As doze casas

7 Sétima casa: Libra


—Que… Que dor é essa? Minha perna parece que tem uma enorme sanguessuga dentro dela! —Gritou Oton.
—Virgem não estava brincando quando disse que iria ser doloroso, não consigo sequer levantar — Disse Michigan, que encontrava dificuldade até para respirar.
—Melhor esperarmos essa dor passar, não adianta nada irmos atrás de Libra dessa forma — Disse Oton.
Ambos passaram a noite exatamente no mesmo lugar, já que não conseguiam mover sequer um musculo, passaram horas no lugar onde haviam “caído”. Após a “pior noite da vida”, palavras deles, levantaram-se e começaram a dialogar sobre o que deveriam fazer dali em diante.
—Eu ainda sinto um pouco de contração nas pernas, nunca mais quero viajar dessa forma na minha vida! — Disse Michigan.
—Eu também, mas, voltando ao foco, devemos pensar em como encontraremos Libra, não temos sequer uma pista de onde ele está — Falou Oton.
—É, tem raz… Oton tem algo estranho com esse lugar — Disse Michigan, apontando para o céu.
Ao olhar para cima, Oton percebeu que o céu estava dividido ao meio. O lado direto estava completamente iluminado com uma luz tão pura quanto a inocência de uma criança recém-nascida, enquanto o lado direito estava completamente escuro, parecia todas as matas do mundo haviam sido queimadas e a fumaça se condensou toda apenas no lado esquerdo do céu. O local que dividia o céu ao meio fazia nascer nos garotos uma emoção única, que eles não conseguiam explicar.
—Dessa vez, você está sentindo? — Perguntou Oton para Michigan.
—Sim, não sei o que é, mas sim. — Respondeu Michigan.
Os garotos ficaram tão vislumbrados com aquilo que esqueceram completamente do objetivo deles, ficaram horas ali, observando aquele fenômeno singular da natureza.
—O que nós estamos fazendo!? Devemos procurar por Libra — Disse Oton.
—Por onde devemos começar? Não temos nenhuma dica de onde ele está muito menos de como ele é — Questionou Michigan.
—Vamos seguir em frente, melhor do que ficarmos parado sem fazer nada, procuremos por pistas enquanto caminhamos — Respondeu Oton.
Quando eles começaram a caminhar os três Sóis ainda estavam nascendo, o planeta no qual eles se encontravam orbitava três Sóis. Naquele momento, o planeta estava no Periélio em dois dos três Sóis e Afélio no outro. O que ocasionou num dos períodos de maior temperatura do planeta. Após poucos minutos de caminhada, eles estavam encharcados de suor, principalmente Michigan, que tinha vindo de um planeta com temperatura mais amena que o da Terra.
—Eu não aguento mais Oton, vamos parar por um tempo — Disse Michigan.
—Tudo bem, está muito quente, precisamos encontra uma fonte de água o mais rápido possível — Falou Oton.
Os garotos resolveram esperar parte daquele calor passar debaixo de uma enorme pedra que haviam visto no caminho. O solo daquela parte do planeta era constituído de um mineral que absorvia muito calor, tornado aquele ambiente ainda mais inóspito para seres pouco adaptados a ambientes quente.
—Que saudades do meu planeta, lá o clima era tão agradável. Apesar dos constantes conflitos que meu povo tem passado, sinto falta do meu lar — Disse Michigan com um olhar triste.
—Você voltará logo, nós voltaremos. Quero voltar para minha casa, sinto bastante falta de me banhar naqueles riachos próximo das montanhas e das plantações — Falou Oton.
Após algumas horas, algo inesperado aconteceu, começou a nevar. O planeta parecia ser constituído de característica antagônico, em um dado momento aparenta ser vivo, no outro morto, num momento ser quente, no outro frio. As mudanças aconteciam com tanta fluidez que o corpo dos garotos sequer conseguia acompanhar as mudanças.
—Olhe Oton, está caindo algo dos céus — Disse Michigan.
—Isso é neve, Michigan, você não deve conhecer, pois no seu planeta não deve haver. Isso é muito estranho, é necessário que o clima esteja muito frio para que possa nevar — Disse Oton
—Como assim frio? Nesse exato momento nós estávamos praticamente derretendo nesse calor
Ao sair debaixo da pedra, eles sentiram um gigantesco choque térmico, o maior que eles já haviam sentido. Parecia que a pele deles estava trincando, assim como um copo de vidro trinca ao ser jogado num balde de gelo após ser esquentado.
—Que, que estranho! O que está havendo!? Agorinha estava um calor incomum — Disse Michigan.
—Esse planeta não é normal, esse clima é algo extremamente inconstante, como algum ser vivo conseguiria viver aqui — Falou Oton.
—Eu esperava mais de seres que passaram por tantas casas! — Soou uma Voz dos céus.
—Quem disse isso! — Gritou Oton, com a voz trêmula.
—Eu sou aquele que vocês procuravam Seres tolos! — Disse a Voz dos céus.
—Libra!? — Perguntou Michigan.
—Ora, ora, parece que você não é tão burro quanto eu achava — Disse Libra.
—Como você sabia que nós iriamos vir? — Perguntou Oton, tremendo.
—Eu sei de tudo, de todo seu percurso, quem você acha que eu sou? Que irritante, vocês sequer conseguem suportar uma temperatura dessas.
Num reles segundo o clima daquele local mudou completamente, Libra havia adotado àquele local a temperatura do planeta de Michigan.
—Eu já sei de toda a história, eu estava observando desde o começo com Áries. Entretanto, não me vejo na obrigação de ajudar vocês. Darei apenas uma chance, digam-me o motivo pelo qual eu deva ajudar vocês — Disse Libra.
—O motivo? — Perguntou Oton.
—Por acaso não sabe o significado de “motivo”? Não entendeu bem uma pergunta simples dessa? Acho que não deveria ajudar seres tão burros assim — Disse Libra.
—Não, não, espera. Eu entendi, só não havia pensado nisso. Nos dê um tempo para pensamos, por favor — Pediu Oton.
—Ah, que chato! Pois bem, vocês terão quatro horas. Depois disso caso não consigam me convencer, morrerão. Voltarei aqui daqui exatamente quatro horas — Concluiu Libra.
Antes de sair, ele fez surgir um gigantesco relógio solar na frente dos garotos que marcava exatamente quatro horas.
—Nós só temos quatro horas para pensar numa resposta convincente, você tem alguma ideia Oton? — Perguntou Michigan.
—Nunca me passou pela minha cabeça algo do tipo, não sei nem por onde começar. Isso seria o mesmo que pensar no motivo da vida, já que se dermos uma resposta que não agrade ele nós morreremos — Respondeu Oton.
—Eu não tinha parado para pensar sobre esse parâmetro, agora você me deixou mais nervoso ainda.
—Me desculpe, estava pensando alto. Porém, agora temos por onde começar, podemos pensar nessa resposta como a resposta de nossas vidas.
—Então, qual seria o motivo ou o sentido da vida?
—Para mim, a vida é resultante de uma série de fatores, que brota em condições especiais. O que torna rara e importante é justamente o fato de possuí-la, de podemos aproveitamos ela a cada momento. Cada um dá o sentido e o motivo que quer, não há resposta absoluta para uma pergunta tão complexa como essa. O meu motivo da vida é querer entender mais dela, compreende-la e desenvolve-la.
—Nossa Oton, sua visão da vida é algo bem distinto das que eu já havia visto, interessante. Eu já não sei a resposta para essa pergunta, nunca procurei por ela. Sempre vivi por viver, curtindo o momento. Para mim, a vida não foi feita para se compreender como entendemos a construção de uma casa. A vida é a essência que possuímos inerente em nós, um ciclo que está em constante mudança, que nunca acaba apenas se transforma. Quando eu morrer serei o alimento de outro ser vivo, assim por diante.
Após essas sucintas respostas os garotos entraram num enorme dialogo, quando observaram lhe restavam apenas alguns poucos minutos e eles sequer haviam entrado em consenso. Isso fez com que eles acabassem entrando em desespero, tornando ainda mais complicado chegar a uma resposta definitiva.
—Então, quero a resposta para minha pergunta! — Falou Libra.
—Nós ainda estávamos entrando em consenso, Senhor Libra. Será que poderá nos dar mais alguns minutos? — Perguntou Oton, da mesma forma que um garoto pede dinheiro ao pai para comprar doces.
—Não‼ Eu falei quatro horas e já se passaram, se vocês não tiverem uma resposta agora vocês morreram, e, se tiver e não me agradar também morrerão — Disse Libra.
—Não há resposta definitiva! — Gritou Michigan, convicto daquilo que está dizendo — Não podemos lhe dar uma resposta apenas para isso que está nos perguntando, pelo fato de não haver apenas uma resposta. Meu ponto de vista é diferente do ponto de vista de Oton, minha visão sobre a vida é diferente da visão dele. Além do mais, essa é uma questão bastante subjetiva, uma resposta pronta e definitiva sobre isso seria apenas uma ilusão.
—Ora, ora, parece que algum de vocês possui coragem, interessante seu posicionamento, criança — Falou Libra.
—Então você gostou? Levara-nos para casa? — Perguntou Michigan.
—Não! É apenas interessante, mas não é o que eu quero. Eu jamais gostei da ideia de vocês andando por lugares divinos, Áries foi uma tola por ter feito aquilo, falarei com Pai para dar a devida punição a ela. Quanto a vocês, eu mesmo cuidarei — Disse Libra, com uma entonação forte. Dava para sentir a aura negra advinda dele.
—Poupe ao menos Michigan, ele não tem nada a ver com ele, apenas foi levado por consequência, uma consequência gerada por mim — Indagou Oton.
—Mesmo nessa situação ainda tenta proteger a vida de terceiros e não a sua própria vida. Que nobre sua atitude garoto, muito bonito — Falou Libra com uma entonação de escárnio na voz.
—Faça o que quiser comigo, eu não ligo, mas poupe Michigan!
—Já chega! Cansei dessa brincadeira — Disse Libra furioso — Ambos morrerão.
Uma aura negra começou a carregar sobre o corpo de Libra, criando uma imagem de uma balança atrás dele. Tudo começou a ser sugado para aquela balança, o chão começou a tremer e todas as pequenas pedras começaram a flutuar. Michigan e Oton ficaram completamente sem reação, paralisados. Aos poucos a matéria começou a condensar tomando um formato esférico, surgindo assim um miniburaco negro.
—Vão direto para Hades, moleques infames — Gritou Libra, lançando aquele miniburaco negro na direção e Michigan.
Oton não pôde se controlar, entrou na frente de Michigan para tentar protege-lo. Quando aquele miniburaco negro estava prestes a colidir com os garotos, um forte brilho começou a emanar do bolso de Oton criando uma gigantesca barreira de luz. Os meninos ficaram completamente abismados com aquilo, aquela barreira gigantesca surgindo repentinamente e conseguindo segurar toda aquela energia. Ao colocar a mão no bolso Oton percebeu que aquele brilho todo emanava do dado que Áries havia lhe mostrado outrora. Apesar da barreira ser bastante resistente ela deixou atravessar parte da radiação advinda do golpe de Libra, quando Oton começou a ser afetado pela radiação apertou fortemente o dado fazendo com que ele fossem teletransportados.