As doze casas
9 Nona casa: Sagitário

A viagem até o mundo no qual Sagitário estava foi a mais curta até então, porém, a mais nítida de todas. Oton foi capaz de visualizar com total nitidez tudo que estava passando ao seu redor. Apesar da velocidade extremamente alta ele conseguiu observar o surgimento e morte de diversas estrelas, tudo por conta da deformação no tempo causado pela deformação do espaço. Cada Supernova fazia seu coração saltar do peito, o brilho que emanava do fim da vida de cada um dos sóis presente ali parecia iluminar cada vez mais a mente dele. Os elementos que estavam contidos no interior e exterior daqueles corpos celestes sendo lançados universo a fora e empregando no corpo de Oton fazia com que ele sentisse a vida de tudo num único instante. Finalmente pôde perceber toda verdade oculta naquelas viagens. Toda aquela energia e matéria presentes em seu corpo entrando em sincronia com o restante do universo, percebendo assim, que independentemente do quão pequeno ele possa ser, ele faz parte de algo grande. Ao fim daquela viagem, dessa vez com bastante calmaria, posou no mundo de Sagitário.
—Muito bem, preciso encontrar com Sagitário o mais rápido possível — Disse ele.
Uma das maiores diferenças que ele percebeu ao chegar naquele local foi à sinergia de seu corpo com aquele meio. O clima era bastante reconfortante, ele não sentia frio nem calor, estava num total estado de equilíbrio térmico. Depois de alguns minutos observando as redondezas conseguiu localizar algumas construções antigas aparentemente feitas de cerâmica branca. Decidiu então ir de encontro a elas a procura de informações. No caminho pegou o cubo que Áries havia deixado com ele e começou a examinar, ao olhar mais afundo viu uma pequena rachadura na face que indicava o valor um. Logo relacionou aquela rachadura com o golpe de Libra que tinha sido absorvido outrora.
—Apesar de ser bastante resistente e forte parece que há limitações. Afinal, de que é feito esse cubo? Ele parece tão frágil — Questionou-se Oton.
Depois de uma curta caminhada ele chegou à entrada daquela cidade. Encontrava-se diante de um gigantesco portão pelo qual não sabia como atravessar. Os muros que cercavam a cidade pareciam ter quilômetros de extensão e vários metros de altura, impossibilitando de pula-los. Decidiu então procurar algo que possibilitasse ele subir, seguindo para o leste donde se encontrava, contornando a cidade.
—Essa cidade parece está abandonada há muito tempo, espero que haja alguma abertura pela qual eu possa entrar em algum local.
Após algumas horas de caminhada começou a anoitecer, Oton decidiu então procurar algum abrigo no qual pudesse passar a noite. Antes que encontrasse eis que surgi um velho segurando uma tocha em sua mão direita e uma espada na esquerda.
—kakizhu luqk akze! — Gritou o Velho enquanto apontava a espada para Oton.
—O que? Não consigo lhe entender — Disse Oton enquanto caminhava para trás.
—kakazi hle quz — Continuou gritando o Velho.
—Eu não consigo compreender o que você está falando, abaixe essa espada!
—Que garoto burro, o que você está fazendo aqui? Quem é você? — Falou o Velho.
—Se você sabe minha língua por que não falou antes? — Perguntou Oton.
—Meu povo teve contato com outras criaturas parecidas com você. Eles passaram um tempo conosco, fazendo com que eles conhecessem nossa língua e nós a deles. Eu não falei antes pelo fato de ser uma língua horrível, prefiro não a usar — Explicou o Velho.
—Deve ter sido os outros dois que conseguiram passar por Escorpião — Concluiu Oton. — E o que aconteceu com eles?
—Eu não sei, você pergunta de mais — Resmungou o Velho — Isso já faz milênios, como eu saberia de algo assim. Você é realmente burro.
—Eu não consigo compreender as deformações temporais que essas viagens causam, é muito estranho. Qual seu nome?
—Chamo-me Evgeny, sou um dos sobreviventes da tribo Grutz, uma tribo pacifica que vivia ao norte daqui.
—E eu me chamo Oton, sou filho de Sparda e de Eva, um habitante da Terra, um mundo distante daqui.
—O que você está fazendo tão longe de casa? Como chegou até aqui?
—É uma longa história e eu estou sem tempo, tenho que procurar algum lugar para passar a noite.
—Venha para minha casa, eu quero saber mais sobre. Faz muito tempo desde que um de vocês não aparece.
Oton então acompanhou Evgeny até sua casa. Apenas alguns metros do local de onde eles encontraram-se havia uma clareira com uma casa no centro dela. Era um habitat bastante distinto, já que o local onde ele estava antes era bastante árido e apenas alguns metros adiante possuíam uma enorme variedade de árvores. Chegando à casa de Evgeny, Oton explicou todo seu percurso até então, resumidamente já que tinha que descansar para o dia seguinte. Evgeny resolveu ajuda-lo, porque ele queria saber qual era a aparência de Sagitário, havia diversos mitos envolvendo ele na tribo Grutz. Ao amanhecer ambos se levantaram e alimentaram-se. O Velho conhecia uma entrada para a cidade que estava soterrada, resolveu mostra-la para Oton.
—Essa cidade é chamada de Tau Sagittarii, muito tempo atrás alguns monges moravam aqui, somente eles eram permitidos circular pela cidade. As histórias falavam que uma entidade muito poderosa a habitava e que todos que adentrassem sem permissão seriam transformados em pó — Explicou Evgeny.
—Certamente essa entidade é o Sagitário, ele realmente deve estar nessa cidade.
—A entrada soterrada fica logo à frente, devemos pensar numa forma de retiramos os escombros.
Ao chagarem lá Oton observou que havia um pequeno buraco pelo qual passava um pequeno feixe de luz, logo pensou numa forma de abrir caminho.
—Você por acaso possui algo explosivo consigo na sua casa? — Perguntou Oton.
—Explosivo?
—Sim, há uma pequena falha naqueles escombros, se nós conseguimos alocar algum explosivo naquela falha talvez possamos abrir caminho.
—Entendi, porém eu não tenho nenhum explosivo.
—Também podemos remover os entulhos com uma pá, irá requerer mais tempo, porém é nossa única saída.
—Irei pega-las em minha casa, aguarde aqui.
No meio tempo no qual Evgeny estava fora Oton ficou observando o cubo de Áries. Ele percebeu que havia cravado abaixo de cada face do cubo uma frase, em ordem do lado com valor um ao lado com valor seis as escritas eram: τη ζωή, το θάνατο, τη δύναμη, το χρόνο / χώρο, τη δύναμη, την ενέργεια. Que significam: vida, morte, poder, tempo/espaço, força e energia. A ranhura no dado estava entre os lados correspondentes ao tempo/espaço e poder. Oton logo pensou que aquele dado possui a capacidade de controlar aquilo que estava escrito nele. Para barrar o poder de Libra ele utilizou uma barreira, no caso, o “poder” e para transporta-lo para o mundo de Escorpião utilizou o lado correspondente ao “tempo/espaço”. Apesar de ter compreendido em parte o que era aquele cubo, ele não tinha a mínima noção de como funcionava.
—Voltei, aqui estão as pás, melhor começarmos logo — Disse Evgeny.
—É, vamos, quero respostas o mais rápido possível — Falou Oton.
—Respostas?
—Deixa para lá.
Eles ficaram removendo os entulhos por dias e noites seguidas, parando apenas para descansar e comer. Depois de cinco dias conseguiram retirar tudo, voltaram para casa de Evgeny, prepararam alguns mantimentos e adentraram a cidade.
—É, gigante! — Disse Oton.
—O que você esperava? É a moradia de um Ser divino — Respondeu Evgeny.
—Eu nunca havia visto algo tão grandioso e belo.
—Vamos andando, temos um longo caminho pela frente. Possível que Sagitário esteja no centro da cidade, naquela gigantesca catedral.
Enquanto eles caminhavam rumo a catedral, Oton observava com ternura cada construção que via. As casas possuíam uma textura bastante fina, as casas eram perfeitamente simétricas e possuíam uma área superficial equivalentes, algumas das casas tinham esculturas de um Ser alado com metade do corpo de cavalo e a outra metade de um homem com asas. Depois de caminharem alguns quilômetros eis que surgi uma criatura de aparência meiga e misteriosa.
—Cade a permissão de vocês? Não me lembro de o Sr. Sagitário ter falado de visitas — Disse a criatura.
—Eu tenho que falar com ele, sou um dos escolhidos de Quitz, preciso da ajuda dele para ir para o próximo Mundo — Respondeu Oton.
—Como você sabe o nome do Sr. Quitz? Poucos o possuem conhecimento sobre seu verdadeiro nome, e, “escolhido”? O que você está falando? — Perguntou a criatura.
—Eu preciso encontrar logo com ele, quero trazer Michigan de voltar a vida logo. Ele está na catedral?
—Não responderei, já disse que quero a permissão de vocês.
—Eu não tenho, Escorpião simplesmente trouxe-me até aqui e disse para eu passar pelas doze casas. Como Sagitário é aquele que governo esse mundo ele deve saber alguma forma de me levar até a próxima casa.
—Não, não e não, não levarei você até ele — Disse a criatura enquanto batia as patas no chão.
—Escuta aqui seu projeto de zulu você nos levará até lá, se ele é tão poderoso quanto dizem não tem porquê temer uma criatura como Oton! — Disse Evgeny — A não ser que você ache que Ele não possua poder suficiente para se defender.
—O Sr. Sagitário tem poder para fazer o que ele quiser, não o menospreze. Tudo bem, levarei vocês até ele, quando virarem pó não reclamem — Concluiu a criatura — Chamo-me Cervos.
Daquele momento em diante Oton e Evgeny foram guiados por Cervos, um dos servos de Sagitário. Cervos levou eles por um caminho secreto que passava por debaixo da cidade, após caminharem por cerca de trinta minutos numa local bastante escuro chegaram a um enorme saguão.
—Esperem aqui, comunicarei o Sr. Sagitário que vocês estão aqui, torçam para que ele esteja de bom humor — Disse Cervos.
—Será que realmente foi uma boa ideia entrar na casa de um Deus, Oton? — Perguntou Evgeny, com certo receio.
—Não precisa ter medo, ele não nos fará mal algum — Respondeu Oton.
—O que vocês querem na casa de um Deus, não têm amor por suas vidas? — Disse Sagitário.
—Sr. Sagitário, eu sou Oton um terráqueo, fui mandado aqui por Escorpião e estou percorrendo o caminho das doze casas para encontrar com Quitz, seu pai — Respondeu Oton.
—Ora, ora, então você é o escolhido dessa vez. Papai fez uma péssima escolha dessa vez. Um ser de aparência tão fraca como você jamais conseguiria controlar tanto poder — Falou Sagitário enquanto ria — Mesmo que eu lhe leve para a casa de Capricórnio você não conseguiria viver um dia sequer lá com esse corpo. Até mesmo a pressão do ar daquele mundo lhe destruiria por completo, não sei como você conseguiu chegar tão longe com uma estrutura física tão falha. Levar-lhe-ei para lá apenas com uma condição.
— Qual? — Perguntou Oton.
—Você melhorar no mínimo em sessenta por cento sua condição física. Sem isso você não conseguirá suportar nem uma brisa do mundo onde Capricórnio está. Eu possuo um planeta com gravidade mais intensa do que a desse planeta, além de alguns animais selvagens para você treinar. Construí uma cidade repleta de livros próxima a um riacho, se você treinar apenas o corpo sua mente irá se tornar fraca. Você terá apenas seis meses para concluir esse objetivo, isso é o equivalente há uma semana para mim. Se você aceitar terá que ir hoje — Explicou Sagitário.
—Se essa é a única saída eu irei, mas antes você pode me explicar uma coisa — Perguntou Oton.
—O que?
—Áries deixou esse cubo comigo, nele há algumas escrituras, você pode me explicar melhor sobre eles? — Perguntou Oton mostrando o cubo para Sagitário.
—Desculpe-me, eu não poderei lhe ajudar.
—Por quê?
—Essas escrituras só aparecem para verdadeiros portadores do cubo, é bastante estranho que você consiga vê-los, além do mais, cada um de nós, filhos de Quitz, somos portadores de uma única arma divina. Nossos conhecimentos sobre as demais armas são bastante restritos. Os únicos seres que conhecem totalmente todas elas são meu pai Quitz e meu tio Hades.
—Tudo bem, então terei que esperar meu encontro de Quitz para saber mais.
—Está preparado para viagem?
—Sim, ah…. Esqueci-me completamente do Sr. Evgeny, Sagitário, será que ele poderá ficar morando com vocês? Ele é membro da antiga tribo Grutz.
—Aquela tribo que vivia nas redondezas de Tau Sagittarii alguns milênios atrás? Tudo bem, não há problema, você fará companhia a Cervos até Oton voltar. Depois você ele terá que voltar para o lado de fora. Muito bem Oton, prepare-se, a viagem e o pouso não serão nada agradáveis.
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