As novas 12 casas
19 O Anjo da Morte
Notas iniciais
Um grande pilar de cosmo-energia atravessava o Midtown Tower, aniquilando-o completamente, de cima abaixo. Hyoga, ainda sem armadura, pairava no ar, caindo lentamente entre os milhares de escombros que eram iluminados pela torrente de energia. Havia se esquivado do golpe no último instante.
Surgindo por entre os entulhos, o homem de cabelos platinados e olhos violeta, e com misteriosa armadura dourada, voou com suas asas de éter na direção do cavaleiro, desferindo um potente soco que impulsionou Hyoga contra as demais construções de Tóquio. O cavaleiro de Atena atravessou dezenas de prédios, casas e o asfalto de ruas antes de parar a pelo menos um quilômetro de distância. Quando se levantou, viu que estava bem no meio do Estádio Jingu, de beisebol. Provavelmente, não houve causalidades no embate até ali, já que Alucard de Peixes parecia ter matado 100% da população próxima ao epicentro de seu ataque. Ainda assim, Hyoga ficou irritado com a destruição provocada por seu novo e desconhecido oponente.
Além disso, se Hyoga não tivesse aparado o último soco com as palmas das mãos, teria sofrido consideráveis danos. O antigo cavaleiro de Cisne ficou surpreso ao perceber que havia se deparado com alguém capaz de feri-lo.
— Agora você vai me levar a sério? — questionou o misterioso homem, que surgiu pousando suavemente no campo do estádio, enquanto recolhia novamente as asas. — Chame a sua armadura.
— Eu ainda não entendi qual o seu interesse em mim, ou qual a sua participação nessa Guerra Santa — rebateu Hyoga, calmamente. — Samael¹... De Vênus. Foi o que você disse, não é? Se você esclarecer-se melhor, eu talvez o considere um oponente digno para que eu vista a minha armadura.
Claramente mais agitado do que na primeira vez em que havia se apresentado, Samael apertava o punho e rangia os dentes, como se tentasse conter seu ímpeto de atacar Hyoga novamente. Era como se ele estivesse excitado com o fato de estar lutando contra o cavaleiro.
— Não há mais o que explicar... — disse finalmente, enquanto tentava se segurar. — Eu já lhe disse. A fúria com que você vingou os seus mortos me deixou em frenesi! O prazer de ver uma punição... Não. Uma vingança... Se consumar... Eu não sei por que, mas desde sempre essas ideias mexem com todas as entranhas do meu corpo. Só que eu nunca pude presenciá-las na prática, entende Hyoga? Nem era para eu estar aqui... Mas eu queria muito observar o que aconteceria quando surgisse alguém para punir aquele homem que massacrava essa cidade. E a maneira como você o puniu, Hyoga... — disse soltando uma risada de êxtase, tendo que se controlar para conseguir concluir a frase. — Foi simplesmente belo! E é por isso que eu tive que me apresentar para lutar com você!
A maneira com que Samael falava era, sem dúvida, apaixonada, mas também soava extremamente infantil e ingênua para Hyoga. Deixar livre alguém com tamanho poder e que se deixava levar tão facilmente por emoções primitivas como aquelas era muito perigoso. Mesmo que Hyoga ainda não entendesse qual era o papel daquele homem nesta guerra, deveria pará-lo.
— Tudo bem, Samael. Você me convenceu a enfrentá-lo. Até por que você não me dá escolha se não me deixa retornar ao Santuário... — explicou Hyoga, no momento em que um raio de luz caiu do céu sobre o cavaleiro.
A cortina de luz encobriu totalmente o corpo do antigo cavaleiro de Cisne, não deixando Samael ver o que havia por detrás dela.
— Mas quando eu te derrotar — continuou Hyoga — você vai me contar exatamente tudo o que sabe — afirmou o cavaleiro de Aquário, surgindo com sua armadura em forma divina, quando a luz se dissipou.
— Ótimo... — concordou Samael, cuja voz tremia com a excitação da batalha. — Era tudo o que eu precisava ouvir — declarou, enquanto curvava o corpo para disparar na direção de Hyoga.
Abrindo suas asas, arremeteu-se de maneira explosiva na direção de Hyoga, atingindo-o com o ombro. Como uma bala de canhão, acertou o cavaleiro de Aquário e, agarrando-se ao dourado, atravessou as arquibancadas do Estádio Jingu. Quando Hyoga se deu conta, já estavam dentro do outro estádio que ficava ao lado, o Estádio Jingu Secundário.
— Não me decepcione... — dizia Samael, com o rosto quase colado ao de Hyoga, enquanto ambos ainda voavam juntos através do campo do segundo estádio. — Eu espero uma batalha digna do lendário Hyoga!
Sem dar ouvidos às bobagens do oponente, Hyoga colocou uma mão sobre o peito de Samael e o empurrou com uma rajada de ar frio. Samael acabou tendo seu movimento interrompido pelo vento congelante de Hyoga, enquanto o cavaleiro de Aquário continuou sendo jogado para trás, até frear-se com os pés no chão. Ao conseguir firmar sua base novamente, Hyoga começou a traçar os pontos da constelação de Cisne e, então, disparou dois socos para o alto, lançando duas rajadas de ar frio aos céus. Samael olhou para o alto sem entender, quando percebeu que Hyoga usara o cosmo para curvar as rajadas congelantes nas altura e fazê-las cair em sua direção. Rapidamente, Samael saltou para um lado, e depois usou as asas para impulsionar-se em outra direção, esquivando dos ataques de Hyoga, que criaram crateras congeladas no campo. Em seguida, continuando o ziguezague com que fintava os ataques do aquariano, que agora disparava as rajadas de ar frio para a frente, Samael voou até alcançar Hyoga para atingi-lo com um soco. Porém, ao aproximar-se de Hyoga, o cavaleiro fintou o corpo.
— Te induzi a movimentar-se exatamente como eu queria... — gabou-se Hyoga, enquanto o braço direito de Samael passava a sua direita.
Samael cuspiu sangue quando seu estômago encontrou o joelho de Hyoga. Atordoado, não pode reagir quando o cavaleiro juntou os dois punhos no alto e girou os braços sobre sua cabeça, enterrando-o no chão.
Após o golpe, Hyoga saltou para trás tomando alguns metros de distância e, enquanto o inimigo não se levantava, voltou a traçar os pontos de sua constelação.
— Chega de brincar, Samael — dizia Hyoga. — Se isso é tudo o que você consegue, eu vou terminar logo essa luta!
Samael levantou-se, ainda dolorido, e observou o que Hyoga iria fazer. Terminando de traçar os pontos de Cisne, o cavaleiro disparou cada punho uma vez para a frente, cercando Samael dos dois lados com rajadas de ar frio, que dificultavam seu movimento. Porém, ao invés de ficar preocupado, aquele homem parecia estar ficando mais entusiasmado com o golpe que receberia.
— Receba o ar frio das minhas terras da Sibéria... — anunciou Hyoga, com o punho armado para concluir o golpe. — Pó de Diamante!
Disparando outro soco no meio do corredor de gelo em que cercara Samael, a rajada de ar frio agora atingiu seu adversário em cheio, que cruzou os braços sobre o rosto para tentar se proteger. Porém, todo o seu corpo acabou coberto pelos cristais de “diamante”, tornando-se uma estátua brilhante.
Com a luta encerrada, Hyoga deu as costas e começou a se afastar. Nesse momento, porém, ouviu o gelo começar a trincar. Virando-se novamente para Samael, presenciou o inimigo partir os cristais em milhares de pedaços, e ressurgir com o cosmo ainda mais intenso.
— Eu tive a sensação de que não acabaria tão rápido — comentou Hyoga, arrancando uma risada de Samael.
— E você também não me decepcionou até aqui, Hyoga... — devolveu — Agora... Já podemos sair do aquecimento.
— Estive esperando por isso — concordou o dourado.
Com o brilho do cosmo tornando-se obscuro, Samael levantou um braço enquanto a forma de uma foice espectral surgia sobre ele. A princípio com alcance limitado, a foice foi crescendo até ter vários metros de comprimento.
— Colheita... Dos Espíritos! — anunciou Samael, girando o braço na direção de Hyoga.
Acompanhando o movimento do braço de Samael, a foice girou rápido demais para Hyoga conseguir esquivar-se, varrendo todo o campo no caminho, e transpassando o tronco do cavaleiro de um lado ao outro. Porém, ao invés de cortar seu corpo, parecia que era somente a alma que havia sido retalhada. Uma dor inigualável apertou o peito do cavaleiro, ao mesmo tempo em que sentiu seus pulmões se encherem de sangue. De olhos arregalados e com a mão no peito, Hyoga caiu de joelhos, enquanto tossia sangue.
— Que técnica... É essa? — perguntou, entre uma tossida e outra.
— Eu sou o mensageiro da morte de meu deus, Hyoga. Como tal, sou capaz de retalhar as almas dos seres vivos — explicou, enquanto levantava o braço para repetir o ataque.
— Maldito... — amaldiçoou Hyoga, conseguindo firmar um pé para se levantar.
— Receba novamente... A minha Colheita dos Espíritos! — concluiu, girando o braço mais uma vez.
Porém, no meio do trajeto de sua foice através do campo, Hyoga levantou uma mão para Samael, fazendo surgir um Círculo de Gelo no punho do inimigo. Segurando o braço de Samael, Hyoga conseguiu deter o giro da arma antes que ela o atingisse. Samael esforçava-se para mover seu punho, mas não conseguia concluir o golpe ou recuar. Estava completamente preso.
— Ora essa... Você realmente não me decepciona, Hyoga — argumentava Samael, que fitava, com fúria no olhar, o próprio braço, que seguia preso.
Isso deu tempo para Hyoga recuperar-se e colocar-se sobre os dois pés. Ainda usando a mão para canalizar o Círculo de Gelo que segurava Samael, o cavaleiro de Aquário tentou extrair mais informações do inimigo.
— Chega de brincadeiras, Samael! Me diga logo quem você realmente é, e de onde veio — ordenou, elevando o cosmo para tentar esmagar o antebraço do inimigo.
— Que diferença faz você saber ou não, Hyoga? — questionou, com um sorriso no rosto ao ver a armadura de seu antebraço trincar. — Ao final do dia, todos vocês estarão mortos de qualquer jeito. Tudo bem... Já que você me proporcionou uma ótima luta até aqui, vou te falar tudo o que sei.
Desmaterializando a gigantesca foice espectral, Samael focalizou todo o seu cosmo no antebraço e, com isso, conseguiu movê-lo para romper o Círculo de Gelo de Hyoga, libertando-se. O movimento chamou a atenção de Hyoga, que a seguir desviou o olhar para observar o flanco de sua própria armadura, no ponto por onde a Colheita de Espíritos de Samael havia passado.
— Nove anos atrás... — começou Samael — No outro mundo que vocês chamam de Nibiru... Meu pai, Prometeu, criou a mim e a meus irmãos.
— Nove anos atrás? Mas você é... Tem a idade de uma criança — observou Hyoga, arrancando uma risada de Samael.
— Para padrões de sua raça, sim. Mas Prometeu criou uma nova, muito superior a sua. Nós nos desenvolvemos mais rápido, somos mais fortes, não envelhecemos, não adoecemos... E não brigamos com nossos semelhantes. Tudo o que vocês homens da Terra têm de falhas foi corrigido em minha raça. Somos a raça perfeita, Hyoga. Somos praticamente como deuses... Bom, se bem que para vocês, seria mais adequado nos verem como anjos.
— Anjos? — questionou Hyoga, lembrando-se das asas de éter de Samael.
— Sim, pois nós somos os mensageiros de Deus, o único e verdadeiro Deus Prometeu, que veio trazer a sua ruína. E vocês... São os demônios que mancham essa terra... Sabe, Hyoga. O sonho de meu pai era corrigir seus antigos erros e recriar a raça perfeita. Porém, ele não podia desenvolvê-la aqui, devido a ameaça que vocês, os cinco lendários cavaleiros de Atena, representavam... Por isso, ele teve de ir para Nibiru, um planeta em que ele mais facilmente poderia nos criar sem ser interrompido por terceiros. Porém... Nós não podemos ficar em Nibiru para sempre. Um planeta amaldiçoado como aquele... Condenado por catástrofes naturais e outras provocadas pelos falsos deuses e pelo homem... Não pode nos abrigar. A nossa terra prometida... O nosso Jardim do Éden, está aqui na Terra, sendo maculado por vocês — disse apontando para Hyoga. — Pelo futuro da minha raça, eu devo destruí-los. É uma questão de sobrevivência...
— Eu não consigo acreditar que Prometeu realmente criou uma segunda raça humana — disse Hyoga. — Mas se o que você está me dizendo é verdade, isso ainda não deveria ser motivo para entrarmos em conflito. Seja a primeira raça humana, seja a segunda... Todos têm direito à vida. Samael, Prometeu tornou-se um deus maligno. Se vocês realmente são melhores do que a gente... Se vocês realmente são mais evoluídos do que a gente... Não deveriam dar ouvidos a ele.
— Basta — cortou Samael. — Homens como vocês, que destroem o jardim criado por Deus, não têm direito a uma opinião. Na essência, vocês são a mesma raça humana que eu conheci em Nibiru. E o que eu presenciei lá não pode ser perdoado... É apenas por uma questão de sorte que vocês ainda não condenaram este planeta também.
Parecia que não haveria como argumentar. Hyoga não teria escolha a não ser resolver a questão com os punhos.
— Eu sou Samael, a punição de Deus. Sou o Arcanjo da Morte, e porto a armadura de Vênus, a estrela da manhã! E pela minha mão, a sua vida será ceifada! — disse, elevando o braço e invocando novamente a sua enorme foice espectral.
Sem deixar-se ser intimidado, Hyoga elevou o cosmo e assumiu a postura da Execução Aurora. A postura diferente e o cosmo ameaçador fizeram com que Samael hesitasse por um instante.
— É a sua última chance de parar, Samael — advertiu Hyoga, sem sucesso.
Sem dar ouvidos ao cavaleiro, o arcanjo encheu-se de coragem e cruzou o braço, abaixando sua terrível foice sobre Hyoga. Mais uma vez, a arma arrasou o campo, atravessando o corpo de Hyoga. Desta vez, no entanto, a foice se deformou de maneira peculiar quando passou pelo tronco do cavaleiro, como se ela tivesse deixado de existir nos pontos em que o tocava. Surpreso ao ver que seu golpe não tivera efeito, Samael ficou com a defesa aberta quando Hyoga abaixou os punhos e aplicou a Execução Aurora. Arremessando o arcanjo para longe, o canhão de ar frio também arrebentou todo o solo em seu caminho, derrubando, por fim, Samael sobre um rastro de destruição congelado.
Ao observar que o cosmo de Samael, antes poderoso, agora estava terrivelmente enfraquecido, Hyoga julgou a luta por encerrada, abaixando os punhos. Mesmo quando o arcanjo conseguiu se levantar e, cambaleante, caminhou em sua direção, o cavaleiro de Aquário não levantou as mãos novamente. Samael já não tinha mais condições de enfrentar alguém como o cavaleiro divino.
— Eu... Não entendo... — questionava Samael, com dificuldade até mesmo de falar. — Como foi que meu golpe não te afetou na segunda vez... — completou, ao cair de joelhos diante de Hyoga. E foi então que Samael viu. — Espere... A sua armadura... Ela está toda congelada. Está coberta de cristais de gelo... Quando foi que isso aconteceu? — perguntou perplexo.
— O Zero Absoluto. A menor temperatura que se pode alcançar nesse universo, quando cessa-se completamente o movimento dos átomos — explicou Hyoga, que por sua vez lamentava o estado deplorável em que havia ficado a armadura de Vênus de Samael, igualmente congelada, porém toda trincada — A princípio, eu achei que a sua técnica não podia ser defendida, já que parecia atacar diretamente a alma. Porém, a sua enorme foice desapareceu quando você concentrou o cosmo ao redor de seu braço para se livrar do meu Círculo de Gelo. E foi então que eu percebi: a base da sua técnica é constituída de plasma superaquecido — concluiu, mostrando um corte de queimadura no flanco direito de sua própria armadura de Aquário. — Esta foi a marca que sua arma deixou ao atravessar o meu corpo no primeiro ataque. Você usa plasma, que nada mais é do que ar superaquecido, para conduzir a porção espiritual de seu golpe... Uma técnica terrível, sem dúvida, que ataca o físico e o espírito ao mesmo tempo. Se não fosse pela minha armadura, no primeiro ataque o meu corpo teria sido cortado ao meio por sua lâmina.
— Mas, ainda assim... Eu não entendo como você escapou da segunda vez — retorquiu Samael, com raiva.
— Por acaso eu congelei o seu cérebro, Samael? Tudo bem, eu vou desenhar para você... Quando eu percebi que era a porção física de seu golpe que conduzia a porção espiritual, bastou que eu resfriasse a superfície da minha armadura até o Zero Absoluto, para anular ambas as frentes de seu ataque. Eu vesti uma Armadura de Gelo, à uma temperatura tão baixa que nem mesmo o seu plasma conseguiria superar... Pelo menos, não da distância que você atacou...
— Maldito... — amaldiçoou Samael, arregalando os olhos. Finalmente havia entendido — Tudo bem, Hyoga. Vá em frente e arrance logo a minha cabeça — aceitou Samael, dando-se por vencido e oferecendo o pescoço. — Você me superou completamente...
— Não, eu acho que não farei isso — discordou Hyoga — A princípio, eu achei que seria perigoso deixar um tolo tão poderoso como você viver.
— Um tolo?! — questionou surpreso, olhando novamente para Hyoga.
— Sim, um tolo... Porém, agora eu percebo que a sua ingenuidade deve-se ao fato de você ter passado o pouco tempo de vida que você teve até agora sob a tutela de um deus dissimulado. Mas você não é maligno. Samael... Você não tem culpa de ter sido criado por Prometeu. Não escolhemos o nosso berço ou nossos pais. Tudo o que você quer é um mundo melhor para o seu povo, e isso é legítimo. E tenho certeza que em breve você perceberá que as nossas raças não são assim tão diferentes.
Samael ficou sem palavras. O arcanjo jamais imaginou que seria julgado como uma criança ingênua
— Além disso — continuou Hyoga. — Apesar de sua sede cega em punir crimes e injustiças, sinto que em sua essência você é bom. Seu único erro até agora foi levantar a sua mão contra mim. Mas, por isso, eu posso perdoá-lo — concluiu, dando as costas para o arcanjo.
Hyoga já elevava o cosmo para partir, quando Samael o interrompeu.
— Espere! — exclamou o arcanjo, levantando-se com o cosmo em chamas. — Quem você pensa que é para julgar a mim, um ser perfeito, desta forma... — disse, caminhando na direção de Hyoga para encará-lo, com ódio e lágrimas nos olhos. — Você está errado... Não somos nada parecidos, e vou te provar na próxima vez que nos encontrarmos.
Abrindo suas asas, Samael disparou para os céus, cruzando-o então em direção ao ocidente. Hyoga observou-o partir, lamentando que o arcanjo estivesse com tantas dúvidas no coração.
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