As indecisões de um coração
3 Relação restrita
Notas iniciais
Carol
Sirvo o expresso já esperando que ela me desse logo uma bronca e não é isso o que acontece pois percebo que ela encara fixamente o elevador, bastou eu me virar que pude perceber claramente o que estava acontecendo. Junior havia acabado de sair do elevador e estava vindo justamente na nossa direção.
Junior: Olá, Carol.
Carol: Oi, Junior-Cumprimentei de volta, ele fez o mesmo com Maria Cecília e se sentou ao lado dela. Quando eu resolvi sair dali a nariz em pé me chamou e eu não pude fazer outra coisa se não obedecer, mas só o fiz porque preciso muito desse emprego e não poderia ariscá-lo de forma alguma.
Maria Cecília: Eu só queria dizer para que você e as outras duas funcionárias lá não ficassem com tanta conversa e trabalhassem mais-Ela alfineta assim que fico de frente para ela novamente.
Carol: Me desculpe, mas se fosse mesmo apenas uma conversa paralela como a senhora diz, nós não estaríamos executando nossos afazeres com a mesma eficiência que sempre temos.
Maria Cecília: Eu entendo, já que se justificou tudo bem!
Carol: Diz isso como se eu tivesse mesmo que te dar alguma explicação-Resmungo baixo e rápido para que ela não me ouça.
Maria Cecília: O que você disse, Carolina?
Junior: Já chega né, Maria Cecília? Está tudo bem, Carol... Você já pode ir-Ele de alguma forma me livra da situação que eu teria que passar e quando sorri pra mim eu retribuo.
Carol: Obrigada, senhor Junior.-Digo isso e me distancio, mas não sem perceber a expressão chateada no rosto dele. Fico sem entender nada e foco nas minhas amigas que me observam atentamente enquanto eu continuo a atender outras mesas.
***
Depois de servir várias mesas eu me encosto no balcão e descanso minhas costas que já estavam pedindo folga disso tudo. Letícia e Clarita minutos depois vem pra perto de mim, ainda me observando.
Carol: Que foi gente? Até parece que tem algum animal de espécie rara no meu rosto.
Clarita: Um pouco disso tem sim, amiga.
Letícia: Clarita! Não é bem isso, Carol. É que você conseguiu escapar tranquilamente do esporro da megera-Ela diz curiosa.
Clarita: Nós queremos saber se foi você ou se foi o Juninho que te livrou dessa...
Carol: Até parece que eu poderia conseguir um mérito desses sozinha sem antes ter minha carta de demissão mais que assinada-Eu falo e nós todas rimos.
Letícia: Então ele foi um super-herói e te livrou das garras da louca.
Clarita: Depois sou eu que exagero nos termos...
Carol: Mas é porque não tem como não sair do politicamente correto com a prezada Maria Cecília.
Tobias: Ouvi o nome da minha amada?
Letícia: Sim, mas se for pra ficar defendendo ela pode fingir que não ouviu-Ela retruca e todos rimos, passamos o resto do dia ocupadíssimos e sempre que tínhamos um momento para conversarmos o assunto era sobre a casa da Letícia e minha mudança que seria em breve pra lá.
***
Mais tarde chegou um pedido de um expresso e um dos docinhos mais refinados dali para que levássemos lá pro andar de cima na sala do Junior. Todos assim que viram o pedido começaram a me caçoar e dizer que deveria ser eu a levar esse pedido como forma de agradecimento.
Carol: Eu posso até levar gente, mas não é pelo que vocês estão pensando.
Letícia: Amiga, apesar de tudo eu peço que você se lembre que ele é seu chefe, tá?-Ela diz em tom preocupado.
Clarita: Para de cortar o clima, Le. Vai lá amiga, te entendo e jamais perderia a oportunidade de dar uma passadinha pra ver o meu gatinho.
Tobias: Eu concordo com a Letícia, meu-Ele deixa o pedido numa bandeja em cima do balcão para que eu possa levá-lo.
Clarita: Isso porque vocês são dois tosquinhos, vai lá e arrasa, amiga!
Letícia: Tosquinhos, Clarita?-Ela se irrita, resolvo ignorar o que Clarita disse e levar logo isso lá pra cima. Assim que chego no elevador reencontro Fernando, um cara que conheci esses dias.
Fernando: Carol, então você conseguiu mesmo o emprego!
Carol: Consegui sim e você... Fazendo o que por aqui?-Pergunto um pouco curiosa e como vejo que ele não vai sair, digito o andar para onde vou.
Fernando: Eu não te contei naquele dia que sou meio que parente da Maria Cecília?
Carol: Não contou não...-Fico surpresa como "a maça caiu longe da árvore", o nariz em pé da outra não é mesmo da família.
Fernando: Então, é que ela me pediu que eu resolvesse algumas coisas do Café e aqui estou eu.
Carol: Poxa, que bom!
Fernando: Se acostume com sempre me encontrar por aqui resolvendo uma coisa ou outra para ela...
Carol: Pois é, mas deixemos essa conversa para outra vez que nos trombarmos porque tenho mesmo que ir-Digo me despedindo, porque percebo que já estávamos quase chegando no último andar.
Fernando: Nós vemos por aí...-Ele sorri e assim que nos despedimos saio do elevador indo direto para a sala que eu sabia que era dele devido eles terem feito um tour com os novatos da empresa para que pudéssemos conhecê-la adequadamente. Bato na porta e sou brevemente respondida.
Junior: Pode entrar.
Carol: É... Bom, você fez o pedido e então eu tive de vir o entregar.
Junior: Ah, claro. Você pode vir e se sentar aqui? Tenho que falar com você-Ele sorri e percebendo meu estado envergonhado.
Carol: Sobre o que você quer conversar?-Pergunto colocando as coisas em frente a ele e pegando a bandeja de volta.
Junior: Sobre o jeito diferente que você começou a me tratar, você pode me dizer o que está acontecendo... Hein, Carol?-Ele pergunta curioso e eu olho tudo que tem dentro da sala menos pro rosto dele.
Carol: Até parece que você não sabe, Junior...
Junior: Eu realmente não sei, me fale para resolvermos isso por favor!
Carol: É que aqui somos realmente apenas chefe e funcionária, nossa amizade é uma relação restrita que tem esse lugar como limitado-Eu advirto e ele me encara parecendo nenhum pouco feliz com o que eu disse.
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