As mãos da Rainha

2 Capítulo 1 - Chegada


Notas iniciais
Olá!!! Muito bem, ai está o primeiro capítulo. Espero que todos gostem!!

Se qualquer um dissesse uma semana antes que Sofi iria para o castelo real, nem ela, nem sua família acreditaria. Afinal de contas, era de fato inacreditável!

Ela mal podia esperar para chegar ao castelo real. Na verdade, mal podia esperar para sair da carruagem. O sol já havia quase cruzado todo o céu desde que deixara sua casa em Dantes. O "sacode, sacode" estava deixando tudo com um aspecto esverdeado. Estou passando mal. Concluíra logo de inicio. Era sempre assim com a mais velha dos irmãos Gum. Só colocar o pé em algo que se mexia e pronto, tudo virava de cabeça para baixo. Só de pensar em viajar, já dava náuseas à menina.

– Minha querida, já estamos chegando. — informou a amorosa mãe de Sofi, Laura. Através da visão turva do enjoo, pode ver os piedosos olhos maternos. Olhos que transbordavam preocupação e entendimento. Olhos que transbordavam compaixão. Olhos aqueles, muitas vezes apontados como estranhos. Olhos que chamavam atenção por serem diferentes. Olhos como os seus, como o de toda a família. Pretos e achatados. Aberrações!, chegara a ouvir uma vez das crianças da pequena cidade. Quase conseguia ouvir a voz da caçula da família. Ridículos, sempre afirmava consternada. Concordava, em parte. Gostava do fato de chamar a atenção das pessoas, principalmente por algo que só ela tinha. Bem, sua família tinha. Foi por isso que se candidatou a ser dama. Ser importante, diferente. Única! Assim como a própria rainha. Era seu sonho. Sorriu internamente com o pensamento, depois lamentou a nova sacolejada da carruagem. Malditos buracos! Resmungou em seguida. — Só mais um pouquinho. Prometo que estamos chegando. — completou a mãe.

– Quantas vezes você já disse isso? — perguntou Sofi entre resmungos. — Estou começando a duvidar se vamos, realmente, algum dia chegar ao castelo. — Vai valer a pena. Completou em pensamento.

– Ora, não seja boba! Já estamos chegando. Agora, estou falando sério. — tentou inutilmente colocar alguma esperança na cabeça da menina. Na verdade, Laura nunca estivera na cidade real. Não sabia quando chegariam.

– Pare com isso, Laura. — o pai de Sofi, Hugo, que antes permanecia quieto, se manifestou. A careca no centro da cabeça quase branca o deixava com fisionomia de ancião, porém não era o caso. Ele estava na meia idade, 47 anos. Quatro anos mais velho que sua esposa. O rosto rechonchudo e bochechas rosadas tornavam o homem um estranho, baixinho e animado comerciante. — Você já disse isso sete vezes à menina. Sete! É claro que ela vai começar a ter dúvidas sobre nossa chegada.

– Eu sabia! — Laura gritou de repente, assustando a todos. — Ali está! Por isso nunca se deve duvidar de mim. — Enfatizou orgulhosa enquanto apontava para um pequeno castelo no horizonte. Estamos chegando, finalmente. Pensou em meio à náuseas. Mal registrou o mundo ao seu redor, a terrível sensação no estomago já havia passado o suportável há milhas. Agora, tudo era verde e embaçado. — Oh, Sofi. Aguente só mais um pouquinho. — virou-se rapidamente à seu marido — Hugo, ela esta muito pálida. Olhe seus lábios!

– Ela é forte. — mal podia ouvir a conversa entre os dois. As coisas estavam saindo de seu controle. — Não é, minha criança? — Sofi sentiu a mão quente de seu pai em sua cabeça. — Ela já resistiu até agora, esse tantinho de caminho vai ser fácil pra ela.

Infelizmente, não foi. O medo de estar finalmente chegando a seu destino, seu grande objetivo, misturado com o mal estar terrível que sentia por todo o corpo, pioraram ainda mais a situação. O restante do caminho foi simplesmente insuportável, mas Sofi resistiu quase chorando. Porém, não chorou. Afinal, o que se podia fazer? Sair da carruagem e terminar o trajeto andando? É uma ótima opção. Pensou. Mas estavam atrasados. Uma das rodas do veiculo ficara presa em um rochedo da estrada, atrasando muito a viagem. Quando finalmente chegaram ao palácio, Sofi mal podia se mexer.

– Querida, chegamos. Você está bem para caminhar? — sua mãe passou a mão pelo rosto suado de sua filha. O cabelo preto colado nas têmporas.

– Sim. — Afirmou, mesmo sabendo que era uma grande mentira. Mas tinha de ser forte. Lentamente se levantou e saiu da carruagem. O movimento piorou ainda mais, se era possível, seu enjoo. Essa, não. Pensou.

Uma pequena equipe aguardava do lado de fora. Cinco pessoas muito bem arrumadas. Algum deles, não sabia dizer quem, deu um passo a frente e começou a dizer algo. Sofi olhou rapidamente ao redor, checando a presença da realeza. Nem o rei, nem a rainha se encontravam. Graças a Deus. Agradeceu na névoa antes de humilhantemente colocar as tripas para fora, na frente de toda comitiva de recepção.

***

Depois de muito se explicar, a família Gum finalmente pode adentrar no castelo. Porém, tudo foi desnecessário. Não pela normalidade de jovens donzelas enjoando em longas viagem de carruagens, mas porque ninguém se importava. Sofi percebeu que todos mantinham distancia, ninguém parecia ter se incomodado com o fato dela ter vomitado.

O estranho fato de frieza foi completamente esquecido, uma vez colocado os pés no hall de entrada. Sofi nunca havia visto tamanha beleza e magnificência. O primeiro detalhe que notou foi o enorme lustre no centro do salão. Parecendo uma flor, seu centro redondo e côncavo era esculpido em cristal escuro. Porém, onde deveriam estar as pétalas, perfeitos braços de metal esverdeado se curvavam em arcos simétricos. Em cada ponta, uma cúpula brilhava. O teto era dividido em retângulos, em cada um deles, um pequeno lustre emitia luz. A divisão dos retângulos era moldado em ondas, uma listra marrom destacava o contorno. O piso era todo da cor de madrepérola. Duas pilastras largas, feitas da mesma pedra brilhosa do chão, sustentavam a estrutura. Um tapete verde se alongava desde a porta até as escadas no final no salão, estas se curvavam até desaparecer à direita.

Sofi ficou embasbacada.

– Senhor e senhora Gum, infelizmente os senhores não poderão acompanhar sua filha deste ponto em diante. — uma mulher corpulenta, por volta dos 50 anos afirmou de forma educada. Seu cabelo preto estava preso em um coque rígido, nenhum fio fora do lugar. O momento chegou. Lamentou-se uma parte de Sofi. Por mais que doesse sair da casa dos pais, abandonar sua família e amigos, abandonar seu modo de viver, ela tinha certeza do quê queria fazer e onde queria chegar. Algumas semanas antes, quando participou da entrevista com ministros a serviço do rei, deixou claro que não se importava em abandonar tudo o que conhecia e se aventurar no desconhecido em busca do sonho. Em todos os momentos havia tido certeza de tudo. E não seria agora, estando tão perto de começar a subir os degraus de seus planos, que iria amarelar.

Precisava disso.

As despedidas foram banhadas em lágrimas da mãe de Sofi e recheadas de sorrisos orgulhosos do pai. Mesmo rápido, a menina não esqueceria aquele momento pelo resto de sua vida. É claro que voltaria a ver sua família, mas nunca mais seria o mesmo. Se lembraria sempre de como sua mãe apertou forte sua mãos enquanto dizia que a amava, como seu pai a abraçou e desejou toda a sorte do mundo. Como os dois estavam felizes, orgulhosos e tristes em deixar a filha e o palácio para trás.

Quando não pode mais ver sua família, após saírem de seu campo de visão, o peito de Sofi apertou-se e pela primeira vez teve medo. Medo de falhar e voltar envergonhada para casa. Medo do desconhecido. Medo das frias pessoas que a rodeavam.

Pare com isso. Repreende-se inutilmente. A mesma mulher que havia dito para seus pais irem, pediu para que Sofi a acompanhasse. Entraram por uma largo corredor à esquerda, suas paredes cobertas de pinturas. Lindas paisagens paradisíacas. Rostos desconhecidos. Famílias reais. Castelos majestosos. O caminho levou as duas à sala do trono.

Sofi percebeu, em sobressalto, que o hall de entrada era simples comparado ao brilhante e dourado salão a sua frente.

Gigantescos vitrais com os mais belos e elaborados desenhos preenchiam as paredes, emoldurados com anjos esculpidos e banhados a ouro. Sofi nunca poderia imaginar que um lugar como aquele pudesse existir. O piso era de um mosaico complexo em tons de dourado, pedras que se curvavam sobre a outra como um oceano de ouro. Eram tantos detalhes que sua mente não poderia processar. Precisaria de uma tarde inteira para analisar e apreciar todo o local. No fundo do salão um palco estendia-se gloriosamente, no centro, dois majestosos tronos eram destacados.

E sentados nos tronos, estavam o rei e a rainha.

Notas finais
Ps: Ainda estou procurando um beta... mas na falta dele, gostaria que me dissessem nos comentários todos os errinho que deixei passar na revisão. Não se acanhem em achar que vou ficar chateada. Obrigada !! Até o próximo!!