As mãos da Rainha

8 Capítulo 7 - Notícia


Notas iniciais
Olá!! Como estão todos? Boa leitura!

Alguns dias se passaram desde que Sofi chegara ao castelo. Sua rotina se resumia a seguir Veranda por todo lugar, sua tarefa era substituir as mãos da rainha em qualquer circunstâncias.

A jovem dama não substituía uma aia, secretária ou arrumadeira. Desde o primeiro dia, ela não buscara as refeições da rainha, aliás começou até a se alimentar junto a ela, que sempre comia sozinha. Também não arrumava ou limpava nada, nem os próprio aposentos! Não a vestia, ou ajudava no banho. Porém não tinha quase nenhum tempo livre, sempre trabalhava arduamente. Sofi nunca poderia imaginar que ser as mãos de alguém pudesse ser uma tarefa tão intensa. Ela não conseguia imaginar a agonia de não utilizar suas mãos.

Veranda, diferente do primeiro dia, não se mostrou bipolar ou nada do gênero. Na realidade, quase não falava. Somente o necessário.

"Pegue aquilo. Coce meu nariz. Levante esta cadeira. Abra as cortinas. Feche o baú. Arrume meu cabelo. Pegue o penico. Espante esta mosca. Escreva o que irei ditar. Segure o livro. Esfregue meus olhos. Me dê água. Vire a página. Quero comer uma maçã. Escove meus dentes. Lave meu rosto. Massageie meus ombros. Abra esta caixa. Amarre esta fita. Segure este papel. Quero morder a pera. Feche este armário. Pegue uma manta. Arraste esta cadeira. Troque esta água. Ajeite meu vestido. Entre outros, outros e outros. E mais outros."

Quando ouviu pela primeira vez que iria substituir as mãos da rainha, nunca poderia imaginar que suas atividades seriam tão literais. Veranda realmente não utilizava as mãos em momento algum e sempre usava luvas.

A rainha passava a maioria de seu tempo no jardim do castelo e no quarto.

Os demais serviçais nunca conversavam com Sofi, somente Sra. Geni se dava o trabalho. A senhora se apresentou um ótimo cano de escape do silêncio tedioso de sua nova rotina. Não que reclamasse, longe disso! Porém, Sofi estava acostumada com ambientes quentes e descontraídos. Ela tentara de inicio manter uma diálogo, porém as rudes evasivas de sua soberania a fizeram desistir. Ou pelo menos, por enquanto.

Não vira Guarda:604 desde o acidente no caminho da cozinha. Na verdade, não vira nenhum guarda desde seu primeiro dia. Suas conclusões foram que estes não precisavam fazer rondas e vigiar o local, as dádivas reais se incumbiam de qualquer acidente. Em um estalar de dedos, um exercito se materializava. Em um estalar de dedos, seus inimigos pereciam.

– Vire a página do livro. — ordenou Veranda, tirando Sofi de suas viagens mentais. Neste momento, as duas estavam em uma clareira no gigantesco jardim do palácio. A sua volta, árvores e arbustos verdes as escondiam de todos. Nem era possível ver o castelo. Flores das mais diversas qualidades, cores, tamanhos e espécies emitiam o mais puro e delicado perfume. Árvores frutíferas compunham um suculento pomar, onde Sofi havia colhido amoras e acerolas maduras. As duas se deliciavam do ensolarado dia da época das flores. O céu azul acima de suas cabeças, o pomar verde com pontos coloridos a sua volta, um banco de pedra as aconchegava no ambiente.

Sofi estava de fato encantada com o esplendor de tudo. O castelo era maravilhoso, os aposentos eram muito agradáveis, a comida era maravilhosa e suas novas roupas a deixaram extasiada. Havia recebido no seu segundo dia, quatro vestidos para exercer sua função, afinal seus próprios não eram dignos de estarem na presença de uma rainha.

O que vestia no momento era de seda verde escuro bordado a vinho. Justo até a cintura e solto nas pernas, a saia esvoaçante era longa e bordada. O vestido era sem mangas e se estendia de ombro a ombro, cobrindo suas clavículas. Um cinto da mesma cor e material dividiam a peça. A saia era bordada com espirais e linhas, o efeito final era maravilhoso.

Obviamente, nem se comparada ao de Veranda. Este era de linho na cor creme. O decote era redondo e adornado com delicadas rosas moldadas no próprio tecido, porém estas na cor lilás. Suas mangas eram longas e diagonais, uma ponta bem maior que o próprio braço de Veranda. Suas mãos estavam dentro de suas constantes luvas. A saia do vestido era cheia e rendada em lilás, a barra completamente adornada com flores. Seu cabelo estava puxado para trás, uma cachoeira no topo de sua cabeça. Um lindo colar de diamantes cercavam o pescoço e finalizavam a vestimenta.

A calma e serenidade da manhã relaxam a dama real. Porém toda esta serenidade já estava dando nos nervos. Sofi precisava de um pouco de agitação. Como se os céus ouvissem suas preces, um dos guardas surgiu na clareira. O susto fez Sofi derrubar o livro que segurava para a rainha, porém Veranda nem se mexeu.

Nunca vou me acostumar, mesmo depois de anos. Resmungou silenciosamente.

– Majestade. Senhorita Dama. — cumprimentou Guarda: 102, como indicava sua bochecha. Sofi achava aquilo um tanto exagerado e sombrio, nem podia imaginar a gigantesca dor de ter seu rosto marcado a ferro e fogo. Estremeceu. — Rei Adrian me enviou para informar que irá almoçar com a sua majestade, hoje.

– Diga a ele que estarei pronta no horário. — respondeu Veranda, cabisbaixa pelo livro derrubado. Sofi havia perdido a página da leitura.

– Certamente, adeus. — e mais uma vez desapareceu em fumaça, dando outro susto na dama real. Imediatamente, Veranda se pôs de pé.

– Adrian adora me pegar de surpresa. Não há tempo nem para me banhar! — resmungou contrariada. Esta seria a primeira vez, desde que Sofi chegara ao castelo, que o rei e a rainha iriam realizar uma refeição juntos. Na verdade, Sofi não havia visto os dois juntos desde a sala do trono assim que chegou, e como passava todo seu tempo ao lado de Veranda, provavelmente os dois realmente não tinham se visto desde então. Aliás, pensou em como poderia encara-lo depois do humilhante último encontro.

As duas se encaminharam a sala de jantar, um cômodo ainda inexplorado pela dama. Para surpresa de Sofi, o local era exatamente da maneira que havia pensado. Paredes cheias de quadros, uma mesa comprida cheia de cadeiras, a refeição colocada em uma das pontas.

E para surpresa de ninguém, só haviam dois pratos servidos. Sofi estava excluída da refeição. Ou ao menos, parcialmente, afinal precisava dar a comida na boca da rainha. O prato do dia era frango assado com batatas coradas. O cheiro era maravilhoso, Geni havia se superado. Feliz, lembrou que iria almoçar na cozinha hoje, na presença de sua nova amiga.

Alguns minutos depois, Rei Adrian adentrou no aposento. Seu cabelo ruivo estava arrepiado e suas roupas eram simples. Seu sorriso era enorme.

– Minha maravilhosa Veranda! Está estonteante, como sempre! Sofi, a senhorita também está maravilhosa. Fico feliz que tenha gostado dos vestidos!

– Muito obrigada por eles... — A dama respondeu sem graça, não conseguindo encarar o rei. Sofi estava morrendo de vergonha. Mas conseguiu disfarçar o máximo possível. Provavelmente funcionou, pois ele não tocou no assunto.

– De nada, querida. Agora, — Adrian se dirigiu a sua esposa — como tem passado, coração? Esta gostando de Sofi, ela esta desempenhando bem sua função.

Um calafrio passou pela coluna da nova dama.

– Claro, perfeitamente. — respondeu entediada. — O que te levou a isso, Adrian? — perguntou de repente.

– Como assim?

– Fica dias sem me ver e agora isso? Me chamando as pressas para almoçar com você. O que aconteceu?

– Sinceramente? — os ombros do rei caíram, havia dor em sua face — alguns baderneiros estavam espalhando horríveis histórias no reino, criando confusão. Iniciando motins.

– Que tipo de histórias? — Veranda perguntou depois de engolir o frango que havia sido colocado em sua boca pela dama, segundo antes.

– As de sempre, coração. As de sempre. Mentiras.

– Claro que sim. — respondeu Veranda, sua fisionomia também continha traços de dor. — E você mandou aplicar os castigos reais?

– Infelizmente, não tive escolha. Todos os cinco foram enforcados na praça principal do povoado.

– Oh, não! — Veranda resmungou.

– Eu sei. Também detesto fazer isso, mas o que posso fazer? Já tentei de tudo, você sabe.

– Sim, você sabe que eu sei. — informou a rainha — onde ocorreu o incidente?

– Em Dante. No povoado natal de Sofi.

Notas finais
Não deixem de comentar!! AVISO: semana que vem irei começar a trabalhar em uma nova empresa, por este motivo devo atrasar um pouco a próxima postagem (tanto de As mãos da Rainha, como Enxergue-me e Ininterrupto). Afinal Novembro também é época de provas da faculdade. Então, se eu sumir um pouco, não se preocupem. Eu não abandonei as Mãos da Rainha (ou nenhuma das minhas histórias), somente fiquei com o tempo reduzido. :p Agradeço a compreensão... ^^