As férias de verão

1 Tento não morrer antes de chegar ao Acampamento


CAPÍTULO 1 — Tento não morrer antes de chegar ao Acampamento

Sempre soube que era meio-sangue, não sei como estou viva até hoje... Quanto mais se sabe, mais forte fica o seu cheiro. Devo ser algum tipo de ímã de monstros; sei de muita coisa... O pior defeito e a melhor qualidade dos filhos de Atena.
Desde pequena, tenho a sensação de faltar uma peça no quebra-cabeças. Sempre senti o medo da minha família de me perder a qualquer momento, que a minha mãe não se parecia tanto comigo, que era muito estranho nunca perder no War... E tudo se confirmou quando fugi da minha primeira Benevolente: eu não era normal.
A partir disso, a minha vida foi ficando cada vez pior. Comecei a ter professores que me odiavam e um amigo fiel que ficava contra o mesmo, a estar sempre correndo perigo e até mesmo ter pessoas contra mim sem causa nenhuma. Nada é fácil para um semideus.
Quando chega a puberdade, os adolescentes tendem a ficar com medo de ter "A conversa". Aos 11 anos, a minha não foi sobre sexo, menstruação, gravidez prematura, drogas ou nada disso. Foi sobre ir para o Camp Half-Blood... Ótimo assunto para uma manhã ensolarada de verão!
- Filha, nós achamos que você já está preparada pra saber a verdade. Eu não sou a sua mãe... Antes de você nascer, eu e o seu pai possuíamos uma amizade colorida. Não passava disso e nem passaria, já que eu conhecia ele há 8 anos e não havia rolado nada além de amizade. Até que um certo dia, seu pai conheceu uma pessoa especial. Ela era muito bela e inteligente... E você nasceu, como em um passe de mágica. Como todos sabem, Atena é sapiensexual, ou seja, se atrai pela inteligência de alguém. Quando isso aconteceu, ela te imaginou e surgiu. Abri mão da minha vida pra fingir ser sua mãe.
- Eu já sei disso, mãe — disse.
- O mundo não é um lugar seguro para pessoas como você. Querida, nós te amamos e você pode passar algumas férias conosco, mas...
- Colégio integral? Reformatório? — eu digo, interrompendo meu pai.
- Você vai para o Acampamento Meio-Sangue. Originalmente ele é um acampamento de verão, mas eu prefiro que você passe o ano todo lá. Não quero que você viva fugindo, filha. — ele termina.
- Arrume as suas malas. Um sátiro virá te buscar mais tarde. — completa a minha mãe e ambos saem do quarto.
Ótimo! Meu sonho sempre foi completar 18 anos pra poder sair de casa e me livrar dessa família. Eu posso até amá-los, mas não consigo conviver com eles. Minha mãe só me põem pra baixo e irmã é uma peste que acha que manda em mim. Teria ela o sangue da minha mãe? Seria ela filha de Zeus? Isso explicaria muita coisa; como a óbvia preferência materna por ela. Tudo piorou desde que os meus pais se separaram... Eu tinha 8. O que tornou tudo muito estranho, sabe? Vê-los juntos para uma conversa comigo.
Estou arrumando a minha mala, até que surge uma caixa com uma sacola de moedas e um bilhete:
"Cuidado com o caminho ao Acampamento... Estou feliz por finalmente te contarem que é minha filha. Esses dracmas são pra você pagar o táxi até lá, use-os.
Atena"

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São seis horas da tarde e ainda não escureceu: o céu está em um azul bem puro, realmente estranho para uma cidade como São Paulo. Ouço o interfone e nem me preocupo em atender: despeço-me mais uma vez dos meus pais e desço.
Chegando na portaria, vejo um rapaz que aparenta ter 25 anos preso no corpo e tamanho de um adolescente. Usava um boné, um agasalho verde que devia ter o dobro do tamanho dele, uma blusa laranja que dizia o nome do acampamento, calças jeans incrivelmente largas e sapatos maiores que a própria cabeça. Tinha cabelos e olhos castanhos e uma barba bem rala. Andou tontamente e me cumprimentou:
- Oi, eu sou Grover Underwood, o sátiro que te guiará até o Acampamento.
Saímos do prédio e eu ía até o ponto de táxi que fica na mesma rua onde eu moro, mas ele falou:
- Não pegaremos esse tipo de táxi.
E apareceu um caro feito de névoa com três velhas que possuíam um só olho e um só dente: eram as três greias da mitologia. Elas nos levaram até um local próximo à Ilha Bela, no litoral norte de São Paulo.
Quando chegamos, vejo um cara com muitos olhos nos esperando no topo de uma colina, ao lado de um pinheiro. O rapaz desce e nos ajuda com as malas.
Eles subiram na frente com a maior quantidade de coisas que conseguiram. Seria mais fácil se fossem centimanos e eu não tivesse trazido uma biblioteca comigo. De repente, ouço um barulho. Surge um Minotauro e uma Fúria. O.k., fudeu.
Grover grita para que eu corra até o pinheiro e vai buscar ajuda. Não sei como, mas pareciam quilômetros até lá. Minha melhor amiga chega rapidamente com duas espadas e me lança uma:
- Depois eu te explico tudo. Apenas lute, filha de Atena. Use o poder da vadia da sua mãe.
A Fúria foi a primeira a vir em nossa direção. Era tão burra quanto um poste, não foi difícil derrotá-la. Agora era a vez do Minotauro.
Ele se preparou e correu em minha direção. Eu me desviei, enquanto Janaína passou por baixo das pernas dele. Ela logo entendeu o plano: como eu era o que ele queria, era só ela atacar enquanto eu faço ele de bobo em direção ao Acampamento.
Nessa telepatia, atravessamos a fronteira do pinheiro e o Minotauro não pôde fazer mais nada. Até que chega um rapaz dos cabelos escuros e olhos verdes e diz:
- Poxa, nem me esperaram! Tava com saudades do Minotauro! Oi, eu sou Percy Jackson, seja bem-vinda ao Acampamento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.