As músicas que me guiaram
20 Boa sorte
Notas iniciais
Stiles bufava de raiva ao perceber que o melhor amigo não prestava atenção no que ele falava. McCall estava entretido no celular, mandando mensagens e sorrindo. Ignorava por completo a presença do Stilinski.
— Scott! Daqui a pouco a Lydia chega e você não sai desse celular! — Gritou ao ponto de ver o garoto estremecer no lugar.
— Vai dar tudo certo — Foi a única resposta de Scott, sem nem olhar para Stiles.
Irritado, o Stilinski tirou o celular da mão do amigo e franziu o rosto quando viu que Scott conversava com Érica. Era uma garota da escola típica dos filmes clichês adolescentes: loira, bonita e fútil.
— Desde quando você é amigo da Érica?!
— Eu não sou amigo dela — Scott respondeu rápido e se apressou em pegar o celular e puxar de volta para si — Não dá para conversar cinco minutos com ela sem que comece a se gabar!
— Então por que vocês...
— Sexo, Stiles. Quero transar com ela, não ter uma conversa.
Stiles franziu o rosto e se esqueceu momentaneamente de suas preocupações. Continuou observando o amigo e estalou os dedos antes de finalmente falar:
— Você não estava com a Allison horas atrás?
— Não estou combinando para hoje, Stiles. Estou falando da gente transar só amanhã!
A maneira como Scott falava, parecia tornar aquela situação banal, como algo comum. Isso incomodou Stiles, pois apesar de saber dos hábitos do amigo e apoiar o sexo constante, muitas vezes era estranho ver a capacidade do McCall de ter uma parceira sexual diferente por dia
— Então Allison não se importa. — Com aquela frase, Scott percebeu finalmente o desconforto do amigo
— Eu não fico partindo os corações das garotas, cara! Allison só vem me procurar quando quer uma transa sem compromisso. — Explicou parando, finalmente, de dar atenção ao celular. — Só fico com gente que sabe que só estou buscando prazer.
— Eu sei, mas a Allison é sua amiga, então pensei que... — Stiles parou no meio da frase.
— Por ela ser minha amiga que a gente transa com mais frequência. — Scott balançou os ombros ao dizer e não aguentou a tentação de espiar o celular mais uma vez. — Amizades coloridas não costumam ser como a sua com a Lydia.
— Ok, Allison não é a garota. — O Stilinski pareceu frustrado ao dizer aquilo, rabugento.
— Você achou que eu pudesse me apaixonar pela Allison? — Scott riu. Stiles revirou os olhos.
— Um dia você vai se apaixonar!
— Nunca devia ter falado que queria um dia ficar só com uma garota. — Foi a vez do McCall reclamar — Em vez de se preocupar com isso, podia me ajudar a fazer a Malia falar comigo!
— Para você levar ela para cama e no dia seguinte levar outra?!
— Só quero falar com ela, Stiles! Saber se gosta de sexo assim, porque ela me deu um fora sem nem deixar eu falar direito. — Enquanto conversava, o garoto lembrou do dia do show de Stiles e de sua tentativa frustrada de ter qualquer comunicação com Malia. Ele não conseguia tirar aquilo da cabeça.
Stiles negou com a cabeça por diversas vezes e seus olhos castanhos se tornaram sérios. Queria ter certeza de que Scott entenderia que ele não estava brincando ao falar.
— Eu conheço a Malia, ok? Ela...
— Por isso quero ajuda! Vocês são amigos.
— Não me interrompa, McCall! — Stiles brigou e Scott estreitou os olhos escuros. — Eu sei que ela não gosta de sexo sem compromisso, então nem tente se aproximar dela.
— Mas...
— Você disse que não magoa o coração das garotas. Então continue assim e pegue qualquer outra garota da escola que não estiver buscando algo sério.
A campainha da casa tocou. Stiles, afobado, gritou um palavrão e saiu correndo do quarto. Segundos depois, voltou ao quarto com o rosto vermelho pelo esforço físico.
— É você que tem que abrir a porta! — Lembrou ansioso e sem esperar por uma reação, empurrou os ombros do amigo. — Vai lá e age naturalmente.
Se fosse qualquer outro momento, Scott acharia graça do nervosismo de Stiles, porém, seus pensamentos estavam totalmente voltados para Malia. O incomodava a sensação de que uma garota tão bonita, que o atraia tanto, era inalcançável para ele.
Se ela não tivesse o ignorado daquela forma, sem deixar que ele falasse nada, talvez não estivesse tão fixado na ideia de queria ter a garota para si. Tinha se tornado mais do que um simples desejo. Ele a queria por inúmeros motivos.
Por isso, quando Scott desceu as escadas e foi até a porta da sala, não seguiu o plano complexo que tinha feito com Stiles. Ele estava chateado e por isso, decidiu que não ia ajudar o amigo na tentativa de fazer algo inovador para Lydia.
Assim que abriu a porta, se deparou com a garota de cabelos ruivos. Ela sorriu para ele, gentil e tímida como sempre e deu poucos passos em direção a sua casa.
— Tudo que eu falei foi uma armação para você encontrar o Stiles — Ele falou de uma vez, entregando plano.
— O quê?! — Os lábios de Lydia se abriram de surpresa.
— Stiles está lá em cima e quer falar com você!
O Stilinski, que se escondida no alto da escadaria, disse uma dezena de palavrões e saiu de seu esconderijo. Com os braços cruzados acima do peito, olhou para o McCall com uma expressão assassina.
— Não foi isso que a gente combinou!
— Boa sorte — Foi a resposta de Scott, balançando os ombros e indo até o sofá.
Por alguns segundos, Stiles ficou horrorizado com a traição de Scott e demorou para conseguir se concentrar em Lydia. No entanto, assim que olhou para o cabelo ruivo, não conseguiu pensar em nada que não fosse ela.
— Lydia — Sua voz soou engasgada porque nunca imaginou que a garota estaria tão linda.
Scott tinha ligado para ela, chamando para passarem a tarde juntos. Foi com essa desculpa que ele a atraiu para sua casa. Por isso, o Stilinski não imaginava que ela estaria usando um vestido azul rodado e curto.
O tecido era largo, porém, cobria só o alto das coxas pálidas. Azul era a cor predileta de Stiles e o tom claro do vestido ficava perfeito em Lydia. Ele não conseguia decidir se olhava para as pernas, o rosto ou o cabelo da menina. Tudo atraia sua atenção.
Lydia só fez uma coisa: cruzou os braços a frente dos seios.
— Vamos conversar, pequena. Por favor! — A voz era gentil. Os olhos eram carinhosos. Lydia nem tentou resistir.
Com os braços ainda cruzados, ela subiu as escadas e seguiu Stiles até o quarto de Scott. Manteve uma pequena distância entre eles e ergueu as sobrancelhas ruivas, esperando que ele começasse a falar.
— Acho que tenho que pedir desculpas... — Começou relutante.
— Pelo que? — Ela foi sarcástica e Stiles achou aquilo sexy — Por ficar o tempo todo provocando o Derek? Fazendo carinha de bravo? Ou por ter expulsado ele do restaurante?
— Eu não expulsei!
— Você disse que não estava conseguindo comemorar sua entrada na escola de música por causa dele! — A voz da Martin aumentou alguns tons e suas pequenas mãos empurraram o peito do amigo sem muita força
— Mas...
— E ainda ficou reclamando o tempo todo comigo, dizendo que não devia ter o convidado!
— A culpa foi dele — A resposta rabugenta de Stiles fez Lydia arregalar mais os olhos verdes.
— Como a culpa foi dele?! O que o Derek fez?
— A forma como ele olhava para você.... — O Stilinski começou a falar baixo e a Martin, sem nem perceber, encarou o peito coberto do amigo e relaxou as mãos que ainda estavam sobre ele.
Stiles continuou falando, porém Lydia quase não ouviu. Seus dedos tinham vontade própria e se apressaram em se mover delicadamente sobre o peito do melhor amigo, sentindo a firmeza ali e desejando poder tirar sua camisa.
— Eu gosto que você tenha ciúmes de mim. — A confissão inesperada surpreendeu a própria Lydia. Ela não queria dizer aquilo em voz alta.
Stiles deu um sorriso torto e aproximou mais alguns passos de Lydia. Ela andou para trás e assim, suas costas encontraram a porta fechada do quarto.
— Gosta? — De repente, a voz de Stiles ficou rouca demais. Lydia percebeu, sabia o motivo e por isso, estremeceu.
— Mas você exagerou! — Ela disse na defensiva e ao reconhecer o brilho maldoso nos olhos castanhos, tentou socar, desajeitada, os ombros do amigo. — Você foi...foi...
Lydia esqueceu o que ia falar. Não conseguia mais lembrar qual ofensa estava prestes a dizer. Seus dedos fechados em punho que pouco antes tentaram o machucar, começaram a fazer carinho nos ombros largos.
O que estava distraindo Lydia era a boca de Stiles. E as mãos grandes apoiadas na parede ao seu lado. O pescoço pálido também era uma grande distração... e o cabelo bagunçado, os olhos cor de uísque. Tudo.
— Eu já pedi desculpas, sereia.
Ela fez beicinho e isso só aumento o desejo de Stiles. Ele precisava beijá-la. Dois dias sem tocar naqueles lábios era insuportável.
— Odeio isso!
— O quê? — Ele pendeu a cabeça para o lado e isso fez com que sua expressão pudesse descrita por: “cara de cachorrinho que caiu da mudança”.
— Não consigo brigar direito com você — Se lamentou e Stiles só foi capaz de sorrir mais — Por isso não atendi suas ligações.
— Você sabia que assim que falasse comigo ia ter vontade de me agarrar — Se gabou e tomou a liberdade de colar seus corpos.
— Quem disse que eu quero agarrar você?
Ela tentou manter a voz firme, porém, as pequenas mãos não paravam de fazer carinho nos ombros dele. Era como se fosse incapaz de evitar aquele instinto.
Presunçoso, Stiles inclinou a cabeça e depositou um único beijo no pescoço de Lydia, fazendo ela erguer a cabeça para lhe dar mais espaço. Ela aceitou, não tentou recuar.
Foi um beijo simples, seco e, no entanto, foi o suficiente para o corpo inteiro da Martin esquentar. Ela achava o Stilinski sexy em qualquer situação.
Ele não precisava provocar, não precisava nem mesmo estar perto. Bastava olhar para ele, ou ouvir sua voz, que Lydia sentia a gravidade a puxando na direção dele.
— E-eu preciso falar uma coisa que andei pensando esses dias... — O tom de Lydia e sua expressão fez com que Stiles se afastasse um pouco e erguesse as sobrancelhas.
— O que foi?
— Primeiro, promete que vai pedir desculpas para o Derek.
— Desculpas? Eu não... — A revolta de Stiles fez com que Lydia revirasse os olhos.
— Stiles. — Bastou isso para o garoto ceder. Ele sempre cedia as vontades da melhor amiga.
— Tudo bem, eu vou pedir desculpas. Satisfeita?
— Muito!
— Agora me diz, o que você andou pensando?
A expressão de Lydia mudou. Ficou muito vermelha, encarou o chão e mordiscou o lábio inferior. Antes que perdesse a coragem, ela disse de uma vez:
— E-eu já estou pronta para fazer sexo com você.
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