As linhas tortas do tempo.
1 Capítulo um
Notas iniciais
Eu estava arrasada. Tudo estava sem sentido, desconexo. Foi como um choque. Um choque de um número bem elevado de volts. Eu não tinha mais vontade de sorrir, e olha que eu costumava sorrir, e muito. Não tinha mais vontade de comer. Só queria ficar jogada na cama, me desfazendo pouco a pouco.
Me lembro quando recebi uma das piores notícias da minha vida. Finn Hudson. Tinha. Morrido. Eu sei que era egoísmo meu ficar daquele jeito, uma morta-viva, por causa de uma pessoa que eu nem cheguei a conhecer, mas, eu dediquei 4 anos da minha vida a ele, acompanhando seu trabalho, ali a todo momento.
Eu estava em casa lendo a nova revista da Sempre Teen que tinha uma entrevista com o Finn. Finn, ah, Finn, o cara mais lindo do mundo, 25 anos, apenas 10 anos mais velho que eu, já é uma chance. Canta, dança e atua. Um pacote completo. Na entrevista ele falava sobre seus problemas com as drogas, que começaram aos 14 anos. Eu pensei que ele tinha saído dessa. Eu pensei.
O chat do facebook começou a apitar, aquele barulho estava me irritando, quando olhei, havia inúmeras mensagens, em pelo menos umas 7 conversas. "Rachel, você já olhou o noticiário?" "Eu sinto muito" "Eu sei que você era fã dele, fiquem bem, tá?". Aquilo não podia ser verdade, digitei "Finn Hudson" no Google. Ele tinha morrido, morrido de uma overdose de heroína. Meu coração acelerou, parecia que eu não estava vivendo aquilo de verdade, as lágrimas começaram a se formar, inúmeras lembranças vinham a minha cabeça, até que parava em seu sorriso. Me apoiei na cadeira, fui andando até o sofá, meu olho estava vermelho, eu não conseguia respirar, me sentei, puxei a almofada, coloquei-a no colo. Respirei. Aquelas mensagens, as manchetes, a confusão. Posicionei a minha cara na almofada, abafei a minha boca com a fronha, as lágrimas escorriam sem parar. Gritei. Gritei como se alguém estivesse arrancando a minha perna. Minha mãe ouviu, veio correndo.
– Rachel, o que houve? Alguém te machucou?
– Sim mãe, sim, o Finn me matou por dentro, junto com ele.
Minha mãe demorou a entender, ela deu uma pequena olhada na tela do computador. Ela foi correndo, se sentou ao meu lado, me envolveu em seus braços e me abraçou. "Calma, calma, vai ficar tudo bem" ela repetia. Mas não, não ia ficar tudo bem, ela só falava aquilo por que é seu papel de mãe dar conforto a sua filha, mas na verdade ela achava aquilo tudo uma piada. Empurrei seu corpo e fui correndo para o meu quarto.
Meu quarto, cheio de pôsteres do Finn, eu não sabia o que era pior, ficar na sala encarando a falsidade da minha mãe, ou ficar no quarto encarando as fotos do Finn. No final fiquei no quarto. Eu só pensava nele, em como ele tinha morrido sozinho naquele quarto de hotel. Pensava na luta dele contra as drogas, mas também pensava em seu sorriso, em quanta gente ele fez feliz. Pensar e chorar, era só isso o que eu fazia.
Já se passavam 2 dias que eu estava lá naquele quarto, apodrecendo, eu tenho nojo de mim, sabe, ficar ali, sem fazer nada só chorando e me lamentando por algo que eu não podia mais mudar, ou pensava que não podia. Eu queria poder mudar, queria muito. Então eu tomei uma iniciativa, sai de baixo das cobertas, me ajoelhei, e comecei a rezar. Rezar por um milagre, para que eu pudesse ajuda-lo, que eu pudesse voltar no passado, que isso fosse possível, as lagrimas escorriam, eu pedia aquilo com todo o meu coração. Pedia um milagre. Fui me acalmando. Abri os olhos. É eu ainda estava no meu quarto, ainda era dia 13 de Dezembro de 2013, nada havia mudado. Eu estava muito cansada, então fui dormir. Acordei. Me levantei, tomei uma ducha, vesti uma roupa de ficar em casa. Olhei no relógio, 9h30 do dia 14 de Dezembro de 2002.
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