Capítulo Único

As mentiras que ouvi da sua boca

Lay Lavellan não desfrutava tanto do seu devido descanso como deveria. Peregrinar e ter o auxílio de Leliana mesmo com ela sendo a nova Divina e com os espiões sendo enviados por toda Thedas, Cullen em seu descanso e de longe e afastado, mantendo contado de todos os antigos soldados e magos que ajudaram da Inquisição. Josephine ainda os ajudava, Anderfels trazia um risco por sua famosa sociedade que seguia o jogo, mas Lady Montilyet era perspicaz para ser pega.

Vagaram por um longo tempo em Orlais, seus poderes menores e cada vez que se via exausta, escapava para algum lugar longe do acampamento e até mesmo quando passavam em um pequeno vilarejo, optava pelas tavernas. Se lembrava do "Descanso do Arauto" e de como sempre foi agitado, de como sempre teve vida e seus companheiros de espada estavam por lá. Bull erguia seu gigantesco copo com sua bebida qunari estranha, o sorriso discreto e agradecido para ela enquanto a festa entre os Charges era animada, quando até sentia falta das graças de Sera e as conversas estranhas que tinha com Cole, quando o encontrava pela fortaleza, tentando fazer o bem ou que achava ser o certo quanto todos o queriam fora.

Agora, as tavernas tinham suas brigas, as canções que faziam para o Arauto de Andraste soavam como uma vitória, uma vazia e amarga. Solas, ou melhor, Dread Wold, estava por ai e planejando algo que Lavellan não seria capaz de impedir e mesmo com os informantes e espiões de Leliana, Lay sabia que nada disso seria o suficiente para saber o que o mago e deus élfico antigo faria. Já estava com problemas demais e antes de ter comparecido na reunião com a Divina, se recordava com os gigantes embaixo da terra, seres maior do que ela reconheceria, que os anões deveriam ter um conhecimento antigo e apagaram de sua história.

Ela tinha tantas preocupações e um braço a menos.

Dava risadas quando tinha que se cobrir com uma capa preta e ocultar a falta do braço esquerdo. Do adorável encontro que teve com Solas e as suspeitas que ela tinha dele, do conhecimento e reprovação que ele tinha dela, a parceria com um apóstata lhe custou a porra do braço! Claro, a marca da fissura parecia uma ferida aberta e aquilo deveria ser inevitável, mas a fazia relaxar descontar sua frustração em alguém, buscar um culpado e sentir menos mágoa, eram nessas horas que ela sentia falta ainda mais de Cole.

Naquele fim de tarde, o ar seco e o calor eram suas companhias enquanto lia cartas, Dorian mandava poucas e em cada uma delas falava da bagunça que encontrou Tevinter depois da morte do pai, contava também de um rebelde e escravo que estava fazendo bagunça, uma rebelião e sendo um símbolo, relatando com importância caso Lay tivesse interesse em se abrir com ele e guiar o pequeno elfo. Ela não conseguiria e além do mais, guiava outros assuntos por momento, mesmo que o alvo do Dread Wolf fosse provavelmente Tevinter.

Lia as cartas de Hawke e ela tinha até mesmo recebido uma carta com uma letra quase ilegível de um amante do Campeão de Kirkwall, um elfo raivoso que deveria ter recebido notícias tanto de Hawke como de Varric do ocorrido no Fade. Uma graça esse Fenris...

Mas a carta que ela queria que estivesse, não estava. Varric Tethras nunca escreveu uma única carta para ela e nem mesmo se desculpava. O anão não deveria ser bom em pedir desculpas, mas era bom em criar histórias e passar a perna em alguém, mas de um jeito engraçado. Será que ele fazia de propósito? Se afastava daquela forma para que ela esquecesse dele? Lay Lavellan não era de se rastejar e implorar para o anão, tentou algo com alguns de seus companheiros, poderia ter seguido em frente com Cullen ou até mesmo Iron Bull, mas Varric sempre conseguia seduzi-la com suas doces palavras, as palavras de um escritor sempre são as mais perigosas e ela não se importou tanto, adorou ser presa e seduzida pelas palavras dele.

Mas quando ele entendeu o que se passava antes de Lay entender, se afastou e eles encontraram Bianca. A Bianca. O coração dela declinou naquele dia e Dorian a consolou como um bom amigo, chamando Sera e ambos beberam até rirem da própria sombra, sobrando para Cole oferecer sua ajuda e querer amenizar a dor do sentimento desconhecido em si. Mas ela recusava. Precisava sentir para se lembrar.

Ele era um anão e ela... Uma elfa. A inquisidora.

Por isso a peregrinação era um meio de ocupar a cabeça e ser útil, mas... Ela já estava declinando e pensando em correr para os braços de Dorian novamente, beberem vinho e ela olhar para o teto de novo enquanto xingava um certo ladrão.

As mentiras que ela adoraria ouvir da boca dele poderiam até mesmo ser ele se declarando, falando que sentia muito e que se arrependia de ter criado uma distância. A mais doce mentira dele seria como um doce se derretendo em sua boca...

— Senhora Lavellan — Um dos espiões de Leliana apareceu em sua tenda, uma carta estendida para si e um olhar neutro — Uma carta da santíssima Divina para senhora.

— Por favor, que não seja sobre cabras na fortaleza... — Resmungou.

— É uma carta que a mesma pediu para ser entregue a vossa senhoria, mas com o nome de outra pessoa na mesma — Informou e Lay o encarou, desconfiada.

— Me dê...

Entregue, a letra do dono daquela carta a fez sentir seus olhos lagrimejarem e seus joelhos ficarem fracos. Os lábios trêmulos que dispersaram o espião de Leliana.

Minha cara, Lay Lavellan.

Considero que você tenha algumas perguntas e uma raiva contida, mas peço que não rasgue essa carta até seu fim, pois pode ser de seu precioso interesse...

Doces palavras, dolorosas mentiras. Ela tinha acordado do Fade para ler algo dele sem que fossem seus livros, ouvindo a dolorosa verdade e as doces mentiras que ela ouviria da sua boca. Da boca de Varric Tethras.

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