As linhas tortas do tempo.
5 Capítulo cinco
Notas iniciais
Finn Hudson começou sua carreira aos 18 anos quando ganhou o "The X Factor" em 2006, seu primeiro hit foi "Can't Fight This Feeling" no seu primeiro álbum Grilled Cheesus, que foi seguido por outros 2 álbuns e vários outros hits. Finn já foi eleito o artista mais influente do mundo. Já foi capa da Vogue, Elle Man entre outros. Em 2013 estava trabalhando no seu próximo álbum e fazia gravações para um filme que seria lançado em 2014. Namorava Quinn Fabray, uma atriz hollywoodiana, há quase 3 anos. Foi encontrado morto pela própria namorada, as 8:30 da manhã do dia 13 de Dezembro de 2013, no banheiro de sua casa, em Los Angeles. As autoridades encontraram uma garrafa de vodca, cigarros e uma seringa com heroína, dentro do banheiro. O motivo da morte já está bem óbvio.
Passei a manhã inteira lendo algumas entrevistas, escutando música e vendo o DVD da sua tour pela a América. Depois comi alguma coisa, e li Mr. Potter. Fiquei esperando a ligação dele, a cada minuto eu olhava no celular, eu queria tanto que ele ligasse, eu queria tanto alguém para conversar, para passar o tempo. Resolvi arrumar meu quarto já que eu não tinha absolutamente nada pra fazer. Era tão bom não ter nada pra fazer. Comecei pela minha bolsa de couro, tirei as coisas de lá de dentro, até achar o CD do Ramones, eu não queria escutar, mas prometi ao Finn que iria.
Era o primeiro álbum da banda, era entitulado de "Ramones", coloquei o CD para tocar, a primeira faixa era "Blitzkrieg Bop", o som da guitarra e da bateria começou a ecoar pelo meu quarto logo escutei "Hey ho, let's go!", a música ficou tocando, e eu comecei a limpar o quarto, até que era legal.
Achei tanta coisa do Finn naquele quarto, tirei todos os pôsteres, os CD's, os DVD's, todas as coisas dele que estavam espalhados por lá, os tirei e coloquei dentro de uma caixa, pois imagina se ele entra no meu quarto e vê tudo aquilo?
Assim eu passei meu dia, sem nenhuma ligação, sem nenhum sinal de vida dele, talvez ele até já tivesse me esquecido, mas eu, eu não podia esquecer dele, ele era inesquecível.
O CD do Ramones terminou, o guardei, tinha cumprido o meu trato, tinha escutado, e não era ruim, até que era bom. Me deitei e adormeci.
Acordei com um puta frio, estava começando a nevar, nossa, acho que devia estar a uns 15 graus negativos, me enrolei na coberta, queria ficar ali pra sempre, e eu fiquei, mas não pra sempre, quando foi 12:00 me deu fome, a parte mais difícil do dia foi sair de baixo daquelas cobertas, parecia que eu ia congelar. Abri o guarda roupa e peguei um salgadinho, fui até a sala, abri a porta dos fundos e peguei o refrigerante que eu deixava lá na varanda, eu não tinha geladeira, então improvisava.
Enquanto eu comia lia Mr. Potter. O livro é bem confuso são 12 "capítulos" mas eles não têm títulos, e a autora faz uma mistura de prosa e poema que eu não entendo muito bem, mas o livro praticamente conta a história de uma garota que cresceu sem um pai. Não é a coisa mais interessante do mundo, mas, eu vou ler do mesmo jeito.
Era cerca de 18:00 horas da tarde quando meu celular tocou, era ele. Nossa, depois de quase dois dias sem notícias dele, ele liga. Atendi.
– Alô?
– Rachel Berry.
– Que foi Finn?
– Esse livro — ele fez uma pausa, escutei seus passos correndo pela casa, ele voltou para o telefone, escutei as páginas sendo viradas — Ele é demais! Eu nunca gostei de romance ou coisa assim, mas esse livro, eu não sei por que, gostei dele!
– Sim! Eu também o adoro, é o meu segundo preferido.
– Qual é o primeiro?
"A sua biografia" eu pensava.
– A Culpa é das Estrelas.
– Nunca vi.
– E nem vai ver.
– Nossa, você escutou o CD?
– Sim.
– E?
Ah, até que eu gostei.
– Sabia que ia gostar, Ramones é o clássico do Punk Rock.
– Percebi.
Ficamos em silêncio, pensei que Finn ia desligar naquele momento. Mas então ele me fez um convite.
– Rachel, eu estava pensando se por acaso você gostaria de ir a uma festa amanhã?
– Finn, eu estava pensando, e sim, por acaso eu gostaria de ir.
– Tá, vai ser amanhã as 19:00 na casa da Santana, uma amiga minha, como você não sabe onde é eu passo ai te pegar, a pé.
Ah, não tem como você passar o endereço? É que eu não vou chegar as 19:00 e não quero te atrasar.
Na verdade eu não queria que ele visse minha casa, quer dizer, não ainda.
– Ah, ok. Te mando uma mensagem com o endereço.
– Tá.
– Tá.
E ele desligou.
Fiquei ali olhando para o celular e esperando a mensagem dele. Depois de uns 5 minutos o celular vibrou.
Rachel, a Santana mora no Tuttle Ct, é uma rua sem saída, perto do Guadalupe Park, te espero lá :)
Eu olhei aquela mensagem, aquela carinha sorrindo no final, acho que ele realmente queria que eu fosse, fiquei pensando numa mensagem, uma resposta boa, mas nada vinha na minha cabeça então mandei um "tá" em resposta. Aquele tá soava tão grosso, mas ele me mandou uma mensagem de volta com um outro "tá", acho que de alguma forma ele me entendia, ou não, ele poderia apenas estar brincando comigo. Eu gostava daquele "tá", do nosso "tá", tão sem sentido mas ao mesmo tempo cheio de sentido. Tá.
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