As doze casas

4 Quarta casa: Câncer


Ao abrir os olhos, dessa vez com uma dor imensamente maior do que de sua última viagem, Oton observou à sua frente um Ser de aparência humana, aparentemente uma mulher enorme carregando consigo uma criança.
—Ora, ora, o que temos aqui—Falou a Criatura—você parece bastante com minha prole. O que é você?
—Sou uma criança, me chamo Oton. Onde eu estou?
—No meu mundo, nas Minhas Terras, mais especificamente num dos planetas que órbita a estrela Assellus Australis. O que não entendo é como uma criatura como você veio parar aqui.
—A história é bem longa, quatro seres chamados: Dante, Vergil, Touro e Áries acarretaram minha vinda para este lugar.
—Entendi, eles seriam os poucos que teriam capacidade de fazer isso. Muito bem, chamo-me Câncer e sou irmã deles. Este em meu braço é Lolz, meu primogênito. Eu poderia lhe ajudar a ir para seu mundo, porém, minha arma não se encontra comigo, está guardada nos confins da caverna Idelfim, caso você pegue para mim eu poderia lhe levar para casa. Não se preocupe, ela é portátil até para você.
—Onde fica localizada essa caverna? — Perguntou Oton.
—Cerca de cinco milhas ao Norte daqui. Tome cuidado, pois aquela área está fortemente protegida por bandidos, fazem milênios desde a última vez que precisei utilizar minha arma.
Oton seguiu pelo caminho indicado por Câncer e já nas primeiras duas milhas deparou-se com um grupo de bandidos com um símbolo “H” nas costas.
Depois de algumas horas, os bandidos retiraram-se e Oton seguiu adiante.
Chegou à entrada da caverna, deparou-se com dois guardas gigantes guardando a entrada, sem ter como entrar por ali resolveu dar a voltar na caverna, procurando outra entrada.
Chegando a um ponto à cerca de 500 metros de distância da entrada principal viu uma pequena brecha por onde poderia entrar, porém, não tinha como subir até lá.
Sem ter muito que fazer, resolveu afastar-se dali até encontrar alguma outra forma de entrar.
Num dos momentos no qual estava pensando numa solução para o problema, ele observou raios de luzes advindos do sul dali, que aparentemente não estavam muito longe.
Ao subir no pé de uma montanha que tinha ali perto viu que aqueles raios de luzes na verdade era a iluminação de uma pequena cidade que tinha ali perto.
Seguiu em direção aquela cidade. Chegando lá se deparou com uma vasta quantidade de enormes lojas. Começando assim, a procurar algo que fosse lhe ajudar a entrar naquela montanha.
Enquanto caminhava para lá e para cá procurando por mantimentos percebeu que estava sendo seguido por uma criatura aparentemente da idade dele. Resolveu então entrar num beco sem saída que ele havia visto outrora para pegar o espião de supressa.
Ao surpreender o vulgo “espião” percebeu que não passava de um engano, que aquele indivíduo na verdade só estava curioso para saber quem era ele.
—Bastava ter perguntado! —Exclamou Oton—Não precisava ter me seguido e ter feito esse giro todo.
—Me desculpe, eu não sabia como fazer isso—Disse o “espião”, timidamente.
—Tudo bem, deixe para lá, estou numa missão importante.
—Eu poderia lhe ajudar! Não tenho nada para fazer.
—Não, não quero ajuda.
—Você parece não conhecer bem a cidade, nem parece ser daqui. Como conseguirá as coisas que está atrás? — Retrucou o menino.
Oton ficou sem saída, restando-lhe apenas aceitar a proposta.
—Tudo bem! Qual seu nome?
—Michigan
—Lhe explicarei tudo, mas, para isso precisamos ir para outro canto.
Ao chegar num lugar mais privado, Oton explicou toda a situação para Michigan, que ficou fascinado com tudo aquilo que ele havia passado.
—Pois bem, tenho uma ideia — Disse Michigan — Vamos para loja da minha tia, lá há algumas escadas que poderemos levar para subir. Além de alguns alimentos.
No dia seguinte, Michigan e Oton seguiram rumo à montanha.
Ao chegarem ao local onde a brecha estava localizada posicionaram as escadas e subiram.
—Vá devagar e não faça muito barulho para não chamar a atenção deles — Disse Oton.
—Eu sei, não sou burro — Retrucou Michigan.
Ao adentrarem a montanha, Oton percebeu que o local era muito escuro e tinha esquecido completamente de pedir algo para iluminar o caminho.
Por sorte, Michigan havia lembrado antes de sair e levou consigo algumas tochas apagadas e um Tik (objeto que eles usam para ligar as tochas).
Oton pegou o mapa da montanha que Câncer havia lhe dado e começou a caminhar rumo a arma. Apesar de possui total desconhecimento sobre o formato da arma, sabia que deveria ser algo único, como as outras que viu até então.
—Estamos a cerca de 50 metros do objeto, fique atento, pois a segurança deve estar reforçada próximo a ela — Disse Oton.
Assim que chegou no local indicado do objeto, observou um local completamente vazio e sem saída.
—O que houve? Cadê o objeto? — Perguntou Michigan.
—Era para estar aqui, o mapa indica que este é o local. — Disse Oton.
—Você por acaso não errou na leitura do mapa?
—Claro que não! Está certo. Vamos procurar melhor.
Após uma gigantesca analise do local resolveram sentar-se para descansar um pouco.
E, para a supressa dos dois, Michigan sentou-se num botão disfarçado de rocha que acabou por abrir uma entrada secreta.
Ao adentrarem a entrada secreta, observaram que o ambiente ia mudando gradativamente. O ar se tornava cada vez mais denso e úmido, parecia o ar dos topos das montanhas na cidade de onde Oton morava.
Ambos foram sentindo frio, que aumentava à medida que se aproximavam do objeto.
Depois uma longa caminhada, observaram uma luz no final do túnel.
Havia uma enorme sala com um pedestal no centro dela, onde estava enfincado um amuleto de formato hiperbólico.
Ambos foram então se aproximando do pedestal, até que se encontraram na frente dele.
Oton esticou as mãos e pegou a arma em suas mãos.
Após remover a arma do lugar, o lugar começou a desmoronar fazendo assim Oton e Michigan terem de sair de lá o mais rápido possível.
Por sorte, Oton havia decorado todo o caminho que havia traçado até a sala, isso fez com que eles pudessem sair o mais rápido possível, possibilitando que eles saíssem com vida.
—E agora? O que faremos? —Perguntou Michigan
—Irei leva-la até Câncer para eu possa voltar para casa. Está tudo concluído. No fim, você me ajudou bastante, obrigado.
—Não! Eu irei com você até o fim. Onde ela está?
—Cerca de 5 milhas ao norte daqui.
—Pois bem, vamos.
Oton resolveu seguir o mesmo caminho que havia feito para ir até a montanha, chegando em Câncer cinco dias depois, com a arma dela em suas mãos.
—Aqui está, Câncer, sua arma — Disse Oton — Agora leve-me para casa, por favor.
—Pois bem criança, você concluiu sua parte no trato e agora é minha hora de concluir a minha.
Câncer pegou sua arma e a colocou entre suas mãos. O objeto começou a girar e liberar uma enorme quantidade de energia. Essa energia (na forma de luz) começou a circular não somente a Oton, como também a Michigan, fazendo com que ambos começassem a levitar. Desesperados e sem saber o que fazer começaram a se debater, e, segundos depois, ambos não estavam mais próximos de Câncer.