As músicas que me guiaram
15 Demonstração para você
Notas iniciais
— Isso não tem graça, Scott!
Não era a primeira vez que Stiles dizia isso. Nem a segunda ou terceira. Ele já tinha repetido tantas vezes, que não sabia mais a quantidade. Perdeu a conta. Ainda assim, McCall continuava gargalhando. A cada segundo ele parecia rir mais.
— É claro que tem! — Ele disse alto em meio as risadas. — Primeiro você masturba a Lydia no carro com os seus pais na frente e depois, quando acha que vai se aliviar, seu pai abre a porta do quarto?!
Uma nova risada escapou de Scott, ainda mais alta. Stiles revirou os olhos e concordou lentamente com a cabeça.
— Continue rindo da minha desgraça. — Ele falou em uma breve reclamação. — Eu ainda tentei convencer a Lydia da gente continuar, quando meu pai foi embora, mas ela ficou morta de vergonha e não quis fazer mais nada!
— E o que o seu pai quis falar mesmo?
— Sobre camisinhas e anticoncepcional— A resposta de Stiles provocou outra vez, uma nova série de risadas de seu melhor amigo. — E que a gente tinha que ser mais discreto, porque ele percebeu que nós fizemos alguma coisa no carro....
— Tadinha da Lydia! Ela é tímida e quando resolve ousar, é flagrada por seu pai!
— Falou também que minha mãe ia dizer que a gente é muito novo para pensar tanto em sexo, mas que não era para gente ligar porque ele e a mamãe já transavam muito com quinze anos. — Stiles revirou os olhos ao lembrar daquele detalhe desnecessário, que o pai não precisava ter dito e deixou Lydia ainda mais constrangida.
Ele não tinha problemas em ouvir aquela informação, porém, não queria que a amiga tivesse ouvido aquilo e ficado com mais vergonha.
— Sério, eu amo seu pai! Ele basicamente aprovou as sacanagens que você faz!
— Não só aprovou, como ontem perguntou se eu queria ajuda com alguma informação de sexo. — Ao dizer aquilo, Stiles não prendeu um sorriso divertido. — Ele disse que quer que eu seja bom de cama.
— Pode dizer para ele ficar tranquilo, que eu já faço esse papel na sua vida! — Scott se gabou dando leves batidas no ombro do amigo. — Apesar de que não tenho que ajudar muito, já que você é virgem.
Stiles soltou um suspiro alto e derrotado. Scott sorria em provocação, os olhos fixos no rosto do Stilinski, atentos a qualquer reação que ele fosse ter.
— Eu... eu não sei se a Lydia está pronta para a primeira vez.
Com aquela frase, Stiles mudou o clima da conversa que tinha que Scott. O Stilinski voltou a andar pelo shopping, sendo seguido pelo amigo com passos rápidos.
— Como assim? Vocês vivem se pegando! Por que ela não estaria pronta?! — Scott perguntou confuso enquanto acompanhava Stiles até a praça de alimentação.
— Ela nunca ficou nua na minha frente. — Stiles justificou enquanto seus olhos passeavam pelas opções de restaurantes. — Pizza ou hambúrguer? — Perguntou com dúvida.
— Nunca? Eu pensei que....
— Nunca. — Stiles reafirmou com certo desgosto.
— Hambúrguer! — Scott respondeu tardiamente, o rosto curioso estava voltado para Stiles. — Mas isso não significa que ela não quer fazer sexo com você.
O shopping de Beacon Hills era pequeno. Três andares com poucas opções de lojas e lugares para comer e também, um cinema que possuía poucos filmes. Mesmo assim, provavelmente, aquele era o melhor lugar da cidade para se aproveitar em uma tarde quente e tranquila.
Era sexta e Stiles e Scott decidiram passear. Só os dois. Um momento entre garotos. Era muito raro fazerem isso, já que Stiles passava o tempo todo com Lydia. Porém, naquele dia em específico, ela já tinha avisado que tinha que estudar para uma prova.
O que Lydia falou era verdade, mas Stiles sabia que ela estava o evitando desde John viu os dois na cama. Ela continuava falando com Stiles, trocando algumas mensagens e passando um tempo com ele. Mas não tanto quanto o normal e eles não tinham nem se beijado desde aquele dia.
Isso fazia cinco dias. Cinco dias sem toques indecentes, falas imorais, beijos e roçar de corpos. Stiles estava enlouquecido com isso, no entanto, sabia que tinha que ter paciência para Lydia se recuperar da vergonha. Também sabia que ela demoraria para a voltar a ir para sua casa, com medo de encontrar John.
— É óbvio que ela quer transar comigo! — Stiles falou com segurança enquanto ia até o restaurante de hambúrguer. — Eu só não sei se ela está pronta para fazer isso agora — Scott tentou responder. Stiles o interrompeu com uma nova fala. — Uma vez ela me disse que tinha medo de sentir dor na primeira vez. Talvez seja isso, ela pode estar com medo.
Scott franziu o rosto e demorou alguns segundos para responder. Ficou pensando bem antes de falar algo. Quando enfim abriu a boca, ele e Stiles já tinham feito seus pedidos no pequeno restaurante com paredes coloridas.
— Você devia fazer sexo oral nela.
— O quê?!
— Oral! — Para completar a fala, Scott levou dois dedos ao lado da boca, fazendo um formato de V. Colocou a língua para fora e passou a simular sexo oral de forma imoral e divertida.
Stiles acabou rindo e negando com a cabeça ao mesmo tempo.
— Eu sei o que é sexo oral, pelo menos na teoria.
— É uma delícia de fazer! — Scott fechou os olhos enquanto falava e suspirou alto. Parecia lembrar de alguma coisa. — Eu amo sentir o sabor na minha boca e escutar a garota gemendo de prazer por minha causa...
— Scott, cuidado para não ter uma ereção aqui. — Stiles disse risonho, olhando para Scott com certo deboche.
— Desculpe, estou há quase uma semana sem transar! Amanhã vou tentar resolver isso.
— Continue falando sobre sexo oral. — O Stilinski lembrou, sem permitir que Scott desviasse do assunto.
— Eu aposto que ela vai relaxar se você a deixar nua e fazer ela gozar em sua boca!
Stiles pareceu pensativo e pouco depois, concordou com a cabeça. A ideia de fazer Lydia se soltar com um sexo oral, o agradou muito. Imaginou como seria fazer aquilo e principalmente, como seria ver Lydia mais confiante e desejando avançar para o sexo.
— Eu ia gostar de fazer isso. — Stiles disse com facilidade, os pensamentos distantes.
— Sou um ótimo professor de sexo oral. — Scott sugeriu com um sorriso maldoso, os olhos divertidos.
— Só acredito se você fizer em mim.
A provocação de Stiles pairou sobre o ambiente por alguns segundos antes deles explodirem juntos em risadas. O garçom trouxe os hambúrgueres de cada um e eles permanecerem rindo de suas falas maldosas.
— Quando a gente chegar em casa, eu faço uma demonstração para você!
Com a última frase de Scott, seguida por sorrisos maliciosos, os amigos começaram a comer.
**
Lydia estava sozinha em casa. Ela odiava isso, mas não podia pedir pela companhia do melhor amigo. Afinal, Stiles tinha dito que ia sair com Scott e ela tinha certeza que se falasse com ele, o Stilinski largaria o amigo para ficar com ela.
Além de que, ela continuava envergonhada quando via o melhor amigo. Lembrando do momento desastroso em que foi flagrada aos beijos com ele. Mas isso, Lydia não aguentava mais. Ela precisava voltar ao normal com ele, mesmo com vergonha. Era insuportável se distanciar mesmo que pouco, daquele garoto.
A Martin queria que Stiles se materializasse em seu quarto com seu típico sorriso maldoso, porém, ela não queria atrapalhar o momento que ele estava tendo. Stiles vivia grudado com ela e Lydia sabia que ele também precisava de um tempo de garotos.
— É só aguentar até a noite, Lydia. — Murmurou para si mesma, tentando se encorajar. — De noite você manda uma mensagem dizendo que sua mãe viajou e pedindo para ele dormir aqui!
Ela concordou com a cabeça, suspirou e se jogou na cama. Levou as mãos até o rosto e grunhiu de insatisfação. O tédio e a solidão a consumia de forma terrível. Não conseguia se distrair com mais nada do que tinha em casa.
Pegou o celular que estava ao seu lado e frustrada, olhou os poucos contatos que tinha salvos. Lydia tinha poucos amigos. Isso por causa da sua imensa dificuldade de se relacionar, perder a vergonha. Sempre que podia, ela se escondia por trás da presença desinibida de Stiles e fingia que era apenas a sombra dele.
Stiles reclamava disso. Por diversas vezes, ele dizia o quanto ela era maravilhosa e que não podia ter tanto medo de se expor ao mundo. Sempre tentava convencê-la a fazer novas amizades, a se aproximar de outras pessoas. Mas Lydia era teimosa e nem sequer tentava.
Na maior parte do tempo, ela nem sentia falta de outras amizades. Stiles supria tudo que ela queria e precisava, no entanto, sempre que o garoto passava um tempo com outras pessoas ou se misturava na rodinha de alunos populares, Lydia percebia que seria melhor se ela interagisse com mais alguém.
Enquanto ela lia os contatos que tinha no celular, ela parou por alguns instantes quando leu “Derek Hale”. Pressionou os lábios um no outro e curiosa, abriu uma aba de conversa com ele no whatsapp. Clicou para ver a foto dele e quase suspirou ao ver o rosto bonito de Derek com um sorriso confiante.
Sem contar com Stiles e Scott; Derek era o mais perto de amigo que Lydia tinha. Ele era da mesma turma que ela, a acompanhava em todas as aulas e quase sempre, sentava ao seu lado. Ele era gentil, sorridente e vivia puxando assunto com ela.
Scott implicava com Lydia, dizendo que Stiles ia matar Derek se soubesse da existência dele. Isso porque, Lydia nunca tinha mencionado o nome de Derek para Stiles. Ela não sabia exatamente o motivo de seu receio, mas só... não se sentia confortável para falar dele. Scott só sabia por também ser da mesma turma da Martin, no entanto, ele já tinha prometido que não falaria nada e ela acreditava nele.
Ainda olhando para a foto de Derek, Lydia pensou na possibilidade de mandar alguma mensagem para ele. Não sabia o que diria e só de pensar nisso, suas bochechas coraram, porém, o Hale já tinha puxado assunto com ela algumas vezes pelo whatsapp, por isso ela considerava aquela possibilidade.
Quando clicou no teclado de seu celular, a campainha da casa soou alta e repentina. Lydia pulou na cama e surpresa, levantou e quase correu até o andar de baixo. Teve esperanças de abrir a porta e se deparar com Stiles do outro lado.
Ela abriu a porta da sala sem nem pensar duas vezes. Encontrou um par de olhos castanhos, porém, não eram do tom avelã de Stiles, eram um pouco mais escuros. Lydia não disfarçou o choque em sua expressão ao reconhecer a figura parada a sua frente.
— Scott?! — Ela pronunciou o nome com certa incredulidade.
— Sabe o que eu percebi? Nós somos amigos há um bom tempo e você nunca me convidou para ir na sua casa! — Foi o cumprimento de Scott, o rosto franzido de incomodo, os olhos decididos. — Então eu resolvi vir.
— Você....
Lydia se calou quando Scott entrou na sua casa sem esperar alguma autorização. Automaticamente, ela continuou olhando para a rua, tentando ver se Stiles estava em algum lugar.
— Stiles não veio, Lydia!
Corada, a garota fechou a parta e só depois, voltou a olhar para Scott. Seus olhos verdes, atentos, analisaram o amigo por alguns instantes. Estava surpresa e também, sem reação.
Scott não olhava para ela, já que, sem nenhum tipo de constrangimento, ele analisava o cômodo em que estava. Observou a sala de estar com curiosidade e demorou alguns segundos para voltar a se pronunciar.
— Cadê sua mãe?
— Ela viajou a trabalho — Lydia explicou rápido, cruzando as mãos na frente do corpo. — Volta amanhã. — Acrescentou baixo, sem saber o porquê se sentia tão envergonhada com a presença do McCall.
Então, Scott fez com que ela entendesse o motivo de sua vergonha. Ele abriu um sorriso sugestivo e safado, erguendo as duas sobrancelhas de maneira maldosa.
A personalidade de Scott era talvez, pior do que Stiles no quesito desenvergonhado. Isso era um feitio quase impossível e fazia Lydia sempre se constranger quando ficava sozinha com ele.
— Quer dizer que estamos sozinhos, com a casa toda livre para nós dois?
Foi automático. Lydia corou mais uma vez e deu dois passos para trás, sentindo as costas baterem na porta fechada com alguma grosseira. Em resposta, Scott soltou uma risada descontraída.
— E-eu...
— Relaxa, Lydia. Prometo que não vou agarrar você! — Apesar daquela fala, Lydia permaneceu contra a porta. Só os ombros parecerem relaxar. — É sério, Martin. Relaxa! Não me olhe como se eu fosse um abusador de garotinhas.
Por fim, Lydia acabou rindo com a reclamação de Scott. Ela concordou com a cabeça, percebendo sua atitude exagerada para uma simples provocação. Continuou encarando o McCall, calada por alguns segundos.
— O que você....
— Eu vim...
Os dois falaram exatamente ao mesmo tempo. Ambos os adolescentes pararam de falar no meio da frase e soltaram pequenas risadas. Era uma das primeiras vezes em que eles ficavam sozinhos com um clima tão leve, sem Lydia tentar brigar com ele.
— Pode falar. — Foi a Martin que cedeu, enquanto se encostava na parede. Estava curiosa para saber o motivo de Scott ter vindo até sua casa.
O garoto mexeu em uma mochila que Lydia ainda não tinha visto. Scott abriu o zíper e enfiou a mão no fundo do tecido preto. Depois de poucos segundos, ele ergueu um dvd que a Martin não reconheceu.
— Eu peguei esse dvd emprestado e fiquei com vontade de ver com você!
— Comigo...? — Lydia perguntou pateticamente, os olhos meio arregalados.
— Você gosta de série, não gosta? — Ele devolveu com outra pergunta, curioso.
— Gosto!
— Então temos uma maratona para fazer, Martin. — Foi a resposta de Scott. Ele parecia satisfeito, com um imenso sorriso grudado nos lábios. — Seu quarto é por aqui?
Lydia, mais uma vez, se surpreendeu com a folga e tranquilidade de Scott. Ele foi andando pela casa e começou a subir as escadas, procurando sozinho onde era o quarto da Martin.
A garota suspirou e revirou os olhos, porém, acabou abrindo um pequeno sorriso. Ela não diria em voz alta, mas estava feliz por ter finalmente uma companhia. Mais do que isso, ela estava feliz por aquela companhia ser Scott.
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