As irmãs Nightshade
4 Capítulo 4 - Sonho
Notas iniciais
Reiji Pov's
Vou para a biblioteca e tento me acalmar. Como ela ousa me ameaçar?! Não sei o que o Karl estava pensando quando colocou aquelas loucas para morar aqui. Nunca senti medo de alguém, e com elas me sinto inferior, eu as repudiam.
Começo a andar pela biblioteca e percebo que alguém entrou aqui – provavelmente uma delas. Pego um livro qualquer na estante e começo a ler. Uma risada tira minha atenção do livro, ignoro e volto a ler, mas a risada é insistente, ela contém um perigo velado. Suspiro exasperado e decido conferir.
Vou para a sala e não encontro ninguém, abro a cortina e vejo as árvores pegando fogo.
– Mas o que diabos está acontecendo? – pergunto perturbado.
Vou correndo para fora, a luz da lua iluminando o caminho, não que eu precisasse já que minha visão é ótima. Vejo um vulto correndo pelas árvores.
– Não adianta se esconder. – cantarolou uma voz conhecida, que fez meus pelos da nuca se arrepiarem. Ashley.
Rapidamente me escondo em uma das árvores ainda inteira. Ashley aparece andando calmamente pela mata com fogo em sua mão direita. Um sorriso diabólico dançava em seus lábios.
Com minha visão aguçada, vejo o terror estampado no rosto de um rapaz que se escondia há alguns metros do local onde eu estava. Ashley vira a cabeça para o local onde eu estava, minha respiração começa a falhar e sinto um medo paralisar minhas pernas. Ela começa a vir até eu, fecho meus olhos e me amaldiçoou por sentir medo dela.
– Achei você! – fala com uma voz doce e assustadora. Fecho bem meus olhos esperando sentir a dor do fogo me queimar, mas não sinto nada, abro meus olhos e vejo ela na frente do rapaz que se escondia. Suspiro aliviado, ela não me viu.
– P-por f-favo-r, não m-me mate-e – gagueja e começa a se afastar em pânico.
– Ah, mas ai não teria graça. – comenta sorrindo angelicalmente. Ela levanta a mão e lança o fogo no rapaz, que grita em desespero. Ashley ri alegremente ao ver o infeliz do rapaz queimar até a morte. Alguns minutos depois só resta as cinzas do rapaz.
– Verme – fala com desprezo e chuta as cinzas. Com um movimento de sua mão o fogo desaparece das árvores. Ashley volta calmamente para a mansão, como se nada tivesse acontecido.
– Tenho que me livrar delas, ou eu viro um monte de cinzas também. – murmuro para mim mesmo.
Shu Pov's
Estou deitado no sofá tentando ignorar a presença delas na sala, sem sucesso. Elas estão conversando e rindo – como são barulhentas!
– Fiquem quietas! – mando irritado. Elas me olham e depois voltam a conversar, me ignorando.
Saío irritado da sala, decido ir para o jardim, ao menos lá é silencioso. Quando abro a porta Ashley tromba em mim.
– Olha por onde anda – exclamo mais irritado. Seu rosto está sujo de fuligem.
– Deixa de ser estressadinho. – fala e me empurra.
– Sorte sua que você tem esses malditos poderes para te proteger. – murmuro quando ela passa por mim.
Ando pelo jardim e vejo Lilith indo em direção ao portão. Sinto um impulso de segui-la. Ela anda sem rumo por um tempo, é o que eu achava até chegarmos em um cemitério.
Lilith fica passeando pelo cemitério. Ela usa um vestido branco justo no busto e solto da cintura para baixo. Seus cabelos negros estão soltos balançando ao vento e seus olhos dourados brilham de um jeito estranho e hipnotizante. Eu sinto como se já tivesse visto essa mesma cena, como um déjà-vu. Nagini esta deslizando atrás de si, a seguindo. Ela passa por túmulo e de repente uma mão agarra seu tornozelo. AQUILO ERA UM ZUMBI?
– Volte a dormi. – ela fala entediada e da um chute na mão, que volta para dentro do túmulo. Ela age com naturalidade, como se essas coisas acontecessem direto. Ela é filha do capeta, só pode. Saío meio trêmulo do meu esconderijo, eu nunca pensei que sentiria medo algum dia, muito menos que seria de uma garota. Quando dou alguns passos para trás ouço sua voz flutuar até eu.
– O que você quer? – pergunta com a voz monótona.
– Nada. – consigo fazer minha voz soar firme. Se meu coração batesse, ele teria saltado pela minha boca.
– Então saía daqui. Já basta eu ter que olhar para sua cara em casa. – ela se vira e se deita sobre um túmulo.Sinto um negócio estanho em meu peito quando ela fala isso.
– Eu não irei mais incomoda-la. – dou as costas à ela e vou embora. Volto para a mansão e vou para o jardim e me deito em um banco, dormindo logo em seguida. Tenho um sonho.
Eu estava em um campo cheio de flores de todas as cores, o dia estava ensolarado. Começo a colher algumas flores, quando ouço uma voz atrás de mim.
– Will! – a voz é doce e melodiosa. Meu coração acelera ao ouvi-la. Viro-me e fico de frente a uma jovem. Não consigo ver seu rosto, mas sei que está sorrindo de alegria. O vento balança seu cabelo e seu longo vestido preto.
Vou correndo ao seu encontro e apego nos braços e começo a girar, ela ri alegremente. Depois pega meu rosto com suas mãos delicadas e me beija. Eu sinto uma alegria enorme.
De repente o dia fica nublado e um vento forte tira ela dos meus braços, que grita em desespero. Sinto uma dor muito forte em meu peito, vejo a jovem em prantos e com uma escuridão ao seu redor.
Acordo assustado e suando, coloco minha mão em meu peito, ainda sentindo a dor. Sinto como se eu tivesse a obrigação de reconhece-la
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