! Meu braço! — Yuzu começa a chorar de dor. Ela não acredita no que acabou de acontecer.

Vendo Yuzu ferida no chão, Mei volta para a realidade e percebe o que acabou de fazer. Ela imediatamente fica chocada com a própria reação e o resultado que ela causou na gyaru.

— Y-Yuzu! Eu... não queria te machucar, eu juro, não era minha intenção! Deixe eu te ajudar, vou buscar algué... — Mei é cortada pela fala da irmã.

— Não... Eu... não preciso da sua ajuda... — A gyaru fica com a voz entrecortada pelo choro. — Sou muito ingênua mesmo, achando que alguém como você corresponderia aos meus sentimentos. Queria respostas, mas não desse jeito. Você me pediu para ir embora, então é isso o que devo fazer. — Agora é a vez da gyaru não olhar para o resto da irmã mais nova. Ela apenas se levanta do chão e se vira para sair do local, decepcionada com o resultado de seu plano.

— Não, Yuzu, espere! Eu fiz sem pensar! Eu não...

— Vai ser melhor mesmo ficarmos separadas. — Yuzu olha para a mão esquerda e retira o anel na frente de Mei. — O anel... esqueça que eu te dei um anel para demonstrar meu amor. Jogue fora, afinal logo mais você receberá outro do seu noivo. Espero que vocês sejam felizes...

“Droga! O que acabei de fazer?”, Mei agarra o colarinho do uniforme e sente o anel que ganhou da gyaru. “Eu não queria ter que fazer escolhas difíceis, mas sendo uma Aihara eu não tenho a liberdade de escolher, devo apenas aceitar!”, ela lamenta.

Yuzu, por favor, deixe eu te ajudar! Pelo menos isso, por favor... Espere!

Com raiva e tristeza, Yuzu sai correndo, decidida a escapar da mansão o quanto antes, já que não há mais o que fazer ali. A ojou-sama vai atrás dela para se desculpar, mas não consegue alcançá-la. Rumo à saída, a loira se depara com Udagawa-san e Matsuri esperando numa sala, então chama a garota mais nova e a arrasta para fora dali.

— Yuzu, o que houve? O que foi com seu braço? — Udagawa repara Yuzu com uma expressão de dor segurando o braço esquerdo.

— Desculpe e muito obrigada, gerente! Eu já falei tudo o que tinha para falar! Adeus!

— Yuzu, espere!

Algum tempo depois, Mei chega onde Udagawa está, mas não consegue alcançar a loira.

— Udagawa-san, a Yuzu... por favor, não a deixe ir!

As duas outras garotas já saíram pelo portão da mansão e foram até as motos de Kayo e Mitsuko, que haviam chegado alguns minutos atrás para retornar para casa. Udagawa não tem muito o que fazer.

— Tarde demais, Mei-san. Ela saiu daqui às pressas com Matsuri. Estava chorando e com o braço como se estivesse machucado. O que aconteceu?

— Eu fiz tudo errado... Yuzu... — Mei desaba no choro.

— Calma, é melhor entrarmos. O que você tiver de resolver com Yuzu-chan, terá que ser em outro dia. Vamos, vou fazer um chá para você se acalmar enquanto aguarda seu avô.

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Ansiosa para sair dali, a loira acha Matsuri conversando com Udagawa e a arrasta em direção à rua. As duas calçam rapidamente os sapatos e vão onde as motos de Mitsuko e Kayo as esperam. A garota dos cabelos rosa percebe o rosto inchado e os olhos marejados de Yuzu.

— Yuzu-chan, o que aconteceu? O que vocês decidiram? Fale!

— Acho que só viemos perder nosso tempo aqui. — A loira respira fundo antes de continuar, sua voz quase se transforma em soluços. — Descobri que a Mei me odeia, como se eu fosse um fardo na vida dela. Vamos voltar, não aguento mais ter que passar mais um minuto nesse lugar!

— Espera, Yuzu-chan! O que foi com seu braço?

— A Mei, ela me empurrou e eu caí em cima do meu braço. Está doendo muito... Vamos, antes que eles nos alcancem. Mas acho que preciso ir ao hospital antes de voltar para casa.

— Me explique depois! Mitsuko-senpai e Maruta-san estão esperando por nós!

As duas garotas mais velhas veem Yuzu e Matsuri chegando e montam imediatamente nas motos. Mitsuko notou que o tempo passou rápido e decide perguntar.

— Mizusawa e Yuzu, já acabaram? Conseguiram alcançar a Mei?

— Mitsuko-senpai, por favor, não faça perguntas. Queremos sair daqui o mais rápido possível. Você já sabe a resposta pelo jeito que nós saímos da mansão. — Matsuri diz para Mitsuko. A irmã mais velha de Harumin percebe a feição de Yuzu e acha que é melhor não saber dos detalhes.

— Ok, acho que já entendi. Então, vamos dar o fora daqui logo.

— Aqui estão seus capacetes! Vamos, então, Mi-chan!

“Droga, meu braço está tão dolorido! Até para encaixar esse maldito capacete está difícil usando apenas uma das mãos! Só espero não deparar com nenhum guarda até chegar em casa. Agora não sei que tipo de desculpa dar para mama para explicar o que vim fazer aqui, neste horário e com um braço machucado de brinde!”, Yuzu se irrita consigo mesmo.

Mitsuko e Kayo ligam suas motos e levam as duas colegiais para suas respectivas casas. Diferente da ida, elas não precisam acelerar suas máquinas na volta para casa. Ao olhar pelo retrovisor, a irmã mais velha de Harumin percebe que algo está errado com Yuzu, e decide parar alguns metros depois. Ela sinaliza com a mão para Maruta, que também para.

— Aihara, o que aconteceu? Por que seu capacete está fora do lugar?

— É que... está difícil encaixá-lo e prendê-lo com meu braço machucado. Será que alguém pode me ajudar?

— Espera, Yuzu-chan, eu te ajudo. — Matsuri desce da moto de Kayo e vai até Yuzu tentar arrumar o capacete na cabeça da amiga.

— Você quer morrer ou me fazer pagar uma multa caríssima, Aihara? Um capacete mal ajeitado é um perigo, você já devia saber! Eu sou cuidadosa no trânsito, mas não posso garantir que estejamos livres de motoristas imprudentes!

— Desculpe, senpai! Eu não estou com o pensamento claro depois do que eu passei naquela mansão. Será que podemos ir ao hospital antes? Meu braço, acho que está quebrado.

—Sinto muito. Vendo seu rosto inchado acho que o resultado não deve ter sido nada favorável. Aquela Aihara Mei teve que puxar justo o avô cabeça-dura.

Enquanto Matsuri fixa o capacete na cabeça de Yuzu, um barulho chama a atenção: parece um carro desgovernado, cantando os pneus pelo asfalto, em alta velocidade. Quando percebem que o carro está próximo e não tem intenção de parar, as garotas não têm mais tempo para reagir. O veículo corre o máximo que pode para atingir o grupo, perdendo o controle rapidamente e atingindo de forma violenta as motos e as quatro garotas, que são arremessadas a alguns metros adiante. Quatro corpos praticamente voam e se estatelam no asfalto, sendo que uma delas sofre mais por causa do capacete que se desprendeu da cabeça. Depois de ter atropelado o grupo, o veículo bate numa mureta com força e acaba capotando fora da pista, indo parar de cabeça para baixo numa área aberta.

Pouco tempo depois, um incêndio inicia, mas o motorista não dá sinais de vida. Alguns minutos mais tarde, uma pequena explosão ocorre e o fogo se espalha rapidamente pelo veículo, sinalizando com fumaça e clarão o local do acidente.

Notas finais
Olá! Estou de férias, por isso aproveitei para refinar algumas partes desse capítulo e postá-lo aqui no AO3. O que vocês acham que vai acontecer com as meninas? Enquanto eu escrevia esse capítulo, eu estava ouvindo uma música triste: First Love/ Late Spring, da cantora Mitski. Acho que tem um pouco a ver com Yuzu e Mei, se vocês forem olhar a letra. https://www.youtube.com/watch?v=F9r6xHLph14 Bem, por enquanto vou trabalhar no próximo capítulo. Não sei quando publicarei, mas vem uma série de problemas por aí.